Salmo 46
Leia o Salmo 46 na íntegra no Midvash, na King James Fiel
TÍTULO. Ao mestre de música. Quem soube cantar tão bem outros Salmos era o indicado para receber esta ode nobre. Trivialidades podem ficar a cargo de cantores comuns, mas o músico mais hábil de Israel devia responder pela execução deste canto, com as vozes mais harmoniosas e a música mais escolhida. Para os filhos de Coré. Um só não basta para cumprir esse louvor; é preciso um coro escolhido sob sua regência, para quem seja privilégio gozoso celebrar o serviço de canto na casa do Senhor. Quanto ao motivo de os filhos de Coré terem sido escolhidos, veja nossas observações no início do Salmo 42. Vale acrescentar que eles formavam uma divisão dos levitas que se revezava no serviço do templo. Nenhuma obra do serviço sagrado deve ficar monopolizada por uma só classe de talento; cada grupo de crentes deve, a seu tempo, gozar desse privilégio. Ninguém deve ficar sem sua parte no serviço de Deus.
Um Cântico sobre Alamote. O que pode indicar que a música devia ser afinada em tom agudo, para as vozes de soprano das virgens hebreias. Elas saíam em suas danças para cantar os louvores de Davi quando ele derrotou o filisteu; era próprio que se alegrassem e festejassem quando as vitórias de Jeová se tornassem o tema. Precisamos louvar a Deus com corações virgens, com almas castas em seu temor, com expressões vivas e elevadas, e melodias felizes. Ou a palavra Alamote pode se referir a instrumentos de som agudo, como em 1 Crônicas 15:20, onde lemos que Zacarias, Eliabe e Benaia deviam louvar ao Senhor "com saltérios sobre Alamote". Não devemos, de modo desleixado, cair sempre no mesmo tom, mas com inteligência modular nossos louvores e torná-los adequadamente expressivos da ocasião e da alegria que ela produz em nossa alma. Esses termos musicais antigos não podem ser interpretados com certeza, mas continuam úteis, pois mostram que cuidado e habilidade devem ser empregados em nossa música sacra.
ASSUNTO. Aconteça o que acontecer, o povo do Senhor é feliz e seguro; esta é a doutrina do Salmo, e ele poderia, para ajudar nossa memória, chamar-se O CÂNTICO DA SANTA CONFIANÇA, não fosse pelo amor do grande reformador a este hino que agita a alma, o que provavelmente o tornará mais conhecido como O SALMO DE LUTERO.
DIVISÃO. Está dividido, por autoridade inspirada, em três partes, cada uma das quais termina com Selá.
Exposição
Versículo 1Salmo 46:1
Deus é o nosso refúgio e fortaleza. Não os nossos exércitos, nem as nossas fortalezas. A glória de Israel está em Jeová, o único Deus vivo e verdadeiro. Outros se vangloriam de castelos inexpugnáveis, erguidos em rochas inacessíveis e fechados com portões de ferro, mas Deus é um refúgio bem melhor contra a aflição do que tudo isso; e quando chega a hora de levar a guerra ao território do inimigo, o Senhor vale mais ao seu povo do que todo o valor das legiões ou a alardeada força do carro e do cavalo. Soldados da cruz, lembrem-se disso, considerem-se seguros e fortaleçam-se em Deus. Não esqueçam a palavra possessiva pessoal nosso; certifique-se cada um da sua parte em Deus, para que possa dizer: "Ele é o meu refúgio e fortaleza." Não esqueçam tampouco que Deus é o nosso refúgio agora mesmo, no presente imediato, tão verdadeiramente quanto quando Davi escreveu a palavra. Só Deus é o nosso tudo em tudo.
Todos os outros refúgios são refúgios de mentira, toda outra força é fraqueza, pois o poder pertence a Deus; mas, como Deus é onisuficiente, nossa defesa e força bastam para toda emergência. Um socorro bem presente na angústia, ou na aflição ele já se mostrou, testado e comprovado pelo seu povo. Ele nunca se retira dos seus aflitos. Ele é o socorro deles, verdadeira, eficaz e constantemente; ele está presente ou perto deles, ao seu lado e pronto para socorrê-los, e isso é reforçado pela palavra muito em nossa versão — ele está mais presente do que amigo ou parente pode estar, sim, mais presente até do que a própria angústia.
A toda essa verdade consoladora acrescenta-se a consideração de que sua ajuda vem na hora certa. Ele não é como as andorinhas que nos deixam no inverno; ele é um amigo na necessidade e um amigo de verdade. Quando está muito escuro para nós, que os espíritos corajosos digam: "Vinde, cantemos o Salmo quarenta e seis."
"Uma fortaleza firme, rocha inabalável, É Deus na hora do perigo; Escudo e espada em todo golpe, Contra inimigo conhecido ou estranho."
Versículo 2Salmo 46:2
Portanto. Como o salmista gosta de seus "portantos"! Sua poesia não é êxtase poético sem razão, é lógica como uma demonstração matemática. As palavras seguintes são uma inferência necessária das anteriores. Não temeremos. Com Deus ao nosso lado, como seria irracional o medo! Onde ele está, ali está todo poder e todo amor; por que, então, haveríamos de vacilar? Ainda que a terra se mude, ainda que a base de todas as coisas visíveis se veja tão convulsionada a ponto de ser inteiramente transformada. E ainda que os montes se transportem para o meio do mar; ainda que o mais firme dos objetos criados caia em ruína súbita, e se submerja em destruição total. As duas frases descrevem as mais terríveis convulsões que a imaginação alcança, e incluem a derrocada de dinastias, a destruição de nações, a ruína de famílias, as perseguições da igreja, o reino da heresia, e tudo o mais que possa, em qualquer tempo, provar a fé dos crentes.
Chegue o pior ao pior, o filho de Deus jamais deve ceder à desconfiança; pois, permanecendo Deus fiel, não pode haver perigo para a sua causa nem para o seu povo. Quando os elementos se derreterem com o calor ardente, e os céus e a terra passarem no último grande incêndio, contemplaremos serenamente "o naufrágio da matéria e o estrondo dos mundos", pois mesmo então o nosso refúgio nos preservará de todo mal, a nossa força nos preparará para todo o bem.
Versículo 3Salmo 46:3
Ainda que as suas águas rujam e se perturbem. Quando tudo se agita em fúria, e revela todo o seu poder de perturbar, a fé sorri serena. Ela não teme o barulho, nem mesmo a força real, pois sabe que o Senhor aquieta o bramido do mar, e sustém as ondas na palma da mão. Ainda que os montes se abalem pelo seu ímpeto. Alpes e Andes podem tremer, mas a fé repousa em base mais firme, e não se deixa abalar por mares que se inflam. O mal pode fermentar, a ira pode ferver, e o orgulho pode espumar, mas o coração corajoso da santa confiança não treme. Grandes homens, que são como montanhas, podem estremecer de medo em tempos de grande calamidade, mas quem confia em Deus nunca precisa se desanimar.
Selá. No meio de tamanho alvoroço, a música bem pode fazer uma pausa, tanto para dar fôlego aos cantores quanto tempo para nossa meditação. Não estamos com pressa; podemos sentar-nos e esperar enquanto a terra se dissolve, os montes se abalam e os oceanos bramem. O nosso não é o arrojo precipitado que passa por coragem; podemos enfrentar com calma o perigo, e meditar sobre o terror, detendo-nos em cada um de seus elementos e em suas forças reunidas. A pausa não é uma exclamação de pavor, mas apenas um repouso musical; não suspendemos o nosso canto em alarme, mas afinamos de novo as nossas harpas, com serenidade, em meio ao tumulto da tempestade. Bem seria se todos nós pudéssemos dizer Selá diante de provações tempestuosas, mas, ai! muitas vezes falamos com pressa, deixamos nossas mãos trêmulas confundidas entre as cordas, ferimos a lira com um golpe rude, e estragamos a melodia do canto da nossa vida.
Versículo 4Salmo 46:4
Há um rio. A graça divina, como um rio caudaloso, fertilizante, pleno e que nunca falha, traz alívio e consolo aos crentes. Este é o rio da água da vida, do qual a igreja lá em cima, assim como a igreja aqui embaixo, participa continuamente. Não é um oceano turbulento, mas uma corrente plácida; não é detido em seu curso por terremotos ou montanhas que desabam, segue serenamente o seu caminho. Felizes os que sabem, por experiência própria, que existe tal rio de Deus.
Os ribeiros do qual, em suas várias influências, pois são muitos, alegrarão a cidade de Deus, assegurando aos cidadãos que o Senhor de Sião suprirá sem falhas todas as suas necessidades. Os ribeiros não são passageiros como Querite, nem turvos como o Nilo, nem furiosos como o Quisom, nem traiçoeiros como os riachos enganosos de Jó, nem suas águas são "nada" como as de Jericó; são claras, frescas, abundantes e alegres.
O grande temor de uma cidade oriental em tempo de guerra era que o abastecimento de água fosse cortado durante um cerco; se isso estivesse garantido, a cidade podia resistir aos ataques por tempo indefinido. Neste versículo, Jerusalém, que representa a igreja de Deus, é descrita como bem provida de água, para mostrar que, em tempos de provação, uma graça suficiente para tudo nos será dada, capaz de nos sustentar até o fim.
A igreja é como uma cidade bem ordenada, cercada por poderosas muralhas de verdade e justiça, guarnecida pela onipotência, bem edificada e adornada pela sabedoria infinita: seus cidadãos, os santos, gozam de altos privilégios; comercializam com terras distantes, vivem sob o sorriso do Rei; e, assim como um grande rio é a própria razão de ser e o sustentáculo de uma cidade, assim o amplo rio do amor e da graça eternos é a sua alegria e bem-aventurança. A igreja é de modo peculiar a Cidade de Deus, por seu projeto, sua edificação, sua eleição, sua aquisição e sua habitação. Ela é dedicada ao louvor dele, e glorificada pela sua presença.
O lugar santo do tabernáculo do Altíssimo. Esta era a glória peculiar de Jerusalém: que o Senhor, dentro de seus muros, tinha um lugar onde se revelava de modo singular, e este é o privilégio escolhido dos santos, a respeito do qual podemos clamar com espanto: "Senhor, como é que te manifestarás a nós, e não ao mundo?" Ser templo do Espírito Santo é a porção deleitosa de cada santo; ser o templo vivo para o Senhor nosso Deus é também a alta honra da igreja em sua condição corporativa.
O nosso Deus é aqui chamado por um título digno, que indica seu poder, majestade, sublimidade e excelência; e vale notar que, sob esse caráter, ele habita na igreja. Não temos um grande Deus na natureza e um pequeno Deus na graça; não — a igreja contém uma revelação de Deus tão clara e convincente quanto as obras da natureza, e ainda mais espantosa, na glória excelente que resplandece entre os querubins que cobrem aquele propiciatório, o centro e o ponto de encontro do povo do Deus vivo. Ter o Altíssimo habitando entre os seus membros é fazer a igreja na terra parecer-se com a igreja no céu.
Versículo 5Salmo 46:5
Deus está no meio dela. O socorro dele é, portanto, certo e próximo. Está ela sitiada? Então ele mesmo está sitiado dentro dela, e podemos ter certeza de que irromperá sobre os seus adversários. Como está o Senhor perto das aflições dos seus santos, já que habita no meio deles! Cuidemos para não o entristecer; tenhamos por ele o respeito que Moisés teve quando sentiu a areia do deserto de Horebe ser santa, e tirou as sandálias dos pés quando o Senhor falou desde a sarça ardente.
Não será abalada. Como poderia ser abalada, a não ser que seus inimigos abalassem também o seu Senhor? A presença dele torna toda esperança de capturar e demolir a cidade absolutamente ridícula. O Senhor está no navio, e ela, portanto, não pode naufragar.
Deus a ajudará; dentro dela, ele fornecerá ricas provisões, e fora de suas muralhas lançará seus inimigos em montes, como os exércitos de Senaqueribe, quando o anjo saiu e os feriu. E logo ao romper da manhã. Assim que o primeiro raio de luz proclama o novo dia, na virada da manhã o braço direito de Deus se estenderá em favor do seu povo. O Senhor se levanta cedo. Somos lentos para encontrá-lo, mas ele nunca tarda em nos ajudar. A impaciência se queixa dos atrasos divinos, mas, na verdade, o Senhor não é remisso quanto à sua promessa. A pressa do homem é muitas vezes loucura, mas os aparentes atrasos de Deus são sempre sábios; e, quando vistos corretamente, não são atraso nenhum.
Hoje as hostes do mal podem cercar a igreja de Deus, e ameaçá-la de destruição; mas, dentro em breve, elas passarão como a espuma sobre as águas, e o barulho do seu tumulto se calará na sepultura. A hora mais escura da noite é justamente antes da virada da manhã; e então, sim então, o Senhor aparecerá como o grande aliado da sua igreja.
Versículo 6Salmo 46:6
Os gentios se enfureceram. As nações se agitaram num tumulto furioso, ajuntaram-se contra a cidade do Senhor como lobos vorazes por sua presa; espumavam, bramiam, e se inchavam como um mar tempestuoso. Os reinos se abalaram. Uma confusão geral tomou conta da sociedade; os invasores ferozes convulsionaram os seus próprios domínios ao drenar a população para alimentar a guerra, e devastaram outros territórios com sua marcha destruidora até Jerusalém. Coroas caíram de cabeças reais, tronos antigos balançaram como árvores levadas pela tempestade, impérios poderosos caíram como pinheiros arrancados pela ventania: tudo estava em desordem, e o pavor tomou conta de todos os que não conheciam o Senhor.
Ele levantou a voz, a terra se derreteu. Sem outro instrumento além de uma palavra, o Senhor governou a tempestade. Ele proferiu uma voz e corações valentes se dissolveram, exércitos orgulhosos foram aniquilados, poderes conquistadores foram enfraquecidos. No início, a confusão parecia ainda mais confusa, quando o elemento do poder divino entrou em cena; a própria terra parecia virar cera, o mais sólido e substancial das coisas humanas derreteu como a gordura de carneiros sobre o altar; mas logo a paz se seguiu, a fúria do homem se aplacou, os corações capazes de arrependimento se abrandaram, e os implacáveis foram silenciados. Quão poderosa é uma palavra de Deus! Quão poderoso o Verbo Encarnado! Oxalá tal palavra viesse agora mesmo da glória excelente para derreter todos os corações em amor a Jesus, e pôr fim para sempre a todas as perseguições, guerras e rebeliões dos homens!
Versículo 7Salmo 46:7
O Senhor dos Exércitos está conosco. Esta é a razão de toda a segurança de Sião, e da derrota de seus inimigos. O Senhor governa os anjos, as estrelas, os elementos, e todas as hostes do céu; e o céu dos céus está sob o seu domínio. Os exércitos dos homens, embora não o saibam, são feitos para servir à sua vontade. Este Generalíssimo das forças de terra, e o Grande Almirante dos mares, está do nosso lado — o nosso augusto aliado; ai daqueles que lutam contra ele, pois fugirão como fumaça diante do vento quando ele der a ordem de espalhá-los.
O Deus de Jacó é o nosso refúgio, o Emanuel é Jeová dos Exércitos, e o Deus de Jacó é o nosso alto refúgio de defesa. Quando este versículo alegre é cantado ao som de música digna de tal jubileu, bem podem os cantores fazer pausa e os instrumentistas esperar um pouco para afinar de novo os seus instrumentos; aqui, portanto, cabe bem essa nota solene, majestosa e pacífica de repouso: SELÁ.
Versículo 8Salmo 46:8
Vinde, contemplai as obras do Senhor. Os cidadãos alegres de Jerusalém são convidados a sair e contemplar os despojos de seus inimigos, para que notem o valor de Jeová e o espólio que sua destra conquistou para o seu povo. Bem seria se nós também observássemos com cuidado os tratos providenciais do nosso Deus de aliança, e fôssemos ágeis em perceber a sua mão nas batalhas da sua igreja. Sempre que lermos história, que seja com este versículo ressoando aos ouvidos. Devíamos ler o jornal no mesmo espírito, para ver como o Cabeça da Igreja governa as nações em favor do seu povo, assim como José governou o Egito por causa de Israel.
Que assolações fez na terra. Os destruidores ele destrói, os assoladores ele assola. Quão contundente é o versículo em nossos dias! As cidades arruinadas da Assíria, da Babilônia, de Petra, de Basã, de Canaã, são nossas instrutoras, e em tábuas de pedra registram os feitos do Senhor. Em todo lugar onde a sua causa e a sua coroa foram desprezadas, a ruína seguramente veio; o pecado tem sido uma praga sobre as nações, deixando seus palácios reduzidos a escombros.
Nos dias do autor deste Salmo, provavelmente havia ocorrido alguma intervenção memorável de Deus contra os inimigos de Israel; e, ao ver a derrota deles, ele convocou seus concidadãos a virem e considerarem atentamente as coisas terríveis em justiça que haviam sido operadas em seu favor. Castelos desmantelados e abadias em ruínas em nossa própria terra permanecem como memoriais das vitórias do Senhor sobre a opressão e a superstição. Que venham em breve mais assolações dessas.
"Vós, sombrios edifícios, sepulcros de homens vivos, Vós, túmulos de feminilidade, ou pior; Vós, refúgios de mentira, caiam logo, E, entre as vossas ruínas, que a coruja, o morcego, E o dragão encontrem morada afim."
Versículo 9Salmo 46:9
Ele faz cessar as guerras até os confins da terra. A sua voz aquieta o tumulto da guerra, e convoca o silêncio da paz. Por mais remota e bárbara que seja a tribo, ele impõe aos povos o repouso. Ele esmaga os grandes poderes até que não possam mais provocar conflito; dá ao seu povo profundo descanso.
Ele quebra o arco; ao mensageiro da morte de asas ligeiras, ele torna inútil. E corta a lança em pedaços — a lança do homem poderoso ele estilhaça. Queima o carro no fogo — o soberbo carro de guerra, com suas foices ceifadoras de morte, ele entrega às chamas. Toda sorte de armas ele amontoa em pilhas, e as destrói por completo.
Assim foi na Judeia, nos dias de outrora; assim será em todas as terras, em eras ainda por vir. Bendito feito do Príncipe da Paz! Quando será cumprido ao pé da letra? Já os inimigos espirituais do seu povo estão despojados do poder de destruir; mas quando será celebrada a vitória universal da paz, e os instrumentos de matança em massa serão entregues à destruição ignominiosa? Quão gloriosa será a vitória final de Jesus no dia da sua manifestação, quando todo inimigo lamberá o pó!
Versículo 10Salmo 46:10
Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus. Contende as mãos, ó inimigos! Sentai-vos e esperai com paciência, ó crentes! Reconhecei que Jeová é Deus, vós que sentis o terror da sua ira! Adorai-o, e só a ele, vós que participais da proteção da sua graça. Já que ninguém pode proclamar dignamente a sua natureza, que "o silêncio expressivo celebre o seu louvor". As bravatas dos ímpios e os temores tímidos dos santos devem certamente calar-se diante de uma visão do que o Senhor fez em eras passadas.
Serei exaltado entre os gentios. Eles se esquecem de Deus, adoram ídolos, mas Jeová ainda será honrado por eles. Leitor, as perspectivas das missões são brilhantes, brilhantes como as promessas de Deus. Que o coração de ninguém desfaleça; as solenes declarações deste versículo hão de se cumprir.
Serei exaltado na terra, entre todos os povos, quaisquer que tenham sido a sua maldade ou sua degradação. Seja pelo terror, seja pelo amor, Deus sujeitará todos os corações a si mesmo. Toda a terra redonda há de refletir a luz da sua majestade. Tanto mais, por causa do pecado, da obstinação e do orgulho do homem, Deus será glorificado quando a graça reinar para a vida eterna em todos os cantos do mundo.
Versículo 11Salmo 46:11
O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio. Era próprio cantar isto duas vezes. É uma verdade da qual nenhum crente se cansa, é um fato demasiadas vezes esquecido, é um privilégio precioso que jamais se considera demais. Leitor, o Senhor está do teu lado? É Emanuel, Deus conosco, o teu Redentor? Há uma aliança entre ti e Deus, como entre Deus e Jacó? Se assim é, três vezes feliz és tu. Mostra a tua alegria em cântico sagrado, e nos tempos de aflição age como homem, fazendo música ainda para o teu Deus.
SELÁ. Aqui, como antes, eleva o coração. Repousa em contemplação depois do louvor. Mantém a alma ainda afinada. É mais fácil cantar um hino de louvor do que permanecer no espírito de louvor, mas que seja nosso objetivo sustentar a devoção crescente dos nossos corações agradecidos, e assim terminar o nosso cântico como se pretendêssemos continuá-lo.
SELÁ pede que a música repouse.
Faz pausa em silêncio suave e bendito;
SELÁ pede que se eleve o canto,
Harpas e vozes se afinem de novo;
SELÁ encerra o louvor cantado,
Ainda erguei vossos corações a Deus.