Notas explicativas e citações: Salmo 138
Citações de puritanos, reformadores e outros comentaristas sobre o Salmo 138, reunidas por Charles Spurgeon.
Leia o Salmo 138 na íntegra no Midvash, na King James Fiel
Salmos 138:1 a 145:21. Estes oito salmos são compostos na primeira pessoa, e seguem muito bem depois dos quinze "Cânticos de Romagem" e dos três salmos de louvor proferidos pelo coro dos que subiram a Sião. Aqueles salmos eram as expressões unidas da devoção nacional. Estes oito salmos são o manual de oração e louvor particular do israelita devoto. — Christopher Wordsworth.
Salmo inteiro. Este é o primeiro de uma série de oito salmos (Salmos 138:1-145:21), provavelmente os últimos compostos por Davi, uma espécie de comentário à grande promessa messiânica em 2 Samuel 7:1-29. Encontram-se nesta parte do saltério em consequência de terem sido tomados como base, ou antes, como corpo, de um sistema ou série (Salmos 135:1-146:10) por um escritor posterior. — Joseph Addison Alexander.
Salmo inteiro. Se este salmo se refere à promessa em 2 Samuel 7:1-29, não pode haver dúvida quanto à correção do título, que o atribui a Davi. Pois aquele a quem a promessa foi concedida apresenta-se ele mesmo como o locutor. Prova também da autoria de Davi encontra-se na união, tão característica dele, de coragem ousada — veja especialmente Salmos 138:3 — e profunda humildade — veja Salmos 138:6.
E como prova da mesma coisa vem, finalmente, o parentesco estreito em que este salmo está com os outros salmos de Davi, especialmente aqueles que igualmente se referem à promessa do reino eterno; e com a ação de graças de Davi em 2 Samuel 7:1-29, cuja conclusão concorda de modo notável com a conclusão do nosso salmo: "E agora, Senhor Deus, a palavra que falaste sobre o teu servo e sobre a sua casa, cumpre-a até a eternidade, e faze como falaste." — E. W. Hengstenberg.
Versículo 1Salmo 138:1
Eu te louvarei de todo o meu coração. Faz parte da nossa gratidão comprometer o coração a louvar a Deus no tempo futuro, já que percebemos que toda a gratidão que podemos dar no presente fica aquém do nosso dever ou do nosso desejo de louvá-lo: "eu te louvarei", diz Davi. Às vezes o crente encontrará seu coração livre na adoração de Deus, o que em outro momento encontrará amarrado; e então deve aproveitar a ocasião de um coração dilatado para correr no caminho do serviço de Deus, como Davi faz aqui: "eu te louvarei de todo o meu coração." — David Dickson.
Eu te louvarei. Ergue-te, alma querida! Ainda que uma vez tenhas te queixado como Israel do teu cativeiro na Babilônia (Salmos 137:1), agora canta mais uma vez um cântico de alegria ao Senhor. Foste prensada como um cacho de uvas — agora dá o teu suco maduro. — Christoph Starke.
Eu te louvarei. Ai, que crime capital do povo do Senhor — a esterilidade nos louvores! Ah, como estou plenamente persuadido de que uma linha de louvores vale mais do que uma página de oração, e uma hora de louvores vale mais do que um dia de jejum e lamento! — John Livingstone, 1603-1672.
De todo o meu coração. Esta expressão, como em Salmos 9:1, aponta para a grandeza excepcional do benefício recebido, que encheu todo o coração de gratidão, e não procedia, por assim dizer, de algum canto particular dele. Corresponde também à grandeza do benefício na expressão "diante dos deuses" — exigindo destes que comprovassem sua divindade apontando para algum dom semelhante concedido por eles aos seus servos. O benefício capaz de sustentar tal desafio, e de dar ocasião e motivo à ironia, deve ter sido excepcionalmente grande. — E. W. Hengstenberg.
Diante dos deuses. Há muita diversidade no sentido atribuído a "deuses" neste versículo. Pode significar literalmente, num país idólatra, nos próprios templos dos falsos deuses, como tantos mártires cristãos testemunharam pela fé. A Septuaginta, a Vulgata, a etíope e a arábica traduzem "anjos". O caldaico tem "juízes", o siríaco "reis", e os primeiros padres gregos explicam como referência aos coros de sacerdotes e levitas no templo. — Zigabeno, em Neale e Littledale.
Diante dos deuses. Alguns (Septuaginta, Lutero, Calvino etc.) interpretam estas palavras como referência aos anjos, e comparam com Salmos 29:1; mas é duvidoso que a palavra hebraica Elohim, usada nua e sem qualquer explicação, possa ter esse sentido: também parece, neste contexto, não fazer sentido especial. Outros (rabinos, Flaminio, Delitzsch etc.) interpretam "os grandes da terra", e comparam com Salmos 138:4 abaixo, e Salmos 82:1 e 119:46 etc.; mas esta interpretação também parece não dar força especial à passagem.
Provavelmente (Áquila, Símaco, Jerônimo etc.) o sentido é: "Diante, ou na presença, dos deuses dos gentios, isto é, em desdém, à vista dos ídolos, que nada podem fazer, eu louvarei a Jeová, que faz milagres por mim e pelo seu povo." Para uma expressão semelhante, veja Salmos 23:5; veja também Salmos 95:8 e 96:5, passagens em que a palavra hebraica "deuses" é usada provavelmente para ídolos. — Speaker's Commentary.
Diante dos deuses etc. A Vulgata traz in conspectu angelorum, "diante dos anjos"; a presença deles deveria causar reverência em homens e mulheres, e mantê-los longe de toda desonestidade, palavras más, atos, gestos, ressentimento secreto, todo descontentamento e desregramento. Pois, assim como se alegram ao perceber em vocês um bom estado de espírito, ao ver que guardam a ordem que Deus estabeleceu na igreja e no estado, ao andarem como cristãos para a honra de Deus, assim também se entristecem ao ver o contrário, e vocês terão de responder pelos seus pecados diante destes grandes oficiais da grande família do céu e da terra. — William Greenhill.
Versículo 2Salmo 138:2
Eu adorarei voltado para o teu santo templo. O santo templo era um tipo e figura do Senhor Jesus Cristo. Por isso encontramos Daniel abrindo suas janelas na direção do templo, onde orava três vezes ao dia; e encontramos Jonas dizendo: "ainda tornarei a olhar para o teu santo templo". Assim, olhando para Jesus, ele é o nosso templo. Não há adoração aceitável senão por meio dele; mas podemos oferecer sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus por meio de Jesus Cristo. Então, ponha o Senhor Jesus Cristo diante dos seus olhos, para que possa adorar a Deus e se aproximar do estrado da misericórdia por meio dele, para que ofereça um sacrifício aceitável, e louve o seu nome pela sua benignidade e pela sua verdade. — Joseph C. Philpot, 1802-1869.
O teu santo templo. Este salmo tem por título "um Salmo de Davi", e Calvino o considera seu autor de acordo com o título; mas a menção ao "templo" neste versículo parece tornar tal opinião duvidosa. Se, porém, traduzirmos esta palavra por "morada", que é a tradução correta do original — a morada da tua santidade —, esta objeção à composição por Davi cai por terra. — Nota de James Anderson à edição de Calvino, no lugar.
Eu louvarei o teu nome pela tua benignidade. Há aqui dois belos pensamentos: um é "a condescendência de Deus no pensamento"; o outro, "a sua ternura na ação". Ambos estão incluídos em "benignidade". E ambos são demonstrados por Deus ao seu próprio povo. Ele se humilha para observar as coisas dos filhos dos homens; condescende com os de condição humilde. Do bendito Jesus se diz que, "sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que pela sua pobreza fôsseis enriquecidos" (2 Coríntios 8:9).
Quem pode dizer as profundezas a que Deus condescende no pensamento amoroso? Diz-nos que até os cabelos da nossa cabeça estão todos contados; e se os cabelos da nossa cabeça, quanto mais tudo o mais. Deus, como Pai celestial, se interessa por tudo o que diz respeito ao seu povo; interessa-se por assuntos que eles julgam abaixo de sua atenção, ou cuja importância, por ignorância, nem conhecem.
A mãe pode tirar tesouros de consolo ao perceber essa condescendência pensativa de Deus. Ele se interessará pelo seu bebê; se ela o entregar a ele, aquele que fez o universo pensará, com sua mente infinita, no berço dela e na pequena criatura indefesa embalada até dormir ali dentro. O doente pode tirar tesouros de consolo da mesma fonte, pois pode crer que Aquele por quem o corpo foi feito de modo temível e maravilhoso pensará nos sofrimentos desse corpo, e os aliviará, ou dará força para suportá-los, se precisarem ser carregados. A condescendência do pensamento marca todo o trato de Deus com o seu povo.
E logo em seguida vem a ternura na ação. Ora, esta "ternura na ação" é grande parte da benignidade de Deus; convém que uma mente pensativa e uma mão terna andem juntas na perfeição do amor. Deus não é apenas enérgico, mas também terno na ação; é o Deus das gotas de orvalho, tanto quanto o Deus das trovoadas; o Deus da tenra folha de relva, tanto quanto do carvalho da montanha.
Lemos sobre grandes máquinas capazes de esmagar barras de ferro, e que ainda assim conseguem tocar com tal delicadeza a ponto de não quebrar a casca do menor ovo; assim é com a mão do Altíssimo: ele pode esmagar um mundo, e ainda assim enfaixar uma ferida. E grande necessidade temos de ternura em nossa condição humilde; uma coisa pequena nos esmagaria: temos almas tão feridas e frágeis que, se não tivéssemos Alguém que tratasse conosco com ternura, logo seríamos destruídos. — Philip Bennett Power, em "The I Wills' of the Psalms," 1861.
Engrandeceste a tua palavra sobre todo o teu nome. Sua "palavra", estando aqui ligada à "benignidade e verdade", deve necessariamente ser aquela parte da sua palavra à qual estas duas se aplicam, isto é, sua promessa, cuja matéria é misericórdia ou benignidade, e no cumprimento da qual está a verdade ou fidelidade. E então "engrandecer" esta "palavra" de promessa parece significar duas coisas: primeiro, fazer promessas muito grandes e excelentes; e segundo, cumpri-las com a maior pontualidade; e fazê-lo acima de todo o seu nome é prometer e cumprir misericórdias superlativas acima de tudo o que se conta, se fala ou se crê a respeito de Deus.
Assim ficaria: eu adorarei etc., "e louvarei o teu nome acima da tua benignidade e acima da tua verdade"; isto é, seria pouco, seria uma síntese curta demais chamar-te de misericordioso ou verdadeiro, ou nomear-te por qualquer outro dos teus atributos; tu és tudo isso, e mais ainda: "engrandeceste a tua palavra", deste e cumpriste as mais gloriosas promessas, "acima de todo o teu nome", acima de tudo o que os homens já perceberam ou disseram a teu respeito. Este versículo e este salmo podem facilmente ser interpretados das misericórdias de Deus em Cristo, tão acima do que se poderia contar, dizer, crer ou compreender a respeito dele. — Condensado de H. Hammond.
Engrandeceste a tua palavra sobre todo o teu nome. Sem sombra de dúvida há manifestações mais altas e mais claras de si mesmo, do seu ser, da sua perfeição, dos seus propósitos, no volume da revelação, do que quaisquer que as suas obras já revelaram ou podem revelar. Há muitíssimos pontos em relação a Deus, do mais alto interesse para a humanidade, sobre os quais as descobertas da ciência não lançam nenhuma luz; há muitas coisas que é desejável o homem conhecer, que não se podem aprender nas escolas de filosofia; há consolos de que o homem precisa num mundo de aflição, que não se encontram na natureza; há especialmente um conhecimento do modo pelo qual o pecado pode ser perdoado, e a alma salva, que nunca poderá ser revelado pelo maçarico, pelo telescópio ou pelo microscópio.
Estas coisas, se é que se aprendem, devem ser aprendidas pela revelação, e são de maior importância para o homem, como viajante rumo a outro mundo, do que todo o saber que se possa adquirir nas escolas de filosofia — por mais valioso que esse saber seja. — Albert Barnes.
Porque engrandeceste a tua palavra sobre todo o teu nome etc. Esta é, à primeira vista, uma sentença obscura, mas, como bem observa um expositor criterioso a respeito dela, as palavras podem ser lidas assim, o que concordará melhor com o hebraico: "engrandeceste o teu nome sobre todas as coisas, na tua palavra", isto é, ao cumprir a tua palavra engrandeceste o teu nome sobre todas as coisas, no fato de teres cumprido a tua palavra. O que livremente prometeste, cumpriste fielmente; o que falaste com a tua boca, realizaste com a tua mão; por isso o teu nome deve ser admiravelmente engrandecido. — James Nalton, 1664.
Engrandeceste a tua palavra sobre todo o teu nome. Toda criatura carrega o nome de Deus; mas na sua palavra, e na verdade nela contida, ele está escrito por extenso, e por isso ele preza mais isto do que todas as suas outras obras; pouco lhe importa o que aconteça ao mundo e a tudo o que nele há, contanto que guarde a sua palavra e salve a sua verdade. Em breve veremos o mundo em chamas; os céus e a terra passarão, "mas a palavra do Senhor permanece para sempre". Quando Deus quiser, pode fazer mais mundos como este; mas não pode fazer outra verdade, e por isso não perderá um só til dela. Satanás, sabendo disso, empenha todo o seu engenho em desfigurar e distorcer isto por meio de doutrina impura. A palavra é o espelho no qual vemos Deus, e, ao vê-lo, somos transformados à sua semelhança pelo seu Espírito. Se este espelho estiver rachado, então as concepções que temos de Deus o representarão mal para nós; ao passo que a palavra, em sua clareza nativa, o expõe em toda a sua glória aos nossos olhos. — William Gurnall.
Engrandeceste a tua palavra sobre todo o teu nome. Concedeste a promessa de perpetuidade à minha casa e ao meu reino, a qual se ergue em grandeza e bondade acima de todas as tuas manifestações passadas de ti mesmo em favor do teu povo (2 Samuel 7:10,12-13,15-16,21-22,24-26,29; especialmente 2 Samuel 7:21, "Por causa da tua palavra... fizeste todas estas grandes coisas"; 2 Samuel 7:26, "E seja o teu nome engrandecido para sempre" — uma coincidência não intencional de linguagem entre a história e o salmo). Somente no Messias a grandeza da promessa encontra, e há de encontrar mais plenamente ainda no futuro, a sua realização para Israel e para o mundo inteiro. — Andrew Robert Fausset.
Engrandeceste a tua palavra sobre todo o teu nome. Deus nos enviou a sua palavra:
- Como um espelho, para refletir a sua glória. "Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra das suas mãos"; por eles se pode ver claramente o seu eterno poder e divindade (Salmos 19:1,3-4). Em seus tratos providenciais também se exibe muito da sua sabedoria e bondade. Mas das suas perfeições, em geral, não podemos formar ideia alguma a partir dessas coisas; dos seus propósitos nada podemos saber. O estado do mundo pagão atesta claramente isto; pois eles contemplam as maravilhas da criação e da providência tanto quanto nós: "não há linguagem nem fala onde não se ouça a sua voz; a sua linha se estende por toda a terra, e as suas palavras até ao fim do mundo" (Salmos 19:3-4).
Mas no volume sagrado brilha toda a glória da divindade: ali somos admitidos, por assim dizer, até à câmara do conselho do Altíssimo; para ouvir a aliança firmada entre o Pai e o Filho; o Pai se comprometendo a lhe dar uma descendência, que teria por herança, se ele, por sua parte, "fizesse da sua alma uma oferta pelos pecados deles", e, na natureza deles, expiasse a culpa das suas iniquidades. Tendo esta misteriosa transação se cumprido na encarnação e morte do Senhor Jesus Cristo, contemplamos todas as perfeições de Deus unidas e em harmonia de um modo como jamais estiveram, nem poderiam estar, por qualquer outro meio: vemos a justiça mais inexorável do que se tivesse executado vingança sobre toda a raça humana; e a misericórdia mais abundante do que se tivesse poupado a raça humana sem tal expiação. Ali, como bem se exprime, "a misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram" (Salmos 85:10). Deste grande mistério não encontramos nenhum traço em toda a criação além disso; mas na palavra ele se reflete, como num espelho (2 Coríntios 3:18); e brilha tão intensamente que os próprios anjos ao redor do trono se tornam mais sábios pela revelação dele à igreja (Efésios 3:10).
- Como um padrão, ao qual tudo pode ser referido. Da vontade de Deus nada sabemos, senão pela palavra: "não conhecemos nem o bem nem o mal por tudo o que está diante de nós". O que Deus exige de nós, nada na criação ou na providência pode nos informar: o que ele fará por nós, não podemos determinar: como ele há de tratar conosco, não podemos determinar. Mas, no volume sagrado, tudo está escrito como que com um raio de sol. Não há nada que Deus espere que façamos por ele que ali não esteja declarado com a maior clareza: nada que ele se comprometa a fazer por nós que não forme o objeto de uma promessa específica.
Todo o seu procedimento no dia do juízo ali está exposto: as leis pelas quais seremos julgados: o modo pelo qual o testemunho, seja contra nós ou a nosso favor, será produzido; os fundamentos sobre os quais a sentença de condenação ou absolvição será pronunciada; sim, o próprio estado ao qual cada pessoa, seja absolvida ou condenada, será destinada; tudo isto é dado a conhecer com tanta clareza que qualquer pessoa que se julgar agora com sinceridade poderá certamente antecipar o seu destino. Nada é deixado à conjectura. Todo homem tem um padrão ao qual pode se referir, para corrigir o seu juízo em cada particular: de modo que nada mais pode ser acrescentado para a instrução das nossas mentes, ou para a regulação das nossas expectativas futuras.
- Como uma fonte, de onde emanam todas as suas bênçãos. Grandes bênçãos, sem dúvida alguma, fluem para nós através das obras da criação e da providência: de fato, elas administram incessantemente ao nosso bem-estar; pois "Deus abre as suas mãos, e enche de fartura tudo o que vive". Ainda assim, porém, os benefícios delas derivados são apenas temporais; ao passo que os que o volume inspirado transmite são espirituais e eternos; deles derivamos todo o nosso conhecimento da verdade divina, e toda a nossa esperança de salvação eterna.
Nem é apenas o conhecimento da verdade que obtemos, mas a operação e a eficácia dela sobre as nossas almas. Há na verdade divina, quando aplicada pelo Espírito Santo, um poder de ferir, de santificar, de salvar (Salmos 19:7-11). Quando ela chega à alma com poder, o coração mais duro do universo é feito tremer: quando é derramada como bálsamo, a criatura mais aflita debaixo do céu é feita saltar de alegria.
Observe a face do globo, e veja quantos, que antes estavam sob o domínio irrestrito do pecado, hoje estão transformados à imagem do seu Deus. E então suba ao céu, e contemple as miríades de redimidos ao redor do trono de Deus, unindo os seus aleluias a Deus e ao Cordeiro: a este estado todos eles foram trazidos por aquela bendita palavra, que sozinha jamais poderia ter prevalecido para obra tão grande. Assim é que Deus engrandeceu a sua palavra; e assim é que a engrandecerá, até o fim dos tempos; sim, através da eternidade ela será reconhecida como a única fonte de todas as bênçãos que jamais serão desfrutadas. — Charles Simeon, em Horae Homileticae.
Porque engrandeceste a tua palavra sobre todo o teu nome. Esta é uma daquelas expressões da Escritura que parecem tão abrangentes, e ainda assim tão espantosas. Para mim, é uma das expressões mais notáveis em todo o livro de Deus. "Engrandeceste a tua palavra sobre todo o teu nome." O nome de Deus inclui todas as perfeições de Deus; tudo o que Deus é, e o que Deus se revelou ter — sua justiça, majestade, santidade, grandeza e glória, e tudo o mais que ele é em si mesmo — isso é o nome de Deus. E ainda assim ele "engrandeceu" algo "acima do seu nome" — a sua palavra — a sua verdade.
Isto pode se referir ao Verbo Encarnado, o Filho de Deus, chamado de "o Verbo". "Há três que testificam no céu: o Pai, o Verbo e o Espírito Santo, e estes três são um" (1 João 5:7); "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus" (João 1:1). Podemos tomar as palavras tanto no sentido de que Deus engrandeceu a sua Palavra, o seu Filho eterno, acima de todo o seu grande nome — isto é, colocou Jesus no alto, acima de todas as outras perfeições da sua majestade —, quanto no sentido da sua palavra escrita, registrada nas sagradas Escrituras. Assim, neste caso, não só o Verbo Encarnado na pessoa de Jesus, mas também a palavra escrita nas Escrituras da verdade.
Ele a engrandeceu acima de todo o seu nome no cumprimento dela: sendo tão querida a ele a sua fidelidade, exaltou a sua fidelidade acima de todas as suas outras perfeições. Vemos isto na natureza. Eis um homem tão confiável, tão fiel à sua palavra, que sacrificará qualquer coisa antes de se afastar dela: esse homem entregará seus bens, ou a própria vida, antes de faltar com a sua palavra. Assim Deus falou de engrandecer a sua palavra acima de todo o seu nome. Ele preferiria deixar todas as suas outras perfeições reduzirem-se a nada, a deixar a sua fidelidade falhar.
Ele engrandeceu tanto a sua fidelidade que o seu amor, a sua misericórdia, a sua graça, todos falhariam antes da sua fidelidade — a palavra da sua boca e o que revelou nas Escrituras. Que salvação tão firme, então, é a nossa, que repousa sobre a sua palavra, quando Deus engrandeceu essa palavra acima de todo o seu nome! Que volumes de bem-aventurança e verdade nela se contêm! De modo que, se Deus revelou a sua verdade à sua alma, e lhe deu fé para ancorar no mundo da promessa, antes que isso falhasse, ele sofreria a perda de tudo; pois engrandeceu a sua palavra acima de todo o seu nome. — Joseph C. Philpot.
Engrandeceste a tua palavra sobre todo o teu nome. Deus tem maior consideração pelas palavras da sua boca do que pelas obras das suas mãos: os céus e a terra passarão, mas nem um jota ou til do que ele falou jamais cairá por terra. Alguns entendem isto do Cristo, o Verbo essencial, no qual ele pôs o seu nome, e a quem exaltou tão altamente, que lhe deu "um nome acima de todo nome". — Ebenezer Erskine, 1680-1754.
Engrandeceste a tua palavra sobre todo o teu nome. Significando que a sua Palavra ou promessa terá, por assim dizer, e exercerá uma espécie de soberania sobre todas as suas prerrogativas e atributos — sabedoria, justiça, poder etc. De modo que os homens não precisam temer que qualquer um deles, em qualquer tempo ou em qualquer caso, venha a se mover na menor contrariedade a ela. — John Goodwin, 1593-1665.
Engrandeceste a tua palavra sobre todo o teu nome. Pode ser que, quando há certas obras extraordinárias de Deus no mundo — trovões e relâmpagos etc. —, estejamos prontos a nos assustar, e ah! o grande Deus que aparece nestas grandes obras! Se os nossos corações fossem como deveriam ser quando lemos a Palavra, tremeríamos mais diante dela do que diante de qualquer manifestação de Deus, desde o princípio do mundo, em todas as suas obras; e se você não vê mais da glória de Deus na sua Palavra do que nas suas obras, é porque há pouca luz em você. — Jeremiah Burroughs, 1599-1646.
Engrandeceste a tua palavra sobre todo o teu nome. "Pela palavra do Senhor foram feitos os céus, e todo o seu exército pelo sopro da sua boca." Mas muito mais poderosa é a palavra pela qual um mundo perdido é redimido. Esta é a "palavra" que ele "engrandeceu acima de todo o seu nome", pois exibe ao mesmo tempo a extraordinária grandeza do seu poder, os recursos da sua multiforme sabedoria, e as glórias combinadas da santidade e do amor. — John Lillie.
Não é com a verdade meramente elaborada no pensamento, mas com a verdade expressa, que temos que ver; não com a verdade tal como vista pelo nosso mestre inspirado, mas com a verdade tal como por ele nos foi falada. Não basta que o Espírito o tenha feito vê-la corretamente — isto não basta se ele não o tiver feito também falá-la corretamente. Um puro influxo na mente de um apóstolo não é garantia suficiente para a instrução do mundo, a menos que haja também um puro efluxo; pois não é a doutrina que entrou, mas a doutrina que saiu, que verdadeiramente nos diz respeito.
Assim, é à doutrina em efluxo, isto é, à palavra, que somos chamados a nos submeter. É a palavra que é luz para os nossos pés e lâmpada para o nosso caminho; é a sua palavra que Deus exaltou acima de todo o seu nome; é a palavra que ele firmou no céu, e à qual deu uma estabilidade mais segura e mais duradoura do que às ordenanças da natureza. Não podemos tomar conhecimento da doutrina que é transmitida do céu à terra quando ela chegou apenas ao ponto da elaboração na mente de um apóstolo; e só quando é levada ao ponto mais distante da expressão, seja pela fala ou pela escrita, é que ela entra em contato conosco.
Em suma, o nosso interesse imediato está, não no que os apóstolos concebem interiormente, mas no que produzem exteriormente — não nos esquemas ou sistemas que foram levados a compreender, mas nos livros que escreveram; e, se toda a força e o efeito desta observação tivessem sido suficientemente ponderados, estamos persuadidos de que os defensores de uma inspiração atenuada não teriam separado, como o fizeram, a inspiração do pensamento da inspiração da linguagem. — Thomas Chalmers.
"A tua palavra", ou "a tua promessa". Tão grandes são as promessas de Deus, e tão fiel e completo é o seu cumprimento delas, que chegam mesmo a superar as expectativas que a grandeza do seu nome despertou. — Annotated Paragraph Bible.
Versículo 3Salmo 138:3
No dia em que clamei etc. Deus lhe concedeu uma resposta rápida; pois foi no mesmo dia em que clamou que foi ouvido: e foi uma resposta espiritual; foi fortalecido com força na sua alma. Você quer força de alma para a obra que tem em vista? Então clame àquele que é a "força de Israel" por ela; pois "dá força ao cansado, e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor." — Ebenezer Erskine.
No dia em que clamei, tu me respondeste etc. Aquela parte de um exército que está em ação no campo certamente recebe o seu soldo, se seus comandantes têm algum dinheiro na bolsa, ou algum cuidado por eles; sim, às vezes até quando seus companheiros deixados no quartel são obrigados a esperar. Tenho certeza de que há mais ouro e prata (falo de alegria e consolo espirituais) a se encontrar no acampamento de Cristo, entre os seus que sofrem, do que os seus irmãos em casa, na paz e na prosperidade, costumam ordinariamente mostrar.
O que são as promessas senão vasos de vinho reconfortante, guardados de propósito contra uma hora de gemido, quando Deus costuma abri-los! "Clama a mim", diz Deus, "no dia da angústia" (Salmos 50:15). E não poderíamos fazê-lo também no dia da paz? Sim; mas ele quer que sejamos mais ousados com ele no dia da angústia. Ninguém encontra despacho tão rápido no trono da graça quanto os santos que sofrem.
"No dia em que clamei", diz Davi, "tu me respondeste, e me fortaleceste com força na minha alma." Ele estava então em aperto, e Deus vem a ele com pressa. Ainda que possamos deixar esperando um amigo bem de saúde, se ele nos chamar, damos licença a um amigo doente para nos chamar à meia-noite. Em tais extremidades costumamos ir logo com o mensageiro que vem nos buscar; e assim faz Deus com a oração. Pedro bateu ao portão daqueles que estavam reunidos para buscar a Deus por ele, quase tão depressa quanto a oração deles bateu ao portão do céu em favor dele.
E, na verdade, não é mais do que necessário, se considerarmos as tentações da nossa condição aflita; somos propensos, então, a suspeitar que nossos melhores amigos nos esquecem, e a pensar que toda demora é adiamento e descaso; por isso Deus escolhe se mostrar mais bondoso justamente em tal ocasião. "Como as aflições de Cristo abundam em nós, também a nossa consolação abunda por Cristo" (2 Coríntios 1:5). Assim como o homem é posto na aflição, assim Cristo é posto no consolo: ambas as marés sobem e descem juntas; quando era maré cheia com ele na aflição, assim também era na sua alegria.
Aliviamos os pobres à medida que sua necessidade cresce; assim Cristo consola o seu povo à medida que suas aflições se multiplicam. E agora, cristão, diga-me: não merece o seu caro Senhor um espírito pronto em você para enfrentar qualquer sofrimento por ele, ou dele, quando é ele quem dá os seus mais doces consolos justamente onde o seu povo é posto a carregar as suas mais tristes dores? Bem pode o servo fazer o seu trabalho com alegria quando o seu senhor tem tanto cuidado com ele a ponto de lhe trazer com as próprias mãos o café da manhã até o campo.
O cristão não espera chegar ao céu para todo o seu consolo. Ali, sim, haverá a ceia completa, mas há um café da manhã, cristão, de alegrias antecipadas, mais ou menos, que Cristo lhe traz até o campo, para ser comido no mesmo lugar em que você suporta a sua dificuldade. — William Gurnall.
Tu me respondeste, e me fortaleceste com força na minha alma. É um modo gracioso de responder às nossas orações quando Deus nos concede força espiritual nas nossas almas; se não dá as coisas que desejamos, ainda assim, se nos dá força nas almas, responde graciosamente às nossas orações. O que é esta força espiritual? Respondo: é uma obra do Espírito de Deus, capacitando um homem a fazer e a suportar o que Deus quiser dele, sem desfalecer nem retroceder. — James Nalton.
Me fortaleceste com força na minha alma. Outros senhores dão trabalho aos seus servos, mas não os ajudam no trabalho; mas o nosso Senhor no céu não só nos dá trabalho, mas também força. Deus nos manda servi-lo, e ele nos capacitará a servi-lo (Ezequiel 36:27): "Farei que andeis nos meus estatutos." O Senhor não só prepara trabalho para nós, mas nos prepara para o trabalho; com a sua ordem, dá também poder. — Thomas Watson.
Tu me fazes corajoso na minha alma (com) força. A versão comum desta cláusula ("me fortaleceste com força na minha alma") contém uma paronomásia que não existe no original, onde o verbo e o substantivo não têm sequer uma letra em comum. O verbo é traduzido por alguns como "me tornaste orgulhoso", isto é, me elevou, não com um orgulho vão ou egoísta, mas com uma esperança nobre e estimulante. — Joseph Addison Alexander.
Versículo 4Salmo 138:4
Todos os reis da terra te louvarão. Num sentido suficientemente marcante, esta promessa se cumpriu para Davi e para a nação de Israel, quando os monarcas vizinhos contemplaram as maravilhosas disposições da divina providência que acompanharam os seus passos (2 Samuel 5:11; 8:10); mas, em seu sentido mais completo, ela há de se realizar nas futuras conquistas do Messias, quando os príncipes e potentados da terra receberem a sua palavra, aprenderem pela graça divina a celebrar os métodos gloriosos do seu amor, e virem à luz da fé a grandeza da glória de Jeová como o Deus da salvação. "Todos os reis da terra" ainda hão de louvar o Senhor, e se apressarão, com os seus numerosos súditos, a aclamar os triunfos da sua graça. — John Morison.
Versículo 5Salmo 138:5
Sim, cantarão nos caminhos do Senhor. Virá um tempo em que o louvor a Jeová, que segundo Salmos 137:4 era forçado a se calar na presença dos pagãos, será cantado pelos próprios reis pagãos. — Franz Delitzsch.
Sim, cantarão nos caminhos do Senhor. Andar com Deus é uma caminhada agradável: os caminhos da sabedoria são chamados "caminhos de suavidade" (Provérbios 3:17). Não é a luz agradável? "Andarão, ó Senhor, na luz do teu rosto" (Salmos 89:15). Andar com Deus é como caminhar entre canteiros de especiarias, que exalam um perfume aromático. É isto que traz paz (Atos 9:31): "andando no temor do Senhor, e na consolação do Espírito Santo." Enquanto andamos com Deus, que doce música faz o pássaro da consciência em nosso peito! "Cantarão nos caminhos do Senhor." — Thomas Watson.
Versículo 6Salmo 138:6
Ainda que o Senhor seja excelso. Temos aqui a grandeza transcendente de Deus; ele é o Senhor excelso, ou Jeová: ele é "o Alto e Sublime, que habita a eternidade, e que mora no lugar alto e santo, ao qual nenhum homem pode se aproximar". Quem pode pensar ou falar da sua excelência de modo adequado? Ela ofusca os olhos dos vermes mortais e pecadores ao contemplarem "o lugar onde a sua honra habita".
Ó quão infinita é a distância entre ele e nós! "Não há entre os filhos dos poderosos quem se compare a ele"; sim, "os habitantes da terra são diante dele como a gota no balde, e como o pó miúdo na balança". Ele não é apenas "excelso" acima dos homens, mas acima dos anjos: querubins e serafins são seus espíritos ministradores. Ele é "excelso" acima dos céus; pois "o céu, sim, o céu dos céus não o pode conter"; e "ele se humilha" quando "observa as coisas que há no céu". Ah, senhores, esforcem-se por cultivar pensamentos altos e admirados da majestade gloriosa de Deus; pois "honra e majestade estão diante dele; força e beleza estão no seu santuário". — Ebenezer Erskine.
O Senhor atenta para o humilde. Deus tem tal consideração pelo humilde não como se este estado de alma tivesse mérito diante dele, mas porque:
Esta é uma disposição que melhor serve ao grande desígnio de Deus de erguer e glorificar a sua graça gratuita. O que pensam vocês, senhores, era o desígnio de Deus na eleição, na redenção, e em toda a dispensação do evangelho, e em todas as suas ordenanças? O seu grande desígnio em tudo era erguer um trono glorioso e excelso, do qual pudesse exibir as riquezas da sua graça livre e soberana; é isto que ele fará engrandecer através da eternidade acima de todo o seu outro nome. Ora, esta humildade e mansidão de espírito convém melhor ao desígnio de Deus de exaltar a liberdade da sua graça. Não é o legalista, nem o fariseu orgulhoso, mas o pobre publicano humilde, batendo no peito e clamando "Deus, tem misericórdia de mim, pecador", que se submete à revelação da graça.
Deus tem tal consideração pela alma humilde porque ela é fruto do Espírito que habita a alma, e uma evidência da união da alma com o Senhor Jesus Cristo, no qual somente somos aceitos.
Esta é uma disposição que torna a alma semelhante a Cristo; e quanto mais uma pessoa é parecida com Cristo, mais Deus a ama. Diz-se que Cristo era "manso e humilde"; "não clamou, nem levantou a voz, nem a fez ouvir nas ruas"; ainda que fosse "o resplendor da glória de seu Pai", contentou-se em aparecer "na forma de servo"; ainda que fosse rico, contentou-se em se fazer pobre, para que por sua pobreza fôssemos enriquecidos. Ora, sendo a alma humilde a imagem de Cristo, que é a imagem expressa do seu Pai, Deus não pode deixar de considerá-la. — Ebenezer Erskine.
Atenta para o humilde. Dai-me o vaso simples da humildade, que Deus há de preservar e encher com o vinho da sua graça, em vez do cálice envernizado do orgulho, que ele há de despedaçar como vaso de oleiro. Onde a humildade é a pedra angular, ali a glória será a pedra do topo. — William Seeker, em "The Nonsuch Professor in his Meridian Splendour," 1660.
Mas ao soberbo conhece de longe. Quem encontra um espetáculo ou pessoa que não suporta olhar evita-o, ou dele se afasta enquanto ainda está longe; ao passo que, se o objeto é agradável, aproxima-se e chega o mais perto que pode. Quando, portanto, se diz que o Senhor conhece de longe o soberbo, isto mostra o seu desdém por ele: mal o tocaria com uma tenaz (como se diz); não suporta se aproximar dele. Ele bem sabe quão vil ele é, mesmo à maior distância. — Joseph Caryl.
Ao soberbo conhece de longe. Castigando-os no inferno. — Richard Rolle, 1340.
Versículo 7Salmo 138:7
Ainda que eu ande no meio da angústia, tu me vivificarás. Assim como, aos três jovens na fornalha ardente, seu perseguidor, Nabucodonosor, disse: "Eis que vejo quatro homens soltos, andando no meio do fogo, e não há neles lesão alguma; e o aspecto do quarto é semelhante ao Filho de Deus." — Andrew Robert Fausset.
No meio da angústia tu me vivificarás. A sabedoria de Deus se manifesta ao ajudar em casos desesperados. Deus ama mostrar a sua sabedoria quando a ajuda e a sabedoria humanas falham. Advogados hábeis gostam de lidar com sutilezas e dificuldades na lei, para exibir ainda mais a sua perícia. A sabedoria de Deus jamais fica sem saída; mas, quando as providências estão mais escuras, então aparece a estrela da manhã da libertação.
Às vezes Deus dissolve o ânimo dos seus inimigos (Josué 2:24). Às vezes lhes arranja outra tarefa, e lhes soa retirada, como fez com Saul quando este perseguia Davi: "Os filisteus estão na terra." "No monte se verá o Senhor." Quando a igreja parece estar sobre o altar, com a sua paz e liberdade prestes a serem sacrificadas, então vem o anjo. — Thomas Watson.
Estenderás a tua mão etc. Interporás a tua ajuda entre mim e eles, e me salvarás incólume; como os poetas fingem que seus deuses faziam por aqueles a quem favoreciam. Ferirás com a mão esquerda, e salvarás com a direita; assim o entende Trêmelio. — John Trapp.
Versículo 8Salmo 138:8
O Senhor aperfeiçoará etc. A obra de Deus é perfeita, a do homem é tosca e incompleta. Deus não para até ter terminado. Quando descansa, é porque, olhando para a sua obra, a vê toda "muito boa". O seu sábado é o sábado de um propósito realizado, de um conselho cumprido. Os palácios que nós construímos sempre se parecem com aquele da história, em que uma janela permanece escura e sem joias, enquanto as demais resplandecem em beleza. Mas quando Deus constrói, ninguém pode dizer: "ele não foi capaz de terminar." No seu grande palácio ele faz as suas "janelas de ágatas", e todas as suas "fronteiras de pedras preciosas".
Suponho que, se o sonho medieval algum dia se realizasse, e um alquimista conseguisse transformar um grão de chumbo em ouro, ele poderia, com tempo e com bastantes cadinhos e fornos, transformar todo o chumbo do mundo. O primeiro passo é toda a dificuldade, e se você e eu fomos transformados de inimigos em filhos, e teve acesa em nosso coração uma só centelha de amor a Deus, isso é uma mudança mais poderosa do que qualquer outra que ainda reste para nos tornar perfeitos. Um grão foi transformado; a massa toda o será em tempo devido. — Alexander Maclaren, sermão em "Wesleyan Methodist Magazine," 1879.
Não abandones as obras das tuas mãos. Quando estamos sob aflições que ameaçam nos arruinar, é oportuno dizer ao Senhor que foi ele quem nos fez. Davi fortalece a oração com este argumento: "não abandones as obras das tuas mãos." Todos os homens amam as suas próprias obras, muitos as idolatram: pensaremos nós que Deus abandonará as suas? Vejam como o povo de Deus argumenta com Deus na maior aflição (Isaías 64:8): "Mas agora, ó Senhor, tu és nosso pai; nós somos o barro, e tu o nosso oleiro; e todos nós somos obra da tua mão. Não te agastes tão sobremaneira, ó Senhor." — Joseph Caryl.
Não abandones as obras das tuas mãos. Olha para as feridas das tuas mãos, e não abandones as obras das tuas mãos, orava a rainha Isabel. E a oração habitual de Lutero era: Confirma, ó Deus, em nós o que operaste, e aperfeiçoa a obra que começaste em nós, para tua glória. Assim seja. — John Trapp.
Não abandones as obras das tuas mãos. Vê em mim a tua obra, não a minha: pois a minha, se a vês, condenas; a tua, se a vês, coroas. Pois quaisquer boas obras que existam em mim, de ti me vêm; e por isso são mais tuas do que minhas. Pois ouço do teu apóstolo: "Pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus" (Efésios 2:8-10). — Agostinho.
As tuas próprias mãos. As suas mãos criadoras formaram nossas almas no princípio; suas mãos trespassadas pelos cravos as redimiram no Calvário; suas mãos glorificadas segurarão firmes as nossas almas e nunca as deixarão ir. Às suas mãos entreguemos os nossos espíritos, certos de que, ainda que as obras das nossas mãos tenham anulado as obras das suas mãos, as suas mãos tornarão a aperfeiçoar tudo o que as nossas mãos desfizeram. — J. W. Burgon.