Tesouros de Davi

Salmo 18

Leia o Salmo 18 na íntegra no Midvash, na King James Fiel

TÍTULO. "Ao mestre de música, um Salmo de Davi, servo do Senhor, que falou ao Senhor as palavras deste cântico no dia em que o Senhor o livrou da mão de todos os seus inimigos, e da mão de Saul." Temos outra versão deste Salmo, com variações significativas (2 Samuel 22), o que sugere que ele foi cantado por Davi em ocasiões diferentes, quando revia sua própria história notável e observava a mão graciosa de Deus em tudo isso. Como o hino de Addison que começa "Quando todas as tuas misericórdias, ó meu Deus", este Salmo é o cântico de um coração grato, tomado pela retrospectiva das misericórdias múltiplas e maravilhosas de Deus. Vamos chamá-lo de A GRATA RETROSPECTIVA.

O título merece atenção. Davi, embora já fosse rei nessa época, chama a si mesmo de "servo do Senhor", mas não menciona sua realeza; daí concluímos que ele considerava mais honroso ser servo do Senhor do que rei de Judá. E julgou com sabedoria.

Dotado de talento poético, ele serviu ao Senhor compondo este Salmo para uso na casa do Senhor; e não é trabalho pequeno conduzir ou aprimorar essa parte deliciosa do culto divino, o canto dos louvores do Senhor. Quisera Deus que mais habilidade musical e poética fosse consagrada, e que os nossos mestres de música fossem dignos de confiança para uma psalmodia devota e espiritual.

Deve-se observar que as palavras deste cântico não foram compostas para agradar ao gosto dos homens, mas foram ditas ao Senhor. Seria bom se tivéssemos um olhar mais simples voltado à honra do Senhor no nosso canto, e em todos os outros exercícios sagrados. Pouco vale o louvor que não é dirigido única e sinceramente ao Senhor.

Davi bem podia ser assim direto em sua gratidão, pois devia tudo ao seu Deus, e no dia da sua libertação não tinha a quem agradecer senão ao Senhor, cuja destra o havia preservado. Nós também deveríamos sentir que a Deus, e somente a Deus, devemos a maior dívida de honra e ação de graças.

Se lembrarmos que o segundo e o quadragésimo nono versículos são ambos citados no Novo Testamento (Hebreus 2:13; Romanos 15:9) como palavras do Senhor Jesus, ficará claro que alguém maior que Davi está aqui. Leitor, você não precisará da nossa ajuda nesse ponto; se conhece Jesus, vai encontrá-lo facilmente em suas tristezas, libertação e triunfos, por todo este maravilhoso Salmo.

DIVISÃO. Os três primeiros versículos são o proêmio, ou prefácio, em que se declara a resolução de bendizer a Deus. A misericórdia libertadora é exaltada com grande poesia do versículo 4 ao 19; e então o cantor feliz, do versículo 20 ao 28, atesta que Deus agiu com justiça ao assim favorecê-lo. Cheio de alegria grata, ele retrata de novo sua libertação e antecipa vitórias futuras, do versículo 29 ao 45; e ao concluir, fala com evidente previsão profética dos triunfos gloriosos do Messias, a semente de Davi e o ungido do Senhor.

Exposição

Versículo 1Salmo 18:1

"Amar-te-ei, ó Senhor." Com afeto forte e cordial me apegarei a ti; como filho ao pai, ou esposa ao marido. A palavra é intensamente forte, o amor é da espécie mais profunda. "Amarei de coração, com as minhas mais íntimas entranhas." Aqui está uma resolução firme de permanecer na união mais próxima e mais íntima com o Altíssimo. Nosso Deus triúno merece o amor mais caloroso de todo o nosso coração. Pai, Filho e Espírito têm, cada um, direito ao nosso amor.

O propósito solene de nunca deixar de amar nasce naturalmente do fervor presente do afeto. É errado fazer resoluções precipitadas, mas esta, feita na força de Deus, é sabidíssima e adequada.

"Minha força." Nosso Deus é a força da nossa vida, das nossas graças, das nossas obras, das nossas esperanças, dos nossos combates, das nossas vitórias. Este versículo não se encontra em 2 Samuel 22, e é um acréscimo preciosíssimo, colocado acima de tudo e depois de tudo, para formar o pináculo do templo, o ápice da pirâmide. O amor continua sendo a graça soberana.

Versículo 2Salmo 18:2

"O Senhor é a minha rocha, e a minha fortaleza." Vivendo entre os penhascos e refúgios montanhosos da Judeia, Davi havia escapado da malícia de Saul, e aqui compara o seu Deus a esse lugar de ocultação e segurança. Os crentes muitas vezes se escondem em seu Deus, longe da contenda das línguas e da fúria da tempestade da tribulação. As fendas da Rocha dos Séculos são moradas seguras.

"Meu libertador", que intervém na minha hora de perigo. Quando quase capturado, o povo do Senhor é resgatado da mão do poderoso por aquele que é mais poderoso ainda. Este título de "libertador" tem muitos sermões dentro de si, e merece bem o estudo de todos os santos experientes.

"Meu Deus"; isto é todas as boas coisas em uma só. Há uma riqueza sem limites nesta expressão; significa o meu bem perpétuo, imutável, infinito, eterno. Quem pode dizer verdadeiramente "meu Deus" bem pode acrescentar: "meu céu, meu tudo."

"Minha força"; esta palavra é, na verdade, "minha rocha", no sentido de firmeza e imobilidade. Minha confiança e meu sustento certos, imutáveis, eternos. Assim, a palavra rocha aparece duas vezes, mas não é tautologia, pois a primeira vez é uma rocha para ocultação, e aqui uma rocha para firmeza e imutabilidade.

"Em quem confiarei." A fé precisa ser exercida, ou a preciosidade de Deus não é verdadeiramente conhecida; e Deus precisa ser o objeto da fé, ou a fé é mera presunção.

"Meu escudo", que desvia os golpes do meu inimigo, protegendo-me da flecha ou da espada. O Senhor fornece aos seus guerreiros armas tanto ofensivas quanto defensivas. O nosso arsenal está completamente abastecido, de modo que ninguém precisa ir à batalha desarmado.

"O chifre da minha salvação", que me capacita a derrubar os meus inimigos, e a triunfar sobre eles com santa exultação.

"Minha alta torre", uma cidadela erguida no alto de uma eminência rochosa, fora do alcance dos meus inimigos, do alto da qual olho para baixo, para a fúria deles, sem alarme, e contemplo uma vasta paisagem de misericórdia que se estende até à boa terra além do Jordão.

Aqui há muitas palavras, mas nenhuma delas é demais; poderíamos examinar proveitosamente cada uma delas, se tivéssemos tempo, mas, resumindo tudo, podemos concluir com Calvino que Davi aqui equipa o fiel da cabeça aos pés.

Versículo 3Salmo 18:3

Neste versículo, o poeta feliz resolve invocar o Senhor em cântico alegre, crendo que, em todos os conflitos futuros, o seu Deus haveria de tratá-lo tão bem quanto no passado. É bom orar a Deus como a quem merece ser louvado, pois assim suplicamos de modo feliz e confiante. Se sinto que posso, e de fato bendigo o Senhor por toda a sua bondade passada, torno-me ousado para pedir-lhe grandes coisas.

Aquela palavra "Assim" traz muito consigo. Ser salvo cantando é ser verdadeiramente salvo. Muitos são salvos lamentando e duvidando; mas Davi tinha tamanha fé que podia lutar cantando, e vencer a batalha com um cântico ainda nos lábios. Que coisa feliz é receber nova misericórdia com um coração já sensível à misericórdia recebida, e antecipar novas provações com uma confiança baseada nas experiências passadas do amor divino!

Sem temor nem dúvida, tendo Cristo ao nosso lado,

esperamos morrer clamando: "O Senhor há de prover."

Versículos 4–19Salmo 18:4-19

Em linguagem das mais poéticas, o salmista agora descreve sua experiência do poder libertador de Jeová. A poesia não tem, em todos os seus tesouros, uma joia mais brilhante que o soneto dos versículos seguintes; a angústia, o clamor, a descida do Ser Divino e o resgate do aflito estão aqui postos em música digna das harpas de ouro.

O Messias, nosso Salvador, é evidentemente, muito além de Davi ou de qualquer outro crente, o assunto principal e supremo deste cântico; e, ao estudá-lo, cada vez mais nos convencemos de que cada linha aqui tem o seu cumprimento mais profundo e pleno nele. Mas, como não desejamos estender nosso comentário além de limites moderados, deixamos ao leitor devoto a aplicação bem simples da passagem ao nosso outrora angustiado, mas agora triunfante Senhor.

Versículo 4Salmo 18:4

"As dores da morte me cercaram." A morte, como um conquistador cruel, parecia enrolar em torno dele as cordas da dor. Estava cercado e encurralado por mortes ameaçadoras da espécie mais terrível. Era como um marinheiro despedaçado pela tempestade e lançado contra os rochedos por ondas medonhas, brancas como os dentes da morte. Situação triste para o homem segundo o coração de Deus, mas é assim que Jeová trata os seus filhos.

"As torrentes dos ímpios me atemorizaram." Torrentes de impiedade ameaçavam engolir toda religião, e arrastar consigo a esperança do homem piedoso como coisa desprezível e digna de escárnio; tanto se cumpriu essa ameaça que até mesmo o herói que matou Golias começou a temer. A embarcação mais firme, às vezes, é posta à prova quando o demônio da tempestade se solta. O homem mais corajoso, que via de regra espera o melhor, pode às vezes temer o pior.

Amado leitor, quem escreve estas linhas conheceu, melhor do que a maioria dos homens, o que significa este versículo, e sente-se inclinado a chorar, e no entanto a cantar, ao escrever sobre um texto tão descritivo da sua própria experiência. Na noite do lamentável acidente no Surrey Music Hall, as torrentes de Belial foram soltas, e os comentários subsequentes de boa parte da imprensa foram extremamente maliciosos e perversos; nossa alma temeu enquanto estávamos cercados pelas dores da morte e pelas blasfêmias dos cruéis. Mas, ah, que misericórdia havia em tudo aquilo, e que mel de bondade o nosso Senhor extraiu desse leão da aflição!

Certamente o Senhor me ouviu! Estás tu em situação difícil? Caro amigo, aprende da nossa experiência a confiar no Senhor Jeová, que não abandona os seus escolhidos.

Versículo 5Salmo 18:5

"As dores do inferno me cercaram." De todos os lados os cães do inferno latiam com fúria. Um cordão de demônios encurralava o homem de Deus caçado; todo caminho de fuga estava fechado. Satanás sabe bloquear as nossas costas com os navios de guerra de ferro da tristeza, mas, bendito seja Deus, o porto da oração continua aberto, e a graça pode romper o bloqueio, levando mensagens da terra ao céu, e trazendo, em troca, bênçãos do céu à terra.

"Os laços da morte me surpreenderam." O velho inimigo caça sua presa não só com os cães do canil infernal, mas também com as armadilhas de uma astúcia mortal. As redes se fechavam cada vez mais, até que o círculo cada vez menor impedisse por completo a fuga do cativo:

À minha volta as cordas do inferno se enroscaram,

e laços de morte os meus passos amarraram.

Assim era desesperador o caso deste homem bom, tão desesperador quanto um caso pode ser, tão totalmente sem saída que nada além de um braço todo-poderoso poderia ser de alguma valia. Conforme as quatro metáforas que ele emprega, estava amarrado como um malfeitor para a execução; submerso como um marinheiro naufragado; cercado e acuado como um cervo caçado; e capturado numa rede como um pássaro trêmulo. Que mais de terror e angústia poderia recair sobre uma só cabeça indefesa?

Versículo 6Salmo 18:6

"Na minha angústia invoquei o Senhor, e clamei ao meu Deus." A oração é aquele portão dos fundos que permanece aberto mesmo quando a cidade está estreitamente cercada pelo inimigo; é aquele caminho para cima, saindo do poço do desespero, para o qual o mineiro espiritual voa imediatamente quando as torrentes lá de baixo irrompem sobre ele.

Note que ele primeiro invoca, e depois clama; a oração cresce em veemência à medida que avança. Note também que ele primeiro invoca o seu Deus pelo nome de Jeová, e depois avança para um nome mais familiar, "meu Deus"; assim a fé cresce pelo exercício, e aquele a quem primeiro vimos como Senhor logo se revela nosso Deus em aliança. Nunca é má hora para orar; nenhuma angústia deve nos impedir de usar o remédio divino da súplica. Acima do estrondo das ondas furiosas da morte, ou dos cães ladrando do inferno, o clamor mais fraco de um verdadeiro crente será ouvido no céu.

"Do seu templo ouviu a minha voz, e o meu clamor chegou perante ele, sim, aos seus ouvidos." Bem lá no alto, dentro dos muros cravejados de joias, e através dos portões de pérola, o clamor do suplicante sofredor foi ouvido. A música dos anjos e a harmonia dos serafins não bastaram para abafar, nem sequer para diminuir, a voz daquele humilde chamado. O Rei o ouviu no seu palácio de luz insuportável, e emprestou ouvido disposto ao clamor do seu próprio filho amado.

Ó oração honrada, poder assim, através do sangue de Jesus, penetrar os próprios ouvidos e o próprio coração da Divindade! A voz e o clamor são eles mesmos ouvidos diretamente pelo Senhor, e não precisam passar pelo meio de santos e intercessores; "o meu clamor chegou perante ele"; a operação da oração junto a Deus é imediata e pessoal. Podemos clamar com insistência confiante e familiar, enquanto o nosso próprio Pai escuta.

Versículo 7Salmo 18:7

Não houve grande espaço entre o clamor e a sua resposta. O Senhor não é negligente quanto à sua promessa, mas é veloz para resgatar o seu aflito. Davi tem diante dos olhos da mente as gloriosas manifestações de Deus no Egito, no Sinai, e em diversas ocasiões a Josué e aos juízes; e considera que o seu próprio caso exibe a mesma glória de poder e bondade, e que, portanto, pode incorporar ao seu hino de louvor as descrições de antigas manifestações da majestade divina.

"Então a terra se abalou e tremeu." Note como as coisas mais sólidas e imóveis sentem a força da súplica. A oração já abalou casas, abriu portas de prisão, e fez desfalecer corações firmes. A oração toca o sino de alarme, e o Senhor da casa se levanta para o resgate, sacudindo tudo o que pisa.

"Os fundamentos dos montes também se moveram e se abalaram, por causa da sua ira." Aquele que fixou os pilares do mundo pode fazê-los oscilar em seus encaixes, e pode arrancar as pedras angulares da criação. As enormes raízes das montanhas altaneiras são desenraizadas quando o Senhor se levanta em ira para ferir os inimigos do seu povo. Como poderá o homem insignificante enfrentar a Deus, quando os próprios montes tremem de medo? Que o soberbo não sonhe que sua falsa confiança presente há de sustentá-lo no temível dia da ira.

Versículo 8Salmo 18:8

"Subiu fumaça das suas narinas." Uma forma violenta, ao modo oriental, de expressar ira feroz. Como o hálito das narinas se aquece pela emoção forte, a figura retrata o Deliberador Todo-Poderoso lançando fumaça no calor da sua ira e no ímpeto do seu zelo. Nada deixa Deus tão irado quanto uma ofensa feita aos seus filhos. Quem vos toca, toca a menina do meu olho.

Deus não está sujeito às paixões que governam as suas criaturas, mas, agindo como age com toda a energia e rapidez de alguém irado, é aqui apropriadamente apresentado em imagem poética adequada ao entendimento humano. O abrir dos seus lábios basta para destruir os seus inimigos; "e fogo saiu da sua boca, que devorou." Este fogo não era passageiro, mas firme e duradouro; "carvões se acenderam por ele."

A passagem inteira pretende retratar a descida de Deus em socorro do seu filho, acompanhada de terremoto e tempestade: diante da majestade da sua aparição, a terra se abala, as nuvens se juntam como fumaça, e o relâmpago, como fogo em chamas, devora, incendiando o mundo. Que grandeza de descrição há aqui! O bispo Mant rima o versículo, de forma admirável, assim:

Fumaça de suas narinas quentes veio,

e da sua boca, chama que tudo consumia;

brasas ardentes anunciaram sua ira,

e clarões de fogo em disparada.

Versículo 9Salmo 18:9

Em meio ao terror da tempestade, Jeová, o Vingador, desceu, curvando sob os pés o arco dos céus. "Ele abaixou os céus, e desceu." Veio apressado, e desdenhou tudo o que impedisse a sua rapidez. A treva mais espessa ocultava o seu esplendor, "e a escuridão estava sob os seus pés"; combateu dentro dos vapores densos, como um guerreiro em nuvens de fumaça e poeira, e descobriu os corações dos seus inimigos com a espada afiada da sua vingança. A escuridão não é impedimento para Deus; a sua treva mais densa ele faz de tenda e pavilhão secreto.

Veja como a oração move a terra e o céu, e levanta tempestades para derrubar num instante os inimigos do Israel de Deus. As coisas estavam ruins para Davi antes que ele orasse, mas ficaram muito piores para os seus inimigos assim que a petição subiu ao céu. Um coração confiante, ao alistar o auxílio divino, vira a mesa contra os seus inimigos. Se eu tiver de ter um inimigo, que não seja um homem de oração, ou ele em breve levará vantagem sobre mim, chamando o seu Deus para a contenda.

Versículo 10Salmo 18:10

Há uma grandeza inimitável neste versículo. Sob o sistema mosaico, os querubins são frequentemente representados como a carruagem de Deus; por isso Milton, em Paraíso Perdido, escreve sobre o Grande Pai:

Ele, sobre as asas dos querubins

elevado, em glória paternal cavalgava

para longe, no caos.

Sem especular sobre o assunto misterioso e muito disputado dos querubins, basta talvez observar que os anjos são sem dúvida nossos guardas e amigos ministradores, e todo o seu poder é convocado para apressar o resgate do aflito.

"Ele cavalgou sobre um querubim, e voou." A natureza também entrega todos os seus agentes para nos ajudar, e até os poderes do ar lhe são subservientes: "sim, voou sobre as asas do vento." O Senhor vem voando quando a sua missão é de misericórdia, mas demora muito quando pecadores estão sendo cortejados ao arrependimento.

O voo aqui retratado é tão majestoso quanto veloz; "voando por todo o espaço" é a palavra de Sternhold, e ele não está longe de acertar. Assim como a águia paira com grandeza tranquila, asas estendidas, sem bater violento nem esforço, assim vem o Senhor com majestade de onipotência para socorrer os seus.

Versículo 11Salmo 18:11

A tempestade se adensou, e as nuvens, despejando torrentes de chuva, formavam juntas a câmara secreta do Deus invisível, porém maravilhoso em suas obras. "Pavilhoado em sombra impenetrável", a fé o via, mas nenhum outro olho podia atravessar as "nuvens espessas dos céus". Bendita seja a escuridão que serve de cortina ao meu Deus; se não posso vê-lo, é doce saber que ele está trabalhando em segredo para o meu bem eterno. Até os tolos conseguem crer que Deus está presente no sol e na calmaria, mas a fé é sábia, e o discerne na treva terrível e na tempestade ameaçadora.

Versículo 12Salmo 18:12

De repente, a terrível artilharia dos céus foi disparada; o brilho do relâmpago iluminou as nuvens, como que com uma glória procedente daquele que estava oculto dentro do pavilhão nublado; e saraivadas de pedras de granizo e brasas de fogo foram lançadas sobre o inimigo. Os relâmpagos pareciam fender as nuvens e acendê-las em chamas, e então pedras de granizo e flocos de fogo, com clarões de terrível grandeza, aterrorizavam os filhos dos homens.

Versículo 13Salmo 18:13

Sobre todo esse esplendor de tempestade ecoou o trovão temível. "O Senhor também trovejou nos céus, e o Altíssimo fez ouvir a sua voz." Acompanhamento adequado para as chamas da vingança. Como suportarão os homens ouvi-lo no fim, quando lhes for dirigido em proclamação da sua sentença, se já agora o coração lhes falha só de ouvi-lo murmurar ao longe?

Em todo esse terror Davi encontrou tema para cântico, e assim todo crente encontra, até nos terrores de Deus, assunto para santo louvor. "Pedras de granizo e brasas de fogo" são mencionadas duas vezes para mostrar quão certamente estão na mão divina, e são as armas da vingança do Céu.

Horne observa que "toda tempestade de trovões deveria nos lembrar daquela exibição de poder e vingança que há de acompanhar a ressurreição geral"; e não poderá também assegurar-nos do real poder daquele que é nosso Pai e nosso amigo, e ajudar a assegurar-nos da nossa segurança enquanto ele luta as nossas batalhas por nós? O príncipe da potestade do ar logo é expulso quando a carruagem querúbica atravessa os seus domínios; portanto, que as legiões do inferno não nos causem consternação. Aquele que está conosco é maior que todos os que estão contra nós.

Versículo 14Salmo 18:14

Os relâmpagos disparavam como flechas bifurcadas sobre as hostes do inimigo, e depressa os "espalharam". Pecadores fanfarrões revelam-se grandes covardes quando Jeová entra em campo contra eles. Desprezam suas palavras, e são muito valentes de língua, mas na hora do combate fogem depressa. As chamas cintilantes, e os raios ferozes de fogo, "os desbarataram." Deus nunca fica sem armas. Ai daquele que contende com o seu Criador! As flechas de Deus nunca erram o alvo; são emplumadas com relâmpago, e farpadas com morte eterna. Foge, ó pecador, para a rocha de refúgio, antes que essas flechas se cravem fundo na tua alma.

Versículo 15Salmo 18:15

Tão tremendo foi o choque do ataque armado de Deus que a ordem da natureza se mudou, e os leitos dos rios e mares ficaram descobertos. "Os canais das águas se viram"; e as entranhas cavernosas e profundas da terra foram levantadas, até que "os fundamentos do mundo se descobriram."

Que não fará a "repreensão" de Jeová? Se o "sopro do vento das tuas narinas", ó Senhor, é tão terrível, o que dirá o teu braço? Vãs são as tentativas dos homens de esconder algo daquele cuja palavra destranca o abismo, e ergue as portas da terra das suas dobradiças! Vãs são todas as esperanças de resistência, pois um sussurro da sua voz faz o mundo inteiro tremer em terror abjeto.

Versículo 16Salmo 18:16

Agora vem o resgate. O Autor é divino, "ele enviou"; a obra é celestial, "do alto"; a libertação é maravilhosa, "ele me tirou de muitas águas." Aqui Davi foi como outro Moisés, tirado da água; e assim todos os crentes são como o seu Senhor, cujo batismo em muitas águas de agonia, e no seu próprio sangue, nos redimiu da ira vindoura. Torrentes de mal não afogarão o homem cujo Deus se assenta sobre as águas para conter a sua fúria.

Versículo 17Salmo 18:17

Quando somos resgatados, devemos ter o cuidado de atribuir toda a glória a Deus, confessando a nossa própria fraqueza e lembrando o poder do inimigo vencido. O poder de Deus recebe honra de todos os incidentes do combate. O nosso grande adversário espiritual é de fato um "inimigo forte", forte demais para criaturas pobres e fracas como nós, mas fomos libertados até agora, e o seremos até o fim. A nossa fraqueza é uma razão para o auxílio divino; note a força do "porque" no texto.

Versículo 18Salmo 18:18

Foi um dia mau, um dia de calamidade, do qual inimigos cruéis tiraram cruel proveito, usando meios astutos para arruiná-lo por completo; e ainda assim Davi pôde dizer: "mas o Senhor foi o meu apoio." Que bendito "mas", que corta o nó górdio e mata a hidra de cem cabeças! Não há motivo para temer quanto à libertação quando o nosso apoio está em Jeová.

Versículo 19Salmo 18:19

"Também me tirou para um lugar espaçoso." Depois de definhar algum tempo na prisão, José chegou ao palácio, e da caverna de Adulão Davi subiu ao trono. Doce é o prazer depois da dor. O alargamento é ainda mais delicioso depois de uma temporada de pobreza opressiva e confinamento pesaroso. Almas sitiadas se deleitam nos amplos campos da promessa quando Deus afasta o inimigo e abre os portões da cidade cercada. O Senhor não deixa a sua obra pela metade, pois, tendo posto o inimigo em fuga, conduz o cativo à liberdade. Grande, de fato, é a posse e o lugar do crente em Jesus; não precisa haver limite para a sua paz, pois não há fronteira para o seu privilégio.

"Ele me livrou, porque se agradou de mim." A graça gratuita está na base de tudo. Fique certo: se formos fundo o suficiente, a graça soberana é a verdade que está no fundo de cada poço de misericórdia. A pesca em alto-mar no oceano da bondade divina sempre traz à luz as pérolas do amor que elege e discrimina.

Por que Jeová se agradaria de nós é uma pergunta sem resposta, um mistério que os anjos não podem resolver; mas que ele se agrada dos seus amados é certo, e é a raiz frutífera de favores tão numerosos quanto preciosos. Crente, sente-se, e digira interiormente a instrutiva sentença agora diante de nós, e aprenda a ver o amor sem causa de Deus como a causa de toda a benignidade da qual somos partícipes.

Versículo 20Salmo 18:20

"O Senhor me recompensou conforme a minha justiça." Vendo este salmo como profecia do Messias, essas afirmações fortemente expressas de justiça são facilmente compreendidas, pois as suas vestes eram brancas como a neve; mas, consideradas como linguagem de Davi, elas têm intrigado muitos. Contudo, o caso é claro, e, se as palavras não forem forçadas além da sua intenção original, não precisa surgir dificuldade alguma.

Embora as dispensações da graça divina sejam, no mais alto grau, soberanas e independentes do mérito humano, no trato da Providência é muitas vezes possível discernir uma regra de justiça pela qual os prejudicados acabam sendo vingados, e os justos, finalmente, libertados. As tribulações iniciais de Davi vieram da malícia perversa do invejoso Saul, que sem dúvida movia suas perseguições sob o pretexto de acusações lançadas contra o caráter do "homem segundo o coração de Deus".

Davi declara que essas acusações eram totalmente falsas, e afirma possuir uma justiça dada pela graça, que o Senhor havia graciosamente recompensado, a despeito de todos os seus caluniadores. Diante de Deus, o homem segundo o coração de Deus era um pecador humilde, mas diante dos seus caluniadores podia, sem qualquer vergonha, falar da "pureza das suas mãos" e da justiça da sua vida.

Pouco conhece do poder santificador da graça divina quem não é capaz de, perante o tribunal da equidade humana, alegar inocência. Não há autojustiça alguma num homem honesto que sabe que é honesto, nem sequer em crer que Deus o recompensa na providência por causa da sua honestidade, pois isso é muitas vezes um fato evidentíssimo; mas seria autojustiça, de fato, se transferíssemos esses pensamentos da esfera do governo providencial para o reino espiritual, pois ali a graça reina não apenas suprema, mas única, na distribuição dos favores divinos.

Não é de modo algum uma oposição à doutrina da salvação pela graça, nem qualquer indício de espírito farisaico, quando um homem cheio de graça, tendo sido caluniado, sustenta com firmeza a sua integridade e defende vigorosamente o seu caráter. Um homem piedoso tem a consciência limpa, e sabe que é reto; deveria negar a sua própria consciência, e desprezar a obra do Espírito Santo, fingindo hipocritamente ser pior do que é?

Um homem piedoso preza muito a sua integridade, do contrário não seria piedoso; deveria ser chamado de orgulhoso por não perder facilmente a joia de uma reputação honrada? Um homem piedoso pode ver que, na providência divina, a retidão e a verdade acabam sempre, a longo prazo, por trazer a sua própria recompensa; não poderia ele, ao ver essa recompensa concedida no seu próprio caso, louvar ao Senhor por isso? Sim, antes, não deveria ele demonstrar a fidelidade e a bondade do seu Deus?

Leia o conjunto de expressões deste versículo e dos seguintes como o cântico de uma boa consciência, depois de ter atravessado em segurança uma tempestade de calúnia, perseguição e abuso, e não haverá receio de repreendermos o autor como alguém que dá preço alto demais ao seu próprio caráter moral.

Versículo 21Salmo 18:21

Aqui a afirmação de pureza se repete, tanto na forma positiva quanto na negativa. Há o "eu tenho" e o "eu não tenho", ambos os quais precisam se misturar numa vida verdadeiramente santificada; a graça que impele e a que refreia devem, cada uma, ter a sua parte.

As palavras deste versículo referem-se ao santo como um viajante que guarda cuidadosamente "os caminhos do Senhor", e "não perversamente", isto é, não abandona de forma deliberada, obstinada, persistente e desafiadora o caminho ordenado no qual Deus favorece o peregrino com a sua presença.

Observe como está implícito na expressão "e não me tenho perversamente apartado do meu Deus" que Davi vivia habitualmente em comunhão com Deus, e o conhecia como seu próprio Deus, de quem podia falar como "meu Deus". Deus nunca se aparta do seu povo; que este tome cuidado de não se apartar dele.

Versículo 22Salmo 18:22

"Pois todos os seus juízos estavam diante de mim." A palavra, o caráter e as ações de Deus deveriam estar sempre diante dos nossos olhos; devemos aprendê-los, considerá-los e reverenciá-los. Os homens esquecem o que não desejam lembrar, mas os excelentes atributos do Altíssimo são objeto da admiração afetuosa e deleitosa do crente. Devemos manter a imagem de Deus tão constantemente diante de nós que nos tornemos, na nossa medida, conformados a ela.

Este amor interior pelo que é reto precisa ser a mola principal da integridade cristã na nossa vida pública. A fonte precisa estar cheia de amor à santidade, e então os riachos que dela saem serão puros e cheios de graça.

"E não afastei de mim os seus estatutos." Afastar as Escrituras do estudo da mente é o caminho certo para impedir que elas influenciem a conduta exterior. Os desviados começam com Bíblias empoeiradas, e terminam com vestes sujas.

Versículo 23Salmo 18:23

"Também fui íntegro diante dele." Aqui se reivindica sinceridade; sinceridade tal que seria tida como genuína perante o tribunal de Deus. Fosse qual fosse o mal que os homens pensassem dele, Davi sentia que tinha a boa opinião do seu Deus. Além disso, ousa também alegar liberdade do seu grande pecado que o assediava: "e me guardei da minha iniquidade."

É um sinal muito gracioso quando as partes mais violentas da nossa natureza têm sido bem guardadas. Se o elo mais fraco da corrente não se rompe, os elos mais fortes estarão bastante seguros. O temperamento impetuoso de Davi poderia tê-lo levado a matar Saul quando o teve em seu poder, mas a graça o capacitou a manter as mãos limpas do sangue do seu inimigo; e que maravilha foi essa, e quão digna de um registro tão grato quanto o que estes versículos oferecem!

Será um doce reconforto para nós, um dia, lembrar as nossas renúncias, e bendizer a Deus por termos sido capazes de exibi-las.

Versículo 24Salmo 18:24

Deus primeiro nos dá a santidade, e depois nos recompensa por ela. Somos a sua obra; vasos feitos para honra; e, uma vez feitos, a honra não é retida do vaso; embora, na verdade, tudo pertença ao Oleiro em cuja roda o vaso foi moldado. O prêmio é conferido à flor na exposição, mas foi o jardineiro quem a cultivou; a criança ganha o prêmio do mestre-escola, mas a verdadeira honra da sua instrução pertence ao mestre, ainda que, em vez de receber, seja ele quem concede a recompensa.

Versículo 25Salmo 18:25

O trato do Senhor no seu próprio caso faz o cantor grato lembrar a regra costumeira do governo moral de Deus; ele é justo no seu trato com os filhos dos homens, e mede a cada um segundo a sua própria medida.

"Com o misericordioso te mostrarás misericordioso; com o homem íntegro te mostrarás íntegro." Todo homem terá a sua carne pesada na sua própria balança, o seu grão medido no seu próprio alqueire, e a sua terra medida com a sua própria vara. Nenhuma regra pode ser mais justa, mais terrível para os ímpios, nem mais honrosa para o homem generoso. Como os homens jogariam fora os seus pesos falsos, e quebrariam as suas varas curtas, se apenas pudessem crer que eles mesmos, no fim, serão os prejudicados pelas suas artimanhas desonestas!

Note que até o misericordioso precisa de misericórdia; nenhuma quantidade de generosidade para com o pobre, ou de perdão aos inimigos, pode nos colocar além da necessidade de misericórdia. Senhor, tem misericórdia de mim, pecador.

Versículo 26Salmo 18:26

"Com o puro te mostrarás puro; e com o perverso te mostrarás perverso." A perversidade do pecador é pecaminosa e rebelde, e o único sentido em que o termo pode se aplicar ao Deus Santíssimo é o de oposição e severidade judiciais, nas quais o Juiz de toda a terra agirá em choque com o ofensor, e lhe fará ver que nem tudo pode ser submetido a caprichos ímpios e fantasias obstinadas.

Calvino diz de forma bem contundente: "Esta estupidez brutal e monstruosa nos homens obriga Deus a inventar novos modos de expressão, e, por assim dizer, a vestir-se de um caráter diferente." Há uma sentença semelhante em Levítico 26:21-24, onde Deus diz: "e se andardes contrariamente a mim (ou perversamente comigo), também eu andarei contrariamente a vós (ou perversamente, ou asperamente, ou ao acaso convosco)."

Como se dissesse que a obstinação e a teimosia deles o fariam, da sua parte, esquecer a sua paciência e brandura costumeiras, e lançar-se contra eles sem freio, ou ao acaso. Vemos, então, o que os obstinados afinal ganham com a sua dureza: que Deus se endurece ainda mais para os despedaçar, e, se eles são de pedra, ele os faz sentir que tem a dureza do ferro.

A tradição judaica era que o maná tinha o sabor conforme a boca de cada um; certamente Deus se mostra a cada indivíduo conforme o seu caráter.

Versículo 27Salmo 18:27

"Pois tu salvarás o povo aflito." Esta é uma segurança consoladora para os pobres de espírito, cujas tristezas espirituais não admitem consolo suficiente de nenhuma outra mão além da divina. Eles não podem salvar a si mesmos, nem outros podem fazê-lo, mas Deus os salvará.

"Mas abaterás os olhos altivos." Aqueles que olham para os outros com desdém serão, em breve, olhados com desprezo. O Senhor abomina o olhar orgulhoso. Que razão para arrependimento e humilhação! Quanto melhor é ser humilde do que provocar Deus a nos humilhar em sua ira!

Um número considerável de frases ocorre nesta passagem no tempo futuro; com que força somos assim levados a lembrar que a nossa alegria ou tristeza presente não deve ter tanto peso quanto o grande e eterno futuro!

Versículo 28Salmo 18:28

"Pois tu acenderás a minha candeia." Até os filhos do dia às vezes precisam de luz de candeia. Na hora mais escura a luz há de surgir; uma candeia será acesa, e será um conforto que podemos usar com toda a honestidade — será a nossa própria candeia; ainda que seja o próprio Deus quem forneça o fogo santo com que a candeia há de arder; as nossas evidências são nossas, mas a sua luz reconfortante vem do alto.

Candeias que Deus acende, o diabo não pode apagar. Nem todas as candeias brilham, e assim há graças que não produzem conforto presente; mas é bom ter candeias que possam, mais tarde, ser acesas, e é bom possuir graças que ainda possam nos oferecer evidências animadoras.

A metáfora de todo o versículo se funda na natureza dolorosa da escuridão e na deliciosidade da luz; "verdadeiramente doce é a luz, e agradável é para os olhos contemplar o sol"; e assim a presença do Senhor remove toda a tristeza da aflição, e capacita o crente a se alegrar com grandíssimo júbilo.

Acender a lâmpada é um momento alegre na noite de inverno, mas o erguer da luz do rosto de Deus é bem mais feliz ainda. Diz-se que os pobres no Egito privam-se do pão para comprar óleo para a lâmpada, a fim de não ficarem na escuridão; bem poderíamos abrir mão de todos os confortos terrenos, se apenas a luz do amor de Deus pudesse alegrar constantemente as nossas almas.

Versículos 29–45Salmo 18:29-45

Algumas repetições não são repetições vãs. Segundos pensamentos sobre a misericórdia de Deus deveriam ser, e muitas vezes são, os melhores. Como vinhos na borra, a nossa gratidão cresce mais forte e mais doce à medida que meditamos na bondade divina. Os versículos que agora vamos considerar são o fruto maduro de um espírito grato; são maçãs de ouro quanto ao conteúdo, e estão postas em cestos de prata quanto à linguagem. Descrevem a trajetória vitoriosa do crente e a confusão dos seus inimigos.

Versículo 29Salmo 18:29

"Pois contigo tenho invadido um esquadrão; e com o meu Deus tenho saltado uma muralha." Seja enfrentando o inimigo em campo aberto, seja saltando sobre eles enquanto se escondem atrás das ameias de uma cidade, havemos, pela graça de Deus, de derrotá-los em qualquer dos casos; se nos cercam com legiões vivas, ou nos rodeiam com muros de pedra, obteremos com igual certeza a nossa liberdade.

Tais feitos já realizamos, abrindo caminho, correndo, através de hostes de dificuldades, e escalando impossibilidades num salto. Os guerreiros de Deus podem esperar experimentar toda forma de combate, e devem, pelo poder da fé, resolver-se a portar-se como homens; mas convém-lhes ter muito cuidado de depositar todos os seus louros aos pés de Jeová, cada um deles dizendo: "com o meu Deus" realizei esta valente proeza.

Os nossos spolia optima, os troféus dos nossos combates, dedicamos aqui ao Deus das Batalhas, e a ele atribuímos toda a glória e força.

Versículo 30Salmo 18:30

"Quanto a Deus, o seu caminho é perfeito." Muito além de toda falha e erro está o trato de Deus com o seu povo; todas as suas ações resplandecem de justiça, verdade, ternura, misericórdia e santidade. Todo caminho de Deus é completo em si mesmo, e todos os seus caminhos, tomados juntos, são incomparáveis em harmonia e bondade. Não é muito consolador crer que aquele que começou a nos abençoar há de aperfeiçoar a sua obra, pois todos os seus caminhos são "perfeitos"?

Nem deve a "palavra" divina ficar sem o seu cântico de louvor. "A palavra do Senhor é provada", como prata refinada na fornalha. As doutrinas são gloriosas, os preceitos são puros, as promessas são fiéis, e toda a revelação é superlativamente cheia de graça e verdade. Davi a experimentou, milhares a experimentaram, nós a experimentamos, e ela nunca falhou.

Era conveniente que, tendo louvado o caminho e a palavra, o próprio Senhor fosse magnificado; por isso se acrescenta: "ele é escudo para todos os que nele confiam." Nenhuma armadura à prova, nenhum escudo de bronze, protege tão bem o guerreiro quanto o Deus da aliança de Israel protege o seu povo em guerra. Ele mesmo é o escudo dos que confiam; que pensamento é este! Que paz pode desfrutar toda alma confiante!

Versículo 31Salmo 18:31

Tendo mencionado o seu Deus, o coração do salmista arde, e as suas palavras cintilam; ele desafia o céu e a terra a encontrar outro ser digno de adoração ou confiança em comparação com Jeová. O seu Deus, como diz Matthew Henry, é um Único-em-seu-gênero. Os ídolos dos gentios ele nem se digna mencionar, apagando-os todos como meros nadas quando se fala da Divindade.

"Quem é Deus senão o Senhor?" Quem mais cria, sustenta, prevê e governa? Quem, senão ele, é perfeito em cada atributo, e glorioso em cada ato? A quem, senão a Jeová, devem as criaturas se curvar? Quem mais pode reivindicar o seu serviço e o seu amor?

"E quem é rocha senão o nosso Deus?" Onde podem se fixar esperanças duradouras? Onde pode a alma encontrar descanso? Onde se pode achar estabilidade? Onde se pode descobrir força? Certamente, só no Senhor Jeová podemos encontrar descanso e refúgio.

Versículo 32Salmo 18:32

Examinando toda a armadura na qual lutou e venceu, o vencedor alegre louva ao Senhor por cada parte da panóplia. O cinturão da sua cintura recebe a primeira estrofe: "É Deus que me cinge de força, e torna perfeito o meu caminho."

Cingido nos lombos com o poder do céu, o guerreiro se enchia de vigor, muito acima de toda força criada; e, enquanto sem esse cinto maravilhoso ele teria sido fraco e efeminado, com as energias relaxadas e as forças dispersas, sentia-se, quando cingido pelo cinto da verdade, compacto de propósito, corajoso no arrojo, e concentrado em poder; de modo que o seu percurso foi um sucesso completo, tão livre de derrota desastrosa que pôde ser chamado "perfeito".

Fomos feitos mais que vencedores sobre o pecado, e tem sido a nossa vida, até agora, digna do evangelho? Então atribuamos toda a glória àquele que nos cingiu com a sua própria força inesgotável, para que fôssemos invictos na batalha e incansáveis na peregrinação.

Versículo 33Salmo 18:33

Os pés do vencedor haviam sido calçados por uma mão divina, e a próxima nota deve, portanto, referir-se a eles. "Ele faz os meus pés como os das corças, e me põe nos meus lugares altos." Perseguindo os seus inimigos, o guerreiro tinha sido veloz de pés como um jovem corço, mas, em vez de tomar prazer nas pernas de um homem, atribui o dom da rapidez somente ao Senhor.

Quando nossos pensamentos são ágeis, e nosso espírito veloz, como os carros de Aminadibe, não esqueçamos que a mão do nosso Bem-Amado nos concedeu esse favor escolhido. Escalando fortalezas inexpugnáveis, Davi tinha sido preservado de escorregar, e feito para ficar de pé onde mal a cabra montês encontra apoio; nisso se manifestou a misericórdia preservadora.

Nós também temos tido os nossos lugares altos de honra, serviço, tentação e perigo, mas até agora fomos guardados de cair. Trazei aqui a harpa, e emulemos a alegre ação de graças do salmista; se tivéssemos caído, os nossos lamentos seriam terríveis; já que ficamos de pé, que a nossa gratidão seja fervorosa.

Versículo 34Salmo 18:34

"Ele ensina as minhas mãos para a guerra." A destreza marcial e a habilidade no uso das armas são reconhecidas com gratidão como resultado do ensino divino; nenhum sacrifício se oferece no altar do eu, em louvor à destreza natural ou à habilidade adquirida; mas, considerando toda proeza guerreira como um dom do favor celestial, apresenta-se agradecimento ao Doador. O Espírito Santo é o grande Instrutor dos soldados celestiais.

"De modo que um arco de aço se quebra pelos meus braços." Provavelmente se quer dizer um arco de bronze, e esses arcos dificilmente podiam ser dobrados apenas com os braços; o arqueiro precisava do auxílio do pé. Era, portanto, grande façanha de força dobrar o arco, a ponto até de parti-lo em dois. Isso se referia ao arco do inimigo, que ele não apenas arrancou das suas mãos, mas tornou inútil, quebrando-o em pedaços.

Jesus não apenas destruiu as sugestões fogosas de Satanás, mas quebrou os argumentos com que este as disparava, usando a Sagrada Escritura contra ele; pelos mesmos meios podemos alcançar um triunfo semelhante, quebrando o arco e partindo em dois a lança pelo fio afiado da verdade revelada.

Provavelmente Davi tinha, por natureza, um corpo vigoroso; mas é ainda mais provável que, como Sansão, ele fosse às vezes revestido de força além da comum; de todo modo, atribui a honra das suas façanhas inteiramente ao seu Deus. Nunca roubemos perversamente do Senhor o que lhe é devido, mas demos-lhe fielmente a glória devida ao seu nome.

Versículo 35Salmo 18:35

"Também me deste o escudo da tua salvação." Acima de tudo, precisamos tomar o escudo da fé, pois nada mais pode apagar os dardos inflamados de Satanás; este escudo é de manufatura celestial, e é, em todo caso, um dom direto do próprio Deus; é o canal, o sinal, a garantia e o penhor da salvação perfeita.

"E a tua destra me susteve." Deus nos administra sustento secreto pela sua graça preservadora, e, ao mesmo tempo, a Providência nos concede bondosamente auxílio manifesto. Somos como bebês que não podem ficar de pé sozinhos; mas quando a destra do Senhor nos sustenta, somos como colunas de bronze que não podem ser abaladas.

"E a tua mansidão me engrandeceu." Há várias leituras desta sentença. A palavra admite ser traduzida "a tua bondade me engrandeceu." Davi via muita benevolência na ação de Deus para com ele, e atribuía com gratidão toda a sua grandeza não à sua própria bondade, mas à bondade de Deus.

"A tua providência" é outra leitura, que na verdade nada mais é que a bondade em ação. A bondade é o botão do qual a providência é a flor; ou a bondade é a semente da qual a providência é a colheita. Alguns traduzem "o teu auxílio", que é apenas outra palavra para providência; sendo a providência a firme aliada dos santos, ajudando-os no serviço do seu Senhor.

Certos anotadores eruditos nos dizem que o texto significa "a tua humildade me engrandeceu." "A tua condescendência" pode, talvez, servir como leitura abrangente, combinando as ideias já mencionadas, bem como a de humildade. É o fazer-se pequeno de Deus a causa do nosso ser engrandecido. Somos tão pequenos que, se Deus manifestasse a sua grandeza sem condescendência, seríamos pisoteados sob os seus pés; mas Deus, que precisa abaixar-se para ver os céus, e curvar-se para ver o que os anjos fazem, olha para os humildes e contritos, e os engrandece.

Ainda que essas sejam as traduções dadas ao texto original adotado, encontramos outras leituras totalmente diferentes; como, por exemplo, a Septuaginta, que traz "a tua disciplina" — a tua correção paternal — "me engrandeceu"; enquanto a paráfrase caldaica traz "a tua palavra me aumentou." Ainda assim, a ideia é a mesma.

Davi atribui toda a sua própria grandeza à bondade condescendente e graciosa do seu Pai celestial. Sintamos todos este sentimento em nosso próprio coração, e confessemos que, seja qual for a bondade ou grandeza que Deus tenha posto sobre nós, devemos lançar as nossas coroas aos seus pés e clamar: "a tua mansidão me engrandeceu."

Versículo 36Salmo 18:36

"Alargaste os meus passos." Um caminho suave, levando a posses espaçosas e a bons acampamentos, tinha se aberto para ele. Em vez de trilhar as veredas estreitas da montanha, e esconder-se nas fendas e cantos de cavernas, ele podia atravessar as planícies e habitar sob a sua própria videira e figueira.

Não é pequena misericórdia ser conduzido à plena liberdade e ao pleno alargamento cristão, mas é ainda maior favor ser capacitado a andar dignamente nessa liberdade, sem que os pés escorreguem. Ficar de pé sobre as rochas da aflição é resultado de um sustento gracioso, mas esse mesmo auxílio é igualmente necessário nas planícies luxuriantes da prosperidade.

Versículo 37Salmo 18:37

A preservação dos santos anuncia mal para os seus adversários. Os amalequitas pensavam ter escapado com o seu saque, mas quando o Deus de Davi o guiou na perseguição, eles logo foram alcançados e despedaçados. Quando Deus está conosco, pecados e tristezas fogem, e todas as formas de mal são "consumidas" diante do poder da graça. Que quadro nobre este e os versículos seguintes nos apresentam das vitórias do nosso glorioso Senhor Jesus!

Versículo 38Salmo 18:38

A destruição dos nossos inimigos espirituais é completa. Podemos exultar sobre o pecado, a morte e o inferno, como desarmados e incapacitados para nós pelo nosso Senhor conquistador; que ele lhes conceda graciosamente uma derrota semelhante dentro de nós.

Versículo 39Salmo 18:39

e 40. É impossível ser frequente demais no dever de atribuir todas as nossas vitórias ao Deus da nossa salvação. É verdade que precisamos lutar contra os nossos antagonistas espirituais, mas o triunfo é muito mais do Senhor do que nosso. Não devemos nos gabar como os devotos ambiciosos da vanglória, mas podemos exultar como instrumentos dispostos e crentes na mão do Senhor, realizando os seus grandes desígnios.

Versículo 41Salmo 18:41

"Clamaram, mas não houve quem os salvasse; sim, ao Senhor, mas ele não lhes respondeu." A oração é arma tão notável que até os ímpios recorrem a ela em seus acessos de desespero. Homens maus já apelaram a Deus contra os próprios servos de Deus, mas tudo em vão; o reino dos céus não está dividido, e Deus jamais socorre os seus inimigos à custa dos seus amigos.

Há orações a Deus que não passam de blasfêmia, que não recebem resposta reconfortante, mas antes provocam no Senhor maior ira. Pediria eu a um homem que ferisse ou matasse o próprio filho para satisfazer a minha malícia? Não se ressentiria ele desse insulto contra a sua humanidade? Quanto menos Jeová atenderá aos desejos cruéis dos inimigos da igreja, que ousam oferecer suas orações pela sua destruição, chamando cisma à sua existência, e heresia à sua doutrina!

Versículo 42Salmo 18:42

A derrota das nações que lutaram contra o rei Davi foi tão total e completa que ficaram como pó socado num pilão; o seu poder se estilhaçou em fragmentos, e se tornaram tão fracos quanto a poeira ao vento, e tão vis quanto a lama das estradas. Assim, impotentes e vis se tornam agora os inimigos de Deus, pela vitória do Filho de Davi na cruz. Levanta-te, ó minha alma, e enfrenta os teus inimigos, pois já sofreram um golpe mortal, e hão de cair diante do teu avanço ousado.

O inferno e os meus pecados resistem ao meu curso,

mas inferno e pecado são inimigos vencidos;

meu Jesus os pregou na sua cruz,

e cantou o triunfo quando ressuscitou.

Versículo 43Salmo 18:43

"Tu me livraste das contendas do povo." A discórdia interna é muito difícil de lidar. Uma guerra civil é a guerra na sua forma mais miserável; é motivo para a mais calorosa gratidão quando a concórdia reina por dentro. O nosso poeta louva a Jeová pela união e paz que sorriam nos seus domínios, e se temos paz nos três reinos do nosso espírito, alma e corpo, temos o dever de dar a Jeová um cântico. A unidade numa igreja deve certamente despertar gratidão semelhante.

"Tu me fizeste cabeça dos gentios; um povo que não conheci me servirá." As nações vizinhas se sujeitaram ao domínio do príncipe de Judá. Ah, quando adorarão todas as terras o Rei Jesus, e o servirão com santo júbilo? Certamente há aqui muito mais de Jesus do que de Davi. Os missionários podem tirar rico encorajamento da declaração positiva de que as terras dos gentios hão de reconhecer a Chefia do Crucificado.

Versículo 44Salmo 18:44

"Logo que ouvirem falar de mim, me obedecerão." Assim, com tanta rapidez, o outrora combatente capitão se tornou um vencedor amplamente afamado, e tão fáceis serão os nossos triunfos. Preferimos, contudo, falar de Jesus. Em muitos casos o evangelho é recebido depressa por corações aparentemente despreparados para ele.

Aqueles que nunca ouviram o evangelho antes têm se encantado com a sua primeira mensagem, e lhe têm prestado obediência; enquanto outros, ai de nós, que estão acostumados ao seu som alegre, ficam antes endurecidos que amolecidos pelo seu ensino. A graça de Deus às vezes corre como fogo entre o restolho, e uma nação nasce num só dia.

"Amor à primeira vista" não é coisa incomum quando Jesus é o cortejador. Ele pode escrever a mensagem de César sem se gabar, Veni, vidi, vici; o seu evangelho, em alguns casos, mal se ouve, já se crê. Que motivos para espalhar por toda parte a doutrina da cruz!

Versículo 45Salmo 18:45

"Os estranhos hão de desfalecer." Como folhas secas ou árvores atingidas pelo raio, os nossos inimigos e os inimigos de Cristo não hão de encontrar seiva nem vigor que restem neles. Aqueles que são estranhos a Jesus são estranhos a toda felicidade duradoura; hão de logo murchar os que se recusam a ser regados pelo rio da vida.

"E, tremendo, sairão dos seus esconderijos." De seus refúgios montanhosos os gentios rastejavam com medo para prestar fidelidade ao rei de Israel, e assim mesmo, dos castelos da autoconfiança e dos covis da segurança carnal, pobres pecadores vêm curvando-se diante do Salvador, Cristo o Senhor. Os nossos pecados, que se entrincheiraram na nossa carne e sangue como em fortes inexpugnáveis, ainda serão expulsos pela energia santificadora do Espírito Santo, e serviremos ao Senhor de coração sincero.

Assim, com a lembrança das conquistas passadas, e com alegres antecipações de vitórias ainda por vir, o doce cantor encerra a descrição, e retorna ao exercício de uma adoração mais direta ao seu Deus gracioso.

Versículo 46Salmo 18:46

"O Senhor vive." Possuindo vida não derivada, essencial, independente e eterna. Não servimos a um deus inanimado, imaginário ou mortal. Só ele tem imortalidade. Como súditos leais, clamemos: Vive, ó Deus. Longa vida ao Rei dos reis. Pela tua imortalidade nos dedicamos de novo a ti. Assim como o Senhor nosso Deus vive, também nós queremos viver para ele.

"E bendita seja a minha rocha." Ele é o fundamento da nossa esperança, e que seja também o assunto do nosso louvor. Nosso coração bendiz ao Senhor, exaltando-o com santo amor.

Jeová vive, bendita seja a minha rocha!

Louvado seja o Deus que me dá descanso!

"E exaltado seja o Deus da minha salvação." Como nosso Salvador, o Senhor deve ser glorificado mais do que nunca. Devemos publicar por toda parte a história da aliança e da cruz, a eleição do Pai, a redenção do Filho, e a regeneração do Espírito. Aquele que nos resgata de uma ruína merecida deve ser muito querido para nós. No céu cantam: "Àquele que nos amou e nos lavou no seu sangue"; música semelhante deveria ser comum nas assembleias dos santos aqui embaixo.

Versículo 47Salmo 18:47

"É Deus que me vinga, e sujeita os povos debaixo de mim." Alegrar-se com vingança pessoal é profano e mau, mas Davi via a si mesmo como instrumento de vingança sobre os inimigos de Deus e do seu povo, e, se não tivesse se alegrado com o êxito que lhe foi concedido, teria sido digno de censura. Que os pecadores pereçam é, em si, uma consideração dolorosa, mas que a lei do Senhor seja vingada sobre os que a transgridem é, para a mente devota, um tema de gratidão. Devemos, contudo, sempre lembrar que a vingança nunca é nossa; a vingança pertence ao Senhor, e ele é tão justo, e além disso tão longânimo no seu exercício, que podemos com segurança deixar a sua administração em suas mãos.

Versículo 48Salmo 18:48

De todos os inimigos, e especialmente de um que era pré-eminente em violência, o ungido do Senhor foi preservado, e, por fim, acima da cabeça de Saul e de todos os outros adversários, reinou em honra. Fim semelhante aguarda todo santo, pois Jesus, que se dispôs a ser tido em pouca conta entre os homens, agora está assentado bem acima de todo principado e potestade.

Versículo 49Salmo 18:49

Paulo cita este versículo (Romanos 15:9): "e que os gentios glorifiquem a Deus pela sua misericórdia; como está escrito: Por isso te confessarei entre os gentios, e cantarei ao teu nome." Esta é clara evidência de que o Senhor de Davi está aqui, mas Davi também está aqui, e deve ser visto como exemplo de uma alma santa que se gloria em Deus até mesmo na presença de homens ímpios. Quem são os desprezadores de Deus, para que calemos a boca por causa deles? Cantaremos ao nosso Deus, quer eles gostem, quer não, e lhes imporemos o conhecimento da sua bondade. Cortesia demais para com traidores pode ser traição contra o nosso Rei.

Versículo 50Salmo 18:50

Este é o versículo de encerramento, no qual o autor lança uma plenitude de expressão, indicando o mais arrebatado deleite de gratidão. "Grandes livramentos." A palavra "livramentos" está no plural, para mostrar a variedade e a completude da salvação; o adjetivo "grandes" está bem colocado se considerarmos de onde, para onde, e como somos salvos.

Toda essa misericórdia nos é dada no nosso Rei, o Ungido do Senhor, e são de fato bem-aventurados os que, como sua descendência, podem esperar que a misericórdia se edifique para sempre. O Senhor foi fiel ao Davi literal, e não quebrará a sua aliança com o Davi espiritual, pois isso envolveria, muito mais ainda, a honra da sua coroa e do seu caráter.

O Salmo se conclui no mesmo espírito amoroso que resplandeceu no seu início; felizes os que podem cantar de amor em amor, assim como os peregrinos marcharam de força em força.

Obras sobre este salmo

Há uma "Exposição" (An Exposition) deste Salmo em A Critical History of the Life of David. — SAMUEL CHANDLER, D.D., F.R., and A.S.S., 1766. 2 vol., 8vo.

The Sufferings and Glories of the Messiah. Uma exposição do Salmo XVIII e de Isaías 52:13; 53:12. — JOHN BROWN, D.D., 1853.


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