Notas explicativas e citações: Salmo 113
Citações de puritanos, reformadores e outros comentaristas sobre o Salmo 113, reunidas por Charles Spurgeon.
Leia o Salmo 113 na íntegra no Midvash, na King James Fiel
Salmo inteiro. Com este salmo começa o Hallel, que é recitado nas três grandes festas, na festa da Dedicação (Hanucá) e nas luas novas, mas não no dia de Ano Novo nem no Dia da Expiação, porque um cântico alegre de louvor não harmoniza com a solenidade pesarosa desses dias. E são recitados apenas em fragmentos nos últimos dias da Páscoa, pois "minhas criaturas, diz o Santo, bendito seja ele, afogaram-se no mar, e haveríeis de irromper em cânticos de alegria?" Na celebração familiar da noite da Páscoa, o Hallel se divide em duas partes: a primeira metade, Salmos 113–114, cantada antes da refeição, antes de esvaziar o segundo cálice festivo; e a outra metade, Salmos 115–118, depois da refeição, depois de encher o quarto cálice, ao qual pode referir-se o "haver cantado um hino" (Mateus 26:30; Marcos 14:26), após a instituição da Ceia do Senhor, ligada ao quarto cálice festivo.
Paulus Burgensis chama os Salmos 113 a 118 de Alleluja Judaeorum magnum (O grande Aleluia dos judeus). Essa denominação também é encontrada com frequência em outros lugares. Mas, segundo o costume predominante, os Salmos 113–118, e mais particularmente 115–118, são chamados apenas Hallel, e o Salmo 136, com seu "porque a sua misericórdia dura para sempre" repetido vinte e seis vezes, leva o nome de "O Grande Hallel" (hallel haggadol). — Franz Delitzsch.
Salmo inteiro. Os judeus transmitiram a tradição de que este salmo, e os que se seguem até o 118, eram todos cantados na Páscoa; e são chamados "O Grande Hallel." Essa tradição mostra, de qualquer modo, que os antigos judeus percebiam nesses seis salmos algum elo de estreita conexão. Todos eles cantam a Deus Redentor, em algum aspecto de seu caráter redentor; e, sendo assim, ao mesmo tempo em que convinham à festa pascal, podemos ver como seriam apropriados nos lábios do Redentor, no Cenáculo. Assim —
No Salmo 113, ele cantou louvor àquele que redime da mais profunda baixeza.
No Salmo 114, ele cantou louvor àquele que uma vez redimiu Israel, e voltará a redimi-lo.
No Salmo 115, ele proferiu um cântico — sobre os ídolos caídos da terra — para aquele que abençoa Israel e o mundo.
No Salmo 116, ele cantou, por antecipação, seu cântico de ação de graças pela ressurreição.
No Salmo 117, ele conduziu o cântico de louvor da grande congregação.
No Salmo 118 (pouco antes de deixar o Cenáculo rumo a Getsêmani), ele derramou a história de seu sofrimento, conflito, triunfo e glorificação. — A. A. Bonar.
Salmo inteiro. Um leitor atento do livro dos Salmos observará que quase todos eles apontam de algum modo para o cristianismo. Muitos, senão a maioria dos salmos, foram sem dúvida ocasionados originalmente por acontecimentos da vida de seu autor real; eram, portanto, ao mesmo tempo descritivos da situação e da vida, das ações e sofrimentos do rei Davi, e também preditivos de nosso Salvador, que era sempre representado pelo rei Davi, de cuja linhagem descendeu segundo a carne. Mas este salmo parece ter sido escrito inteiramente com vistas ao cristianismo.
Ele começa com uma exortação a todos os verdadeiros servos e zelosos adoradores de Deus, para que "louvem o seu nome" em todo tempo e lugar; "desde agora e para sempre", e "desde o nascer do sol até o seu ocaso." E o fundamento desse louvor e adoração é apresentado nos versículos seguintes como sendo, primeiro, a gloriosa majestade de sua natureza divina; e depois, a singular bondade dela, manifesta em suas obras de providência, particularmente ao exaltar os abatidos, e ao fazer fecunda a estéril.
Levantar o pobre da lama e fazer fecunda a mulher estéril pode, à primeira vista, parecer estranha mistura de ideias. Mas uma noção correta da linguagem profética resolve a dificuldade, e nos ensina que ambas as expressões estão, de fato, muito relacionadas, e significam quase a mesma coisa. Pois por "pobres" entendem-se aqui os destituídos de todo conhecimento celestial (a única riqueza verdadeira e real), e que estão afundados na lama e imundície do pecado. Assim, igualmente, fazer "a mulher estéril governar sua casa, e ser alegre mãe de filhos" é metáfora profética, ou alusão à fecundidade da Igreja em gerar filhos, ou professos da verdadeira religião.
Minha interpretação de ambas as expressões se justifica por muitas passagens paralelas da Escritura. Observarei apenas que aqui se prediz a profissão da fé cristã por toda a terra; assim como a direção particular, ou ponto do compasso, para o qual o cristianismo deveria, pelo curso da providência de Deus, ser conduzido e dirigido, a saber, de leste a oeste, ou "desde o nascer do sol até o seu ocaso." — James Bate, 1703–1775.
Versículo 1Salmo 113:1
Louvai ao SENHOR. Louvai. O halelu se repete. Essa repetição não é sem significado. Serve para nos despertar de nosso torpor. Somos todos demasiado lentos em considerar e louvar as bênçãos de Deus. Há, portanto, necessidade desses estímulos. Além disso, essa repetição indica assiduidade e perseverança em proclamar os louvores de Deus. Não basta louvar a Deus uma vez ou outra; seus louvores devem ser sempre cantados na Igreja. — Mollerus.
Louvai ao Senhor. Este louvor a Deus não consiste na mera especulação ou contemplação ociosa da excelência divina, flutuando apenas no cérebro ou deslizando pela língua, mas em apreensões tão vivas e imediatas dela que penetrem o coração, e ali gerem afetos correspondentes; pois isso nos fará amá-lo por sua bondade, respeitá-lo por sua grandeza, temê-lo por sua justiça, recear seu poder, adorá-lo por sua sabedoria, e por todos os seus atributos nos fará viver em constante reverência e obediência a ele. Isto é louvar a Deus; sem isso, toda outra forma de cortejá-lo e lisonjeá-lo não passa de mera adulação e hipocrisia... Deus Todo-Poderoso nos dotou de faculdades mais altas e nobres que às outras criaturas, para este fim: que proclamássemos seu louvor; pois, embora outras coisas tenham sido feitas para fornecer a matéria e a ocasião, só o homem foi designado e habilitado para exercer o ato de glorificar a Deus... Em suma, Deus Todo-Poderoso entrelaçou tão estreitamente sua própria glória e nossa felicidade que, ao promovermos uma, promovemos também a outra. — Matthew Hole, 1730.
Louvai, ó servos do SENHOR. Da exortação a louvar a Deus, e da declaração de que ele merece ser louvado, aprenda-se que, sendo dever de todos os homens louvar o Senhor, é dever especial de seus ministros e oficiais de sua casa. Primeiro, porque seu ofício exige que o cumpram publicamente. Depois, porque, devendo eles conhecer melhor as razões de seu louvor, também devem ser os instrumentos mais aptos para declará-lo. E, por fim, porque os ímpios são surdos à exortação, e mudos em sua obediência; por isso, tendo dito "Louvai ao Senhor", ele acrescenta: "Louvai, ó servos do Senhor." — David Dickson.
Servos do SENHOR. Todos os homens devem esse dever a Deus, por serem obra de suas mãos; os cristãos, mais que os outros homens, por serem ovelhas de seu pasto; os pregadores da palavra, mais que os outros cristãos, por serem pastores de suas ovelhas, e, por consequência, exemplos na palavra, na conduta, no amor, no espírito, na fé, na pureza. 1 Timóteo 4:12. — John Boys.
Versículos 1–3Salmo 113:1-3
Aleluia, louvai ao Senhor!
Louvai, servos, louvai seu nome!
Seja o louvor de Jeová adorado,
Agora e para sempre o mesmo!
Onde os raios do oriente brilham,
Onde se afundam na corrente do oceano,
Por todo o percurso de seus raios
Seja vosso tema o louvor de Jeová.
Richard Mant.
Versículo 2Salmo 113:2
Bendito seja o nome do SENHOR. Que então, ó homem, tua alma labutante se esforce por conceber (pois é impossível exprimir) que imensa dívida de gratidão deves àquele que, por sua bondade criadora, te chamou do nada para te fazer partícipe da razão e até coparticipante da imortalidade com ele mesmo; que, por sua bondade preservadora, se propõe conduzir-te em segurança pelos vários estágios de tua existência eterna; e que, por sua bondade redentora, preparou para ti uma felicidade grande demais para a compreensão do entendimento humano. Poderias receber tais demonstrações de amor a ti e a toda a humanidade com insensibilidade e frieza? Em todo o âmbito da linguagem, que palavra é suficientemente expressiva para pintar a negra ingratidão daquele homem que permanece indiferente e de todo alheio à bondade de Deus, seu Criador, e às misericórdias de Cristo? — Jeremiah Seed, 1747.
Bendito seja o nome do SENHOR, etc. Sem dúvida os discípulos sentados àquela mesa pascal repetiriam, com sentimentos mesclados de gratidão e tristeza, aquela aclamação de louvor: Bendito seja o nome do SENHOR desde agora e para sempre. Mas que israelita, em todas as câmaras pascais de Jerusalém naquela noite, ao cantar o hallel ou hino, ou qual dos discípulos, à mesa pesarosa de Jesus, poderia ter compreendido ou penetrado o pleno sentido da expressão "desde agora"? Desde que momento? Creio que João nos dá uma pista para a própria hora e instante de que o salmista, talvez sem o saber, falava.
Ele nos conta que, quando o traidor Judas recebeu o bocado, saiu imediatamente; e que, quando ele saiu para selar, por assim dizer, e ratificar seu propósito traiçoeiro, Jesus disse: "Agora é glorificado o Filho do homem, e Deus é glorificado nele." Desde aquele momento, quando, pelo determinado conselho e presciência de Deus, o Filho do homem estava para ser entregue nas mãos de homens perversos, e crucificado e morto, ao olhar Jesus para os que o cercavam, já que a tristeza de fato lhes enchia o coração, e ao olhar ele adiante, com olhos que tudo previam, e contemplar todos os que viriam a crer nele por meio da palavra deles, com que significado e ênfase podemos imaginar que o bendito Jesus, naquela noite de angústia, proferiu estas palavras do hino: "Bendito seja o nome do SENHOR desde agora e para sempre"!
"Mais algumas horas e a aliança será selada em meu próprio sangue; o pacto ratificado, quando eu pender da cruz." E com que calma e confiante certeza de triunfo ele contempla aquela cruz de vergonha; com que amor transbordante ele a aponta e diz: "E eu, se for levantado, atrairei todos a mim"!
É exatamente o mesmo aqui, neste salmo pascal; e como deve ter-se alegrado o coração do Salvador, mesmo ao contemplar os sofrimentos que o aguardavam, ao proferir esta predição: "Desde o nascer do sol até o seu ocaso, o nome do SENHOR será louvado"! "O que semeias não é vivificado, a menos que morra"; e assim, desde aquela hora até o presente, o Senhor tem acrescentado diariamente à igreja aqueles que, em cada época e em cada clima, escolheu para a salvação, até que, na plenitude de seu próprio tempo determinado, do leste e do oeste, do norte e do sul, todas as nações o servirão, e "a terra se encherá do conhecimento do Senhor como as águas cobrem o mar." — Barton Bouchier.
Desde agora e para sempre. Os servos do Senhor devem cantar seus louvores nesta vida até o fim do mundo; e na vida futura, pelos séculos dos séculos. — John Boys.
Versículo 3Salmo 113:3
Desde o nascer do sol até o seu ocaso. Isto é, em toda parte, de leste a oeste. Estas partes ocidentais do mundo estão especialmente profetizadas para desfrutar do culto a Deus depois dos judeus, que estavam a leste; e estas ilhas nossas, situadas no mar onde se diz que o sol se põe — expressão dos antigos poetas gregos —, e o profeta aqui usa palavra semelhante em hebraico, onde o ocidente é chamado, segundo a concepção comum, o poente do sol, ou o seu declínio, ou entrada. — Samuel Torshell, 1641.
Versículos 4–5Salmo 113:4-5
O SENHOR é excelso... o SENHOR, nosso Deus, habita nas alturas. Mas quão alto é ele? Resposta:
- Tão alto, que todas as criaturas se curvam diante dele e lhe prestam homenagem, cada qual segundo sua aptidão e capacidade. João os traz a todos, atribuindo-lhe a coroa de glória, recusando-a para si mesmos, mas colocando-a sobre a cabeça dele, como realeza devida só a ele. (Apocalipse 5:13)
(a) Alguns, por via de sujeição, curvando-se a ele: anjos e santos o adoram, reconhecendo sua excelência ao negar a própria, e erigindo a vontade dele como sua lei suprema e excelência.
(b) Outros reconhecem sua eminência por sua consternação ante o menor lampejo de sua glória; quando ele revela apenas os emblemas de sua grandeza, os demônios tremem, os homens se abalam, Tiago 2:19; Isaías 33:14.
(c) Terceiro, até as criaturas inanimadas, por conformidade e pronta sujeição às impressões de seu poder, Habacuque 3:9-11; Isaías 48:13; Daniel 4:35.
- Ele é tão alto que ultrapassa toda capacidade criada de compreendê-lo, Jó 11:7-9. De modo que, na frase de Davi, sua grandeza é "insondável", Salmos 145:3. Em suma, ele é tão alto,
(a) Que nenhum olho corporal jamais o viu, ou pode vê-lo.
(b) Nem o olho do entendimento pode alcançá-lo perfeitamente. Ele habita em luz inacessível, que nenhum olho mortal pode atingir. — Condensado de um sermão de Thomas Hedges, intitulado "Um Vislumbre da Glória de Deus", 1642.
Versículo 6Salmo 113:6
Que se humilha. Tudo o que se possa afirmar de Deus pode ser afirmado dele infinitamente, e tudo o que ele é, ele o é infinitamente. Assim, o salmista, neste lugar, não fala de Deus como humilde, mas como infinita e superlativamente humilde, humilde além de toda concepção e comparação; ele desafia todo o universo da natureza criada, do mais alto espírito imortal no céu ao mais baixo mortal na terra, a mostrar um ser dotado de tanta humildade quanto a majestade adorável do grande Deus do céu e da terra... Se algumas manifestações da humildade divina surpreendem, as seguintes podem espantar-nos: ver o grande Rei dos céus curvando-se de sua altura, e condescendendo em oferecer termos de reconciliação às suas criaturas rebeldes! Ver a majestade ofendida cortejando os ofensores a aceitar o perdão! Ver Deus persuadindo, rogando e suplicando aos homens que voltem a ele com tanta insistência e fervor, como se sua própria vida estivesse ligada a eles, e sua própria felicidade dependesse da deles! Ver o adorável Espírito de Deus, com paciência e mansidão infinitas, submeter-se ao desprezo e aos insultos de criaturas tão miseráveis e desprezíveis quanto os mortais pecadores! Não é isto espantoso? — Valentine Nalson, 1641–1724.
Que se humilha para contemplar. Se é tal condescendência Deus contemplar as coisas do céu e da terra, que espantosa condescendência foi o Filho de Deus vir do céu à terra e tomar sobre si nossa natureza, para buscar e salvar os que estavam perdidos! Aqui, verdadeiramente, ele se humilhou. — Matthew Henry.
Versículo 7Salmo 113:7
Ele levanta o pobre, etc. Não há dúvida de que aqui se faz referência ao respeito que Deus dedica até às classes inferiores da raça humana, visto que "levanta o pobre, e ergue o necessitado." Não tenho dúvida de que, em todo este salmo, há referência aos tempos evangélicos; que, nesse sentido, é um salmo profético, com referência especial ao cristianismo, que pode ser chamado, por excelência e distinção, a religião dos pobres — sua maior glória. Pois, quando João Batista enviou dois discípulos a Jesus, para saber se ele era o Messias, a resposta de nosso Senhor foi: "Os cegos veem, os leprosos são purificados, os mortos são ressuscitados" — todos acontecimentos extraordinários, milagres, em suma, que provavam sua missão divina. E resumiu tudo dizendo: "Aos pobres é anunciado o evangelho"; um milagre tão grande quanto qualquer outro, uma distinção tão grande quanto qualquer outra.
Nunca houve religião, além da verdadeira religião, em todas as suas várias dispensações, que desse igual atenção a todas as classes da sociedade. Em todas as outras havia uma classe privilegiada, mas aqui não há nenhuma. Talvez uma das visões mais interessantes que podemos ter do cristianismo seja sua maravilhosa adequação ao caráter e às circunstâncias dos pobres. Que oportunidade isso oferece para a manifestação das graças brilhantes e suaves do Espírito Santo! Que fontes de consolo isso abre para suavizar as aflições da vida! E quantas vezes, ao escolher os pobres, ricos em fé, para fazê-los herdeiros do reino, Deus levanta o pobre do pó, e o necessitado do monturo! — Richard Watson.
Ele levanta o pobre, etc. Gideão é tirado da debulha, Saul, de procurar as jumentas, e Davi, de apascentar ovelhas; os apóstolos são chamados da pesca para serem "pescadores de homens." O tesouro do evangelho é posto em vasos de barro, e os fracos e néscios do mundo são escolhidos para serem seus pregadores, para confundir os "sábios e poderosos" (1 Coríntios 1:27-28), a fim de que a excelência do poder seja de Deus, e todos vejam que a promoção vem dele. — Matthew Henry.
Ele levanta o pobre. A maior honra já conferida a uma simples criatura foi feita por consideração à mais profunda humildade; o Filho de Deus teve tal consideração pela humildade da bendita virgem, que lhe concedeu a honra de escolhê-la para mãe de sua santa humanidade. É observação de S. Crisóstomo que aquela mesma mão que o humilde João Batista não julgava digna de desatar a sandália de nosso bendito Salvador, essa mesma mão nosso Senhor julgou digna de batizar sua sagrada cabeça. — Valentine Nalson.
E levanta o necessitado do monturo; o que denota condição humilde; assim, alguém nascido em lugar humilde, e criado de modo humilde, é às vezes representado como tirado de um monturo; e também expressa condição imunda; os homens, pelo pecado, não são apenas levados a um estado baixo, mas a um estado repugnante, e são justamente abomináveis aos olhos de Deus, e, no entanto, ele os levanta dali: as expressões "levantar" e "erguer" pressupõem que estejam caídos, como os homens estão em Adão, caídos de um estado de honra e glória, do qual não podem livrar-se por si mesmos; é obra de Cristo, e só dele, levantar as tribos de Jacó, e ajudar ou erguer seu servo Israel. Isaías 49:6; Lucas 1:54; ver 1 Samuel 2:8. — John Gill.
O pobre... o necessitado. Alegra-te, pois, no favorável olhar que Deus te dedica. O mais alto e o maior dos seres se digna considerar-te. Ainda que sejas pobre e humilde, e os homens te ignorem; ainda que teus irmãos te odeiem, e teus amigos se afastem de ti, ouve! Deus olha desde seu majestoso trono para ti. Em meio à infinita variedade de suas obras, não és esquecido. Em meio aos serviços mais nobres de dez mil vezes dez mil santos e anjos, nenhuma de tuas orações fervorosas ou de teus humildes gemidos escapa a seus ouvidos. — Job Orton, 1717–1783.
Deus Todo-Poderoso não pode olhar acima de si mesmo, por não ter superiores; nem ao redor de si, por não ter iguais; ele contempla os que estão abaixo dele; e por isso, quanto mais baixo é um homem, mais perto está de Deus; ele resiste aos soberbos, e dá graça aos humildes, 1 Pedro 5:5. Ele derruba os poderosos de seu assento, e exalta os de condição humilde. O Altíssimo tem olhar especial para os mais humildes; pois, como segue em nosso texto, "ele levanta o simples do pó, e ergue o pobre da sujeira." — John Boys.
Monturo. Emblema da mais profunda pobreza e abandono; pois, na Síria e na Palestina, o homem excluído da sociedade se deita sobre a mezbele (o monturo, ou monte de cinzas), chamando de dia pelos transeuntes por esmolas, e escondendo-se à noite nas cinzas aquecidas pelo sol. — Franz Delitzsch.
Monturo. As passagens da Bíblia em que a palavra ocorre parecem todas referir-se, como observa Parkhurst, às pilhas de esterco bovino e outros dejetos que os orientais, por falta de lenha, eram obrigados a guardar como combustível. — Richard Mant.
Versículos 7–8Salmo 113:7-8
Estes versículos são retirados quase literalmente da oração de Ana, 1 Samuel 2:8. A transição para o "povo" é ainda mais natural, pois Ana, considerando-se, ao final, como tipo da igreja — com a qual cada israelita se sentia muito mais intimamente ligado do que costuma ocorrer entre nós — extrai da salvação que lhe foi concedida perspectivas alegres para o futuro. — E. W. Hengstenberg.
Versículo 8Salmo 113:8
Com os príncipes do seu povo. É a honra que vem de Deus que, só ela, exalta. Seja qual for o conceito que o mundo faça de um homem pobre, ele pode ser mais precioso aos olhos de Deus que o mais alto entre os homens. Os humildes pobres são aqui contados, não entre os príncipes da terra, mas entre "os príncipes do seu povo." As distinções deste mundo, mesmo entre os que servem ao mesmo Deus, são como nada a seus olhos, comparadas com aquela honra fundada na livre graça de Deus para com os seus. Mas também aqui a plenitude desta afirmação só se verá no mundo vindouro, quando todos os fiéis serão reconhecidos como reis e sacerdotes para Deus. — W. Wilson.
Versículo 9Salmo 113:9
Ele faz da mulher estéril uma dona de casa, etc. Deveria uma mulher casada, há muito tida por estéril, tornar-se mãe, sua alegria, e a de seu marido e amigos, seria extravagante. "Chamaram-na Malady" — isto é, "Estéril" — "mas ela nos deu bom fruto." "Meus vizinhos apontavam para mim, e diziam: Malady; mas o que dirão agora?" Um homem que, em qualquer ocasião, manifesta grande contentamento, é comparado à mulher estéril que finalmente deu à luz um filho. Qualquer coisa extremamente valiosa é assim descrita: "Isto é tão precioso quanto o filho da mulher estéril"; isto é, daquela que por muito tempo foi tida por estéril. — Joseph Roberts.
Ele faz da mulher estéril uma dona de casa, etc. Assim como a baixeza nos homens, a esterilidade nas mulheres é tida por grande infelicidade. Mas, assim como Deus levanta o mendigo da lama para assentá-lo com príncipes, também "faz da mulher estéril alegre mãe de filhos." Ele governa todas as coisas na família privada, tanto quanto no bem público. Filhos e o fruto do ventre são dádiva e herança que vêm do Senhor, Salmos 127:3; e por isso os papistas, ao orarem a Santa Ana por filhos, e os gentios, ao invocarem Diana, Juno, Latona, ambos erram. É só Deus quem faz da mulher estéril "mãe", e "alegre mãe." Toda mãe se alegra no início, segundo aquilo de Cristo: "a mulher, quando está para dar à luz, tem tristeza, porque é chegada a sua hora; mas, depois de ter dado à luz o filho, já não se lembra da aflição, pelo prazer de haver nascido um homem ao mundo."
Os teólogos aplicam isto também misticamente a Cristo, afirmando que ele fez da igreja dos gentios, outrora "estéril", "alegre mãe de filhos", segundo aquilo do profeta: "Regozija-te, ó estéril, que não davas à luz; exulta de alegria, tu que não estavas de parto; porque mais são os filhos da desolada do que os da casada, diz o Senhor", Isaías 54:1. Ou pode ser entendido dos verdadeiros cristãos: todos nós somos, por natureza, estéreis de bondade, concebidos e nascidos em pecado, incapazes de pensar um bom pensamento (2 Coríntios 3:5); mas o Pai das luzes e das misericórdias nos faz fecundos e sempre abundantes na obra do Senhor (1 Coríntios 15:58); ele nos dá graça para sermos pais e mães de muitas boas obras, que são nossos filhos e melhores herdeiros, perpetuando nosso nome para sempre. — John Boys.
A mulher estéril é a igreja cristã pobre, abandonada e aflita, que a falsa igreja oprime, desafia e persegue, e considera inútil, miserável, estéril, porque ela mesma é maior e mais populosa, a maior parte do mundo. — Joshua Arndt, 1626–1685.
Louvai ao SENHOR. Podemos olhar ao redor, e ver abundante ocasião para louvar a Deus — em sua condescendência para com os assuntos humanos, em seu levantar o pobre da condição mais humilde, em seu exaltar os de posição humilde a lugares de honra, confiança, riqueza e poder; mas, afinal, se desejamos encontrar ocasiões de louvor que mais ternamente toquem o coração, e estejam ligadas aos mais calorosos afetos da alma, é mais provável encontrá-las no círculo doméstico — no amor mútuo, nas alegrias comuns, nos sentimentos ternos que unem os membros de uma família. — Albert Barnes.
Louvai ao SENHOR. O simples ouvir das mudanças confortantes que o Senhor pode fazer, e de fato faz, o aflito encontrar, é motivo de alívio para todos, e de louvor a Deus da parte de todos. — David Dickson.