Notas explicativas e citações: Salmo 135
Citações de puritanos, reformadores e outros comentaristas sobre o Salmo 135, reunidas por Charles Spurgeon.
Leia o Salmo 135 na íntegra no Midvash, na King James Fiel
Jeová, a própria infinitude, imensidão, em todas as coisas, para todas as coisas, além de todas as coisas, presente em todo lugar, inteiramente, essencialmente, continuamente: como Jeová, constância, imutabilidade, a própria eternidade, sem nenhuma variação, nem sombra de mudança; ontem, hoje e para sempre o mesmo. Em uma palavra, quando pensamos no Deus Altíssimo, Pai, Filho e Espírito Santo, devemos pensar nele como Jeová, Unidade na Trindade, Trindade na Unidade, Três Pessoas, Um Ser, Uma Essência, Um Senhor, Um Jeová, bendito para sempre. Este é aquele Ser glorioso, esse Ser Todo-poderoso, que o Salmista aqui tem em mente quando diz: Louvai o nome do SENHOR.
— William Beveridge, 1636-1708.
Versículo 1Salmo 135:1
Louvai-o, ó servos do SENHOR. Pois nada fareis fora de lugar louvando o vosso Senhor como servos. E se fôsseis para sempre apenas servos, ainda assim deveríeis louvar o Senhor; quanto mais devem louvar o Senhor aqueles servos que alcançaram o privilégio de filhos? — Agostinho.
Louvai, louvai, louvai. Quando os deveres são assim inculcados, isso assinala a sua necessidade e excelência; juntamente com a nossa lentidão e relutância para com eles. — John Trapp.
Versículos 1–2Salmo 135:1-2
Verso 1. Louvai. Para prevenir qualquer sensação de cansaço que possa surgir da repetição tão frequente desta exortação a louvar a Deus, basta lembrar que não há sacrifício em que ele tenha maior deleite do que na expressão do louvor. Assim (Salmos 50:14): "Oferece a Deus sacrifício de louvor, e paga ao Altíssimo os teus votos"; e (Salmos 116:12-13): "Que darei ao SENHOR por todos os benefícios que me tem feito? Tomarei o cálice da salvação, e invocarei o nome do SENHOR."
Deve-se dar atenção especial a essas passagens da Escritura que falam em termos tão elevados daquele culto a Deus que é espiritual; do contrário, podemos ser levados, no exercício de um zelo mal orientado, a gastar nosso trabalho em ninharias, e nisso imitar o exemplo de muitos que se cansaram em tentativas ridículas de inventar acréscimos ao culto de Deus, enquanto negligenciaram o que é, de todas as coisas, o mais importante.
Esta é a razão pela qual o Espírito Santo tantas vezes inculca o dever do louvor. É para que não desvalorizemos, nem nos tornemos negligentes neste exercício devocional. Isso implica, também, uma censura indireta à nossa lentidão em cumprir esse dever; pois ele não repetiria a admoestação se estivéssemos prontos e ativos em desempenhá-lo.
— John Calvin.
Versículos 1–3Salmo 135:1-3
Certo dia, ao passar diante da casa de um comerciante, Gotthold ouviu as notas de um Salmo, com que a família encerrava a sua refeição matinal. Ficou profundamente comovido, e, de coração cheio, disse a si mesmo: ó meu Deus, quão agradável aos meus ouvidos é o som do teu louvor, e quão consolador à minha alma o pensamento de que ainda há alguns que te bendizem pela tua bondade. Ai de mim, a maior parte da humanidade se embruteceu, e se assemelha aos porcos, que na colheita se juntam e se engordam com as bolotas sob o carvalho, mas não mostram à árvore que os produziu outra gratidão senão arrancar-lhe a casca e revolver o solo ao seu redor.
Em tempos antigos, era lei em certos mosteiros que o cântico de louvor a Deus não conhecesse interrupção, e que um coro de monges, em intervalos determinados, revezasse outro nessa santa ocupação. À superstição e à confiança em obras humanas, das quais pode ter havido aqui uma mistura, atribuímos com justiça um lugar entre a madeira, o feno e a palha (1 Coríntios 3:12). Ao mesmo tempo, é inegavelmente certo que o teu louvor jamais deveria cessar; e, se os homens se calassem, as próprias pedras clamariam.
Devemos começar a vida eterna aqui embaixo, não somente na consciência, mas também com o nosso louvor. Nossa alma deveria ser como uma flor, que não apenas recebe a suave influência do céu, mas, por sua vez, e como que em gratidão, também exala um perfume doce e agradável. Devia ser o nosso desejo, como já foi o de um homem piedoso, que os nossos corações se derretessem e se dissolvessem como incenso no fogo do amor, e produzissem a doce fragrância do louvor: ou deveríamos ser como o santo mártir que se declarou disposto a ser consumido, se de suas cinzas pudesse brotar e florescer uma pequena flor para a glória de Deus. Deveríamos estar prontos a dar o nosso próprio sangue para fertilizar o jardim da igreja, e torná-lo mais produtivo do fruto do louvor.
Pois bem, meu Deus, eu te louvarei e te exaltarei com o coração e a boca, com todo o meu poder. Ah, se, sem as interrupções que a comida, a bebida e o sono exigem, eu pudesse me dedicar a esta vocação celestial! Cada bocanada de ar que respiro está misturada com a bondade que preserva a minha vida; que cada sopro que exalo se misture ao menos com um desejo sincero da tua honra e do teu louvor. Aleluia! Vós, santos anjos, vós, filhos dos homens, e todas vós, criaturas, louvai o Senhor comigo, e exaltemos juntos o seu nome.
— Christian Scriver Gotthold, 1629-1693.
Versículo 3Salmo 135:3
Louvai ao SENHOR. Aleluia (louvor a Jah!), porque bom (é) Jeová. Fazei música ao seu nome, porque é adorável. As últimas palavras também podem ser traduzidas: ele é adorável, isto é, um objeto digno de apego supremo. — Joseph Addison Alexander.
Louvai ao SENHOR; porque o SENHOR é bom. Isto é, originalmente, transcendentemente, eficazmente; ele é bom, e faz o bem (Salmos 119:68), e por isso deve ser louvado com mente, boca e prática. — John Trapp.
Cantai louvores ao seu nome; porque é agradável. A obra de louvar a Deus traz consigo uma espécie de recompensa. Quando mais louvamos a Deus, mais benefício obtemos ao fazê-lo: é tão decoroso em si mesmo, tão agradável a Deus, e tão proveitoso para quem oferece louvores, tão apto a animar o seu espírito e fortalecer a sua fé em Deus — cujos louvores são as colunas da confiança e do consolo do crente —, que o homem deveria ser atraído a isso: "Cantai louvores ao seu nome; porque é agradável"; e esta é a segunda razão ou motivo para louvar a Deus, sendo a primeira que "o Senhor é bom". — David Dickson.
Versículo 4Salmo 135:4
Porque o SENHOR escolheu, etc. A graça distintiva de Deus deveria fazer os seus eleitos erguer a ele muitos corações humildes, alegres e gratos. — John Trapp.
Jacó, Israel. Louvai ao Senhor por vos ter inscrito nesta companhia. Para vos animar nesta obra de louvor, considerai o que éreis; não éreis um povo, Deus vos levantou do próprio monturo para esta honra; lembrai-vos do vosso estado passado. Veja como o velho Jacó considerou o que fora, quando Deus o preferiu (Gênesis 32:10): "Com o meu cajado passei este Jordão, e agora me tornei duas companhias"; assim dizei vós também: sou uma criatura sem valor, foi Deus quem me tomou em sua graça, louvado seja o Senhor que me escolheu.
Considerai depois quantos são deixados para perecer no vasto mundo. Alguns vivem fora do recinto da igreja, que jamais ouviram falar de Cristo, e muitos outros têm apenas uma forma frouxa e genérica de cristianismo. Ah! Bendito seja Deus, que me escolheu para estar entre o número do seu povo peculiar. Está escrito (Zacarias 13:8): "E sucederá em toda a terra, diz o SENHOR, que as duas partes dela serão cortadas e morrerão, mas a terceira parte restará nela."
Passamos por muitas peneiras antes de nos tornarmos o povo peculiar de Deus, assim como o trigo é moído, peneirado e apurado antes de se tornar farinha fina. Muitos não têm o conhecimento de Deus, e outros vivem na igreja mas são carnais; e, para mim, ser um do seu povo peculiar, membro do corpo místico de Cristo, ah! que privilégio é este! E então, o que o moveu a tudo isto? Nada além da sua própria graça gratuita. Portanto, louvai ao Senhor. — Thomas Manton.
O seu tesouro peculiar. A palavra hebraica segullah significa as joias especiais de Deus, os seus próprios, ou os seus secretos, que ele guarda para si mesmo, para o seu serviço e uso especial. Os príncipes trancam com as próprias mãos, em segredo, as suas joias mais preciosas e custosas; e assim faz Deus com as suas: "Porque o SENHOR escolheu Jacó para si, e a Israel para o seu tesouro peculiar", ou para o seu ganho secreto. — Thomas Brooks.
O seu tesouro peculiar. Não cuidará das suas joias um homem que não seja imprudente? "Eles serão meus, diz o Senhor dos Exércitos, no dia em que eu fizer a minha joia particular, e eu os pouparei como um pai poupa a seu filho que o serve": Malaquias 3:17. Se uma casa está em chamas, o dono dela cuidará primeiro da sua esposa e dos seus filhos, depois das suas joias, e por último dos seus trastes e refugo. Cristo protege primeiro o seu povo, pois são as suas joias; o mundo não passa de trastes e refugo. — Richard Mayhew.
Versículo 5Salmo 135:5
Porque eu sei. A palavra "eu" é enfática no original. Seja qual for o caso dos outros, eu tive experiência pessoal e preciosa da grandeza do poder de Jeová, e da sua supremacia infinita acima de todos os outros deuses. O autor do Salmo pode tanto falar por todo o Israel como uma unidade, quanto pode ter composto o seu cântico de modo que cada adorador pudesse dizer isto por si mesmo, como seu próprio testemunho. — Henry Cowles.
Porque eu sei que o SENHOR é grande, etc. Sobre que fundamento tão firme o Salmista assenta o pé — "eu sei!" É bom ouvir homens de Deus falando com esta confiança calma, indubitável e segura, seja da bondade do Senhor, seja da grandeza do Senhor. Talvez se diga que não era preciso grande esforço de fé, de conhecimento, ou qualquer dose de coragem, para declarar que Deus era grande;
mas penso que não foram muitos, nem sábios nem poderosos, que nos dias do Salmista alcançaram o seu conhecimento, ou fizeram a sua confissão de que Jeová, o Deus de Israel, estava "acima de todos os deuses". Baal, Camós, Milcom e Dagom reivindicavam a fidelidade das nações vizinhas; e Davi, na corte de Aquis, teria achado essa declaração tão indesejada quanto rejeitada por falsa.
Certa vez Moisés levou uma mensagem de Jeová ao rei do Egito, e a resposta dele foi: "Quem é o SENHOR, para que eu obedeça à sua voz? Não conheço o SENHOR"; e mesmo do tesouro peculiar de Jeová, nem todos os de Israel eram Israel. Há um conhecimento que roça a cabeça, como um relâmpago no cume de uma montanha, sem deixar rastro; e há um conhecimento que, como a corrente fertilizadora, penetra até os recônditos mais profundos do coração, e brota em todos os frutos da santidade, do amor, da paz e da alegria para sempre. — Barton Bouchier.
Versículo 6Salmo 135:6
Tudo o que o SENHOR quis, isso fez, etc. Ele não foi forçado a fazer tudo o que fez, mas tudo o que quis, fez. A sua vontade foi a causa de todas as coisas que fez. Tu fazes uma casa, porque, se não a fizesses, ficarias sem habitação: a necessidade te obriga a fazer uma casa, não o livre arbítrio. Tu fazes uma veste, porque andarias nu se não a fizesses; és, portanto, levado a fazer uma veste pela necessidade, não pelo livre arbítrio. Plantas uma montanha de vinhas, semeias, porque, se não o fizesses, não terias alimento; todas essas coisas fazes por necessidade.
Deus fez todas as coisas pela sua bondade. Ele não precisava de nada do que fez; e por isso fez tudo o que quis. Fez tudo o que quis, no céu e na terra: fazes tu tudo o que queres, mesmo no teu próprio campo? Queres muitas coisas, mas não podes fazer tudo o que desejas nem mesmo na tua própria casa. A tua esposa, talvez, te contraria, os teus filhos te contrariam, às vezes até o teu servo te contraria com obstinação, e não fazes o que queres. Mas dirás: eu faço o que quero, porque castigo o desobediente e o contrariador. Nem mesmo isso fazes sempre que queres. — Agostinho.
Tudo o que o SENHOR quis, isso fez, etc. A vontade de Deus prevalece e tem a primazia em toda parte. Abaixo o homem, abaixo o papa, abaixo o diabo; tendes de ceder; as coisas não serão como quereis, mas como Deus quer! Bem podemos dizer: "Quem resistiu à sua vontade?" Romanos 9:19. Muitos, de fato, desobedecem, e pecam contra a vontade do seu preceito; mas ninguém jamais frustrou, nem jamais frustrará ou obstruirá a vontade do seu propósito; pois ele fará toda a sua vontade, e ao seu modo os montes se tornarão planície. — William Slater (-1704), em "The Morning Exercises."
No plano arminiano (se um absurdo merece o nome de plano), a gloriosa obra da salvação de Deus, e a redenção eterna de Jesus Cristo, não estariam completas a menos que um mortal moribundo emprestasse o seu braço; isto é, a menos que aquele que por si mesmo nada pode fazer se disponha a começar e realizar o que todos os anjos do céu não podem fazer; a saber, converter a alma de Satanás a Deus. Quão contrário é tudo isso à linguagem da Escritura — quão repugnante aos oráculos da verdade: Tudo o que o SENHOR quis, isso fez, no céu e na terra. — Ambrose Serle (-1815), em "Horoe Solitariae."
No céu e na terra, etc. O seu poder é infinito. Ele pode fazer o que quiser, em toda parte; todos os lugares ali são mencionados, exceto o purgatório; talvez ali ele nada possa fazer, deixando toda essa obra para o Papa. — Thomas Adams.
Nos mares e em todos os abismos. Ele fez maravilhas nas águas poderosas: mais de uma vez acalmou o mar bravio, e andou sobre a sua superfície; e, como outrora rompeu as fontes do grande abismo e afogou o mundo; e em outra ocasião secou o mar, e conduziu o seu povo pelas profundezas, como por um deserto; assim, no futuro, prenderá a antiga serpente, o diabo, e o lançará no abismo, no grande poço sem fundo, onde permanecerá durante o reinado milenar de Cristo com os seus santos. — John Gill.
A palavra "quis" limita a nota geral, ou partícula "tudo", a todas as obras que em si mesmas são boas, ou que servem para bom uso, e assim são agradáveis ao Senhor por causa desse uso. Ele não diz que o Senhor faz tudo o que é feito, mas tudo o que ele quer, isto é, ele não torna os homens pecadores e maus, nem opera neles a rebeldia, que lhe é desagradável; mas faz tudo o que lhe agrada, isto é, tudo o que é conforme à sua natureza. E tudo o que está de acordo com a sua vontade e bom prazer, isso ele faz, pois ninguém pode impedi-lo. Este é o verdadeiro sentido e significado das palavras. — George Walker, em "God made visible in his Works", 1641.
Tudo o que o SENHOR quis, isso fez, etc. Quanto ao governo da Providência, diz-se de Deus que "ele faz segundo a sua vontade no exército do céu, e entre os habitantes da terra." Até a matéria insensível está sob o seu controle. Fogo e granizo, neve e vapor, e vento tempestuoso cumprem a sua palavra: e, quanto aos agentes inteligentes, somos informados de que ele faz até os mais refratários, mesmo a ira do homem, louvá-lo, e o resto da ira ele contém.
Toda a Bíblia mostra Jeová ordenando os assuntos dos indivíduos e das nações de tal modo a garantir o grande propósito que tinha em vista ao criar o mundo — a saber, a promoção da sua própria glória, na salvação de uma multidão que ninguém pode contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Uma das distinções mais marcantes entre a revelação divina e a história comum é que, quando os mesmos acontecimentos gerais são narrados, esta última mostra — e é essa a sua função, não podendo de fato fazer mais — a atuação do homem; a primeira, a atuação de Deus.
A história profana mostra os instrumentos pelos quais Jeová opera; o dedo da revelação divina aponta para a mão invisível, porém onipotente, que maneja e guia o instrumento, e faz até Herodes e Pôncio Pilatos, junto com os judeus e o povo de Israel, fazerem o que a mão e o desígnio de Deus haviam determinado de antemão que se fizesse. — George Payne, em "Lectures on Christian Theology," 1850.
Versículo 7Salmo 135:7
Ele faz subir os vapores, etc. O Dr. Halley fez uma série de experimentos em Santa Helena sobre a quantidade de água diariamente evaporada do mar, e descobriu que dez polegadas quadradas da superfície do oceano produzem uma polegada cúbica de água em doze horas — uma milha quadrada, portanto, produz 401.448.960 polegadas cúbicas, ou 6.914 toneladas de água. Da superfície do mar Mediterrâneo, num dia de verão, passariam a vapor invisível cinco mil milhões de toneladas de água.
Sendo isso apenas para um dia, a quantidade evaporada em um ano seria 365 vezes maior, e em dois mil anos chegaria a quatro mil bilhões de toneladas, o que, com o tempo, esvaziaria o mar Mediterrâneo; mas temos boas razões para crer que há hoje tanta água ali quanto no tempo dos romanos, portanto o equilíbrio é mantido pela queda das chuvas, pelo afluxo dos rios e pelas correntes do Atlântico.
Consideremos agora a quantidade de força necessária para toda essa evaporação. O Sr. Joule, cujos experimentos deram ao mundo tanta informação valiosa, diz que, se tivéssemos um lago de uma milha quadrada e seis polegadas de profundidade a ser evaporado por calor artificial, seria preciso queimar 30.000 toneladas de carvão para consegui-lo; portanto, para evaporar toda a água que sobe da terra, seriam necessárias 6.000.000.000.000 (seis bilhões) de toneladas, mais carvão do que poderia caber em meia dúzia de mundos como este; e, no entanto, silenciosa e seguramente, o processo de evaporação vem ocorrendo há milhões de anos. — Samuel Kinns, em "Moses and Geology", 1882.
Ele faz subir os vapores, etc. Não há necessidade física alguma de que o ponto de ebulição da água ocorra a duzentos e doze graus na escala Fahrenheit. Pelo que sabemos, poderia ter sido o mesmo que os pontos de ebulição do óleo de terebintina, do álcool ou do éter. Veremos a benevolência do ajuste atual observando algumas das consequências que se seguiriam se qualquer mudança fosse feita. A quantidade de vapor liberada, em temperaturas ordinárias, por qualquer líquido depende da temperatura em que ele ferve.
Se o ponto de ebulição da água fosse o mesmo do álcool, o vapor liberado pelo oceano seria duas vezes e meia maior que o atual. Tal excesso de vapor aquoso produziria chuvas e inundações contínuas, e tornaria o ar demasiado úmido para a vida animal, e demasiado nublado para a vida vegetal. Se a água fervesse na mesma temperatura do éter, o vapor que se ergue do oceano seria mais de vinte e cinco vezes maior que o atual. Em tal estado de coisas, nenhum homem poderia ver o sol por causa das nuvens; a chuva seria tão excessiva que rasgaria o solo e arrastaria as plantas; as inundações seriam constantes, e a navegação seria impossível nas torrentes internas que substituiriam os nossos rios. No inverno, a neve de um único dia poderia soterrar as casas.
Se, por outro lado, a água fervesse na mesma temperatura do óleo de terebintina, o vapor liberado pelo oceano seria menos de um quarto da quantidade atual. Nesse caso, a chuva seria uma raridade, como um eclipse do sol; a secura do deserto do Saara se igualaria em grande parte do globo, que ficaria, portanto, sem vegetação, e incapaz de sustentar vida animal. As plantas seriam ressecadas por um sol sem nuvens, as fontes e riachos secariam, e a navegação interna cessaria; pois quase toda a chuva seria absorvida pela terra porosa.
Vemos, então, que o ponto de ebulição da água foi ajustado a várias relações. Está ajustado à capacidade do espaço de conter vapor aquoso em estado transparente; se fosse mais alto que duzentos e doze graus, a terra seria ressecada por um sol sem nuvens; se fosse mais baixo, estaria sob sombra contínua. Está adaptado à necessidade das plantas por água; se fosse mais alto, elas sofreriam de seca; se fosse mais baixo, seriam destruídas por enchentes. Está em harmonia com a textura do solo: se fosse mais alto, a terra absorveria toda a chuva que caísse; se fosse mais baixo, ela seria frequentemente levada pelas torrentes de superfície após um aguaceiro. Está ajustado à elevação dos continentes acima do mar; se fosse mais alto, os rios, com a sua inclinação atual, seriam tão rasos que secariam com frequência; se fosse mais baixo, a maioria dos rios seria tão profunda a ponto de virar torrente, enquanto a terra ficaria coberta de enchentes. — Professor Helmholtz.
Subir dos confins da terra. As chuvas na Inglaterra são trazidas por um vento de sudeste. "O vapor trazido a nós por tal vento foi gerado em países ao sul e a leste da nossa ilha. É provável, portanto, que dos extensos vales regados pelo Mosa, pelo Mosela, pelo Reno, senão do mais distante Elba, com o Oder e o Weser, a água suba, em meio ao sol, para logo depois formar as nossas nuvens, e derramar-se em nossos aguaceiros com trovões." "A seca e o sol em parte da Europa podem ser necessários para a produção de uma estação chuvosa em outra" (Howard, sobre o Clima de Londres). — William Whewell (1795-1866), em "The Bridgewater Treatise", Astronomia e Física Geral, 1839.
Da superfície da terra, fazendo subir os vapores. Toda a descrição é bela, exata e pitoresca. Não "os confins", nem mesmo "cumes" ou "montanhas extremas", pois o original está no singular (huq), mas refere-se a toda a camada extrema, à superfície da terra; de cada ponto da qual o grande processo de exalação está perpetuamente ocorrendo, para suprir o firmamento de nuvens refrescantes e fecundas. — John Mason Good.
Ele faz relâmpagos para a chuva. Quando as nuvens elétricas estão muito agitadas, a chuva geralmente cai com força, e, se a agitação é excessiva, cai granizo. À medida que a eletricidade se dissipa pelas descargas frequentes, a nuvem se condensa, e sobrevém uma chuva súbita e pesada; mas quanto maior o acúmulo de eletricidade, mais demorada é a chuva. Assim, ligados como estão os fenômenos elétricos da atmosfera às nuvens, ao vapor e à chuva, quão fortemente somos tocados por estas palavras tão adequadas nas Escrituras. — Edwin Sidney, em "Conversations on the Bible and Science," 1866.
Ele faz relâmpagos para a chuva. O Dr. Russell, em sua descrição do clima em Alepo, em setembro, nos conta que raramente passa uma noite sem muitos relâmpagos no quadrante noroeste, mas sem trovões, e que, quando esse relâmpago aparece nos pontos oeste ou sudoeste, é sinal seguro de chuva próxima, frequentemente seguida de trovão. Esta última cláusula, que não é perfeitamente clara, é explicada depois em seu relato mais amplo do clima do ano de 1746, quando ele nos conta que, embora começasse a nublar em 4 de setembro, e assim continuasse por alguns dias, e até trovejasse, nenhuma chuva caiu até o dia 11, o que mostra que o seu sentido era que o relâmpago nos pontos oeste ou sudoeste, muitas vezes seguido de trovão, é sinal seguro da aproximação da chuva.
Já mencionei antes que uma rajada de vento e nuvens de poeira costumam anunciar essas primeiras chuvas. A maioria dessas coisas é observada em Salmos 135:7; Jeremias 10:13; 51:16; e serve para ilustrá-las. O relato de Russell determina, penso eu, que os nesiim, que os nossos tradutores traduzem como vapores, devem significar, como em outros lugares traduzem a palavra, nuvens. Isso mostra que Deus "faz relâmpagos para a chuva", pois eles, nos pontos oeste e sudoeste, são em Alepo os sinais seguros de chuva. As rajadas de vento trazem esses aguaceiros refrescantes, e são, portanto, "coisas preciosas" dos "tesouros" de Deus. — Thomas Harmer.
Ele faz relâmpagos para a chuva. O Salmista menciona, como outra circunstância digna do nosso espanto, que os relâmpagos se misturam à chuva, coisas de natureza inteiramente opostas uma à outra. Se o costume não nos tornasse familiar a esse espetáculo, diríamos que essa mistura de fogo e água é um fenômeno de todo incrível. O mesmo se pode dizer dos fenômenos dos ventos. Causas naturais podem ser apontadas para eles, e os filósofos as indicaram; mas os ventos, com suas correntes variadas, são uma obra maravilhosa de Deus.
Ele não apenas afirma o poder de Deus, note-se, no sentido em que os próprios filósofos o concedem, mas sustenta que nem uma gota de chuva cai do céu sem uma ordenança ou disposição divina para esse fim. Todos admitem prontamente que Deus é o autor da chuva, do trovão e do vento, na medida em que originalmente estabeleceu essa ordem das coisas na natureza; mas o Salmista vai além disso, sustentando que, quando chove, isso não se dá por um instinto cego da natureza, mas é consequência do decreto de Deus, a quem apraz ora escurecer o céu com nuvens, ora clareá-lo de novo com o sol. — John Calvin.
Ele faz relâmpagos para a chuva. É uma grande demonstração da sabedoria e da bondade divinas que o relâmpago venha acompanhado de chuva, para abrandar a sua fúria e prevenir os seus efeitos danosos. Assim, no meio do juízo, Deus se lembra da misericórdia. As ameaças da sua palavra contra os pecadores são como relâmpagos; nos fulminariam e nos queimariam, não fosse pelas suas promessas, feitas na mesma palavra aos penitentes, que, como chuva benigna, desviam a sua fúria, refrescando e consolando os nossos espíritos amedrontados. — George Horne.
Ele tira o vento dos seus tesouros. Isto é, dizem alguns, das cavernas e lugares ocos da terra; mas eu antes penso que, porque o vento muitas vezes se levanta de repente, e, como diz o nosso Salvador (João 3:8), não podemos dizer de onde vem, por isso Deus é aqui dito trazê-lo à luz, como se o tivesse trancado, pronto, em algum tesouro ou depósito secreto e oculto. — Arthur Jackson.
Ele traz o vento. Os ventos são, com grande beleza, representados como guardados por ele, qual joias, numa casa do tesouro. Na verdade, poucos versos expressam melhor o controle criador do que aqueles em que os ventos, que zombam dos esforços do homem e desafiam o seu poder, são representados assim, prontos a saltar à ordem de Deus, dos aposentos onde dormem tranquilamente.
Chega a ocasião, os pensamentos de Jeová encontram expressão em sua providência, e os seus servos prontos saltam subitamente para fora: "Ele tira os ventos dos seus tesouros." Mas esse trazer à luz não se destina apenas a fins físicos; destina-se também a grandes fins morais e espirituais. Tomemos uma ilustração entre muitas. O seu povo estava à beira da mais profunda e brutal idolatria. Estavam prestes a cair numa forma degradada de culto a ídolos, quando ele lhes ofereceu aquele coração paternal, sempre anelante de amor: "Assim diz o SENHOR: Não aprendais o caminho dos gentios." O deus deles não é mais que "a árvore cortada da floresta", prateada, ou adornada de ouro; "direita como a palmeira, mas não fala: o tronco é uma doutrina de vaidades; mas o SENHOR é o Deus verdadeiro; ele faz relâmpagos com a chuva; ele tira o vento dos seus tesouros." Jeremias 10:2-16. Assim também as palavras de Agur a Itiel e a Ucal: "Ele ajuntou o vento nos seus punhos." Provérbios 30:4. — John Duns, em "Science and Christian Thought," 1868.
Versículo 8Salmo 135:8
Que feriu os primogênitos do Egito. Somente os primogênitos foram feridos; estes foram designados em cada família com precisão infalível, sendo poupadas as casas dos israelitas onde quer que o sangue do cordeiro estivesse aspergido nos umbrais das portas. A morte de todos aqueles milhares, tanto de homens como de animais, ocorreu no mesmo instante — "à meia-noite". Será Deus injusto, então, ao tomar vingança? Não; isto é um ato de retribuição. Os egípcios haviam matado os filhos dos israelitas, lançando os seus bebês no rio. Agora a aflição se volta sobre eles próprios; a alegria dos seus olhos lhes é tirada; todos os seus primogênitos estão mortos, desde o primogênito de Faraó, que se assentava em seu trono, até o primogênito do cativo que estava no calabouço. — Thomas S. Millington, em "Signs and Wonders in the Land of Ham," 1873.
E dos animais. Os egípcios adoravam muitos animais, e, quando o primogênito dos animais sagrados morria, essa circunstância aumentava grandemente o impacto da praga como um ataque aos deuses do Egito. — C. H. S., sugerido por Otto Von Gerlach.
Versículos 8–12Salmo 135:8-12
Digno é Jeová de ser louvado, pois ele é o Redentor que tirou do Egito. Digno é ele de ser louvado, pois é o Conquistador da Terra da Promessa. — Franz Delitzsch.
Versículo 10Salmo 135:10
Que feriu grandes nações, etc. É melhor que os ímpios sejam destruídos cem vezes do que tentem os que ainda são inocentes a se juntarem à sua companhia. Pensemos apenas no que poderia ter sido o nosso destino, e o destino de toda outra nação debaixo do céu neste momento, se a espada dos israelitas tivesse feito a sua obra com mais moderação. Mesmo assim, as pequenas porções de cananeus que restaram, e as nações ao seu redor, tentaram tanto os israelitas com suas práticas idólatras que lemos continuamente do povo inteiro de Deus se desviando do seu serviço.
Mas, se os pagãos tivessem vivido na terra em números iguais, e, mais ainda, se tivessem se casado largamente com os israelitas, como seria possível, humanamente falando, que qualquer centelha da luz da verdade de Deus tivesse sobrevivido até a vinda de Cristo? Os israelitas não teriam perdido todo o seu caráter peculiar? E, se tivessem retido o nome de Jeová como seu Deus, não teriam formado noções tão indignas dos seus atributos, e o adorado com um culto tão abominável quanto o que os moabitas prestavam a Camós, ou os filisteus a Dagom?
Mas isto não deveria ser, e por isso as nações de Canaã deveriam ser inteiramente exterminadas. A espada dos israelitas, em suas execuções mais sangrentas, realizou uma obra de misericórdia para todos os países da terra, até o fim do mundo. Parecem-nos hoje de muito pouca importância aquelas contendas perpétuas com os cananeus, os midianitas, os amonitas e os filisteus, com que os livros de Josué, Juízes e Samuel estão quase inteiramente preenchidos.
Podemos até nos espantar de que Deus tenha interferido em tais contendas, ou tenha mudado o curso da natureza, para dar a uma das nações da Palestina a vitória sobre outra. Mas, nessas contendas, do destino de uma dessas nações da Palestina dependia a felicidade da raça humana. Os israelitas lutaram não apenas por si mesmos, mas por nós. Poderia até parecer que, por isso, deveriam ser tidos como inimigos de toda a humanidade — poderia ser que fossem tentados, pela sua própria singularidade, a desprezar as outras nações; ainda assim faziam a obra de Deus — ainda assim preservaram intacta a semente da vida eterna, e foram ministros de bênção para todas as outras nações, mesmo que eles próprios não chegassem a desfrutá-la. — Thomas Arnold, 1795-1842.
Versículo 9Salmo 135:9
Que enviou sinais e maravilhas. "Sinais", isto é, indícios ou provas do poder divino. "Maravilhas", coisas próprias para impressionar a mente de reverência; coisas fora do curso ordinário dos acontecimentos; coisas não produzidas por leis naturais, mas pelo poder direto de Deus. A alusão aqui é, naturalmente, às pragas do Egito, tal como registradas em Êxodo. — Albert Barnes.
Versículo 10Salmo 135:10
Que feriu grandes nações, etc. Não temamos os inimigos que se levantam contra nós, e conspiram para impedir a paz da igreja, e barrar a passagem do evangelho; quando Deus começa a tomar a causa do seu povo em suas próprias mãos, e fere algum dos seus inimigos no queixo, os demais ficam reservados para igual destruição. Pois por que Deus castiga os seus adversários, e entra em juízo com eles? Por que os visita, e os derruba com sua destra? Será apenas para tomar vingança, e mostrar a sua justiça na confusão deles? Não; isso serve para o conforto e a consolação dos seus servos, para que saibam que, por mais paciente que Deus seja, no fim eles não escaparão. — William Attersoll, 1618.
Versículo 11Salmo 135:11
Siom, rei dos amorreus, e Ogue. Menciona-se estes dois reis, Siom e Ogue, não por serem mais poderosos que os demais, mas porque, fechando a entrada da terra pela frente, eram os inimigos mais formidáveis com que se deparavam, e o povo, além disso, ainda não estava habituado à guerra. — John Calvin.
Siom, rei dos amorreus. Quando Israel chegou às fronteiras da Terra Prometida, encontrou Siom (Números 21:21). Ele era, evidentemente, um homem de grande coragem e audácia. Pouco antes da chegada de Israel, havia despojado os moabitas de um esplêndido território, empurrando-os para o sul do baluarte natural do Arnom, com grande matança e a perda de um grande número de cativos (Números 21:26-29).
Quando aparece a hoste israelita, ele não hesita nem temporiza como Balaque, mas de imediato reúne o seu povo e os ataca. Mas a batalha foi a sua última. Ele e toda a sua hoste foram destruídos, e o seu território, do Arnom ao Jaboque, tornou-se de imediato posse do conquistador.
Josefo, em Antiguidades Judaicas (4.5.2), preservou alguns detalhes singulares da batalha, que não sobreviveram no texto nem do hebraico nem da Septuaginta. Ele descreve o exército amorreu como contendo todo homem da nação apto para portar armas. Afirma que eles eram incapazes de lutar longe do abrigo das suas cidades, e que, particularmente atormentados pelas fundas e flechas dos hebreus, e por fim sofrendo severamente de sede, correram para o riacho e para os recônditos da ravina do Arnom. Nesses recônditos foram perseguidos pelo seu inimigo ágil e chacinados em grande número.
Aceitemos ou não esses detalhes, é claro, pela maneira como o nome de Siom se fixa na mente nacional, e pelo espaço que a sua imagem ocupa nos registros oficiais e na poesia posterior de Israel, que ele era um chefe verdadeiramente formidável. — George Grove, em Smith's Dictionary of the Bible, 1863.
Versículo 15Salmo 135:15
A obra das mãos dos homens. Portanto, deveriam antes, se fosse possível, adorar o homem, como seu criador e senhor, do que ser adorados por ele. — Matthew Pool, 1624-1679.
Versículos 15–17Salmo 135:15-17
O Rev. John Thomas, missionário na Índia, viajava certo dia sozinho pelo país, quando viu uma grande multidão à espera junto a um templo de ídolos. Aproximou-se deles, e assim que as portas se abriram, entrou no templo. Vendo um ídolo erguido acima do povo, caminhou destemido até ele, ergueu a mão e pediu silêncio. Então pôs os dedos sobre os olhos do ídolo e disse: "Ele tem olhos, mas não pode ver! Tem ouvidos, mas não pode ouvir! Tem nariz, mas não pode cheirar! Tem mãos, mas não pode tocar! Tem boca, mas não pode falar! Nem tampouco há fôlego nele!"
Em vez de fazer-lhe mal por afrontar o seu deus e a si mesmos, os nativos ficaram todos surpresos; e um velho brâmane ficou tão convencido da sua insensatez pelo que o Sr. Thomas disse, que também exclamou: "Tem pés, mas não pode fugir!" O povo soltou um grito, e, envergonhado da sua estupidez, deixou o templo e voltou para casa. — De "The New Cyclopædia of Illustrative Anecdote," 1875.
Versículos 16–17Salmo 135:16-17
Bocas, olhos, ouvidos. Tantos membros quantos as imagens têm, servindo para representar as perfeições que lhes são atribuídas, tantas são as mentiras. — David Dickson.
Não podem falar em resposta às vossas orações e perguntas, nem ver o que fazeis ou o que quereis, nem ouvir as vossas súplicas, nem sentir o cheiro dos vossos incensos e sacrifícios, nem usar as mãos para tomar nada de vós, ou vos dar coisa alguma; nem sequer murmurar, nem dar o menor sinal de perceber a vossa condição ou os vossos cuidados. — Matthew Pool.
Bocas, mas não falam: ouvidos, mas não ouvem.
Uma fantasia ou imaginação aquecida
pode ser tomada por uma inspiração.
É verdade; mas será justa esta conclusão —
que toda inspiração há de ser engano?
Uma pedra de seixo não é um diamante: verdade;
mas terá um diamante de ser também um seixo?
Ter um Deus que não fala aos homens
é, primeiro, tê-lo, e depois desconhecê-lo de novo;
de toda idolatria, a soma total
é ter deuses que são ao mesmo tempo surdos e mudos.
— John Byron, 1691-1763.
Versículo 18Salmo 135:18
Semelhantes a eles serão os que os fazem, todo aquele que neles confia. Se o sentido fosse simplesmente que os que os fazem são semelhantes a eles, o uso hebraico exigiria que o verbo fosse omitido. A sua inserção, portanto, na forma futura (wyhy), exige que se traduza estritamente como "serão", isto é, tanto no destino quanto no caráter. Os idólatras perecerão com os seus ídolos perecíveis. Veja Isaías 1:31. — Joseph Addison Alexander.
O povo nunca se eleva acima do nível dos seus deuses, que são para ele a sua natureza superior. — Andrew Robert Faussett.
Semelhantes a eles são os que os fazem. A idolatria é um pecado entorpecedor, que priva o idólatra do uso correto dos seus sentidos. — David Dickson.
Aqueles que os fazem, etc. Ensina-nos que o ídolo, o fabricante do ídolo, e também todos os que servem a ídolos, não apenas são grosseiros e obtusos diante dos homens, mas, diante de Deus, a seu tempo, chegarão à vergonha e à confusão. — Thomas Wilcocks, 1549-1608.
Semelhantes a eles. Um fenômeno singular, conhecido como o Espectro do Brocken, é visto em certa montanha da Alemanha. O viajante que, ao amanhecer, está no cume mais alto, avista um espectro colossal e sombrio. Mas, na verdade, é apenas a sua própria sombra projetada sobre a névoa matinal pelo sol nascente; e ela imita, naturalmente, todo movimento de quem a criou. Assim, as nações pagãs confundiram a sua própria imagem com a Divindade. Os seus deuses exibem fraquezas e paixões humanas, e virtudes escassas, projetadas e ampliadas nos céus, tal como as pequenas figuras na lâmina de uma lanterna mágica são projetadas, ampliadas e iluminadas sobre um lençol branco. — De Elan Foster's New Cyclopædia of Illustrations, 1870.
Semelhantes a eles. Quantos são semelhantes às imagens dos ídolos, tendo olhos, ouvidos e boca como se não os tivessem: isto é, quando não os usam quando e como deveriam! — Christoph Starke.
Versículo 19Salmo 135:19
Bendizei ao SENHOR. Bendizer a Deus é desejar-lhe o bem, e falar bem dele, por boa vontade para com o próprio Deus, e por um senso da sua bondade para conosco. Deus ama a vossa boa palavra, isto é, ser bem falado por vós; ele se alegra com os vossos bons desejos, e em ouvir de vós expressões de regozijo na sua própria bem-aventurança independente. Ainda que Deus tenha um oceano infinito de toda bem-aventurança, ao qual nada podemos acrescentar, e por isso seja chamado, por eminência, "o Bendito" (Marcos 14:61), título que só a ele pertence e convém, ele se deleita em ouvir o amém dos santos, suas criaturas, ressoando a isso; ele se deleita em nos ouvir proferir o nosso "assim seja". — Thomas Goodwin.
Bendizei ao SENHOR. E não a um ídolo (Isaías 66:3), como faziam os filisteus com seu Dagom, e como os papistas ainda fazem com seus santos e santas. — John Trapp.
Versículo 20Salmo 135:20
Bendizei ao SENHOR, ó casa de Levi. Em Salmos 115:1-18, a exortação dada é para confiar ou esperar no Senhor; aqui, para bendizê-lo. Os levitas são mencionados além da casa de Arão, havendo duas ordens de sacerdócio. Tudo o mais nos dois Salmos é igual, exceto que, no último verso, o Salmista aqui se junta, com o restante do povo do Senhor, para bendizer a Deus. — Franz Delitzsch.
Vós que temeis ao SENHOR, bendizei ao SENHOR. Estes são distintos dos israelitas, sacerdotes e levitas, e designam os prosélitos entre eles, de outras nações, que verdadeiramente temiam a Deus, como observa Jarchi; e todas essas pessoas, quem quer que sejam e onde quer que estejam, têm razão para bendizer ao Senhor pelo temor a ele que possuem, o qual não vem da natureza, mas da graça; e pelos favores que lhes são mostrados, as bênçãos que lhes são concedidas, as boas coisas que lhes são reservadas, e a guarda que os cerca, tudo o que as Escrituras declaram abundantemente, e a experiência confirma. — John Gill.
Vós que temeis ao SENHOR, bendizei ao SENHOR. Na Escritura é bastante comum encontrar este "temor" empregado para designar a própria santidade, ou a soma da verdadeira religião. Não é, portanto, um temor como o que tomou o coração dos nossos primeiros pais quando, ouvindo a voz do SENHOR Deus, se esconderam entre as árvores do jardim; nem como o que subitamente calou o ruído da festança real na noite da queda da Babilônia; nem como o que, em algum dia ainda futuro, impelirá os pecadores desesperados ao abrigo inútil dos montes e das rochas.
Não é o temor da desconfiança culpada, nem do ódio, nem da servidão — aquele temor que tem tormento, e que o amor perfeito lança fora; mas um temor compatível com os mais altos privilégios, alcances e esperanças da vida cristã. É o temor da profunda humildade e reverência, da sujeição filial, e da gratidão adoradora; o temor que "bendiz ao SENHOR", dizendo: "A sua misericórdia dura para sempre." — John Lillie (1812-1867), em "Lectures on the Epistles of Peter."
Versículo 21Salmo 135:21
A conclusão, Salmos 135:21, alude à conclusão do Salmo anterior. Ali, o Senhor te abençoa desde Sião; aqui, que ele seja bendito desde Sião. O louvor procede do mesmo lugar de onde brota a bênção. Pois Sião é o lugar onde a comunidade habita com Deus. — E. W. Hengstenberg.
Louvai ao SENHOR. Quando o cântico de louvor é cantado a Deus, a obra do seu louvor não termina, mas deve continuar, renovar-se, e ser sempre retomada: "Louvai ao SENHOR." — David Dickson.
Bendizei, louvai. Não devemos apenas bendizer a Deus, mas também louvá-lo: "Todas as tuas obras te louvarão, ó SENHOR; e os teus santos te bendirão." Bendizer se relaciona com os seus benefícios, louvar com as suas excelências. Nós o bendizemos pelo que ele é para nós, o louvamos pelo que ele é em si mesmo. Ora, quer o bendigamos, quer o louvemos, isso serve sempre para aumentar o nosso amor por ele, e o nosso deleite nele; pois Deus não se comove com a lisonja de louvores vazios; ainda assim, este é um dever especial, que vos é proveitoso, como todos os demais deveres. Faz-vos bem considerá-lo como um Ser infinito e eterno, de majestade gloriosa e incompreensível. É agradável e proveitoso para nós. — Thomas Manton.