Notas explicativas e citações: Salmo 133
Citações de puritanos, reformadores e outros comentaristas sobre o Salmo 133, reunidas por Charles Spurgeon.
Leia o Salmo 133 na íntegra no Midvash, na King James Fiel
Salmo Inteiro. Este Salmo é uma efusão de santa alegria ocasionada pela visão do ajuntamento de Israel como uma única grande família nas festas anuais... Poderia haver também uma alusão aos ciúmes e alienações anteriores na família de Israel, que pareciam trocados por concórdia e afeto mútuos, quando Davi ascendeu ao trono de toda a nação.—Joseph Addison Alexander.
Versículo 1Salmo 133:1
Eis quão bom e quão agradável é. Há três coisas em que é muito agradável ver o povo de Deus unir-se num só.
Quando se juntam ou são um em opinião e juízo, quando todos pensam a mesma coisa e são de um só sentir na verdade.
Quando se juntam e são um em afeto, quando são todos de um só coração, ainda que possivelmente não sejam todos de uma só opinião; ou, quando se encontram no afeto, mesmo que não na opinião. Depois de falar com admiração dessa bela cena, Davi fala declarando sua bondade (Salmos 133:2): É como o óleo precioso sobre a cabeça. É assim, primeiro, pela sua doçura; é assim, segundo, pela sua difusão, como se segue: "que descia sobre a barba, sobre a barba de Arão, que descia até as orlas de suas vestes."
É coisa abençoada vê-los unidos no dever, seja o dever considerado — primeiro, em fazer o que é bom; ou, como diz a palavra do apóstolo (2 Coríntios 6:1), quando são, entre si, "cooperadores" em alguma boa obra: diríamos, para completar o texto, "cooperadores com Deus". Isso sim é uma cena abençoada, quando nos unimos a Deus, e Deus se une a nós em sua obra. É também uma cena abençoada quando todos os ministros de Jesus Cristo, e muitos como membros de Jesus Cristo, se unem em alguma boa obra — nesta, sobretudo: rogar, com tudo o que temos, "que não recebam a graça de Deus em vão". Segundo, em afastar-se do mal, e lançar longe de si a iniquidade; em orar pelo perdão do pecado e fazer as pazes com Deus. É boa obra afastar-se do mal, sobretudo quando todos os envolvidos se unem nisso... Assim como unir-se no pecado, e ser irmãos na iniquidade, é a pior das uniões — de fato, uma conspiração contra Deus —, também unir-se como irmãos em prantear o pecado e arrepender-se das próprias iniquidades é uma união abençoada, e muito agradável a Deus.—Joseph Caryl.
Quão bom e quão agradável é. Os termos desse louvor e elogio, ou os elementos de que se compõe, vêm de uma dupla qualificação.
- A concórdia fraterna, e o seu cultivo em todas as expressões ocasionais, é um grande bem. Isso é, e ficará evidente que é, em várias considerações.
Primeiro, quanto ao seu Autor e possuidor, que é o próprio Deus, o qual reivindica isso especialmente para si. Por isso, na Escritura o encontramos, a partir daí, denominado e intitulado. 1 Coríntios 14:33: "Deus não é Deus de confusão (ou de agitação), mas o autor da paz." 2 Coríntios 13:11: "O Deus de paz e amor." A paz é chamada "a paz de Deus": Filipenses 4:7. E Deus é chamado o "Deus de paz"; cada uma dessas expressões o remete e reduz a ele, e assim o exalta. Ora, na medida em que o próprio Deus é dito bom, nessa mesma medida esta habitação em unidade também é boa, pois é ordenada e possuída por ele, como assim se mostra.
Segundo. É bom em sua própria natureza; é bom, como qualquer graça é boa. É bom moralmente. O amor é fruto do Espírito: Gálatas 5:22. Assim, habitar em amor e unidade uns com os outros é uma bondade a ele reduzida. É bom espiritualmente; não é apenas um bem ensinado pela filosofia moral e praticado por seus estudantes, mas é ensinado pelo próprio Espírito Santo, e é parte da obra da regeneração e da nova criatura em nós — sobretudo se o tomarmos em toda a sua amplitude e extensão, como convém.
Terceiro. É bom nos seus efeitos, consequências e acompanhamentos: traz consigo muito bem. É bonum utile. Vem grande vantagem do fato de os irmãos habitarem juntos em unidade, especialmente vantagem espiritual, para fazer e para receber o bem.
- A segunda qualificação é a sua doçura, porque é "agradável": não é apenas bonum utile e bonum honestum, mas também bonum jucundum; traz consigo muito prazer. O prazer é um tipo de bem tal que, para certas pessoas, quase não importa o que façam ou de que abram mão para obtê-lo, e todo outro bem lhes é nada se lhe faltar isto. Por isso, para maior recomendação desta unidade fraterna, deve-se considerar também que ela é "agradável". Assim é para toda sorte de pessoas que a sentem.
Primeiro. É agradável a Deus; é algo muito aceitável a ele, algo em que ele muito se deleita, onde quer que o observe; sendo ele mesmo um Deus de paz, deleita-se ainda mais em cristãos pacíficos, os que a ele se relacionam. Quanto se alegram os pais naturais com o bom entendimento dos filhos, ao vê-los amorosos, amigos, bondosos e corteses uns com os outros — isso lhes agrada e alegra o próprio coração! E assim é também com Deus, para com os que verdadeiramente lhe pertencem.
Segundo. Esta unidade fraterna também é agradável a nós mesmos, que assim teremos ainda maior prazer nela e por causa dela.
Terceiro. É também agradável aos outros — a todos os demais que a observam de fora, espectadores dela. "Eis quão agradável é", diz o texto. É agradável a todos os que a observam: "Quem nisso serve a Cristo é aceito por Deus e aprovado pelos homens", diz o apóstolo: Romanos 14:18.—Thomas Horton, 1673.
Agradável. É coisa agradável que os santos e o povo de Deus concordem entre si; pois a mesma palavra usada aqui para "agradável" é usada também em hebraico para a harmonia da música, como quando se elevam às notas mais altas do instrumento de cordas, quando as cordas todas se afinam para formar uma harmonia — tão agradável é, tal é a suavidade no acordo dos santos. A mesma palavra é usada em hebraico também para a beleza de um campo de trigo: quando um campo se veste de trigo, mesmo depois de ceifado, ainda é muito agradável — ah, como é agradável! — e assim é o acordo dos santos. A mesma palavra no Salmista é usada ainda para a doçura do mel, e das coisas doces em oposição às amargas. E assim vemos a agradabilidade disso, comparada à harmonia da música, ao campo de trigo, à doçura do mel, ao óleo precioso que descia pela barba de Arão, e ao orvalho que caía sobre Hermom e os montes de Sião: tudo isso para revelar a agradabilidade, a utilidade e a doçura do acordo dos santos. É coisa agradável contemplar o sol, mas é muito mais agradável contemplar o acordo e a unidade dos santos entre si.—William Bridge.
Irmãos. Abraão fez deste nome, "irmãos", um mediador para manter a paz entre ele e Ló: "Não somos nós irmãos?", disse Abraão. Como se dissesse: Hão de irmãos brigar por ninharias, como infiéis? Bastou isso para apaziguar Ló, pois, ao ouvir o nome de irmãos, seu coração logo cedeu, e a contenda terminou. Assim deveria ser esse o advogado que encerra as brigas entre cristãos: lembrar que são irmãos. E os que já gastaram tudo em processos gostariam de ter contratado este advogado, para pensar, como Ló, se convém a irmãos disputar como inimigos.—Henry Smith.
Irmãos. Alguns críticos observam que a palavra hebraica para irmão tem estreito parentesco, ou aliança, com outras duas palavras, das quais a primeira significa um, e a outra, semelhante ou junto — para mostrar que "irmãos" deveriam ser como um, e semelhantes, ou juntos; o que, num elegante jogo de palavras, se une ao termo: "Eis quão bom e quão agradável é que os irmãos habitem juntos em unidade", ou, como se põe na margem, "habitem até mesmo juntos". Assim, a própria palavra com que se expressa "irmãos" indica que deve haver entre eles uma proximidade, uma semelhança, sim, uma unidade (se assim posso dizer), em seus afetos e em suas ações.—Joseph Caryl.
Habitar é palavra de residência, de morada, de permanência. Há também, no amor e na concórdia dos irmãos, uma perseverança e uma persistência; não apenas estar juntos, ou vir juntos, ou reunir-se por certo tempo, mas habitar juntos em unidade — isto é o que aqui se enaltece e se recomenda. Pode parecer coisa pouco difícil que os homens se disponham a algumas expressões de paz e amizade por um curto espaço de tempo (embora haja não poucos que mal conseguem nem isso); mas perseverar nisso, e continuar por tanto tempo — essa resistência lhes é quase impossível. E, no entanto, é isso que se exige deles como cristãos e como "irmãos" uns para com os outros: "habitar juntos em unidade"; seguir a paz, o amor, a concórdia e o acordo mútuo, não só em alguns encontros ocasionais, mas ao longo de toda a sua vida, enquanto convivem juntos.—Thomas Horton.
Juntos em unidade. Se há um só Deus, assim como Deus é um, sejam também um os que o servem. Foi por isto que Cristo orou tão fervorosamente: "Que sejam um": João 17:21. Os cristãos devem ser um: primeiro, em juízo. O apóstolo exorta a que sejam todos de um só sentir: 1 Coríntios 1:10. Quão triste é ver a religião vestindo uma capa de várias cores; ver cristãos de tantas opiniões, seguindo tantos caminhos diferentes! Foi Satanás que semeou este joio da divisão: Mateus 13:39. Ele primeiro separou os homens de Deus, e depois um homem do outro. Segundo, um em afeto. Deveriam ter um só coração. "A multidão dos que criam era de um só coração e de uma só alma": Atos 4:32. Assim como na música, embora haja várias cordas num instrumento, todas formam uma só e doce harmonia; assim também, embora haja vários cristãos, deveria haver entre eles uma só e doce harmonia de afeto. Há um só Deus, e os que o servem deveriam ser um. Nada tornaria a verdadeira religião mais amável, nem lhe traria mais convertidos, do que ver os que a professam atados uns aos outros pelas cordas do coração, no amor. Se Deus é um, sejam também um de sentir e de coração todos os que o professam, e assim cumpram a oração de Cristo: "que sejam todos um".—Thomas Watson.
Versículo 2Salmo 133:2
Óleo precioso sobre a cabeça. Embora todo sacerdote fosse ungido, só o sumo sacerdote era ungido na cabeça, e há uma tradição de que este rito foi omitido depois do Cativeiro, de modo que há aqui uma ênfase especial no nome de Arão.—Neale e Littledale.
O óleo precioso... que descia sobre a barba... que descia até as orlas de suas vestes. A magnificência, que os mesquinhos chamam erradamente de extravagância e desperdício, é o atributo invariável de todo amor verdadeiro. Davi reconheceu essa verdade quando escolheu a unção generosa de Arão com o óleo de consagração, em sua investidura no ofício de sumo sacerdote, como emblema apto do amor fraternal. Houve desperdício também naquela unção, assim como na que ocorreu em Betânia. Pois o óleo não foi apenas aspergido sobre a cabeça de Arão, embora isso pudesse bastar para o propósito de uma mera cerimônia. O vaso foi esvaziado sobre a pessoa do sumo sacerdote, de modo que seu conteúdo escorreu da cabeça sobre a barba, e até as orlas das vestes sacerdotais. Era precisamente nesse desperdício que estava o ponto da semelhança para Davi. Era um traço que muito provavelmente lhe chamaria a atenção; pois ele também era, à sua maneira, um homem generoso até o desperdício. Amara a Deus de um modo que o expôs à acusação de extravagância. Dançara diante do Senhor, por exemplo, quando a arca foi trazida da casa de Obede-Edom para Jerusalém, esquecido de sua dignidade, excedendo os limites do decoro e, ao que parece, sem desculpa, já que uma demonstração bem menos ardorosa teria bastado ao propósito de uma solenidade religiosa.—Alexander Balmain Bruce, em "The Training of the Twelve," 1877.
O óleo precioso... que descia. Dos perfumes hebraicos, produzia-se e consumia-se anualmente uma quantidade imensa, do que temos uma indicação muito significativa no fato de que o santo óleo da unção do tabernáculo e do templo nunca era feito em quantidade menor que setecentos e cinquenta onças de sólidos compostos com cinco quartilhos de óleo, e era aplicado com tal profusão que, ao ser posto sobre a cabeça de Arão, escorria por sua barba e peito até as próprias orlas de suas vestes.—Hugh Macmillan, em "The Ministry of Nature," 1871.
Que descia... que descia até, etc. A graça de Cristo é tão difusiva por si mesma que transmite santidade a nós, "descendo da cabeça até as orlas", a todos os seus membros. Ele não foi apenas ungido, mas é também quem nos unge. Por isso se chama "óleo de alegria", pois alegra nossos corações, dando-nos alegria espiritual e paz de consciência.—Thomas Adams.
Sobre a barba, sobre a barba de Arão, que descia até as orlas de suas vestes. Não a extremidade delas, como nossa versão tende a sugerir, pois não se derramou sobre ele quantidade tão grande de óleo, nem seria decoroso que suas roupas ficassem assim engorduradas de cima a baixo; mas a parte superior de sua veste, o alto de sua túnica, onde repousava a barba, como diz Zarchi; o pescoço ou colarinho dela, como afirmam Kimchi e Ben Melech; a abertura por onde passava a cabeça ao vesti-la, ao redor da qual havia uma faixa, para que não se rasgasse: Êx 28:32; 39:23; onde a Septuaginta usa a mesma palavra que aqui.—John Gill.
Versículos 2–3Salmo 133:2-3
Nesta oração e cântico da unidade da igreja, é digno de nota como, partindo da ideia fundamental de "irmãos", nos erguemos até a realização do Irmão Mais Velho, que é nosso comum e ungido sumo sacerdote. É o vínculo de seu sacerdócio que nos une como irmãos. É a unção comum, que desce até as orlas da veste de nosso sumo sacerdote, que marca o nosso ser irmãos. Quer habitemos ao norte quer ao sul, reunindo-nos em Sião e partilhando das bênçãos daquele sacerdócio eterno de Cristo, formamos de fato, e diante de nosso Pai, uma só família — "toda a família na terra e no céu". Nosso verdadeiro vínculo de união consiste nesse "descer", nesse "correr para baixo", ou "descida" da bênção comum, que marca os degraus deste Salmo dos Degraus (Salmos 133:2-3). E se "o orvalho de Hermom" desceu sobre "os montes de Sião", muito depois de o sol ter nascido há de aparecer fruto alegre — num, vinte; noutro, trinta; e, em outro ainda, cem por um.—Alfred Edersheim.
Versículo 3Salmo 133:3
Como o orvalho de Hermom, etc. "O que lemos no Salmo 133 sobre o orvalho de Hermom que descia sobre os montes de Sião", diz Van de Velde em suas "Travels" (Bd. 1. S. 97), "tornou-se para mim bem claro agora. Aqui, sentado aos pés de Hermom, entendi como as gotas de água que se erguem de suas alturas cobertas de floresta, e das ravinas mais altas, que ficam cheias de neve o ano inteiro, depois que os raios do sol as atenuam e umedecem a atmosfera com elas, descem ao entardecer como um orvalho pesado sobre as montanhas mais baixas que a cercam como seus contrafortes.
Seria preciso ter visto Hermom, com sua coroa branca e dourada a brilhar no alto do céu azul, para poder entender bem essa figura. Em nenhum outro lugar do país se percebe orvalho tão pesado como nos distritos próximos a Hermom. A esse orvalho o poeta compara o amor fraternal. Ele é "como o orvalho de Hermom": de tamanha frescura primitiva, e assim refrescante, com tamanho poder primitivo, e assim vivificante, nascido assim do alto (Salmos 110:3), e de fato como o orvalho de Hermom que desce sobre os montes de Sião — traço da imagem tirado da realidade natural; pois um orvalho abundante, quando o precedem dias quentes, poderia muito bem ser desviado para Jerusalém pela ação da corrente fria de ar que desce do norte sobre Hermom.
Sabemos, de fato, por experiência própria, quão longe se percebe um ar frio vindo dos Alpes, e como produz seus efeitos. A figura do poeta é, portanto, tão fiel à natureza quanto bela. Quando irmãos unidos pelo amor também se reúnem num só lugar, e, de fato, quando irmãos do norte se unem a irmãos do sul em Jerusalém, a cidade que é mãe de todos, nas grandes festas, é como quando o orvalho do monte Hermom, coberto de neve profunda e quase eterna, desce sobre os montes nus e estéreis — e por isso ansiosos por tal vivificação — ao redor de Sião. Em Jerusalém devem se encontrar o amor e tudo o que é bom."—Franz Delitzsch.
Como o orvalho de Hermom, etc. Quanto a este símile, penso que o profeta usa o modo comum de falar. Pois, como as montanhas muitas vezes parecem, a quem as observa de longe, alcançar o próprio céu, o orvalho que vem do céu parece cair das montanhas altas para os montes que estão abaixo delas. Por isso ele diz que o orvalho desce de Hermom para o monte Sião, porque assim parece a quem o observa de longe.—Martinho Lutero.
Como o orvalho de Hermom. Os orvalhos das brumas que se erguiam das ravinas úmidas, ou das nuvens pousadas no cume de Hermom, eram testemunhas perpétuas de frescor e de frescura — as fontes, ao que parecia, de toda a umidade que era, para a terra da Palestina, o que o óleo perfumado era para as vestes do sumo sacerdote; o que a influência do amor fraternal era para toda a comunidade.—Arthur Penrhyn Stanley (1815-1881), em "Sinai and Palestine."
Orvalho de Hermom. Tivemos prova sensível, em Rasheiya, da abundância do "orvalho de Hermom", de que fala o Salmos 133:3, onde "Sião" é apenas outro nome para a mesma montanha. Diferente da maioria das outras montanhas, que se erguem gradualmente a partir de altos platôs, e muitas vezes longe do mar, Hermom se ergue de uma vez a quase três mil metros de altura, a partir de um platô quase ao nível do mar. Este platô, aliás — o vale superior do Jordão e os pântanos de Merom —, é em sua maior parte um brejo impenetrável de profundidade desconhecida, de onde o vapor fervilhante, sob os raios de um sol quase tropical, sobe constantemente para a atmosfera superior durante o dia.
O vapor, ao entrar em contato com as encostas nevadas da montanha, congela-se rapidamente, e se precipita à noite na forma de orvalho, o mais copioso que já experimentamos. Penetrava em toda parte e encharcava tudo. O chão de nossa tenda estava encharcado, nossa cama coberta dele, nossas espingardas pingavam, e gotas de orvalho pendiam por todo lado. Não é de admirar que o sopé de Hermom se vista de pomares e jardins de tão maravilhosa fertilidade nesta terra de secas.—Henry Baker Tristram, 1867.
Como o orvalho de Hermom, que descia sobre os montes de Sião.—
Assim os orvalhos no monte Hermom, que as nuvens de verão destilam, flutuando para o sul na noite, pousam em Sião como pérolas.
—William Digby Seymour.
Ali o Senhor ordenou a bênção. Deus ordena sua bênção onde a paz é cultivada; com isso quer se dizer que ele testemunha o quanto se agrada com a concórdia entre os homens, derramando bênçãos sobre eles. O mesmo sentimento é expresso por Paulo em outras palavras (2 Coríntios 13:11; Filipenses 4:9): "Vivei em paz, e o Deus de paz será convosco."—João Calvino.
O Senhor ordenou a bênção. Por uma simples palavra de comando ele abençoa: "ali ele ordena a bênção", aquela bênção das bênções, "vida para sempre"; assim como se diz: "ele ordenou, e foram criados": Salmos 148:5. Assim, "ele ordena e somos abençoados."—Thomas Goodwin.
O Senhor ordenou a bênção. É uma alusão, possivelmente, a grandes pessoas, a um general ou a um imperador: "Onde está a palavra de um rei, ali está o poder." Disse o centurião: "Digo a um soldado: vai, e ele vai; a outro: vem, e ele vem; a um terceiro: faze isto, e ele faz." Assim também Deus ordena a uma ordenança: "vai e edifica tal santo", e ela vai; diz a outra ordenança: "vem e chama de volta tal pecador", e ela o faz; a palavra e a obra de Deus caminham juntas. Os homens não podem capacitar os outros, nem dar-lhes poder para obedecer; podem mandar que um coxo ande, ou que um cego veja, mas não podem capacitá-los a andar ou a ver: Deus, com sua palavra, dá força para fazer o que é ordenado; assim como na criação antiga, também na nova, "ele falou, e foi feito; ordenou, e ficou firme": Salmos 33:9. Mas ali o Senhor ordena a sua bênção, "vida para sempre". O rio da regeneração, ou de uma vida espiritual, que jamais cessará, mas que sempre há de avançar e crescer, até transbordar e se perder no oceano da vida eterna, "vida para sempre."—George Swinnock.