Salmo 5
Leia o Salmo 5 na íntegra no Midvash, na King James Fiel
TÍTULO. "Ao mestre de música, sobre Neilote, um Salmo de Davi." A palavra hebraica Neilote vem de outra palavra, que significa "perfurar", "abrir um furo", de onde passou a significar um cano ou uma flauta; por isso, este cântico provavelmente devia ser cantado com acompanhamento de instrumentos de sopro, como a trombeta, o clarim, a flauta ou o cornetim. Contudo, é preciso notar que não temos certeza da interpretação desses antigos títulos, pois a Septuaginta o traduz como "Para aquele que há de receber herança", e Aben Ezra pensa que ele designa alguma melodia antiga e conhecida à qual este Salmo devia ser cantado. Os melhores estudiosos confessam que grande escuridão paira sobre a interpretação exata do título; e isso não é de lamentar, pois fornece uma prova interna da grande antiguidade do Livro.
Ao longo dos Salmos primeiro, segundo, terceiro e quarto, você deve ter notado que o tema é um contraste entre a posição, o caráter e as perspectivas do justo e do ímpio. Neste Salmo, note o mesmo. O salmista traça um contraste entre si mesmo, feito justo pela graça de Deus, e os ímpios que se opunham a ele. Para a mente devota, apresenta-se aqui uma preciosa visão do Senhor Jesus, de quem se diz que, nos dias da sua carne, ofereceu orações e súplicas com forte clamor e lágrimas.
DIVISÃO. O Salmo deve ser dividido em duas partes: do primeiro ao sétimo versículo, e depois do oitavo ao décimo segundo. Na primeira parte do Salmo, Davi suplica com veemência que o Senhor atenda à sua oração; e na segunda parte, ele retoma o mesmo terreno.
Exposição
Versículo 1Salmo 5:1
Há duas espécies de oração: as que se expressam em palavras, e os anseios não pronunciados que permanecem como meditações silenciosas. Palavras não são a essência, mas as vestes da oração. Moisés, junto ao Mar Vermelho, clamou a Deus sem dizer nada. Ainda assim, o uso da linguagem pode evitar a distração da mente, ajudar as forças da alma e despertar a devoção. Davi, note-se, usa os dois modos de oração, e pede audiência para um e consideração para o outro. Que palavra expressiva! "Considera a minha meditação."
Se pedi o que é certo, dá-mo; se deixei de pedir o que mais precisava, preenche a lacuna da minha oração. "Considera a minha meditação." Que a tua santa alma a considere apresentada por meio do meu glorioso Mediador: então, olha para ela na tua sabedoria, pesa-a na balança, julga a minha sinceridade e o verdadeiro estado das minhas necessidades, e responde-me a seu tempo, por amor da tua misericórdia!
Pode haver intercessão eficaz onde não há palavras; e, infelizmente, pode haver palavras onde não há verdadeira súplica. Cultivemos o espírito de oração, que é ainda melhor do que o hábito de orar. Pode haver oração aparente onde há pouca devoção. Devemos começar a orar antes de nos ajoelharmos, e não devemos parar quando nos levantamos.
Versículo 2Salmo 5:2
A voz do meu clamor. Em outro Salmo encontramos a expressão "a voz do meu pranto." O pranto tem uma voz — um tom derretido, plangente, uma estridência que atravessa o ouvido e alcança o próprio coração de Deus; e o clamor também tem uma voz — uma eloquência que comove a alma; saindo do nosso coração, ela chega ao coração de Deus. Ah, meus irmãos e irmãs, às vezes não conseguimos pôr nossas orações em palavras: elas não passam de um clamor; mas o Senhor consegue entender o sentido, pois ele ouve uma voz no nosso clamor. Para um pai amoroso, o choro dos filhos é música, e tem um poder mágico ao qual o seu coração não resiste.
Meu Rei, e meu Deus. Observe com atenção esses pequenos pronomes, "meu Rei, e meu Deus." Eles são a essência e o âmago do argumento. Aqui está uma grande razão pela qual Deus deveria responder à oração: porque ele é o nosso Rei e o nosso Deus. Não somos estranhos para ele: ele é o Rei da nossa pátria. Espera-se que os reis atendam aos apelos do seu próprio povo. Não somos estrangeiros para ele; somos os seus adoradores, e ele é o nosso Deus: nosso por aliança, por promessa, por juramento, por sangue.
Porque a ti orarei. Aqui Davi declara que buscará a Deus, e somente a Deus. Deus deve ser o único objeto de adoração: o único recurso da nossa alma em tempos de necessidade. Deixe as cisternas rotas para os ímpios, e que os piedosos bebam somente da fonte divina. "A ti orarei." Ele faz uma resolução: enquanto vivesse, oraria. Nunca deixaria de suplicar, mesmo que a resposta não viesse.
Versículo 3Salmo 5:3
Note que isto não é tanto uma oração quanto uma resolução: "'A minha voz ouvirás;' não ficarei mudo, não me calarei, não reterei minha fala, clamarei a ti, pois o fogo que habita dentro de mim me obriga a orar." Podemos morrer antes de viver sem oração. Nenhum dos filhos de Deus está possuído por um demônio mudo.
Pela manhã. Este é o momento mais próprio para o convívio com Deus. Uma hora pela manhã vale duas à noite. Enquanto o orvalho está sobre a relva, que a graça caia sobre a alma. Demos a Deus as manhãs dos nossos dias e a manhã das nossas vidas. A oração deve ser a chave do dia e a fechadura da noite. A devoção deve ser a estrela da manhã e a estrela da tarde.
Se lermos apenas a nossa versão inglesa e buscarmos uma explicação para estas duas frases, encontramo-la na figura de um arqueiro: "Dirigirei a minha oração a ti" — porei minha oração sobre o arco, apontarei para o céu, e, depois de disparar a flecha, olharei para ver aonde ela foi. Mas o hebraico tem um sentido ainda mais pleno do que este: "Dirigirei a minha oração." É a mesma palavra usada para o ordenar da lenha e das partes da vítima sobre o altar, e também para a colocação dos pães da proposição sobre a mesa. Significa exatamente isto: "Arranjarei a minha oração diante de ti;" a colocarei sobre o altar pela manhã, assim como o sacerdote arranja o sacrifício matinal. Arranjarei a minha oração; ou, como diz o velho Mestre Trapp, "marchalarei as minhas orações" — as porei em ordem, convocarei todas as minhas forças e mandarei que fiquem cada uma em seu lugar, para que eu ore com todo o meu vigor, e ore de modo aceitável.
E ficarei atento. Ou, como o hebraico talvez melhor se traduza, "olharei para fora," ficarei olhando para a resposta; depois de orar, esperarei que a bênção venha. É uma palavra usada em outro lugar, onde se fala daqueles que vigiavam pela manhã. Assim vigiarei eu pela tua resposta, ó meu Senhor! Estenderei a minha oração como a vítima sobre o altar, e olharei para cima, esperando receber a resposta pelo fogo do céu que consome o sacrifício.
Duas perguntas surgem da última parte deste versículo. Não perdemos boa parte da doçura e da eficácia da oração por falta de meditação cuidadosa antes dela, e de expectativa esperançosa depois? Muitas vezes nos precipitamos diante de Deus sem reflexão nem humildade. Somos como homens que se apresentam diante de um rei sem uma petição, e que surpresa é que muitas vezes percamos o objetivo da oração? Devemos cuidar para manter sempre corrente a água da meditação; pois é ela que move o moinho da oração. É inútil abrir as comportas de um riacho seco e esperar ver a roda girar. Orar sem fervor é caçar com um cão morto, e orar sem preparo é caçar com um falcão cego. A oração é obra do Espírito Santo, mas ele age por meios. Deus fez o homem, mas usou o pó da terra como matéria-prima: o Espírito Santo é o autor da oração, mas emprega os pensamentos de uma alma fervorosa como o ouro com que molda o vaso. Que as nossas orações e louvores não sejam os relâmpagos de uma mente afobada e quente, mas o arder constante de um fogo bem aceso.
Mas, além disso, não esquecemos de vigiar o resultado das nossas súplicas? Somos como a avestruz, que põe seus ovos e não olha por seus filhotes. Semeamos a semente e somos preguiçosos demais para buscar a colheita. Como podemos esperar que o Senhor abra as janelas da sua graça e derrame sobre nós uma bênção, se não abrirmos as janelas da expectativa e olharmos para cima em busca do favor prometido? Que a santa preparação dê as mãos à paciente expectativa, e teremos respostas muito maiores às nossas orações.
Versículo 4Salmo 5:4
E agora, tendo o salmista expressado a sua resolução de orar, você o ouve elevando a sua súplica. Ele está clamando contra seus inimigos cruéis e ímpios. Usa um argumento poderosíssimo. Pede a Deus que os afaste dele, porque eram desagradáveis ao próprio Deus. Porque tu não és Deus que tenhas prazer na maldade: contigo não habitará o mal. "Quando oro contra os que me tentam," diz Davi, "oro contra as próprias coisas que tu mesmo abominas." Tu odeias o mal: Senhor, eu te suplico, livra-me dele!
Aprendamos aqui a verdade solene do ódio que um Deus justo há de nutrir contra o pecado. Ele não tem prazer na maldade, por mais espirituosa, grandiosa e orgulhosa que ela se vista. O seu brilho não o encanta. Os homens podem se curvar diante da vilania bem-sucedida, e esquecer a maldade da batalha na ostentação do triunfo, mas o Senhor da Santidade não é assim como nós. Contigo não habitará o mal. Ele não lhe dará nem o mais mísero abrigo. Nem na terra nem no céu o mal partilhará da morada de Deus. Ah, quão tolos somos se tentamos hospedar dois convidados tão hostis entre si quanto Cristo Jesus e o diabo! Tenha certeza: Cristo não morará na sala da nossa vida se hospedarmos o diabo no porão dos nossos pensamentos.
Versículo 5Salmo 5:5
Os loucos não subsistirão diante dos teus olhos. Pecadores são loucos em letras garrafais. Um pequeno pecado é uma grande loucura, e a maior de todas as loucuras é o grande pecado. Tais loucos pecadores devem ser banidos da corte do céu. Reis terrenos costumavam ter bobos em seu séquito, mas o único Deus sábio não terá loucos em seu palácio lá em cima. Tu odeias todos os que praticam a iniquidade. Não é um leve desagrado, mas um ódio completo que Deus nutre pelos que praticam a iniquidade. Ser odiado por Deus é algo terrível. Ah, sejamos muito fiéis em advertir os ímpios ao nosso redor, pois será coisa terrível cair nas mãos de um Deus irado!
Versículo 6Salmo 5:6
Note que os que falam mal devem ser punidos tanto quanto os que praticam o mal, pois tu destruirás os que falam mentiras. Todos os mentirosos terão sua parte no lago que arde com fogo e enxofre. Um homem pode mentir sem correr perigo diante da lei dos homens, mas não escapará da lei de Deus. Os mentirosos têm asas curtas, o seu voo logo terminará, e cairão nos rios de fogo da destruição. O Senhor abominará o homem sanguinário e enganador. Homens sanguinários serão embriagados com o seu próprio sangue, e os que começaram enganando os outros acabarão sendo enganados eles mesmos. Nosso velho provérbio diz: "Homens sanguinários e enganadores cavam a própria cova." A voz do povo, neste caso, é a voz de Deus. Como é forte a palavra abominará! Não nos mostra ela quão poderoso e profundo é o ódio do Senhor contra os que praticam a iniquidade?
Versículo 7Salmo 5:7
Com este versículo termina a primeira parte do Salmo. O salmista dobrou o joelho em oração; descreveu diante de Deus, como argumento para a sua libertação, o caráter e o destino dos ímpios; e agora contrasta isso com a condição do justo. Mas eu, pela grandeza da tua misericórdia, entrarei em tua casa. Não ficarei a distância, entrarei no teu santuário, assim como um filho entra na casa do seu pai. Mas não entrarei ali por méritos próprios; não, tenho uma multidão de pecados, e por isso entrarei na multidão da tua misericórdia. Aproximar-me-ei de ti com confiança por causa da tua graça incomensurável. Os juízos de Deus são todos contados, mas as suas misericórdias são incontáveis; ele dá a sua ira com peso, mas a sua misericórdia sem peso.
E em teu temor adorarei em direção ao teu santo templo, em direção ao templo da tua santidade. O templo ainda não estava construído na terra naquele tempo; havia apenas um tabernáculo; mas Davi costumava voltar os olhos espiritualmente para aquele templo da santidade de Deus, onde, entre as asas dos querubins, Jeová habita em luz inefável. Daniel abriu sua janela em direção a Jerusalém, mas nós abrimos o coração em direção ao céu.
Versículo 8Salmo 5:8
Chegamos agora à segunda parte, na qual o salmista repete os seus argumentos e retoma o mesmo terreno.
Guia-me, Senhor, como uma criancinha é guiada pelo seu pai, como um cego é conduzido pelo seu amigo. É seguro e agradável caminhar quando é Deus quem guia o caminho. "Na tua justiça," não na minha justiça, que é imperfeita, mas na tua, pois tu és a própria justiça. "Endireita diante da minha face" o teu caminho, não o meu caminho. Irmãos, quando aprendemos a abrir mão do nosso próprio caminho, e ansiamos por andar no caminho de Deus, é um sinal feliz de graça; e não é pequena misericórdia ver o caminho de Deus com visão clara, reto diante da nossa face. Erros quanto ao dever podem nos levar a um mar de pecados antes que percebamos onde estamos.
Versículo 9Salmo 5:9
Esta descrição do homem depravado foi retomada pelo apóstolo Paulo que, junto com outras citações, a colocou no segundo capítulo de Romanos, como uma descrição precisa de toda a raça humana, não apenas dos inimigos de Davi, mas de todos os homens por natureza. Note aquela figura notável: A sua garganta é um sepulcro aberto, um sepulcro cheio de repugnância, de miasma, de peste e de morte. Mas, pior do que isso, é um sepulcro aberto, com todos os seus gases nocivos saindo para espalhar morte e destruição ao redor.
Assim, com a garganta dos ímpios, seria uma grande misericórdia se pudesse permanecer sempre fechada. Se pudéssemos selar em silêncio contínuo a boca do ímpio, seria como um sepulcro fechado, e não produziria muito estrago. Mas a sua garganta é um sepulcro aberto, e por isso toda a maldade do seu coração exala e sai para fora. Quão perigoso é um sepulcro aberto; os homens em suas jornadas poderiam facilmente tropeçar nele, e se encontrar entre os mortos. Ah, cuidado com o homem ímpio, pois não há nada que ele não dirá para arruinar você; ele almejará destruir o seu caráter e sepultá-lo no hediondo sepulcro da sua própria garganta perversa.
Um pensamento doce, porém. Na ressurreição haverá uma ressurreição não só de corpos, mas de caracteres. Isso deve ser um grande consolo para o homem que foi maltratado e caluniado. Então os justos resplandecerão como o sol. O mundo pode achar você vil, e sepultar o seu caráter; mas, se você foi íntegro, no dia em que os túmulos entregarem seus mortos, este sepulcro aberto da garganta do pecador será obrigado a devolver o seu caráter celestial, e você sairá e será honrado diante dos homens.
Lisonjeiam com a língua. Ou, como poderíamos ler, "têm uma língua untuosa, uma língua macia." Uma língua macia é um grande mal; muitos foram enfeitiçados por ela. Há muitos formigueiros humanos que, com suas longas línguas cobertas de palavras oleosas, atraem e enganam os incautos, e assim tiram proveito. Quando o lobo lambe o cordeiro, está se preparando para molhar os dentes no seu sangue.
Versículo 10Salmo 5:10
Contra ti: não contra mim. Se fossem meus inimigos, eu os perdoaria, mas não posso perdoar os teus. Devemos perdoar os nossos inimigos, mas não está em nosso poder perdoar os inimigos de Deus. Essas expressões têm sido notadas por homens de refinamento excessivo como duras e ásperas ao ouvido. "Ora!", dizem eles, "são vingativas e rancorosas." Lembremo-nos de que poderiam ser traduzidas como profecias, e não como desejos; mas não nos importamos em recorrer a essa saída. Nunca ouvimos falar de um leitor da Bíblia que, depois de ler estas passagens, se tornasse vingativo por causa delas, e é justo testar a natureza de um escrito pelos seus efeitos.
Quando ouvimos um juiz condenando um assassino, por mais severa que seja a sentença, não sentimos que estaríamos justificados a condenar outros por qualquer ofensa pessoal que nos causaram. O salmista fala aqui como um juiz, ex officio; fala como a boca de Deus, e, ao condenar o ímpio, não nos dá nenhuma desculpa para proferir qualquer coisa em forma de maldição contra aqueles que nos ofenderam pessoalmente. A forma mais vergonhosa de amaldiçoar alguém é fingir abençoá-lo. Todos nós ficamos um tanto divertidos ao notar a malícia desdentada daquele desgraçado velho sacerdote de Roma, quando amaldiçoou tolamente o Imperador da França com a sua bênção. Ele o abençoava na forma, e o amaldiçoava na realidade.
Agora, em contraste direto, colocamos esta saudável cominação de Davi, que se destina a ser uma bênção, ao advertir o pecador da maldição iminente. Ó homem impenitente, saiba que todos os teus amigos piedosos darão o seu solene consentimento à terrível sentença do Senhor, que ele pronunciará sobre ti no dia do juízo! O nosso veredito aplaudirá a condenação amaldiçoada que o Juiz de toda a terra trovejará contra os ímpios.
No versículo seguinte, encontramos mais uma vez o contraste que marcou os Salmos anteriores.
Versículo 11Salmo 5:11
A alegria é o privilégio do crente. Quando os pecadores forem destruídos, a nossa alegria será plena. Eles riem primeiro e depois choram para sempre; nós choramos agora, mas nos alegraremos eternamente. Quando eles uivarem, nós gritaremos de júbilo, e, como eles hão de gemer para sempre, assim nós gritaremos de alegria para sempre. Esta bem-aventurança santa nossa tem um fundamento firme, pois, ó Senhor, nos alegramos em ti. O Deus eterno é a fonte da nossa felicidade. Amamos a Deus, e por isso nos deleitamos nele. Nosso coração descansa tranquilo em nosso Deus. Nos banqueteamos todos os dias, pois nos alimentamos dele. Temos música na casa, música no coração e música no céu, pois o Senhor Jeová é a nossa força e o nosso cântico; ele também se tornou a nossa salvação.
Versículo 12Salmo 5:12
Jeová ordenou que o seu povo fosse herdeiro da bem-aventurança, e nada os privará da sua herança. Com toda a plenitude do seu poder, ele os abençoará, e todos os seus atributos se unirão para saciá-los de contentamento divino. E isto não é apenas para o presente, mas a bênção alcança um futuro longo e desconhecido. Tu, Senhor, abençoarás o justo. Esta é uma promessa de comprimento infinito, de largura sem limites, e de preciosidade inefável.
Quanto à defesa de que o crente precisa nesta terra de batalhas, ela lhe é prometida aqui na medida mais plena. Havia enormes escudos usados pelos antigos, tão extensos quanto o corpo inteiro de um homem, que o cercavam por completo. Assim diz Davi, com favor tu o cercarás como com um escudo. Segundo Ainsworth, há aqui também a ideia de ser coroado, de modo que usamos um elmo real, que é ao mesmo tempo nossa glória e nossa defesa. Ó Senhor, concede-nos sempre esta graciosa coroação!