Notas explicativas e citações: Salmo 148
Citações de puritanos, reformadores e outros comentaristas sobre o Salmo 148, reunidas por Charles Spurgeon.
Leia o Salmo 148 na íntegra no Midvash, na King James Fiel
Salmo inteiro (148:1 a 150:6). Os três últimos Salmos formam uma tríade de louvor maravilhoso, subindo de louvor a louvor mais alto até se tornar "alegria inefável e cheia de glória" — exultação que não conhece limites. A alegria transborda da alma e se espalha por todo o universo; cada criatura é atraída por ela e arrastada para o coro. O céu está cheio de louvor, a terra está cheia de louvor, louvores sobem de debaixo da terra, "tudo o que tem fôlego" se une ao arrebatamento. Deus está cercado por uma criação amorosa e louvadora. O homem, o último na criação, mas o primeiro no cântico, não sabe como se conter. Ele dança, ele canta, ele ordena a todos os céus, com todos os seus anjos, que o ajudem; "feras e todo o gado, répteis e aves que voam" devem fazer o mesmo, até os "monstros marinhos" não podem ficar em silêncio, e "todos os abismos" devem oferecer sua contribuição. Ele põe a serviço de sua causa até as coisas inertes: tamborins, trombetas, harpas, órgãos, címbalos, címbalos ressoantes — se por algum meio, e por todos os meios, puder dar voz ao seu amor e à sua alegria. — John Pulsford.
Salmo inteiro. Neste esplêndido hino, o salmista convoca toda a criação, em suas duas grandes divisões (segundo a concepção hebraica) de céu e terra, a louvar a Jeová: coisas com vida e coisas sem vida, seres racionais e irracionais são chamados a unir-se ao grande coro. Este Salmo é a expressão da mais elevada devoção, e abrange ao mesmo tempo a visão mais abrangente da relação entre a criatura e o Criador. Se é exclusivamente a expressão de um coração pleno do pensamento da majestade infinita de Deus, ou se é também uma antecipação, um prenúncio profético da glória final da criação, quando, na manifestação dos filhos de Deus, a própria criação também será liberta da escravidão da corrupção (Romanos 8:18-23), e a homenagem do louvor será de fato prestada por todas as coisas que estão no céu, na terra e debaixo da terra — é uma questão em que não precisamos entrar. — J. J. Stewart Perowne.
Salmo inteiro. Milton, em seu Paradise Lost (Livro 5, linha 153 e seguintes), imitou com elegância este Salmo e o pôs na boca de Adão e Eva como o hino matinal deles no estado de inocência. — James Anderson.
Salmo inteiro. Será que este louvor universal nunca se realizará? Será apenas o desejo intenso e anelante do coração do salmista, que jamais será ouvido na terra, e só pode se cumprir no céu? Não haverá jubileu algum em que os montes e os outeiros irrompam em cântico, e todas as árvores do campo batam palmas? Se não há de haver tal dia, então a palavra de Deus é nula; se nenhum hino tão universal há de engrossar o coro do céu e ser ecoado por tudo o que há na terra, então a promessa de Deus é vã. É verdade que, nesta tradução, o texto nos é apresentado como um chamado ou convocação para que tudo o que tem ou não tem fôlego louve o Senhor — ou como uma súplica para que louvem; mas na realidade é uma predição de que louvarão. Este Salmo não é nem mais nem menos que uma gloriosa profecia daquele dia vindouro, quando não só o conhecimento do Senhor se espalhará por toda a terra, como as águas cobrem o mar, mas de todo objeto criado no céu e na terra, animado e inanimado, desde o mais alto arcanjo, por todo grau e estado de existência, até o menor átomo — rapazes e moças, velhos e crianças, e todos os reis e príncipes e juízes da terra se unirão a este hino milenar em louvor do Redentor. — Barton Bouchier.
Versículo 1Salmo 148:1
Louvai ao Senhor, etc. Todas as coisas louvam, e ainda assim ele diz: "Louvai." Por que ele diz "Louvai" quando elas já estão louvando? Porque ele se compraz no louvor delas, e por isso lhe apraz acrescentar, por assim dizer, o seu próprio incentivo. Assim como, quando você chega a homens que fazem com prazer algum bom trabalho na vinha, ou na colheita, ou em algum outro afazer da lavoura, você se alegra com o que eles fazem e diz: "Continuem", "Vão em frente" — não que eles precisem começar a trabalhar quando você diz isso, mas, porque você se alegra ao encontrá-los trabalhando, você acrescenta a sua aprovação e o seu incentivo. Pois, ao dizer "Continuem" e ao incentivar os que trabalham, você, por assim dizer, trabalha com eles em desejo. Foi nesse tipo de incentivo, então, que o salmista, cheio do Espírito Santo, disse isto. — Agostinho.
O tríplice "Louvai... Louvai... Louvai" deste primeiro versículo não é apenas imperativo, nem só exortativo, mas é um aleluia exultante. — Martin Geier.
Desde os céus: louvai-o nas alturas. Ou, lugares elevados. Assim como Deus, ao formar o mundo, começou de cima e foi obrando para baixo, também o salmista prossegue, nesta sua exortação, chamando todas as criaturas a louvar ao Senhor. — John Trapp.
Louvai-o nas alturas. O princípio aplicado neste versículo é este: os que foram elevados às mais altas honras do universo criado devem, proporcionalmente, superar todos na sua homenagem de honra àquele que os elevou. — Hermann Venema.
Bernardo, em seu sermão sobre a morte de seu irmão Gerardo, relata que, no meio da última noite deste na terra, seu irmão, para o espanto de todos os presentes, com voz e semblante de exultação, irrompeu nas palavras do salmista: "Louvai o Senhor do céu, louvai-o nas alturas!"
Versículo 2Salmo 148:2
Louvai-o, todos os seus anjos. Os anjos são invocados primeiro, porque podem louvar a Deus com humildade, reverência e pureza. Os mais altos são os mais humildes; os líderes de todas as hostes criadas são os mais prontos a obedecer eles mesmos. — Thomas Le Blanc.
Louvai-o, todos os seus anjos. Os anjos de Deus foram as suas primeiras criaturas; chegou-se até a pensar que existiram antes do universo inanimado. Já louvavam o seu Criador antes da luz do dia, e nunca cessaram o seu santo cântico. Os anjos louvam a Deus melhor no seu serviço santo. Louvaram a Cristo como Deus quando cantaram o seu Glória in Excelsis na Encarnação, e o louvaram como homem quando o serviram depois da tentação e antes da crucificação. Assim também agora os anjos louvam ao Senhor pela sua prontidão em servir aos seus santos. — John Lorinus.
Louvai-o, todos os seus exércitos. Isto é, as suas criaturas (especialmente as de cima, que são como a sua cavalaria) chamadas os seus "exércitos", por causa de:
seu número;
sua ordem;
sua obediência. — John Trapp.
Versículo 3Salmo 148:3
Louvai-o, sol e lua, etc. De que modo o sol louva Jeová de forma especial?
Pela sua beleza. Jesus, filho de Sirá, o chama de "globo de beleza".
Pela sua plenitude. Dião o chama de "a imagem da capacidade divina".
Pela sua exaltação. Plínio o chama de caeli rector, "o regente do céu".
Pelo seu brilho perfeito. Plínio acrescenta que ele é "a mente e a alma de todo o universo".
Pela velocidade e constância do seu movimento. Marciano o chama de "o Guia da Natureza".
O Deus Supremo era retratado pelos antigos segurando na mão uma grinalda de estrelas, para mostrar a dupla ideia de que elas o obedecem e o adornam. — Thomas Le Blanc.
Versículos 3–4Salmo 148:3-4
Que o sol, fonte de luz, de calor e de alegria, o maior luzeiro que rege o dia, o emblema visível da Sabedoria Incriada, a Luz que ilumina todo homem, o centro em torno do qual sempre gravitam as nossas esperanças e temores, as nossas carências e orações, a nossa fé e o nosso amor — que a lua, o menor luzeiro que rege a noite, a figura da Igreja, que dá ao mundo a luz que recebe do Sol da Justiça — que as estrelas, tão vastas em número, tão belas em sua disposição e em seu brilho, que Deus estabeleceu nos céus, assim como estabeleceu os seus eleitos para brilharem para todo o sempre — que todos os céus, com todas as suas maravilhas e os seus mundos, as profundezas do espaço acima, e as águas que estão sobre o firmamento, imagens das Sagradas Escrituras de Deus e das glórias e mistérios nelas contidos — que todos estes louvem para sempre aquele que os fez e os abençoou no princípio da criação. — J. W. Burgon.
Louva-o, tu, sol de cabeleira dourada;
Louva-o, tu, lua bela e prateada,
E vós, brilhantes astros de luz corrente;
Vós, correntezas que boiais sobre os céus,
Vós, céus, que em abóbadas sobre abóbadas subis,
Louvai-o, a quem se assenta acima de toda altura.
— Richard Mant.
Versículo 4Salmo 148:4
Louvai-o, céus dos céus, etc. Dos habitantes celestiais, o cântico poético passa em transição para os próprios céus. Há ordens de céus, categorias e alturas supremas, e estágios e graus de altitude menor. Este versículo atravessa, de modo sublime, as imensidões que são a morada das dignidades mais exaltadas que servem à Divindade, e depois desce ao firmamento onde brilham os meteoros, e onde os céus se abaixam para erguer as nuvens que aspiram a subir da terra. E a ideia sustentada é que todos esses vastos domínios, mais altos e mais baixos, são um único templo de louvor incessante. — Hermann Venema.
Os antigos pensavam que havia um oceano etéreo e elevado no qual os mundos flutuavam como navios no mar. — Thomas Le Blanc.
Versículos 5–6Salmo 148:5-6
Este é o relato da criação numa palavra — Ele falou; foi feito. Quando Jesus veio, mostrou a sua Divindade em toda parte por esta evidência: a sua palavra era onipotente. Estes versículos declaram dois milagres da vontade e da palavra de Deus, a saber, a criação e a consolidação da terra. Jeová primeiro produziu a matéria, depois a ordenou e a estabeleceu. — John Lorinus.
Versículo 6Salmo 148:6
Ele os estabeleceu também para todo o sempre, etc. Aqui nos são apresentadas duas coisas: a permanência e a ordem cósmica da criação. Cada coisa criada não só é formada para durar, no tipo ou no desenvolvimento, quando não no indivíduo, mas tem o seu lugar no universo fixado pelo decreto de Deus, para que cumpra a parte que lhe cabe na execução da sua vontade. Levanta-se a questão de como as palavras "para todo o sempre" podem se conciliar com a profecia de Isaías 65:17: "Eis que crio novos céus e nova terra; e não haverá memória das coisas passadas, nem mais se lembrarão delas"; profecia confirmada pelo próprio Senhor, ao dizer "Passará o céu e a terra", e vista cumprida em visão pelo discípulo amado (Mateus 5:18; Apocalipse 21:1). E respondem que, assim como o homem morre e ressuscita para a incorruptibilidade, mantendo a mesma identidade num corpo glorificado, assim será com o céu e a terra. As suas qualidades mudarão, não a sua identidade, nesse novo nascimento de todas as coisas. — Neale e Littledale.
Para todo o sempre.
Meu coração se enche de reverência quando penso
no grande milagre que ainda prossegue,
em silêncio, ao meu redor — a obra perpétua
da tua criação, acabada, e no entanto renovada,
para sempre.
— William Cullen Bryant, 1794–1878.
Ele fez um decreto, etc. Antes: Ele fez uma ordenança, e não a transgredirá. Isto é mais óbvio e natural do que suprir um novo sujeito para o segundo verbo, "e nenhuma delas a transgride". Isto antecipa, mas só na forma, a doutrina científica moderna da inviolabilidade da ordem natural. É a fidelidade imperecível de Deus que torna a lei invariável. — A. S. Aglen.
Versículo 7Salmo 148:7
Monstros marinhos. A palavra tanninim, traduzida por "monstros marinhos", pode designar baleias, tubarões, serpentes, ou monstros do mar de qualquer espécie (Jó 7:1; Ezequiel 29:3). — John Morison.
Monstros do mar», na Versão Revisada. Os peixes obrigam a nossa admiração, como maravilha da criação, pela perfeição de sua forma, pela sua grandeza, pela sua adaptação ao elemento que habitam e pela sua multidão. Assim, a sua própria natureza louva o Criador. — Thomas Le Blanc.
Versículos 7–8Salmo 148:7-8
Ele convoca os abismos, o fogo, o granizo, a neve, os montes e os outeiros, para tomarem parte nesta obra de louvor. Não que sejam capazes de fazê-lo ativamente, mas para mostrar que o homem deve convocar toda a criação para ajudá-lo passivamente, e deve ter tanta caridade para com todas as criaturas a ponto de receber o que elas oferecem, e tanto afeto por Deus a ponto de apresentar-lhe o que dele recebe. A neve e o granizo não podem bendizer e louvar a Deus, mas o homem deve bendizer a Deus por essas coisas, nas quais há uma mistura de transtorno e incômodo, algo que perturba os nossos sentidos, e ao mesmo tempo algo que fertiliza a terra para dar fruto. — Stephen Charnock.
Versículos 7–10Salmo 148:7-10
Há aqui muitas coisas fáceis de entender, claras a qualquer olho; como quando Davi exorta "reis" e "príncipes", "velhos" e "crianças" a louvar a Deus; isso é fácil de fazer, e conhecemos o sentido assim que olhamos para ele; mas há aqui também coisas difíceis de entender, obscuras e escuras, e são duas:
Primeiro, o fato de Davi exortar criaturas mudas, irracionais e sem sentido a louvar a Deus, criaturas que não podem ouvir, ou ao menos não podem entender. Será que o Espírito Santo, no evangelho, nos manda evitar discursos impertinentes e vãs repetições, e depois ele mesmo os usaria? Não, não. Mas,
Segundo, ele não só convoca essas criaturas, mas também convoca os abismos e os mares a louvar a Deus; estas duas coisas são difíceis de conceber. Mas vamos apresentar algumas razões.
A primeira razão pode ser esta, por que Davi convoca as criaturas irracionais a cumprir este dever: ele faz o seu dever como um pregador fiel, ouçam ou não aqueles a quem prega, e ainda assim descarregará a sua alma: um verdadeiro pregador anuncia a verdade e chama os ouvintes a escutar, ainda que a sua audiência durma, seja indiferente e não dê atenção. Assim também faz Davi, neste sentido, com estas criaturas: ele cumpre o seu dever e as convoca a cumpri-lo, embora elas não compreendam, embora não o entendam. E faz isso também para mostrar o seu desejo veemente de que todas as criaturas louvem a Deus.
A segunda razão pode ser esta: ele o faz de modo astuto, por uma espécie de estratégia, para incitar os outros a cumprir este dever, de modo que, se criaturas como essas devem fazê-lo, então aqueles que estão acima delas em grau têm razão maior ainda, e podem se envergonhar de negligenciá-lo; como um mestre mal-governado que, embora fique em casa, ainda assim manda os seus servos à igreja: assim Davi, consciente da própria negligência, mesmo assim convoca os outros a não serem frouxos e negligentes; embora ele mesmo fique infinitamente aquém do que deveria fazer, mostra o seu próprio desejo de que todas as criaturas cumpram este dever.
Mas, se estas razões não vos satisfazem, embora tenham satisfeito a muitos outros, uma terceira razão pode ser esta: expor a doce harmonia que existe entre todas as criaturas de Deus; mostrar como todas as criaturas, sendo família de Deus, falam e pregam em uníssono o louvor de Deus; e por isso ele convoca alguns acima dele, alguns abaixo dele, dos dois lados, em toda parte, a proclamar o louvor de Deus; pois cada um, no seu lugar, no seu grau e no seu chamado, manifesta, ainda que de modo mudo, o louvor do seu Criador.
Ou, em quarto e último lugar, o que julgo ser uma boa razão: o zelo faz os homens dizer e proferir coisas impossíveis; o fogo do zelo o arrebatará de tal modo que o fará dizer coisas descabidas, impossíveis, como Moisés, no seu zelo, pediu a Deus, pela salvação de Israel, "que apagasse o seu nome do seu livro"; e Paulo desejou ser "anátema", maldito ou separado de Cristo, pela salvação de seus irmãos, o que era uma coisa impossível, não podia ser. — John Everard, em Some Gospel Treasures, 1653.
O boi e o jumento reconhecem o seu dono. Os ventos e o mar lhe obedecem. Parece que, assim como há uma religião acima do homem, a religião dos anjos, também pode haver uma religião abaixo do homem, a religião das criaturas mudas. Pois onde quer que haja um serviço a Deus, isso é, em essência, uma religião. Assim, conforme os diversos graus e diferenças de estado — o estado de natureza, de graça e de glória — a religião pode igualmente admitir graus. — G. G., em um sermão intitulado "The Creatures Praysing God", 1662.
Versículo 8Salmo 148:8
Este versículo dispõe, em ordem impressionante, três elementos sempre cheios de movimento e potência — ignea, aquea, aërea: fogo (ou calórico), água (ou vapor), e ar (ou vento). O primeiro inclui meteoros, relâmpagos e trovões; o segundo, neve, geada, orvalho, névoa e chuva; o terceiro, brisas, tempestades e furacões. — Hermann Venema.
Fogo e granizo. Estes se contrastam um ao outro. Neve e névoa. A névoa é o vapor levantado pelo calor do sol, e por isso adequadamente contrastada com a neve, que é efeito do frio. "Vento tempestuoso" (Salmos 107:25), que acompanha as mudanças de temperatura no ar. — James G. Murphy.
Neve. Tão certo quanto cada floco de neve que cai no inverno tem sua parte na grande economia da natureza, tão certo é que cada palavra de Deus que cai no santuário tem o seu fim a cumprir na esfera moral. Já estive parado num dia de inverno e vi os flocos diminutos, em pequenas nuvens, se perderem um a um no rio caudaloso. Pareciam morrer sem propósito algum — serem tragados por um inimigo que ignorava tanto o seu poder quanto a sua existência. E assim já vi a palavra de Deus cair sobre corações humanos. Enviada por Deus, dia após dia e ano após ano, já a vi caindo aparentemente sem resultado algum na corrente furiosa da incredulidade — na correnteza ainda mais violenta da mundanidade que varria as mentes e as vidas dos ouvintes. Mas, enquanto eu estava parado na margem do rio e olhava para o que parecia ser a morte do pequeno cristal trêmulo, um segundo pensamento me assegurou de que aquilo era apenas morte para a vida, e que cada florzinha de gelo que se dissolvia nas águas correntes se tornava parte integrante do ser do rio.
Assim, quando vi a palavra de Deus cair aparentemente sem fruto na corrente inquieta, fervilhante e impetuosa da vida humana, uma fé restaurada na declaração imutável de Deus me assegurou de que o que eu via não era uma morte casual ou vã, mas antes a queda do soldado, depois de haver incorporado a força da sua vida ao destino de uma nação e à história de um mundo. E assim será sempre. A palavra de Deus sempre alcança o seu fim. — S. S. Mitchell, num sermão intitulado "The Coming of the Snow and the Coming of the Word", 1884.
O vento tempestuoso é o mensageiro veloz de Deus (Salmos 147:15). O furacão cumpre a ordem divina. Veja Mateus 8:27: "Até os ventos e o mar lhe obedecem." O "vento" é ministro do juízo. Veja Ezequiel 13:13. As palavras deste versículo têm uso especial, pois os homens são extremamente propensos a atribuir a violência das tempestades ao acaso cego. — Martin Geier.
O homem de conhecimento pela metade tende a rir da fé simples do camponês ou do selvagem, que nos diz que a chuva vem de Deus. O primeiro, ao que parece, descobriu que ela é produto de certas leis do ar, da água e da eletricidade. Mas na verdade o camponês é o mais esclarecido dos dois, pois descobriu a causa principal, o verdadeiro Autor, enquanto o outro encontrou apenas a causa segunda, o mero instrumento. É como se um amigo nos enviasse um presente de fatura engenhosa e bela, e, bem quando a nossa gratidão começava a se elevar até o doador, alguns espectadores tentassem esfriar tudo, dizendo-nos que o presente é produto de certo maquinário que ele viu. — James MacCosh, 1811.
Versículo 9Salmo 148:9
Montes, e todos os outeiros, etc. A diversidade da face da terra, com partes mais altas e mais baixas, com montes, outeiros e vales, e o adorno de sua face com árvores de espécies variadas, contribuem muito para o louvor de Deus. — David Dickson.
Montes, e todos os outeiros. Que vozes têm os outeiros! Quão solenes são os sons dos montes, vindos de suas solidões sublimes! Os montes trovejam, e os outeiros ecoam; mas falam de paz e enviam fartura aos vales em riachos correntes. — Thomas Le Blanc.
Árvores frutíferas, e todos os cedros. O louvor de Deus está nas vozes sussurrantes das árvores. Elas cumprem o seu propósito ao dar fruto para refrescar, e abrigo e sombra como refúgio, e o seu murmúrio é a cadência suave que canta misericórdia e graça. Na Índia, os antigos relatavam que as árvores eram adoradas como divinas, e a morte era a pena imposta a quem as derrubasse. Na mitologia clássica, os bosques eram morada dos deuses. Jeová decretou que uma arca de salvação para o homem, e também um templo para si mesmo, fossem construídos de madeira. Assim, mais que qualquer outra coisa criada, as árvores da floresta têm redundado em sua glória. — Le Blanc.
Árvores frutíferas. Antes, árvores de fruto; a árvore frutífera representando uma divisão do mundo vegetal, plantada e cultivada pelo homem; os "cedros", a outra divisão, que são (Salmos 104:16) da própria plantação de Deus. Assim, no versículo 10, temos animais selvagens e animais domesticados. — A. S. Aglen.
Árvores.
Todas as criaturas do Deus eterno, salvo o homem,
de vários modos glorificam o seu nome;
cada árvore parece ter dez mil línguas
com que louvar o Senhor onipotente;
cada folha que ondula ao sopro suave do vento
parece ser uma língua a falar com esse intento,
numa linguagem admiravelmente excelente.
As várias espécies de flores perfumadas parecem
diversos discursos a glorificar a Deus,
e podemos considerá-las os mais doces volumes;
pois todas estas criaturas, cada uma a seu modo,
louvam a Deus, e ao homem exortam a fazer o mesmo.
— Peter Pett, 1599.
Todos os cedros. Bela, de fato, é a floresta de pinheiros em todas as estações: na frescura da primavera, quando os galhos nodosos são penetrados e amolecidos pelo vento suave e pelo sol quente, e, vibrando de vida nova, rompem em franjas e borlas do verde mais rico, e cones do púrpura mais tenro; bela no verão abrasador, quando, entre suas sombras frescas e escuras, as horas quentes do dia inteiro entoam vésperas, enquanto a paisagem aberta palpita no calor causticante; bela na tristeza do outono, quando o seu verdor inalterável se destaca com relevo marcante em meio às cenas mutáveis, que não têm simpatia alguma por nada terreno senão a tristeza e a decadência, e dirige os pensamentos à imperecibilidade do Paraíso celestial; belíssima no fundo do inverno, quando as fileiras de galhos se cobrem de grinaldas puras e imaculadas de neve, esculpidas pelo vento em curvas de graça requintada.
É bela na calmaria, quando as copas das árvores mal sussurram entre si, e o gorjeio da carriça dourada soa alto no silêncio expectante; é mais que bela na tempestade, quando os dedos selvagens do vento tocam a mais pungente música nas grandes cordas da sua harpa, e o seu diapasão pleno é sublime como o rugido do oceano numa costa cercada de rochas. Não me admiro de que a imaginação nórdica, em tempos pagãos, a tenha revestido de temor e reverência como o refúgio favorito de Odin e Thor; nem de que, em tempos posteriores, suas longas fileiras de troncos, sumindo-se na perspectiva enevoada, tenham fornecido os modelos para as naves dos templos cristãos, e o pôr do sol, ardendo entre seus galhos entrelaçados, tenha sugerido o vitral pintado e suntuoso da catedral.
Parece um lugar feito para o culto; todos os seus sentimentos e associações parecem ter um caráter sagrado e solene. A natureza, de mãos postas, como diz Longfellow, parece ajoelhada ali em oração. Ela certamente nos lembra, de várias maneiras, o poder, a sabedoria e a bondade daquele que assim falou pela boca do seu profeta: "Plantarei no deserto o cedro, a acácia, a murta e a oliveira; porei no ermo a faia, o olmeiro e o buxo juntamente: para que vejam, e saibam, e considerem, e juntamente entendam que a mão do Senhor fez isto, e que o Santo de Israel o criou." — Hugh Macmillan, em Bible Teachings in Nature, 1867.
Versículo 10Salmo 148:10
Répteis. No culto público, todos devem se unir. As cordas pequenas também compõem o concerto, tanto quanto as grandes. — Thomas Goodwin.
Aves que voam. Assim o ar se torna vocal. Ele tem o seu próprio aleluia. As "aves que voam" o louvam; seja "a cegonha, que conhece os seus tempos determinados" (Jeremias 8:7), seja "o pardal, solitário sobre o telhado" (Salmos 102:7), seja "o corvo do vale" (Provérbios 30:17), seja a águia "que desperta o seu ninho, e esvoaça sobre os seus filhos" (Deuteronômio 32:11), seja a rola que faz ouvir a sua voz na terra (Cânticos 2:12), seja a pomba que voa rumo ao deserto (Salmos 55:6). Esta é a harpa da criação — mais fiel e mais doce que a de Mêmnon —, que cada amanhecer desperta, "transformando todo o ar em música". — Horatius Bonar, em Earth's Morning; or, Thoughts on Genesis, 1875.
Versículo 11Salmo 148:11
Reis da terra, e todos os povos; príncipes. Como reis e príncipes são cegados pelo esplendor ofuscante da sua posição, a ponto de pensarem que o mundo foi feito para eles, e de desprezarem a Deus no orgulho de seus corações, ele os convoca de modo particular a este dever; e, ao mencioná-los primeiro, repreende a sua ingratidão por reterem o seu tributo de louvor quando estão sob obrigações maiores que as dos outros. Como todos os homens estão originalmente em pé de igualdade quanto à condição, quanto mais elevadas se tornaram certas pessoas, e quanto mais próximas foram trazidas de Deus, mais sagradamente estão obrigadas a proclamar a sua bondade. É mais intolerável ainda a maldade de reis e príncipes que reivindicam isenção da regra comum, quando deveriam, antes, inculcá-la nos outros e liderar pelo exemplo. Poderia ter dirigido a sua exortação de imediato, de modo sumário, a todos os homens, como de fato menciona o povo em termos gerais; mas, ao especificar três vezes os príncipes, sugere que eles são lentos para cumprir este dever, e precisam ser instados a fazê-lo. — João Calvino.
"Reis da terra"; "juízes da terra" — estes não são títulos de orgulho, mas de humilhação; pois reis terrenos e juízes terrenos não serão reis e juízes por muito tempo.
Versículo 12Salmo 148:12
Rapazes, e também moças; velhos, e crianças. As partes são mencionadas em pares, ligadas duas a duas. "Rapazes e moças; velhos e crianças." E aqui há uma dupla advertência: primeiro, contra a presunção; segundo, contra o desespero. Primeiro, para que os mais jovens desejem louvar a Deus, são exortados a se dedicarem ao serviço de Deus, a se lembrarem do seu Criador nos dias da sua juventude. Segundo, para que os homens de idade não duvidem da aceitação do seu serviço, o nosso Profeta os exorta também.
Quanto ao primeiro ponto, sabeis que Davi convoca o sol e a lua a louvar a Deus. E se o sol respondesse: não o farei de manhã, nem ao meio-dia, mas só quando estiver para se pôr? Ou se a lua respondesse: não o farei na lua cheia, mas só no minguante? Ou a árvore: não na primavera, nem no verão, mas na queda das folhas? Assim também tu, jovem, não adies a hora de louvar a Deus: aproveita o vigor da tua juventude, e não deixes para te dedicar ao serviço de Deus só na velhice; mas lembra-te de que, por todas essas coisas, virás a juízo.
Aquele que se intitula pelo nome EU SOU não se importa com "eu serei", nem com "eu fui", mas com aquele que é neste presente momento: cuidado, portanto, jovem forte e vigoroso; o diabo que agora te segura amarrará em ti, a cada dia, uma nova corda. Considera isto, vós que ainda sois jovens, a quem o sol da manhã adorna com os seus raios gloriosos: nem todos vivem até a velhice.
Não procrastinemos no serviço de Deus; pois quanto mais adiamos servir a Deus, mais distante fica de nós a sua graça, e mais se fortalece em nossos corações o domínio de Satanás; quanto mais demoramos, maior é a nossa dívida, maior o nosso pecado, e menor a nossa graça. Recomendo esta lição a todos. Aquele que não se arrepende hoje tem mais um dia para se arrepender e menos um dia em que se arrepender.
Concluirei com uma exortação sincera a todos nós, seja qual for o nosso sexo, idade ou condição: eu gostaria que todas as nossas vidas terminassem como este livro dos Salmos, em bênção e louvor ao Deus Todo-Poderoso. — Thomas Cheshire, em "A Sermon preached, in Saint Paule's Church", 1641.
Velhos. Não penseis, vós que agora estais perto do fim da vida, que as vossas línguas possam, sem culpa, calar-se nos louvores do Senhor, porque chegastes àqueles anos em que os homens dizem que "não têm neles prazer algum". Não estáveis frequentemente louvando a Deus quando éreis crianças e jovens? Tendes hoje menos razão — ou não tendes razão ainda maior — para louvar a Deus do que naqueles primeiros dias da vida? Os velhos deveriam estar mais bem preparados que os jovens para manifestar a glória tanto das perfeições quanto das obras de Deus, pois desfrutaram de mais tempo e de oportunidades mais abundantes que os mais novos para alcançar o conhecimento de Deus, e daquelas gloriosas perfeições e obras que nos fornecem material inesgotável para o louvor.
"Os dias falariam, e a multidão de anos ensinaria sabedoria." Os céus declaram constantemente "a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra das suas mãos. Um dia emite discurso a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite." Tendes, então, vivido vinte mil dias e vinte mil noites? Que impressões profundas deveriam se gravar em vosso espírito, daquelas maravilhas que foram pregadas aos vossos ouvidos ou aos vossos olhos, desde que pudestes usar os sentidos do corpo como servos das vossas faculdades intelectuais! Todas as obras de Deus o louvam, ao manifestar quão maravilhoso em poder, em bondade e em sabedoria é o Criador.
As vossas línguas são, de fato, indesculpáveis, se ficam caladas nos louvores daquele cuja glória é proclamada por todo objeto acima ou ao redor delas, e até por cada membro do próprio corpo, e cada faculdade da própria alma. Mas os velhos são duplamente indesculpáveis, se ficam indiferentes àquelas preciosas instruções que lhes são dadas por todas as obras de Deus que viram, ou de que foram informados, todos os dias desde que as faculdades da sua natureza racional começaram a operar.
Mas os velhos, nesta terra tão favorecida, foram abençoados com instruções ainda mais excelentes do que aquelas que lhes dão os montes e os vales frutíferos, os monstros marinhos do deserto ou do abismo, ou as aves do céu, e as feras da terra, ou o sol e as estrelas do céu. Por muitos anos mais que os jovens ou as moças, fostes aprendizes — ou sois muito culpáveis se não estivestes na escola de Cristo. Fostes ensinados cedo a ler a Palavra de Deus. No decorrer de cinquenta ou sessenta anos, provavelmente ouvistes seis mil discursos religiosos dos ministros de Cristo, sem falar de outros meios excelentes que desfrutastes para crescer no conhecimento de Deus.
"Pois pelo tempo", diz Paulo aos cristãos hebreus, "já devíeis ser mestres." Não poderei dizer o mesmo a todos os cristãos idosos que tiveram a Bíblia em suas mãos, e desfrutaram de oportunidades de frequentar as santas assembleias desde os primeiros dias de vida? Não se pode esperar que os vossos corações e as vossas bocas se encham dos louvores de Deus, não só como vosso Criador, mas como vosso Redentor? Mas há muitas outras coisas, referentes de modo mais particular a vós mesmos, que deveriam levar os idosos a abundar neste dever de louvor a Deus.
Considerai quanto tempo já vivestes. Não é cada dia de vida, e até cada hora, e cada momento, uma misericórdia imerecida? Poderíeis ter sido cortados do peito e do ventre, pois fostes concebidos em iniquidade e nascidos em pecado. Quantos da vossa raça foram cortados antes de poderem distinguir a mão direita da esquerda, antes de poderem fazer o bem ou o mal! Desde que vos tornastes agentes morais, não passou um dia em que não fôsseis responsáveis por muitos pecados. Que riquezas de longanimidade se manifestam numa vida de sessenta ou setenta anos! Se vivestes em estado de pecado todo esse tempo, não tendes razão para vos espantar de que já não estejais numa condição que tornaria impossível, para sempre, proferir a voz do louvor? Dai, portanto, glória a esse Deus que ainda vos preservou vivos.
Considerai de que misericórdias os vossos dias têm sido cheios. As misericórdias de Deus renovaram-se para vós a cada manhã, ainda que todo dia pecásseis contra ele. Refletir sobre a vossa própria conduta ao longo da vida vos sugerirá muitas razões para louvor e ação de graças. Mas, nesta parte do assunto, convém lembrar-vos das duas grandes classes em que os homens se dividem: santos e pecadores. Se pertenceis à primeira classe, quem foi que vos fez diferentes dos outros? Dai graças a quem vos livrou do poder das trevas e vos transferiu para o reino do seu Filho amado.
Fostes capacitados a fazer algumas boas obras no decurso da vossa vida? Por cada uma delas, bendizei a Deus, que operou "em vós tanto o querer quanto o efetuar, segundo a sua boa vontade". Algum dos vossos esforços foi bem-sucedido para promover a conversão de algum semelhante, ou para favorecer o seu bem-estar espiritual? Que agradecimentos suficientes podeis prestar a Deus por vos ter feito humildes ministros da sua graça?
Mas há também muitos idosos que não têm razão para pensar que já passaram da morte para a vida. Estes, certamente, são muito impróprios para louvar a Deus, e não serão capazes de louvá-lo de coração, a menos que se opere neles aquela mudança sem a qual ninguém há de entrar no reino dos céus. Ainda assim, decerto, têm grande razão para louvar ao Senhor; e podem ver boa razão para isso, embora não consigam levar o seu conhecimento à prática. Tendes, de fato, razão maior para louvar a Deus por estardes na terra dos viventes do que aqueles que estão em melhor estado; porque, se fôsseis privados da vossa vida presente, nada vos restaria senão os terrores da morte eterna. Bendizei a Deus, vós que vivestes cinquenta ou sessenta anos em pecado, e fostes poupados todo esse tempo num mundo tão cheio de misericórdia. Ainda sois chamados pelo evangelho a receber aquela salvação que por tanto tempo tratastes com desprezo. — Resumido de um sermão de George Lawson (1749-1820), intitulado "The Duty of the Old to praise God".
Velhos e crianças. É sempre interessante ver uma amizade entre os velhos e os jovens. É notável ver o idoso conservar tanta frescura e simplicidade a ponto de não repelir as simpatias da meninice. É surpreendente ver o mais jovem tão adiantado e ponderado a ponto de não achar enfadonha a companhia de quem já superou o ardor e a paixão. — Frederick William Robertson.
Versículos 12–13Salmo 148:12-13
Os Salmos são cânticos da igreja, e todos os que pertencem à igreja devem cantá-los. Rapazes, e também moças; velhos, e crianças; louvem o nome do SENHOR. O crente maduro, que pode triunfar na esperança firme da glória de Deus, deve emprestar a sua voz para engrossar o cântico da igreja quando ela clama a Deus desde as profundezas; e o penitente, que ainda está sentado nas trevas, não deve reter a sua voz quando a igreja derrama, em cântico, o seu senso do amor de Deus. Toda a igreja tem comunhão nos Salmos. — William Binnie, em "The Psalms, their History, Teachings, and Use", 1870.
Velhos... louvem o nome do SENHOR. É uma especulação predileta minha que, se formos poupados até os sessenta anos, entramos então na sétima década da vida humana, e que esta, se possível, deveria se tornar o sábado da nossa peregrinação terrena, e ser vivida sabaticamente, como que às margens de um mundo eterno, ou nos átrios exteriores, por assim dizer, do templo que está no alto, o tabernáculo no céu. — Thomas Chalmers.
Versículo 13Salmo 148:13
Louvem. Exatamente como no encerramento da primeira grande divisão do hino (versículo 5), e, do mesmo modo que ali, a razão para a exortação vem na cláusula seguinte. Mas é uma razão diferente. Já não é porque ele lhes deu um decreto, prendendo-os como criaturas passivas e inconscientes por uma lei que não podem transgredir (é o temível mistério da vontade racional que ela pode transgredir a lei). É porque o seu nome é exaltado, de modo que os olhos dos homens podem vê-lo, e os corações e as línguas dos homens podem confessá-lo; é porque ele graciosamente se revelou, e poderosamente socorreu, ao povo que ama, à nação que lhe está próxima. Se se disser que aquilo que foi concebido como um Hino Universal fica, assim, restringido no seu encerramento, é preciso lembrar que, por mais amplamente que a glória de Deus estivesse escrita na criação visível, foi só ao judeu que se fez qualquer revelação direta do seu caráter. — J. J. Stewart Perowne.
O nome de Jeová. Jeová é um nome de grande poder e eficácia, um nome que contém cinco vogais, sem as quais nenhuma língua se pode exprimir; um nome que contém também três sílabas, para significar a Trindade das Pessoas, a eternidade de Deus, Um em Três, e Três em Um; um nome de tal temor e reverência entre os judeus que eles tremem ao pronunciá-lo, e por isso usam o nome Adonai (Senhor) em todas as suas devoções. E assim deve cada um permanecer em temor reverente, e não pecar tomando o nome de Deus em vão; mas cantar louvores, honrá-lo, lembrá-lo, declará-lo, exaltá-lo e bendizê-lo; pois santo e reverendo, só ele digno e excelente, é o seu nome. — Rayment, 1630.
Versículo 14Salmo 148:14
O seu povo, o louvor de todos os seus santos. Mas, entre todos, uma classe em particular é chamada a louvá-lo, pois tem um motivo adicional para isso, a saber, "o seu povo" e "os seus santos". Assim como o homem está acima de todas as criaturas, também, entre os homens, estão os seus eleitos ou escolhidos, que são os objetos da sua graça especial e, acima de tudo, do seu amor redentor. Ele também exalta o poder do seu povo — exalta-os, a todos, da morte do pecado para a vida da justiça, e, em consequência disso, do pó da terra para a glória do céu. "O louvor de todos os seus santos"; e, ainda mais, entre eles, de um povo em particular — "até os filhos de Israel, um povo que lhe está próximo". "Próximo dele" antigamente, e ainda há de sê-lo — sim, o mais próximo de todos os povos da terra — quando ele os chamar de volta da sua dispersão, e de novo colocar o seu nome e o seu trono entre eles. ALELUIA — LOUVAI AO SENHOR. — William De Burgh.
Um povo que lhe está próximo. Jesus tomou a nossa natureza e se fez um conosco; assim ele está "próximo" de nós; ele nos dá o seu Espírito Santo, nos traz para a união consigo mesmo, e assim ficamos próximos dele. Esta é a nossa maior honra, fonte inesgotável de felicidade e paz.
Estamos próximos dele em razão de parentesco, sendo seus filhos; próximos dele em razão de afeto, sendo amados com amor eterno; estamos próximos dele em razão de união, sendo membros do seu corpo, da sua carne e dos seus ossos; estamos próximos dele em razão de comunhão, andando com ele como um homem anda com o seu amigo; estamos próximos dele em razão de atenção, sendo objetos do seu cuidado terno, diário, a cada hora; em breve estaremos próximos dele em razão de localidade, quando a nossa morada estiver preparada, pois partiremos para estar com Cristo, o que é bem melhor.
Estamos próximos dele quando pobres, e quando profundamente provados; e, se em algum momento estamos mais próximos que em outro, será mais próximos dele na morte que estaremos. Se estamos próximos dele, ele se compadecerá de nós em todas as nossas tristezas, nos ajudará em todas as nossas provas, nos protegerá em todos os nossos perigos, manterá comunhão conosco em todas as nossas horas solitárias, proverá por nós em todos os tempos de necessidade, e nos apresentará com honra à glória. Vivamos esta realidade a cada dia — estamos próximos e somos caros ao nosso Deus. — James Smith.