Salmo 150
Leia o Salmo 150 na íntegra no Midvash, na King James Fiel
Chegamos agora ao último cume da cordilheira dos Salmos. Ele se ergue alto no azul límpido, e seu cimo se banha na luz do sol do mundo eterno da adoração — é um êxtase. O poeta profeta está cheio de inspiração e entusiasmo. Ele não busca argumentar, ensinar, explicar; mas clama, com palavras ardentes: "Louvai-o, louvai-o, louvai ao SENHOR."
Exposição
Versículo 1Salmo 150:1
Louvai ao SENHOR. Aleluia! A exortação vale para todas as coisas na terra ou no céu. Não deveriam todas anunciar a glória daquele para cuja glória existem, e foram criadas? Jeová, o Deus único, deve ser o único objeto de adoração. Dar a outrem a menor partícula da sua honra é traição vergonhosa; recusar-se a prestá-la a ele é roubo sem coração.
Louvai a Deus no seu santuário. Louvai a El, o forte, no seu lugar santo. Veja como o poder é mencionado junto com a santidade nessa mudança de nomes. O louvor começa em casa. "Na própria casa de Deus, proclamai o seu louvor." O lugar santo deve encher-se de louvor, assim como antigamente o sumo sacerdote enchia o santo dos santos com a fumaça do incenso de suave aroma. Em sua igreja aqui embaixo e em suas cortes lá em cima, aleluias devem ser continuamente apresentadas.
Na pessoa de Jesus, Deus encontra uma habitação santa, um santuário, e ali ele deve ser grandemente louvado. Pode-se dizer também que ele habita na santidade, pois todos os seus caminhos são retos e bons; por isso devemos exaltá-lo de coração e de voz. Sempre que nos reunimos com propósitos sagrados, nossa principal obra deve ser apresentar louvores ao Senhor nosso Deus.
Louvai-o no firmamento do seu poder. É coisa bendita que, em nosso Deus, santidade e poder estejam unidos. Poder sem justiça seria opressão, e justiça sem poder seria fraca demais para ser útil; mas junte-se as duas coisas num grau infinito, e temos Deus. Que amplidão há no firmamento sem limites do poder divino! Que tudo se encha de louvor. Que os céus, tão grandes e fortes, ecoem o louvor do Jeová três vezes santo, enquanto os santuários da terra engrandecem o Todo-Poderoso.
Versículo 2Salmo 150:2
Louvai-o pelos seus atos poderosos. Eis aqui uma razão para o louvor. Nesses feitos de poder vemos a ele mesmo. Essas obras de sua onipotência estão sempre a favor da verdade e da justiça. Suas obras de criação, providência e redenção clamam todas por louvor; são atos seus, atos do seu poder, portanto que seja louvado por elas.
Louvai-o segundo a sua excelente grandeza. Seu ser é ilimitado, e seu louvor deve corresponder a isso. Ele possui uma multidão, ou uma plenitude, de grandeza, e por isso deve ser grandemente louvado. Não há nada pequeno em Deus, e não há nada grande fora dele. Se sempre tivéssemos o cuidado de tornar nossa adoração digna e apropriada ao nosso grande Senhor, quanto melhor cantaríamos! Quanto mais reverentemente adoraríamos! Obras tão excelentes devem receber louvor excelente.
Versículo 3Salmo 150:3
Louvai-o ao som da trombeta. Com a nota mais forte e mais clara, convoque o povo. Faça saber a todos que não temos vergonha de adorar. Convoque-os com som inconfundível a se curvarem diante do seu Deus. O som da trombeta está associado aos eventos mais grandiosos e solenes, como a entrega da lei, a proclamação do jubileu, a coroação dos reis judeus e o furor da guerra. Deve-se pensar nele também em referência à segunda vinda do nosso Senhor e à ressurreição dos mortos.
Se não podemos dar voz a esse instrumento marcial, que ao menos o nosso louvor seja tão decidido e ousado quanto se pudéssemos soprar a trompa. Nunca soemos uma trombeta diante de nós para nossa própria honra; reservemos todo o nosso tocar de trombeta para a glória de Deus.
E, reunido o povo ao som da trombeta, louvai-o com o saltério e a harpa. Instrumentos de corda devem ser usados tanto quanto os que ganham voz pelo vento. Notas doces devem ser consagradas tanto quanto os sons mais retumbantes. O sentido evangélico é que todos os poderes e faculdades devem louvar ao Senhor — pessoas de toda sorte, em toda circunstância, com constituições diferentes, devem prestar honra ao Senhor de todos. Se há alguma virtude, se há algum talento, se há alguma influência, que tudo seja consagrado ao serviço do Benfeitor universal. Harpa e lira — as mais escolhidas, as mais doces — devem ser todas do nosso Senhor.
Versículo 4Salmo 150:4
Louvai-o com o adufe e a dança. Associada à libertação no Mar Vermelho, essa forma de culto expressava a mais jubilosa e exultante das adorações. Mãos e pés eram empregados, e o corpo inteiro se movia em harmonia com os membros. Não há momentos da vida em que nos sentimos tão alegres que quase dançaríamos de júbilo? Que essa exultação não se gaste em temas comuns, mas que o nome de Deus nos mova ao êxtase. Exultemos, clamando:
"No Cordeiro celeste três vezes feliz sou,
e o meu coração dança ao som do seu nome."
Há o bastante em nossa santa fé para criar e justificar o mais alto grau de deleite arrebatado. Se os homens são apáticos na adoração ao Senhor nosso Deus, não agem de acordo com o caráter da sua religião.
Louvai-o com instrumentos de corda e órgãos. Temos aqui três tipos de instrumentos musicais: os que se percutem, como o adufe; as cordas; e as flautas — que todos sejam ensinados a louvar ao Senhor. Nada é comum ou impuro: tudo pode ser santificado para os usos mais elevados. Muitos homens, muitas mentes, tão diferentes quanto cordas e flautas; mas há um só Deus, e a esse único Deus todos devem adorar. A palavra traduzida por "órgãos" significa flauta — uma forma mais simples de instrumento de sopro do que o órgão moderno e mais elaborado. Sem dúvida, muitos pastores piedosos derramaram gentis melodias pastoris de uma cana ou flauta de aveia, e assim engrandeceram o seu Deus.
Versículo 5Salmo 150:5
Louvai-o com címbalos retumbantes: louvai-o com címbalos de alto som. Que o estrondo da música mais forte seja do Senhor; que o clangor jubiloso das notas mais elevadas seja todo para ele. O louvor já feriu o adufe, dedilhou a harpa e soou a trombeta, e agora, num último esforço, despertando os dorminhocos mais pesados e sobressaltando os espectadores mais indiferentes, ele choca os discos de bronze e, com sons altos e agudos, proclama as glórias do Senhor.
Versículo 6Salmo 150:6
Tudo quanto tem fôlego louve ao SENHOR. "Que todo fôlego o louve": isto é, todos os seres vivos. Ele lhes deu fôlego; que respirem o seu louvor. Seu nome, em hebraico, é composto mais de respirações do que de letras, para mostrar que todo fôlego vem dele: por isso que seja usado para ele. Juntai-vos, todos os seres vivos, no cântico eterno. Sejais os menores ou os maiores, não retenhais os vossos louvores. Que dia será aquele em que todas as coisas, em todos os lugares, se unirem para glorificar o único Deus vivo e verdadeiro! Este será o triunfo final da igreja de Deus.
Louvai ao SENHOR. Mais uma vez, Aleluia! Assim se completa o Salmo com a nota do louvor; e assim se encerra o Livro dos Salmos com uma palavra ardente de adoração. Leitor, não queres, neste exato momento, deter-te um instante e adorar ao Senhor teu Deus? Aleluia!