Tesouros de Davi

Notas explicativas e citações: Salmo 131

Citações de puritanos, reformadores e outros comentaristas sobre o Salmo 131, reunidas por Charles Spurgeon.

Leia o Salmo 131 na íntegra no Midvash, na King James Fiel

Todo o Salmo. Este pequeno cântico traz o título "de Davi" porque é como um eco da resposta (2 Samuel 6:21 e seguintes) com que Davi repeliu a observação zombeteira de Mical, quando dançou diante da Arca vestido de éfode de linho, e não com trajes reais, mas com a veste comum dos sacerdotes: "Ainda me estimo menos do que agora mostro, e pareço vil aos meus próprios olhos."

Em geral, Davi é o modelo do estado de espírito que o poeta expressa aqui. Ele não se impôs, mas deixou-se tirar da reclusão. Não tomou posse do trono à força; mas, depois que Samuel o ungiu, percorreu de bom grado e com paciência o longo e tortuoso caminho de profundo rebaixamento, até receber da mão de Deus aquilo que a promessa divina lhe assegurara.

A perseguição de Saul durou cerca de dez anos, e o seu reinado em Hebrom, a princípio apenas incipiente, sete anos e meio. Ele deixou inteiramente a Deus a tarefa de remover Saul e Isbosete. Deixou que Simei o amaldiçoasse. Deixou Jerusalém diante de Absalão. Submissão à direção de Deus, resignação diante das suas disposições, contentamento com o que lhe fora designado: são estes os traços distintivos do seu nobre caráter. — Franz Delitzsch.

Todo o Salmo. O Salmo 130 é um Cântico do Perdão; o Salmo 131 é um Cântico da Humildade: aquele celebra a bem-aventurança do homem cujas transgressões são perdoadas, este celebra a bem-aventurança do homem que tem espírito manso e humilde. O perdão deveria nos humilhar.

O perdão pressupõe o pecado; e não deveria o pecador vestir-se de humildade? E, quando os seus pecados foram perdoados não por mérito algum seu, mas simplesmente pela graça gratuita do Céu, não deveria ele cingir ainda mais de perto as vestes da humildade? O homem de natureza ao mesmo tempo sincera e branda ficará ainda mais humilhado pelo sentimento de um perdão imerecido do que pela lembrança dos pecados dos quais foi purificado. Muito apropriadamente, portanto, o Salmo da humildade segue o Salmo que canta a benignidade divina e a terna misericórdia do Senhor. — Samuel Cox.

Todo o Salmo. Este Salmo, que registra o espírito manso e humilde dos verdadeiros adoradores do Templo, pertence sem dúvida, como anuncia o seu título, ao tempo de Davi. Está exatamente no espírito daquele humilde louvor feito por ele depois da revelação divina, por meio de Natã, das futuras bênçãos sobre a sua posteridade (1 Crônicas 22:9-11); e forma uma introdução muito apropriada ao Salmo seguinte, cujo tema é evidentemente a dedicação do Templo. — John Jebb.

Versículo 1Salmo 131:1

Senhor, o meu coração não se ensoberbece. Pela verdade do seu apelo, ele recorre a Deus; e de todos os que sentem o mesmo que Davi, Deus aceitará o apelo.

Primeiro. Ele podia, em verdade de coração, apelar a Deus: "Senhor, o meu coração não se ensoberbece." Ele apela àquele que conhece todas as coisas. "Senhor, de quem nada se esconde, tu sabes que esta é a própria disposição da minha alma. Se tenho alguma coisa, é de ti; foi a tua providência que me tirou de seguir as ovelhas prenhes para apascentar e governar o teu povo." Um homem tão santo não invocaria Deus de forma leviana, nem tomaria em vão o seu santo nome; mas, conhecendo a própria integridade, ousava chamar Deus por testemunha.

Os santos costumam fazer o mesmo em ocasiões semelhantes; como Pedro (João 21:17): "Senhor, tu sabes todas as coisas; tu sabes que te amo." Eles sabem que têm um Deus que não se deixa enganar por aparências, e que os conhece e os aprova conforme os acha de fato.

Segundo. Dos que sentem o mesmo que Davi, Deus aceitará o apelo; pois, diante de Deus, somos aquilo que sinceramente desejamos e nos esforçamos por ser, e aquilo que é o rumo e o tom geral das nossas vidas, ainda que haja alguma mistura de falha. Davi diz: "Senhor, o meu coração não se ensoberbece"; e, no entanto, ele não estava de todo livre da soberba. A sua declaração diz respeito ao seu propósito sincero, ao seu esforço constante, e à disposição predominante da sua alma.

O próprio Deus confirma tais apelos com o seu próprio testemunho: 1 Reis 15:5, "Meu servo Davi fez o que era reto aos olhos do Senhor, e não se desviou de tudo o que lhe ordenara, exceto no caso de Urias." ... Por tudo isso se mostra que a alegação de sinceridade é aceita por Deus, ainda que haja alguma mistura de falhas e fraquezas.

Terceiro. Não é isso uma jactância como a do fariseu? Lucas 18:9, "Deus, graças te dou que não sou como os demais homens." Se Davi era assim tão humilde, por que fala disso? Não é ele culpado de soberba justamente ao parecer falar contra a soberba?

Isto se diz ou como

  1. uma vindicação necessária; ou

  2. uma instrução necessária.

(a) Como vindicação necessária contra as censuras e calúnias dos seus adversários. Os cortesãos de Saul o acusavam de aspirar ao reino; sim, o seu próprio irmão o acusou de soberba quando ele chegou pela primeira vez ao campo: 1 Samuel 17:28, "Conheço a tua soberba e a maldade do teu coração; pois desceste para ver a batalha." Se o seu próprio irmão caluniava assim as suas ações, quanto mais poderiam fazê-lo outros. Ora, é para a honra de Deus que os seus filhos, além de não cometerem a falta, tampouco fiquem sob suspeita dela; por isso ele apela a Deus.

(b) Como instrução necessária; pois tudo o que Davi disse ou escreveu aqui, disse ou escreveu por inspiração do Espírito Santo, para que Israel aprendesse a esperar em Deus. Nisto Davi é um exemplo notável de dever, tanto para superiores quanto para inferiores. — Thomas Manton.

O meu coração não se ensoberbece. Ainda que a soberba seja um vício comum, que acompanha o homem vão em todo grau de excelência e suposto valor, a graça de Deus é capaz de manter humilde até um homem sábio, rico e poderoso; sim, de manter humilde até um rei e conquistador; pois não é outro senão Davi quem diz aqui: "Senhor, o meu coração não se ensoberbece." — David Dickson.

Nem os meus olhos são altivos. A soberba tem sua sede no coração; mas sua principal expressão está no olhar. O olho é o espelho da alma; e por ele podem-se conhecer, com boa precisão, as características mentais e morais de alguém. Que mundo de significado às vezes se concentra num único olhar! Mas, de todas as paixões, é a soberba que mais claramente se revela nos olhos. Dificilmente há engano aqui.

Todos conhecemos uma classe de expressões que vêm em pares. Falamos de pecado e miséria; santidade e felicidade; paz e prosperidade; guerra e desolação. Entre elas pode-se contar o coração soberbo e o olhar altivo. "Há uma geração, ó quão altivos são os seus olhos! e as suas pálpebras se levantam." "Ao que tem olhos altivos e coração soberbo, não sofrerei." ... O olhar soberbo é uma das sete coisas que são abomináveis ao Senhor. Dele se diz: "Salvarás o povo aflito; mas abaterás os olhos altivos." E por isso Davi faz a confissão: Senhor, tu sabes todas as coisas; tu sabes que a soberba não existe no meu coração. Tu sabes que nenhuma soberba brilha nos meus olhos. — N. M'Michael.

Nem os meus olhos são altivos. Ele não tinha nem um olhar desdenhoso, nem um olhar ambicioso. "Os meus olhos não são altivos", nem para olhar com inveja os que estão acima de mim, nem para olhar com desprezo os que estão abaixo de mim. Onde há coração soberbo, geralmente há olhar soberbo (Provérbios 6:17); mas o publicano humilde nem sequer ousa levantar os olhos. — Matthew Henry.

Nem me ocupei etc. Não se pode admirar o bastante a oração de Anselmo, um teólogo profundo do nosso próprio país, no século onze. "Não busco, ó Senhor, penetrar as tuas profundezas. De modo algum julgo o meu entendimento igual a elas: mas anseio compreender em alguma medida a tua verdade, que o meu coração crê e ama. Pois não busco entender para crer; mas creio, para entender." — N. M'Michael.

Grandes coisas... coisas elevadas demais para mim. As grandes e admiráveis coisas aqui referidas são os propósitos secretos de Deus, e os meios soberanos para a sua realização, nos quais o homem não é chamado a cooperar, mas a se conformar. Assim como Davi praticou essa renúncia na espera paciente do reino, tanto antes quanto depois da morte de Saul, ele aqui a descreve como um traço característico do povo escolhido. — Joseph Addison Alexander.

Versículos 1–2Salmo 131:1-2

Nosso Pai é o nosso superior; convém, portanto, que nos resignemos à sua vontade. "Honra a teu pai e a tua mãe" (Êxodo 20:12); quanto mais ao nosso Pai celestial! (Hebreus 12:9). Veja o espírito de Davi neste caso: "Senhor, o meu coração não se ensoberbece" etc.: Salmos 131:1-2. Como se dissesse: "Vou me manter dentro da minha própria esfera; não vou ultrapassar o meu limite, prescrevendo a Deus; mas me submeterei à sua vontade, `como uma criança desmamada', tirada do seio que tanto amava": dando a entender que se desmamaria de tudo o que Deus lhe tirasse.

Com que paciência Isaque se deixou amarrar e sacrificar por Abraão! Gênesis 22:9. E, no entanto, ele já tinha idade e força suficientes para lutar pela própria vida, tendo vinte e cinco anos; mas aquele jovem santo detestava a ideia de resistir ao seu pai. E não nos resignaremos nós ao nosso Deus e Pai em Cristo Jesus? — John Singleton (—1706), em "The Morning Exercises."

Sempre foi o meu propósito, e é a minha oração, não ter plano algum a meu respeito; bem certo como estou de que o lugar em que o Salvador julga bom colocar-me deve ser sempre o melhor lugar para mim. — Robert Murray M'Cheyne, 1813-1843.

Versículo 2Salmo 131:2

Certamente me portei e me aquietei etc. Ah, como o mundo se torna seco e insosso para a alma que se prepara para o céu! "Estou crucificado para o mundo, e o mundo para mim" (Gálatas 6:14). Em vão pensa esta meretriz que pode me atrair com seus encantos de proveito e prazer.

"Certamente me portei e me aquietei, como uma criança desmamada de sua mãe: a minha alma é como uma criança desmamada." Não há mais gosto nestas coisas vistosas para o meu paladar do que na clara de um ovo; tudo se torna um fardo para mim, não fosse meu dever seguir a minha vocação e ser grato pelo que desfruto.

Penso ter esposa, marido e os parentes mais queridos como se não os tivesse; choro as perdas externas como se não chorasse; alegro-me nos consolos daqui de baixo como se não me alegrasse (1 Coríntios 7:29-30); meus pensamentos estão ocupados com outros objetos. Os homens do mundo me desprezam, muitos parecem cansados de mim, e eu estou tão cansado deles quanto eles de mim.

Não são estas coisas terrenas que ocupam o meu coração; a minha alma está posta nas coisas do alto, o meu tesouro está no céu, e ali também quero ter o coração: já enviei todos os meus bens para outro país, e em breve partirei; e quando olho ao meu redor, vejo uma casa vazia e nua, e estou pronto para dizer com Mônica: Que faço eu aqui? Meu pai, meu marido, minha mãe (a Jerusalém do alto), meus irmãos, minhas irmãs, meus melhores amigos estão no alto.

Creio que invejo ao mundo qualquer porção do meu coração, e não considero estas coisas temporais e visíveis dignas sequer de um olhar, em comparação com as coisas invisíveis e eternas (2 Coríntios 4:18). — Oliver Heywood, 1629-1702.

(Primeira cláusula.) Se não refreei, ou aquietei, e reduzi ao silêncio a minha alma. É uma expressão hebraica de asseveração e de juramento: como se dissesse: impus por completo silêncio à minha alma, para que ficasse tranquila e suportasse com paciência a cruz que Deus lhe impôs. Assim como, no Salmo seguinte, ouvimos uma forma semelhante de asseveração: "Se eu entrar na tenda da minha casa", significando "não entrarei" etc. — Solomon Gesner.

Portei-me e aquietei-me, como uma criança desmamada. Desmamada de quê? Da autossuficiência, da vontade própria, da busca de si mesmo. Das criaturas e das coisas do mundo — não quanto ao seu uso, mas quanto a depender delas para a própria felicidade e porção... No entanto, esta experiência não é fácil de alcançar. A própria forma da expressão — "portei-me e aquietei-me" — nos lembra certos ímpetos que só com dificuldade foram dominados.

Há aqui uma diferença entre Cristo e os cristãos. Nele, o exercício da graça não encontrava princípios contrários; mas neles encontra oposição constante. A carne milita contra o espírito, e quando queremos fazer o bem, o mal está presente em nós; daí a guerra interior. Assim é com "a criança que é desmamada."

A tarefa é difícil e trabalhosa para a mãe. A criancinha chora, e parece soluçar com o coração partido. Acha muito duro da parte da mãe, e não entende o que ela quer dizer com sua aparente crueldade; e o carinho da mãe torna necessária toda a sua firmeza para manter o processo; e às vezes ela também chora diante da insistência daqueles olhares queridos, das grandes lágrimas e das mãozinhas estendidas. Mas é preciso fazê-lo, e por isso, embora se compadeça, ela persevera; e depois de um tempo a criança se acalma e se satisfaz, esquece o peito e não sente mais sequer saudade do antigo prazer.

Mas como se realiza o desmame da criança? Amargando o peito a seus lábios; removendo o objeto na ausência e no ocultamento da mãe; substituindo por outro alimento; pela influência do tempo. Assim é conosco. Amamos o mundo, e ele nos engana. Dependemos das criaturas, e elas nos falham, e nos atravessam com muitas dores. Entramos em caminhos proibidos, e seguimos atrás dos nossos amantes; e o nosso caminho se cerca de espinhos; e então dizemos: "Volta, ó minha alma, ao teu descanso; e agora, Senhor, o que espero eu? A minha esperança está em ti."

O gozo de um bem maior subjuga o gosto por um bem menor. Que são as indulgências do pecado, ou as dissipações do mundo, para quem está plenamente satisfeito com a bondade da casa de Deus, e é levado a beber do rio dos seus prazeres? — William Jay (1769-1853), em "Evening Exercises for the Closet."

Como uma criança desmamada de sua mãe. Ainda que a criança desmamada não tenha o que teria, ou o que naturalmente mais desejaria — o leite do peito —, contenta-se com o que a mãe lhe dá; repousa no amor e na provisão dela. Assim devemos nós nos contentar com o que a providência nos concede: Hebreus 13:5, "Seja o vosso trato sem avareza, contentando-vos com o que tendes"; e Filipenses 4:11, "Aprendi a contentar-me com o estado em que me encontro."

Tudo o que agrada ao nosso Pai celestial deveria nos agradar. A criança que é tirada do peito para uma dieta mais dura ainda assim, ao fim, se contenta. A criança não prescreve o que comerá, beberá ou vestirá. As crianças não se preocupam em aumentar posses, acumular riquezas, aspirar a dignidades e honrarias; mas mansamente aceitam o que lhes é dado.

A criança, quando perde o alimento que a natureza lhe provia, não se aflige, mas se remete inteiramente à mãe, apega-se à mãe. Assim, em tudo, devemos depender de Deus, nos remetermos a Deus e esperar dele todas as coisas: Salmos 62:5, "Espera somente em Deus, ó minha alma; porque dele vem a minha esperança." Com tal simplicidade de submissão devemos descansar e depender de Deus. Cuidemo-nos de não sermos sábios demais nem previdentes demais por nós mesmos, mas confiemos em nosso Pai que está nos céus, e nos remetamos ao seu sábio e santo governo. — Thomas Manton.

Como uma criança desmamada de sua mãe. Desmamado do mundo, das suas riquezas, honras, prazeres e proveitos; assim como da própria natureza, de si mesmo, da sua própria justiça e de toda a confiança nela; e, assim como a criança desmamada do peito depende inteiramente da sua ama para o sustento, assim ele dependia inteiramente de Deus, da sua providência, graça e força; e, quanto ao reino, não tinha mais desejos cobiçosos por ele do que uma criança desmamada tem pelo peito, e estava disposto a esperar o tempo devido para desfrutá-lo.

O Targum traz: "como o que é desmamado sobre os peitos de sua mãe, sou fortalecido na lei." Isto deve ser entendido não de uma criança enquanto está sendo desmamada, quando costuma ficar irritadiça, chorosa e teimosa, mas quando já está desmamada, e fica quieta e tranquila nos braços da mãe, sem o peito. — John Gill.

A minha alma é como uma criança desmamada. Por natureza, o desmame da alma difere essencialmente daquele desgosto pelo mundo a que às vezes dão origem os maus tratos e as misérias dele. Uma coisa é estar zangado com o mundo, ou envergonhado dele, e outra é estar desmamado dele. Nobilite-se o mundo, e muita mente orgulhosa que hoje o despreza passaria a cortejá-lo. É diferente também daquele cansaço de espírito que geralmente segue a um gozo livre dos prazeres terrenos.

Há algo como o desgaste dos afetos. Salomão parece ter feito isso em certo período da sua vida. "Não me resta um desejo", disse certo conhecido sensualista do nosso país, que bebera tão profundamente quanto podia do cálice do mundo. "Se tudo o que a terra contém estivesse diante de mim, não sei de uma coisa sequer pela qual eu me desse ao trabalho de estender a mão."

Este desmame da alma pressupõe um poder ainda restante na alma, de amar e desejar. Não é a destruição do seu apetite, mas o controle e a mudança dele. A criança desmamada ainda tem fome, mas não tem mais fome pelo alimento que antes a deliciava; está quieta sem ele; pode se alimentar de outras coisas: assim, a alma desmamada do mundo ainda anseia tanto quanto sempre por alimento e felicidade, mas não os busca mais nas coisas do mundo, nem deseja fazê-lo. Não há nada no mundo que ela sinta necessário para a sua felicidade. Esta coisa ela ama, e aquela ela valoriza; mas sabe que pode viver sem elas, e está pronta para viver sem elas sempre que Deus assim o quiser.

Investiguemos agora as fontes desse estado de espírito — como o alcançamos. Uma coisa é certa: não é obra nossa. Não nos trazemos a ele por nós mesmos. Nenhum bebê se desmama sozinho. A verdade é que é Deus quem precisa nos desmamar do mundo. Jamais o deixaríamos por conta própria. É a própria mão direita de Deus que precisa nos afastar dele. E como? A figura do texto em parte nos diz. 1. Amargando o mundo para nós. 2. Outras vezes o Senhor nos remove aquilo que amamos. 3. Mas ele nos desmama mais da terra dando-nos alimento melhor. — Resumido de um Sermão de Charles Bradley, intitulado "O Desmame da Alma," 1836.

Como uma criança desmamada. Isto é, mansa, modesta, humilde, submissa, simples etc. Ver Mateus 18:1-4. — Henry Ainsworth. — 1622.

Eis o retrato que Davi faz de si mesmo... Note-se que a "criança" — desenhada aqui para que a copiemos — está "desmamada": o processo está completo; ela foi verdadeiramente disciplinada; a lição está aprendida; e agora ela repousa em seu "desmame." Toda a imagem exprime um repouso que vem depois de uma luta.

"Certamente me portei e me aquietei, como uma criança desmamada de sua mãe"; ou, mais literalmente, "sobre sua mãe"; agora contente em ficar quieta justamente no lugar da sua privação — "como uma criança desmamada sobre sua mãe." Aquela obediência seria algo insosso e sem valor, se não fosse consequência de um controle silencioso. Um mero estado de apatia é justamente o oposto da obediência que merece de fato esse nome. Mas este é o ponto da semelhança: houve angústia, e batalha, e vitória sobre si mesmo; e agora a vontade aquietada se cala em submissão e contentamento; pronta para abrir mão do que mais lhe agrada, e para aceitar apenas o que lhe é dado — "uma criança desmamada."

Não creio que jamais tenha sido intenção de Deus que algum homem devesse fundir e perder de tal modo a sua vontade na vontade divina, a ponto de não ter mais vontade própria e distinta. Houve muitos que tentaram alcançar essa aniquilação da vontade, e fizeram disso o grande alvo e fim da vida. Mas o caráter da dispensação não permite isso. Não creio que seja algo possível; e, se fosse possível, não creio que estivesse de acordo com a mente de Deus. Não é essa a relação presente do homem com o seu Criador.

Nenhum dos santos na Bíblia fez mais do que submeter uma vontade forte e existente. O próprio Senhor Jesus Cristo não fez mais do que isso. "Que direi eu? Pai, salva-me desta hora; mas para isto vim a esta hora. Pai, glorifica o teu nome. Não seja feita a minha vontade, mas a tua." Evidentemente há duas coisas — "a minha vontade", "a tua vontade." Era uma vontade instantânea e perfeitamente subjugada — mas, ainda assim, uma vontade. E é isso o que se exige de nós; e o que a natureza da nossa condição humana, e as provisões da nossa religião, têm de assumir.

Uma vontade, decididamente uma vontade: quanto mais decidida a vontade, mais forte o caráter, e maior o homem. Mas uma vontade que está sempre sendo entregue, separada, conformada, cada vez mais conformada, constantemente. A unidade das duas vontades é o céu. — Resumido de um Sermão de James Vaughan.

Versículo 3Salmo 131:3

Espere Israel no Senhor. Seguindo, pois, o exemplo do Rei de Israel, que assim se conduziu em suas aflições — humilde, contente e resignado, lançando todo o seu cuidado sobre o Pai que cuidava dele, e esperando com paciência o seu tempo de livramento e salvação —, que o seu povo fiel, seguindo este exemplo e modelo, espere e confie, não em si mesmo, na sua sabedoria ou no seu poder, mas somente em Jeová, que não deixará de exaltá-los, como já exaltou o seu Redentor, se apenas seguirem os seus passos. — George Horne.

Espere Israel no Senhor. Embora Davi pudesse esperar por si mesmo, com paciência e quietude, pela coroa que lhe estava destinada, talvez Israel, o povo que o tinha por seu predileto, estivesse pronto a tentar algo em seu favor antes do tempo; ele procura, portanto, aquietar também o povo, e o exorta a "esperar no Senhor", para que vissem, no devido tempo, uma feliz mudança no rumo dos acontecimentos. Assim, "é bom esperar, e esperar quieto pela salvação do Senhor." — Matthew Henry.

Espere Israel no Senhor etc. Lembre-se de que ele é Jeová.

  1. Sábio para planejar.

  2. Bom para propor.

  3. Forte para executar, e que não negará nenhum bem aos que andam retamente.

  4. Confie "desde agora." Se ainda não começou antes, comece agora.

  5. E não se canse; confie "para sempre." O seu caso jamais poderá estar fora do alcance do poder e da misericórdia de Deus. — Adam Clarke.

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