Tesouros de Davi

Notas explicativas e citações: Salmo 28

Citações de puritanos, reformadores e outros comentaristas sobre o Salmo 28, reunidas por Charles Spurgeon.

Leia o Salmo 28 na íntegra no Midvash, na King James Fiel

Versículo 1Salmo 28:1

"A ti clamo." É da maior importância que tenhamos um objeto definido no qual fixar os nossos pensamentos. O homem, mesmo nos melhores momentos, tem pouco poder para conceber abstrações; e menos ainda no tempo da sua dor. Nessa hora ele está indefeso; nessa hora precisa de toda ajuda possível; e se a sua mente vagar no vazio, logo se cansará e afundará exausta.

Deus, em sua graça, cuidou para que isso não precisasse acontecer. Ele se manifestou ao homem em sua palavra de tal modo que o aflito pode fixar o olhar da sua mente nele, como o objeto definido da sua fé, da sua esperança e da sua oração. "Clama a mim, e responder-te-ei, e anunciar-te-ei coisas grandes e firmes, que não sabes." (Jeremias 33:3). Foi isso que o salmista fez; e a definição de Deus, como o objeto da sua confiança na oração, está muito claramente marcada.

E especialmente grande é o privilégio do cristão nesta matéria. Ele pode fixar o olhar em Jesus; sem grande esforço de imaginação, pode ver aquele Santo olhando para ele; ouvindo-o; sentindo por ele; preparando-se para responder-lhe.

Caro leitor, no tempo da sua tribulação, não vagueie; não lance os seus suspiros ao vazio; não deixe os seus pensamentos errarem, como se estivessem procurando alguém em quem se fixar; alguém a quem pudesse contar a história da necessidade e do desamparo do seu coração. Fixe o seu coração como fez o salmista, e diga: "A ti clamarei." ... Ah! Feliz é o homem que sente e sabe que, quando a tribulação vem, ele não pode ser confundido e desnorteado pelo golpe, por mais pesado que seja. Ele ficará entristecido, mas tem o seu recurso, e sabe disso, e dele se valerá. A sua não é uma vaga teoria da simpatia geral de Deus pelo homem; a sua é o conhecimento de Deus como um Deus pessoal e sensível; ele diz com o salmista: "A ti clamarei."

— Philip Bennett Power.

"Rocha minha." Certo dia, uma amiga visitou o Rev. William Evans, um piedoso ministro na Inglaterra, e perguntou como ele se sentia. "Sou a própria fraqueza", respondeu ele; "mas estou sobre a Rocha. Não experimento aqueles êxtases que alguns manifestam diante da morte, mas a minha dependência está na misericórdia de Deus em Cristo. Aqui começou a minha religião, e aqui deve terminar."

"Rocha minha." O Rev. John Rees, de Crownstreet, Soho, Londres, foi visitado em seu leito de morte pelo Rev. John Leifchild, que lhe perguntou com muita seriedade que descrevesse o estado da sua mente. Este apelo à honra da sua religião o despertou, e assim reanimou a sua lâmpada moribunda, que, erguendo-se na cama, olhou o amigo no rosto e, com grande deliberação, energia e dignidade, proferiu as seguintes palavras: — "Cristo em sua pessoa, Cristo no amor do seu coração, e Cristo no poder do seu braço, é a Rocha sobre a qual descanso; e agora" (reclinando a cabeça suavemente sobre o travesseiro), "Morte, fere!"

— K. Arvine.

"Não te emudeças para comigo." Observemos a seguir o que o coração deseja de Deus. É que ele fale. "Não te emudeças para comigo." Nessas circunstâncias, quando fazemos a nossa oração, desejamos que Deus nos faça saber que nos ouve, que se manifeste por nós, e diga que é o nosso Pai. E o que desejamos que Deus diga? Queremos que ele nos faça saber que nos ouve; queremos ouvi-lo falar tão claramente conosco quanto sentimos que falamos com ele.

Queremos saber, não só pela fé que fomos ouvidos, mas por Deus ter falado conosco sobre o próprio assunto acerca do qual falamos com ele. Quando sentimos essa segurança de que Deus nos ouviu, podemos, com a mais profunda confiança, deixar todo o assunto sobre o qual estivemos orando em suas mãos. Talvez a resposta não venha por muito tempo; talvez, enquanto isso, as coisas pareçam caminhar em sentido contrário; pode ser que não haja aparência direta alguma de Deus na cena; ainda assim, a fé se manterá firme e forte; e haverá conforto no coração, pela consciência de que Deus ouviu o nosso clamor sobre o assunto, e nos disse isso.

Diremos a nós mesmos: "Deus sabe de tudo isso; Deus, de fato, me disse isso; portanto, estou em paz." E que nos baste que Deus nos diga isso, quando talvez não nos diga mais nada; não busquemos induzi-lo a falar muito, quando é sua vontade falar pouco: a melhor resposta que podemos ter em certos momentos é simplesmente a declaração de que "ele ouve"; por essa resposta à nossa oração, ele ao mesmo tempo encoraja e exercita a nossa fé. "Está escrito", diz Rutherford, falando do atraso do Salvador em responder ao pedido da mulher sirofenícia, "ele não respondeu palavra"; mas não está escrito que ele não ouviu palavra. Estas duas coisas diferem muito. Cristo muitas vezes ouve quando não responde — o seu não responder é uma resposta, e diz assim: "ora, prossegue e clama, pois o Senhor mantém a sua porta bem trancada, não para te deixar fora, mas para que batas, e batas, e ela será aberta."

— Philip Bennett Power.

"Para que não me torne semelhante aos que descem à cova." Vês, grande Deus, a minha triste situação. Nada me é grande ou desejável nesta terra senão a felicidade de te servir, e ainda assim a miséria do meu destino, e os deveres do meu estado, me põem em contato com homens que consideram toda piedade coisa a censurar e ridicularizar. Com secreto horror, ouço-os diariamente blasfemando os dons inefáveis da tua graça, e ridicularizando a fé e o fervor dos piedosos como mera fraqueza de mente.

Exposto a tal impiedade, todo o meu consolo, ó meu Deus, é fazer subir os meus clamores de aflição até o pé do teu trono. Ainda que, por ora, essas blasfêmias sacrílegas despertem em minha alma apenas sentimentos de horror e piedade, temo que, por fim, possam enfraquecer-me e seduzir-me a um caminho tortuoso de conveniência, indigno da tua glória e da gratidão que te devo.

Temo que, sem perceber, eu me torne tão covarde a ponto de corar do teu nome, tão pecador a ponto de resistir aos impulsos da tua graça, tão traidor a ponto de reter o meu testemunho contra o pecado, tão enganador de mim mesmo a ponto de disfarçar a minha covardia criminosa sob o nome de prudência. Já sinto que este veneno se insinua no meu coração, pois, embora não queira que a minha conduta se pareça com a dos ímpios que me cercam, sou influenciado demais pelo medo de ofendê-los. Não ouso imitá-los, mas quase tanto temo irritá-los.

Sei que é impossível agradar tanto a um mundo corrupto quanto a um Deus santo, e ainda assim perco tanto de vista esta verdade que, em vez de me sustentar na decisão, ela só torna a minha vacilação mais indesculpável. Que me resta senão implorar o teu socorro! Fortalece-me, ó Senhor, contra estas quedas tão prejudiciais à tua glória, tão fatais à fidelidade que te devo. Faze-me ouvir a tua voz que fortalece e anima. Se a voz da tua graça não se erguer no meu espírito, reanimando a minha fé frágil, sinto que há apenas um passo entre mim e o desespero. Estou à beira do precipício, prestes a cair numa cumplicidade criminosa com os que gostariam de me arrastar consigo à cova.

— Jean Baptiste Massillon, 1663-1742, livremente traduzido por C. H. S.

Versículo 2Salmo 28:2

"Levanto as minhas mãos para o teu santo oráculo." Chamado debhir (דביר), porque dali Deus falava e dava resposta. Para ali (um tipo de Cristo, o Verbo essencial) Davi levanta as mãos, para que fosse como uma escada, pela qual a sua oração pudesse subir ao céu.

— John Trapp.

Versículo 3Salmo 28:3

"Não me arrastes com os ímpios... que falam paz aos seus vizinhos, mas têm o mal nos seus corações." O homem piedoso aborrece a dissimulação para com os homens; o seu coração acompanha a sua língua, ele não pode adular e odiar, elogiar e censurar ao mesmo tempo. "O amor seja sem hipocrisia" (Romanos 12:9). O amor fingido é pior que o ódio; a falsificação da amizade não é melhor que uma mentira (Salmo 78:36), pois há a aparência daquilo que não é.

Muitos são como Joabe: "Tomou Joabe a Amasa pela barba com a mão direita, para o beijar. E não estava Amasa prevenido contra a espada que estava na mão de Joabe, o qual o feriu com ela na quinta costela." Há um rio na Espanha onde os peixes parecem ser de cor dourada, mas, tirados da água, são como qualquer outro peixe. Nem tudo o que reluz é ouro; há alguns que fingem grande afeto, mas são como veias grandes que têm pouco sangue; se te apoias neles, são como uma perna deslocada.

Pela minha parte, muito questiono a verdade para com Deus daquele que adula e mente ao seu amigo. "O que encobre o ódio com lábios mentirosos, e espalha a calúnia, é um insensato" (Provérbios 10:18).

— Thomas Watson.

"Não me arrastes para fora com." Uma alusão, creio, ao pastor que separa certa porção do seu rebanho. "Não me contes entre."

— Professor Lee.

"Não me arrastes." (ynkvmt-la), de (Kvm); que significa tanto arrastar quanto apreender, é melhor traduzido aqui como "não te apoderes de mim", como aquele que se apodera de alguém para levá-lo ou arrastá-lo à execução.

— Henry Hammond.

Versículo 4Salmo 28:4

"Dá-lhes segundo as suas obras", etc. Aqui, de novo, surge a difícil questão sobre orar por vingança, a qual, porém, despacharei em poucas palavras. Em primeiro lugar, é inquestionável que, se a carne nos move a buscar vingança, o desejo é mau aos olhos de Deus. Ele não apenas nos proíbe de imprecar mal sobre os nossos inimigos em vingança por ofensas privadas, mas não pode deixar de ser que todos esses desejos que brotam do ódio sejam desordenados. O exemplo de Davi, portanto, não deve ser alegado por aqueles que, movidos por sua própria paixão intemperada, buscam vingança.

O santo profeta não está aqui inflamado pela sua própria dor privada a devotar os seus inimigos à destruição; mas, deixando de lado o desejo da carne, ele julga a respeito da própria questão. Antes que um homem possa, portanto, denunciar vingança contra os ímpios, deve primeiro livrar-se de todo sentimento impróprio em sua própria mente.

Em segundo lugar, é preciso exercer prudência, para que a gravidade dos males que nos ofendem não nos leve a um zelo intemperado, o que aconteceu até com os discípulos de Cristo, quando desejaram que fogo descesse do céu para consumir os que se recusavam a receber o seu Mestre (Lucas 9:54). Pretendiam, é verdade, agir segundo o exemplo de Elias, mas Cristo os repreendeu severamente, e lhes disse que não sabiam de que espírito eram.

Em particular, devemos observar esta regra geral: que desejemos cordialmente e trabalhemos pelo bem-estar de toda a raça humana. Assim, chegaremos a não apenas dar lugar ao exercício da misericórdia de Deus, mas também a desejar a conversão daqueles que parecem obstinadamente correr para a sua própria destruição. Em suma, Davi, livre de toda paixão má, e dotado também do espírito de discernimento e juízo, defende aqui não tanto a sua própria causa, mas a causa de Deus. E, com esta oração, ele ainda lembra a si mesmo e aos fiéis que, embora os ímpios possam por algum tempo soltar as rédeas na prática de toda espécie de vício impunemente, hão de por fim comparecer diante do tribunal de Deus.

— John Calvin.

"Dá-lhes segundo as suas obras, e segundo a maldade dos seus empreendimentos." Sim, grande Deus, já que desde o princípio te ocupaste apenas em salvar os homens, certamente ferirás com uma maldição eterna estes filhos da iniquidade, que parecem ter nascido só para se perder e destruir os outros. A própria benevolência para com a humanidade solicita os teus trovões contra estes corruptores da sociedade.

Quanto mais fizeste pela nossa raça, mais certamente se revelará a severidade da tua justiça, destruindo os miseráveis cujo único estudo é contrariar a tua bondade para com a humanidade. Trabalham incessantemente para afastar os homens de ti, ó meu Deus, e em troca tu os afastarás de ti para sempre. Contam como grande ganho tornar os seus semelhantes teus inimigos, e terão o desesperado consolo de o serem eles mesmos por toda a eternidade.

Que castigo mais adequado para os miseráveis que desejam fazer rebelar-se todo coração contra a tua adorável Majestade, do que jazer, pela baixeza da sua natureza, sob a eterna e pavorosa necessidade de te odiarem para sempre?

— Jean Baptiste Massillon, traduzido bem livremente por C. H. S.

"Dá-lhes segundo as suas obras." Os egípcios mataram os meninos hebreus, e Deus feriu os primogênitos do Egito. Sísera, que pensou destruir Israel com os seus carros de ferro, foi ele mesmo morto com um prego de ferro cravado nas têmporas. Adonibezeque (Juízes 1:5-7). Gideão matou quarenta anciãos de Sucote, e os seus filhos foram assassinados por Abimeleque. Abimeleque matou setenta filhos de Gideão sobre uma só pedra, e a sua própria cabeça foi quebrada por um pedaço de mó lançado por uma mulher.

Sansão caiu pela "concupiscência dos olhos", e antes de morrer os filisteus lhe vazaram os olhos. Agague (1 Samuel 15:33). Saul matou os gibeonitas, e sete dos seus filhos foram enforcados diante do Senhor (2 Samuel 21:1-9). Acabe, depois de cobiçar a vinha de Nabote (1 Reis 21:19), teve cumprida sobre si a sentença de 2 Reis 9:24-26. Jeroboão: a mesma mão que se estendeu contra o altar secou (1 Reis 13:1-6).

Joabe, tendo matado Abner, Amasa e Absalão, foi morto por Salomão. Os acusadores de Daniel foram lançados na cova dos leões destinada a Daniel. Hamã foi enforcado na forca preparada para Mardoqueu. Judas comprou o campo de sangue, e depois foi e se enforcou.

Assim também na história de dias mais recentes: Bajazete foi carregado numa jaula de ferro por Tamerlão, como planejara carregar a Tamerlão. Mazêncio construiu uma ponte para armar uma cilada a Constantino, e foi derrubado ele mesmo naquele mesmo lugar. Alexandre VI foi envenenado pelo vinho que preparara para outro. Carlos IX fez correr sangue protestante pelas ruas de Paris, e logo depois o sangue correu por todo o seu corpo num suor sangrento. O Cardeal Beaton condenou George Wishart à morte, e logo depois morreu ele mesmo de morte violenta; foi assassinado na cama, e o seu corpo foi exposto na mesma janela de onde havia contemplado a execução de Wishart.

— G. S. Bowes, em "Illustrative Gatherings."

"Retribui-lhes o seu merecimento." Medita na justiça de Deus, que não é apenas sua vontade, mas sua natureza, punir o pecado; o pecado te condenará sem Cristo — não há apenas uma possibilidade ou probabilidade de que o pecado possa arruinar, mas, sem um interesse em Cristo, ele certamente o fará; grava isso bem fundo no coração. Deus não pode deixar de odiar o pecado, porque é santo; e não pode deixar de punir o pecado, porque é justo. Deus não abrirá mão da sua própria natureza para satisfazer os nossos caprichos.

— Christopher Fowler, em "Morning Exercises," 1676.

Ele ora contra os seus inimigos, não por vingança privada alguma, mas guiado pelo espírito infalível da profecia, vendo através destes homens os inimigos de Cristo e do seu povo em todas as épocas.

— David Dickson.

Versículos 4–5Salmo 28:4-5

Nestes versículos, como de fato na maioria das passagens imprecatórias, o imperativo e o futuro são usados indistintamente: dá-lhes — retribui-lhes — ele os destruirá. Se, portanto, os verbos, em todas essas passagens, fossem uniformemente traduzidos no futuro, toda objeção contra as imprecações das Escrituras se dissolveria de imediato, e elas apareceriam claramente como o que são, a saber, profecias dos juízos divinos, que já foram cumpridas contra os judeus, e que hão de se cumprir contra todos os inimigos de Jeová e do seu Cristo, os quais nem as "obras" da criação, nem as da redenção, conseguem levar ao arrependimento.

— George Horne.

Veja os Salmos sobre "Salmo 28:4" para mais informações. Nestes versículos, como de fato na maioria das passagens imprecatórias, o imperativo e o futuro são usados indistintamente: dá-lhes — retribui-lhes — ele os destruirá. Se, portanto, os verbos, em todas essas passagens, fossem uniformemente traduzidos no futuro, toda objeção contra as imprecações das Escrituras se dissolveria de imediato, e elas apareceriam claramente como o que são, a saber, profecias dos juízos divinos, que já foram cumpridas contra os judeus, e que hão de se cumprir contra todos os inimigos de Jeová e do seu Cristo, os quais nem as "obras" da criação, nem as da redenção, conseguem levar ao arrependimento.

— George Horne.

Versículo 6Salmo 28:6

"Ouviu." A oração é o melhor remédio numa calamidade. Este é, de fato, um verdadeiro catholicum, um remédio geral para todo mal. Não como o catholicum do charlatão, que às vezes pode funcionar, mas na maioria das vezes falha: mas aquele que, sobre evidência assegurada e experiência constante, tem o seu probatum est — sendo o que o mais sábio, culto, honesto e habilidoso Médico que jamais houve, ou pode haver, prescreveu — o mesmo que nos ensina a suportar o que deve ser suportado, ou a curar e socorrer o que já foi suportado.

— William Gouge.

Versículo 7Salmo 28:7

"O Senhor é a minha força." Ó, doce consolação! Se um homem tem um fardo sobre si, mas se lhe é acrescentada força, se o fardo dobra, mas se a sua força triplica, o fardo não ficará mais pesado, mas mais leve do que era antes para a sua força natural; assim, se as nossas aflições são pesadas, e clamamos: "Ah, não podemos suportá-las!" — ainda que não possamos suportá-las com a nossa própria força, por que não haveríamos de suportá-las com a força de Jesus Cristo? Pensamos que Cristo não poderia suportá-las? Ou, se não ousamos pensar que Cristo não poderia suportá-las, por que não viríamos nós a suportá-las?

Alguém pode perguntar: podemos ter a força de Cristo? Sim; essa mesma força nos é transferida pela fé, pois assim diz a Escritura com frequência: o Senhor é a nossa força; Deus é a nossa força; o Senhor Jeová é a nossa força; Cristo é a nossa força (Salmo 28:7; Salmo 43:2; Salmo 118:14; Isaías 12:2; Habacuque 3:19; Colossenses 1:11); e, portanto, a força de Cristo é nossa, transferida a nós, para que possamos suportar tudo o que recai sobre nós.

— Isaac Ambrose.

"O Senhor é a minha força" interiormente, e "o meu escudo" exteriormente. A fé encontra ambas em Jeová, e uma não sem a outra, pois o que é um escudo sem força, ou força sem escudo? "O meu coração confiou nele, e fui ajudado": a ideia da sentença anterior prossegue aqui, mostrando que o socorro exterior foi concedido à confiança interior.

— W. Wilson, D.D.

"O meu coração confiou nele, e fui ajudado." A fé dá substância às coisas ainda não vistas; ela muda o tempo verbal, diz alguém, e põe o futuro no tempo presente, como aqui.

— John Trapp.

Versículo 8Salmo 28:8

"O Senhor é a força deles." Não só a minha, mas a força de todo crente. Note-se: os santos se alegram nos consolos dos seus irmãos tanto quanto nos próprios; pois, assim como não temos menos benefício da luz do sol por outros também a compartilharem, também não temos menos da luz do rosto de Deus por outros nela participarem; porque temos certeza de que há suficiente para todos, e suficiente para cada um. Esta é a nossa comunhão com todos os santos: que Deus é a força deles e a nossa; Cristo é o Senhor deles e o nosso (1 Coríntios 1:2).

Ele é a força deles, a força de todo o Israel, porque é "a força salvadora do seu ungido", isto é: 1. De Davi, no tipo: Deus, ao fortalecer aquele que era o rei deles e lutava as suas batalhas, fortaleceu todo o reino. Ele se chama a si mesmo o ungido de Deus, porque foi a unção que recebeu que o expôs à inveja dos seus inimigos, e por isso lhe deu direito à proteção divina. 2. De Cristo, seu Ungido, o seu Messias, no antítipo: Deus foi a sua força salvadora, o qualificou para a sua empreitada, e o sustentou ao longo dela.

— Matthew Henry.

Versículo 9Salmo 28:9

"Exalta-os." A palavra aqui usada pode significar sustentá-los, ou apoiá-los; mas significa mais propriamente carregá-los, e seria melhor expressa com referência ao fato de que o pastor carrega nos braços os fracos, os filhotes e os enfermos do seu rebanho, ou os ergue quando não conseguem levantar-se por si mesmos.

— Albert Barnes.

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