Notas explicativas e citações: Salmo 37
Citações de puritanos, reformadores e outros comentaristas sobre o Salmo 37, reunidas por Charles Spurgeon.
Leia o Salmo 37 na íntegra no Midvash, na King James Fiel
Salmo inteiro. Os justos são preservados em Cristo com uma preservação especial, e numa segurança peculiar. No Salmo trigésimo sétimo, este ponto é tratado de forma excelente e extensa, tanto por prova direta quanto pela resposta a todas as objeções costumeiras contra a sua segurança. Que serão preservados é afirmado em Salmo 37:3,17,23,25,32. As objeções respondidas são muitas.
Objeção 1. Os ímpios florescem. Solução. O justo nunca deveria se afligir com isso, pois "logo serão cortados como o feno, e murcharão como a verdura." Salmo 37:2.
Objeção 2. Os justos estão em aflição. Solução — Salmo 37:6. A noite da sua adversidade se transformará na luz da prosperidade; e assim como podem crer, quando é noite, que virá o dia, assim também podem estar certos, quando as cruzes pesam sobre eles, de que o conforto e o livramento hão de vir.
Objeção 3. Mas há grandes tramas armadas contra os justos, e eles são perseguidos com grande malícia, e a ruína pretendida contra eles já quase chega ao desfecho. Solução — Salmo 37:12-15. O Senhor vê todas as tramas dos ímpios, e ri da malícia rancorosa e tola deles; enquanto se ocupam em destruir os justos, e esperam ter um dia de triunfo contra eles, "o Senhor vê que o dia deles está chegando", um dia de destruição, um dia de grande juízo e miséria eterna; o arco deles se quebrará, e a espada que sacaram entrará no próprio coração deles.
Objeção 4. Mas os justos têm meios pequenos. Solução — Salmo 37:16-17. "O pouco que o justo tem é melhor do que as riquezas de muitos ímpios. Porque os braços dos ímpios se quebrarão, mas o Senhor sustenta os justos."
Objeção 5. Tempos difíceis hão de cair sobre eles. Solução — Salmo 37:19. "Não serão envergonhados no tempo mau, e nos dias de fome terão o suficiente."
Objeção 6. Mas os ímpios engordam cada vez mais, e prevalecem em afligir os justos. Solução — Salmo 37:20. De fato, os ímpios são gordos, mas é apenas "a gordura dos cordeiros"; a prosperidade deles logo se derreterá; e, assim como são como fumaça ao afligir os piedosos, assim também serão como fumaça ao desaparecer.
Objeção 7. Mas os justos caem. Solução — Salmo 37:24. Embora caia, ele não cai de forma final nem total, pois "não fica totalmente derrubado"; e, além disso, há uma providência sustentadora de Deus em todas as quedas dos justos.
Objeção 8. Vemos alguns ímpios que não caem assim em adversidade, mas antes permanecem em prosperidade até o dia da morte. Solução — Salmo 37:28. Ainda que assim seja, "a sua semente será eliminada."
Objeção 9. Mas alguns ímpios ainda são fortes, e se espalham também em sua semente. Solução — Salmo 37:35-36. Note também que essas "árvores frondosas que se espalham" muitas vezes "logo desaparecem"; e elas, com suas casas, às vezes são "completamente eliminadas."
Objeção 10. Mas os homens retos estão sob cruzes numerosas e longas. Solução — Salmo 37:37. Ainda assim, "o seu fim é a paz."
Objeção 11. Mas ninguém se levanta pelos piedosos quando eles são postos em questão. Solução — Salmo 37:39-40. "A salvação deles vem do Senhor"; ele é a sua força, ele os ajudará e os livrará, etc.
Mas, se quisermos ser assim livrados, observe: 1. Que não devemos, com ingratidão, nos irritar com a providência de Deus (Salmo 37:1). 2. Devemos "confiar no Senhor e fazer o bem" (Salmo 37:3). 3. Devemos "nos deleitar no Senhor", e não colocar o nosso contentamento nas coisas terrenas (Salmo 37:4). 4. Devemos "entregar os nossos caminhos a Deus" (Salmo 37:5). 5. Devemos adquirir paciência e afetos humildes (Salmo 37:7-11). 6. Devemos ter conduta reta (Salmo 37:14). 7. Devemos ser misericordiosos (Salmo 37:25-26). 8. Devemos "falar coisas justas", e ter "a lei em nossos corações" (Salmo 37:30-31). 9. Devemos "guardar o nosso caminho", e "esperar em Deus", e não usar meios maus.
— Nicolas Byfield.
Salmo inteiro. Este Salmo bem poderia ser chamado de o cordial do homem bom em tempos ruins; um emplastro soberano para a praga do descontentamento; ou um antídoto seleto contra o veneno da impaciência.
— Nathaniel Hardy, em um sermão fúnebre, 1649.
Salmo inteiro. Este Salmo, em sua construção, muito lembra a concisão sentenciosa e vigorosa do livro de Provérbios. Não contém nenhuma oração, nem qualquer alusão direta às próprias circunstâncias de perseguição ou aflição de Davi. É antes a expressão de uma sã sabedoria prática e piedade, saída dos lábios da experiência e da idade, tal como se poderia imaginar um ancião da igreja, ou o pai de uma família, deixando cair enquanto seus familiares se reuniam ao seu redor, escutando suas admoestações sinceras e afetuosas.
— Barton Bouchier.
Salmo inteiro. O presente Salmo é um dos Salmos alfabéticos; é chamado Providentiae speculum (espelho da providência) por Tertuliano; Potio contra murmur (poção contra a murmuração) por Isidoro; Vestis piorum (veste dos piedosos) por Lutero.
— Christopher Wordsworth.
Versículo 1Salmo 37:1
Não te irrites, ou seja, não te inflames, não te queimes de ira ou de mágoa.
— John Diodati.
Nem tenhas inveja, etc. A rainha Elizabeth invejou a leiteira quando estava na prisão; mas, se soubesse quão glorioso reinado teria depois, por quarenta e quatro anos, não a teria invejado. E tampouco precisa o homem piedoso, ainda que em miséria, invejar o ímpio no auge de toda a sua prosperidade e jovialidade, considerando o que ele tem em mãos, e muito mais o que tem em esperança.
— John Trapp.
Não seria considerado loucura, num homem herdeiro de muitos milhares por ano, invejar um ator de teatro, vestido com o traje de um rei, e que, contudo, não é herdeiro de sequer um pedaço de terra? Que, embora tenha a forma, o respeito e a roupa de um rei ou nobre, é, ao mesmo tempo, um verdadeiro mendigo, e nada vale. Assim, os ímpios, ainda que trajados com esplendor e alimentados com fartura, sem lhes faltar nada, e tendo mais do que o coração possa desejar, não passam de meros possuidores: o cristão piedoso é o herdeiro.
Que bem lhes faz toda essa prosperidade? Apenas apressa a ruína deles, não a sua recompensa. O boi que trabalha vive mais do que o boi que fica no pasto; o próprio ato de colocá-lo lá apenas apressa o seu abate; e, quando Deus coloca os ímpios em pastos gordos, em lugares de honra e poder, é apenas para apressar a ruína deles. Que ninguém, portanto, se irrite por causa dos malfeitores, nem tenha inveja da prosperidade dos ímpios; pois a candeia dos ímpios será posta em trevas eternas; logo serão cortados, e murcharão como a verdura.
— Ludovic de Carbone, citado por John Spencer.
Versículo 2Salmo 37:2
Cortados como o feno, com uma foice, e até mesmo de um só golpe.
— Thomas Wilcocks.
Murcharão. Ó palavra amarga, que fará latejar os ouvidos de quem a ouve! Ó sentença intolerável, que priva os pecadores de todas as coisas boas, e os leva a toda a desgraça! O Senhor certa vez amaldiçoou a figueira, e imediatamente, não só as folhas, mas também o tronco e a raiz ficaram totalmente murchos: assim também aquela terrível maldição do último dia não será menos eficaz; pois sobre quem quer que caia, os queimará de tal forma, e os tornará tão destituídos da graça de Deus, que nunca mais serão capazes de fazer, falar, pensar ou esperar qualquer coisa boa.
— Thomas Tymme.
Verdura. Não podemos colher fruto mais maduro de paciência de nenhuma árvore que não seja encontrado nos arbustos baixos da curta vida do homem; pois, se aquele câncer corrosivo da inveja pela prosperidade dos ímpios já invadiu a sua mente — mal do qual nem os santos têm abrigo para se livrar — tire deste boticário o antídoto: ou o teu tempo é curto demais para vê-la, ou o deles é ainda mais curto para desfrutá-la; "estão em lugares escorregadios, e são subitamente destruídos" (Salmo 73:18); "passam os seus dias em riqueza, e num momento descem à sepultura" (Jó 21:13); logo serão cortados como o feno, e murcharão como a verdura.
— Sermão de Edmund Layfield, intitulado "O Mapa da Mortalidade e Vaidade do Homem", 1630.
Às vezes os ímpios, como a verdura, murcham na sua primavera, caem no seu apogeu, perecem nos primórdios dos seus desígnios malignos; mas, se chegam a crescer plenamente, crescem apenas para a colheita, o tempo próprio de serem cortados.
— Robert Mossom.
Versículo 3Salmo 37:3
Note bem o duplo preceito: confia e faze. Esta é a verdadeira ordem; os dois devem andar juntos; um produz, o outro comprova; a promessa é para ambos.
— C. H. S.
Assim habitarás na terra, etc. Terás um lugar fixo, um lugar fixo e tranquilo, e sustento, um sustento reconfortante: verdadeiramente serás alimentado; alguns leem: serás alimentado pela fé, assim como se diz que os justos vivem pela fé, e é bom viver, bom alimentar-se das promessas. Verdadeiramente serás alimentado, como Elias na fome, com o que te for necessário. O próprio Deus é pastor, alimentador de todos os que nele confiam (Salmo 23:1).
— Matthew Henry.
Assim habitarás na terra, etc. A terra de Canaã era considerada a soma da felicidade terrena, e o tipo da felicidade celestial: ser provido na terra do Senhor, e ali habitar sob a sua proteção, perto das suas ordenanças, e entre o seu povo, era tudo o que o verdadeiro israelita podia desejar.
— Thomas Scott (1744-1821), no lugar.
Serás alimentado. Uma expressão tirada do gado que se alimenta em segurança, sob a condução e o cuidado de um bom pastor.
— Henry Ainsworth.
Serás alimentado. Alimentado em fartura.
— Thomas Secker (Arcebispo), 1768.
Alimentado em segurança.
— John Parkhurst.
Versículo 4Salmo 37:4
Note a sua parte e a parte de Deus. Deleite-se você, e ele dará.
— C. H. S.
Quanta graça e amor respiram estas palavras: Deleita-te também no Senhor! Confiar nele já foi recomendado antes, e agora, sendo isto também acrescentado, quão claro é que o seu alívio e o seu descanso são o propósito pretendido! Seria justo receber tanta bondade com negligência? Além disso, ele se deleita em você; falo a quem isto se aplique. E está dito de modo indefinido: "As suas delícias eram com os filhos dos homens" (Provérbios 8:31). Pense no que ele é, e no que você é; e ao mesmo tempo, assombre-se e renda-se. E em que mais você tem a se deleitar? Que coisa nomearia que possa ocupar o lugar de DEUS, ou tomar o seu lugar para você?
Além disso, quem deveria se deleitar nele senão você — seus amigos, seus filhos, os da sua própria casa? Pense que vida e vigor isso lhe infundirá, e que "a alegria do Senhor será a sua força" (Neemias 8:10). Com quanto prazer você seguirá o seu curso, e cumprirá todos os demais deveres do seu estado presente? Você precisa servi-lo. Ousaria pensar em lançar fora o seu jugo? Quão desejável é, então, deleitar-se naquele a quem devo servir; o que só torna esse serviço aceitável a ele, e fácil para mim mesmo!
Além disso, este é um prazer que ninguém pode lhe roubar; uma alegria que não pode ser tirada de você. Outros objetos do seu deleite se desvanecem a cada dia. Nem homens nem demônios podem jamais impedi-lo de se deleitar em Deus, se o seu coração estiver assim inclinado. E você nunca foi levado a sentir prazer em alguma pessoa ou coisa pela qual antes tinha aversão? Alguém que o tinha ofendido poderia, ainda assim, conquistá-lo por uma bondade posterior. Dê uma razão para ser mais difícil para com o Deus bendito, que nunca o ofendeu, e cujo caminho para com você sempre trouxe tanta boa vontade!
E considere que a sua condição na terra é tal que o expõe a muitos sofrimentos e dificuldades, que, ao não se deleitar nele, você nunca poderá ter certeza de evitar (pois são coisas comuns aos homens), mas que, deleitando-se nele, você poderá facilmente suportar. Além de tudo isso, considere seriamente que você precisa morrer. Não há como evitar isso de jeito nenhum. Quão facilmente tolerável e agradável será, então, pensar em ir ter com aquele com quem você viveu antes numa comunhão deleitosa! E quão terrível será apresentar-se diante daquele a quem o seu próprio coração acusará de tê-lo tratado — contra todas as suas insistências e atrativos — como um estranho desafeiçoado!
— Tratado de John Howe sobre o Deleite em Deus.
Na parte anterior, estendemos o sentido das palavras Deleita-te no Senhor além do que parecem, à primeira vista, significar literalmente; de modo a não entendê-las apenas como exigindo que aquele único ato de deleite se dirija imediata e diretamente ao próprio Deus; mas a tomá-las como abrangendo toda a soma de todo o convívio santo e religioso com Deus, isto é, na medida em que é deleitoso, ou na medida em que é temperado (entremeado, e como que aspergido) de deleite; e, pelo mesmo motivo, todo o nosso outro convívio, na medida em que é influenciado pela religião.
E não duvido de que, para quem tiver considerado com atenção o que foi dito, parecerá muito razoável tomá-las nessa amplitude; para o que a própria letra do texto (como se pode alegar em maior justificativa disso) é bem apta. Pois a partícula que lemos "no Senhor" não tem apenas esse significado, mas significa também com, ou por, ou junto de, ou diante de, ou na presença de, como se estivesse dito: "Vem e assenta-te com Deus, retira-te para junto dele, e regozija-te nas delícias que se encontram na sua presença e no seu convívio, andando com ele, e conduzindo o teu percurso como diante dele, e à sua vista." Assim como se pode dizer que um homem se deleita com um amigo que se abriga sob o seu teto, e, além do convívio pessoal com ele mesmo, desfruta livremente do prazer de todo o entretenimento, das acomodações e das provisões que ele está livremente disposto a compartilhar com ele, e tem a satisfação que uma pessoa sóbria sentiria ao observar as regras e a ordem de uma casa bem governada.
— John Howe.
Ele te dará os desejos do teu coração. Será para você exatamente como você quiser. Diz-se de Lutero que ele poderia obter o que quisesse do Deus Todo-Poderoso. O que não poderia obter dele um favorito que tivesse o cuidado real do seu príncipe?
— John Trapp.
Os desejos do teu coração. Todos os desejos desta semente espiritual são da natureza dessa semente, a saber, substanciais, e hão de encontrar substância. Todos os desejos do homem natural, mesmo os que buscam a Deus, a Cristo, a justiça, arderão e perecerão com ele (pois não são a verdade, nem vêm da verdade, nem podem alcançar a verdade); mas todos os desejos deste espírito viverão com o Espírito de Deus, em descanso e satisfação para sempre.
— John Pennington, 1656.
Os desejos de Deus, e os desejos dos justos, concordam num só; eles têm um só ânimo em seus desejos.
— John Bunyan.
Versículo 5Salmo 37:5
Entrega o teu caminho ao Senhor, etc. Quando carregamos o fardo dos nossos próprios assuntos sozinhos, e somos castigados pela ansiedade, pela falta de sucesso, e pela inveja dos ímpios que prosperam mais do que nós, o melhor remédio é primeiro cumprir o nosso dever, na medida em que somos capacitados a usar os meios; depois, lançar o cuidado do resultado sobre Deus, como faz o lavrador quando termina de gradar a sua terra; e deixar que o peso disso repouse sobre Deus, e não voltar a tomá-lo de volta, mas deixar a mente em descanso, resolvida a receber a colheita de bom grado, tal como ele a enviar.
— David Dickson.
Entrega o teu caminho ao Senhor é traduzido pela Vulgata como Revela viam Domino (revela o teu caminho ao Senhor); e por Santo Ambrósio, entendido como revelar os nossos pecados a Deus. De fato, uma vez que é impossível encobri-los, por que não os revelaríamos? Não oculte aquilo que Deus já conhece, e que ele deseja que você torne conhecido. É um ofício muito ruim ser o secretário do diabo. Ah, rompa a sua aliança com Satanás, revelando os seus segredos, os seus pecados, a Deus.
— Nathaniel Hardy.
Entrega o teu caminho a. Margem e hebraico: Rola o teu caminho sobre — como alguém que põe sobre o ombro de outro, mais forte do que ele mesmo, um peso que não é capaz de suportar.
— William De Burgh, D.D., em "Um Comentário sobre o Livro dos Salmos. Dublin", 1860.
Note de novo o duplo: entrega e confia.
— C. H. S.
Ele o fará. Quando uma obra difícil é posta nas mãos de um aprendiz, para o primeiro teste da sua habilidade, os que observam temem, com razão, um fracasso naquela mão jovem e inexperiente; mas, quando o artesão é um velho mestre do ofício, ninguém teme, pois sua mão habilidosa pode realizar de novo o que tantas vezes já executou para a satisfação de todos os que observam. Fosse o nosso Deus um novato na grande arte de governar o mundo, e a igreja em seu seio; não tivesse ele, até hoje, dado nenhuma prova da sua infinita sabedoria, poder e bondade, ao transformar os acontecimentos mais terríveis no bem-estar e na alegria dos seus santos; poderíamos, de fato, ficar espantados sempre que nos sentíssemos afundando nos perigos em que as práticas dos nossos inimigos frequentemente nos mergulham até o pescoço; mas, tendo o Senhor dado, no passado, tantas provas da sua habilidade incontestável e da sua vontade certíssima de conduzir todos os assuntos humanos, tanto para a sua própria glória quanto para o bem verdadeiro de todos os que o amam, seria da nossa parte uma impiedosa e imperdoável falta de caridade suspeitar do fim de qualquer obra que ele tenha começado.
— Sermão de Robert Baylie perante a Câmara dos Comuns, 1643.
Versículos 5–7Salmo 37:5-7
A Deus o teu caminho entregando,
Confia naquele cujo braço poderoso,
Curvando os círculos celestiais,
Guia cada estrela corretamente:
Os ventos, e as nuvens, e o relâmpago,
Por sua mão segura são conduzidos;
E ele, clareando as sombras escuras,
Te mostrará qual senda trilhar.
Ainda que, para fazer Deus vacilar,
Os poderes do inferno se aliem,
Nem um jota podem alterar
Do seu desígnio todo sábio:
Todos os projetos e a vontade
Da sua mente eterna,
Apesar de toda oposição,
Encontram o seu devido cumprimento.
Não mais, então, desfaleças e definhes,
Ó alma ferida pela tristeza;
Mesmo desde as profundezas da angústia,
Cujas ondas rolam sobre ti,
A mão de teu Pai te há de puxar:
Em esperança e paciência permanece,
E a alegria logo derramará sobre ti
Um raio sempre mais brilhante.
Deixando todos os murmúrios sem fé,
Dá-lhes um último adeus,
Que tua alma aflita não mais se agaste,
Porque as coisas não parecem certas;
Sabiamente empunhando o seu cetro,
Deus se assenta em estado real,
Sem ceder poder algum a mortais,
Regulando todos os acontecimentos.
Confia com fé incansável
No teu Rei Onisciente,
E hás de ver, admirado,
O que ele há de trazer à luz.
De todas as tuas dores, a razão
Ao fim há de aparecer:
O que agora te é negado por um tempo,
Brilhará em letras claras.
Então ergue os teus olhos ao céu,
Tu que podes confiar até no seu semblante severo;
Dali te será dada a tua recompensa,
A grinalda e a coroa:
Teu Deus a palma vitoriosa
Plantará na tua mão direita,
Enquanto tu, em vozes gloriosas,
Cantarás hinos melodiosos.
— Paul Gerhard (1606-1676), traduzido por Frances Elizabeth Cox, em "Hinos do Alemão", 1864.
Versículo 6Salmo 37:6
E ele fará sair a tua justiça como a luz, etc. Se você for acusado de ter maus desígnios, não deixe que isso também o perturbe: pois, embora a sua fama possa ficar obscurecida por um tempo, por caluniações e calúnias, como o sol o fica por névoas e nuvens, ainda assim, assim como o sol as dissipa por fim a todas, também a sua integridade aparecerá, e brilhará tão radiante quanto o sol ao meio-dia.
— Symon Patrick.
Versículo 7Salmo 37:7
Descansa no Senhor, e espera nele com paciência. Há duas palavras no original que expressam o privilégio e o dever de descansar em Cristo: uma implica um estado de aquiescência tal que silencia os clamores da consciência, e acalma a perturbação do espírito; a outra significa o refrigério e o repouso de um peregrino cansado, quando chega ao fim da sua jornada, e se estabelece para sempre numa habitação segura, cômoda e farta.
— James Hervey.
Descansa no Senhor, e espera nele com paciência. Tome o caso de alguém que, com uma carga acima das suas forças, vinha lutando por algum caminho íngreme e acidentado, quando de repente a encontra retirada e transferida a outro, cuja força ele sabe ser mais do que suficiente para a tarefa, e em cuja simpatia ele pode confiar com segurança. Qual seria o seu sentimento, senão o de um descanso perfeito, uma confiança serena, e uma liberdade alegre, ao seguirem juntos o caminho? E tal é a bem-aventurança de rolar o nosso cuidado sobre o Senhor — na fraqueza, descansamos sobre uma força superior; na perplexidade e na dúvida, descansamos sobre uma sabedoria superior; em todos os tempos de provação e de serviço árduo, podemos apoiar-nos na certeza da sua perfeita simpatia.
O significado literal da palavra descansar é ficar em silêncio diante do Senhor. Com o olhar fixo nele, que todos os pensamentos incrédulos se aquietem, tais pensamentos que surgem e se enraízam no espírito queixoso quando ele vê apenas as suas tribulações, e não a Deus nelas, quando as névoas da terra escondem de sua vista as estrelas eternas do céu. Então, como Jacó, pode dizer, amargurado, "Todas estas coisas são contra mim"; ou, como Elias, desanimado, "Basta agora, Senhor, tira a minha vida"; ou, como Jonas, irritado, "Faço bem em me irar."
Diante de todas essas sugestões sombrias e incrédulas, o coração deve guardar silêncio, ficar quieto e saber que ele é Deus; silencioso quanto à murmuração, mas não silencioso quanto à oração, pois nesse silêncio santo e meditativo o coração se volta para comungar com ele. O que é "descansar em Deus", senão o movimento instintivo e o olhar erguido do espírito para ele; a entrega confiante de todas as nossas dores e temores a ele, e o sentir-se fortalecido, paciente, esperançoso ao fazê-lo! Isso implica uma disposição para que ele escolha por nós, uma convicção de que a ordenação de tudo o que nos concerne está mais segura em suas mãos do que nas nossas.
Algumas observações práticas: 1. Nosso "descansar com paciência" no Senhor se aplica apenas às provações que ele envia, não às tribulações que os próprios cristãos muitas vezes criam para si mesmos. Há uma diferença entre os fardos que vêm no caminho do dever, e os que vêm por nos desviarmos para outros caminhos. Podemos rolar um deles sobre o Senhor, mas, com o outro, o nosso castigo pode ser sermos deixados a carregá-los por muito tempo, e a sermos machucados ao carregá-los.
O dever aqui ordenado deve ser exercido por toda a nossa vida. Todos admitimos que a espera paciente é necessária para as grandes provações da vida, mas talvez não reconheçamos tão facilmente que ela é igualmente necessária para os pequenos aborrecimentos diários e corriqueiros. Mas estes são tanto um teste do princípio cristão quanto os outros.
Este descansar em Deus é um critério do estado espiritual de um homem. Requer uma faculdade especial de discernimento, um novo sentido a ser aberto na alma, antes que a nossa natureza caída possa entendê-lo ou desejá-lo.
— James D. Burns, M.A.
(primeira cláusula). Fica quieto (assim pode ser traduzido). E este é o preceito mais difícil que já foi dado ao homem; a tal ponto que o mais difícil preceito de ação se torna nada, quando comparado a esta ordem de inação.
— Jerônimo.
(primeira cláusula). A palavra hebraica traduzida como silencioso é (dom), da qual a palavra inglesa "dumb" (mudo) parece derivar. O silêncio aqui ordenado se opõe à murmuração ou à queixa.
— James Anderson, no Comentário de Calvino.
Note de novo os deveres gêmeos: descansar e esperar.
Que traz à realização desígnios perversos. Observe a oposição entre isto e o "fazer o Senhor" mencionado no versículo cinco. O motivo da tristeza é que os ímpios parecem alcançar o seu fim; o motivo do consolo é que o nosso fim também será alcançado, e da melhor maneira, pelo próprio Deus.
— C. H. S.
Versículo 8Salmo 37:8
Abandona o furor; que é a ira levada a um grau maior; e por isso ainda mais a evitar e a rejeitar, por ser algo muito indigno do caráter de um homem bom. Não te irrites de forma alguma para fazer o mal; o mal pode ser feito ao se irritar com a prosperidade dos ímpios, ou ao imitá-los, fazendo como eles fazem, na esperança de prosperar como eles prosperam.
— John Gill.
Versículo 9Salmo 37:9
Eles herdarão a terra. Ele quer dizer que viverão de tal maneira que a bênção de Deus os seguirá, até mesmo até a sepultura.
— John Calvino.
Versículo 10Salmo 37:10
Buscarás com atenção o seu lugar, e ele não existirá. A saber, porque será arrancado pelas raízes.
— Arthur Jackson.
O seu lugar... não existirá. A própria terra que ele ocupava como lar, e cujo título era incontestável, já não é o seu lugar. Passou para outras mãos. Nada de tudo o que ele tinha na terra é seu. Ele é tão pobre quanto o mais miserável que sobrevive de esmolas.
— William S. Plumer.
O pavão, ave gloriosa, quando contempla aquele belo leque e círculo que faz das penas formosas da sua cauda, se alegra, se põe a postos, e observa cada parte dele: mas, quando olha para os seus pés, que percebe serem negros e feios, logo, com grande desagrado, abaixa o seu esplendor, e parece entristecer-se.
Da mesma forma, muitos sabem por experiência que, quando se veem abundando em riquezas e honrarias, se orgulham e têm de si mesmos uma altíssima conta; louvam a sua sorte, e admiram-se a si próprios; fazem planos, e reservam para si muito a realizar nos anos vindouros. Este ano, dizem, ocuparemos este cargo, e no próximo aquele outro; depois teremos o governo de tal província; então construiremos um palácio em tal cidade, ao qual anexaremos tais jardins de prazer, e tais vinhedos: e assim fazem contas bem largas de antemão, os quais, se ao menos olhassem uma vez para os seus pés, se ao menos pensassem na brevidade da sua vida, tão passageira e inconstante, quão depressa deixariam cair as suas penas orgulhosas, abandonariam a sua arrogância, e mudariam o seu propósito, a sua mente, a sua vida, e os seus costumes.
— Thomas Tymme.
Versículo 11Salmo 37:11
Os mansos herdarão a terra. Enquanto isso, eles, e somente eles, possuem a terra presente, à medida que caminham para o reino dos céus, sendo humildes, alegres e contentes com o que o seu bom Deus lhes destinou. Eles não têm pensamentos turbulentos, queixosos e irritantes de que merecem coisa melhor; nem se aborrecem quando veem outros de posse de mais honra, ou mais riqueza, do que o seu sábio Deus lhes destinou como parte. Mas possuem o que têm com uma quietude mansa e contente; uma quietude tal que torna os próprios sonhos deles agradáveis, tanto a Deus quanto a eles mesmos.
— Isaak Walton (1593-1683), em "O Pescador Completo".
Os mansos. Que é o teu Amado mais do que qualquer outro amado? É dito à esposa. Então, que é a mansidão mais do que qualquer outra virtude? Podemos dizer que aqui há uma sinédoque de espécie, uma coisa particular tomada pelo geral, uma virtude por todas as demais. Ou o efeito é posto pela causa; porque a mansidão é uma das principais e mais importantes partes da santidade.
Mas, se me permitirem conjecturar, o Espírito Santo parece, nesta promessa, ao mesmo tempo mostrar a condição da igreja, e confortá-la; e, porque, sendo atacada duramente de todos os lados, ela precisa desta virtude mais do que de qualquer outra, ele ajusta e molda a recompensa à virtude, para acalentá-la e exaltá-la em nós com a promessa de algo além da nossa expectativa, a saber, a herança da terra. E, de fato, que recompensa mais adequada pode haver para a mansidão? Que coisa mais justa e apropriada do que aqueles que foram feitos a bigorna sobre a qual se martelaram as injúrias, que foram viri perpessitii (homens de grande sofrimento), como Sêneca fala de Sócrates, homens de grande paciência, que suportaram não só que seus bens fossem arrancados deles pela opressão e pela injustiça, mas que suas reputações fossem feridas pela navalha afiada da difamação, e que resistiram ao choque de tudo spectantibus similes (como quem apenas observa), com a paciência de um espectador, sejam levantados e confortados com a promessa daquilo que a sua mansidão entregou ao saque; e que, pela providência de Deus, que ama contrariar as práticas do mundo, sejam feitos herdeiros até mesmo daquelas posses que a mão da violência lhes arrebatou.
— Anthony Farindon, B.D., 1596-1658.
Não são os espíritos ardentes e agitados, que se atropelam pelo mundo, que a terão, mas os mansos, que são empurrados de um lado para outro, de canto em canto, e mal têm permissão de permanecer em algum lugar em paz. Esta terra, da qual parecem mais privados, só eles a terão e desfrutarão. Quando o Senhor a tiver tornado digna de ser possuída, então ninguém a terá senão eles.
Eles herdarão a terra. A terra é do Senhor; estes são os filhos do Senhor, e herdarão esta terra. Quando o Senhor a tomar para sua própria posse e deleite, eles o sucederão na posse e no deleite dela. É o direito deles, e há de descender a eles por direito, por herança. É o direito do Senhor, e pelo Senhor há de descender a eles como direito deles. Ainda não podem tê-la, pois o Senhor ainda não a tem; mas, quando o Senhor a tiver, ela lhes descenderá justamente. Esta terra amaldiçoada eles jamais terão, mas, quando ela for tomada nas mãos do Senhor, e abençoada pelo Senhor, então será deles, então será herdada pelos filhos da bênção.
— John Pennington.
E se deleitarão na abundância de paz. Certamente, quando a glória do Senhor cobrir a terra, e todos os reinos deste mundo se tornarem os reinos do Príncipe da Paz, e o maligno for extirpado, podemos bem esperar paz em rica abundância.
— W. Wilson.
Versículos 12–13Salmo 37:12-13
Note como o gesto dos ímpios, ao ranger os dentes, lhes é devolvido no riso de escárnio do Senhor diante dos seus desígnios. As tramas deles também são minadas por aquele desfecho de todas as tramas, que o Senhor conhece, embora eles, de propósito, o ignorem.
— C. H. S.
Versículo 13Salmo 37:13
O Senhor se rirá dele, etc. Ele parece prover de forma muito fria o nosso consolo sob a tristeza, pois representa Deus apenas como alguém que ri. Mas, se Deus valoriza tanto a nossa salvação, por que não se dispõe a resistir à fúria dos nossos inimigos, e a se opor a eles vigorosamente? Sabemos que isto, como foi dito no Salmo 2:4, é uma prova própria da nossa paciência: quando Deus não vem de imediato, armado para a derrota dos ímpios, mas por um tempo dissimula, e retém a sua mão. Para que a carne não continue a murmurar e a se queixar, perguntando por que Deus apenas ri dos ímpios, e não antes toma vingança contra eles, acrescenta-se a razão: que ele vê o dia da destruição deles próximo. Porque ele vê que o dia dele está chegando.
— John Calvino.
Porque ele vê que o dia dele está chegando. Ele ri desses pobres vermes, que se fazem tão grandes sobre a terra, e agem com tanta arrogância em sua impotência, vendo que tudo isso logo terá fim para eles.
— Bíblia de Berleb, citada por E. W. Hengstenberg.
Porque ele vê que o dia dele está chegando. O seu dia funesto, o dia da sua morte, que também será o dia do seu juízo final.
— John Trapp.
Versículos 14–15Salmo 37:14-15
A língua é uma espada e um arco, que dispara suas flechas — palavras amargas — contra os humildes e retos, contra Jesus e seus discípulos. Mas essas não são as únicas armas usadas contra eles. Como a malícia dos judeus recaiu sobre suas próprias cabeças, ninguém ignora, embora poucos levem isso a sério e os considerem um exemplo. George Horne.
Quando os ímpios estão mais próximos de fazer mal ao povo do Senhor, então o mal está mais próximo deles mesmos. David Dickson.
Versículo 16Salmo 37:16
O pouco que o justo tem, etc. A saber: 1. Porque os ímpios muitas vezes se enriquecem por meios injustos, e com isso têm muita vexação e transtorno, ao mesmo tempo em que acumulam ira para o dia da ira; ao passo que os justos, com um pouco bem adquirido, têm muita paz de consciência, com esperança do céu no futuro. 2. Porque os justos usam bem o que têm e são beneficiados por isso; ao passo que os ímpios abusam do seu de muitas maneiras, e em muitos aspectos ficam piores por causa disso. 3. Porque os justos desfrutam do que têm dia a dia como dádivas de Deus, penhores de seu cuidado e amor paternal, e assim isso lhes é como maná do céu — com isso desfrutam de doce consolo e ficam plenamente satisfeitos com o que têm; ao passo que os ímpios não têm nenhuma dessa alegria nem satisfação com sua riqueza.
- Porque Deus, por sua bênção, costuma fazer com que o que o justo desfruta seja mais eficaz para o seu bem do que a abundância dos ímpios. Um pouco de comida simples os torna mais saudáveis e fortes do que os ímpios com toda a sua fartura. E, 5. Porque o ímpio não desfruta de sua riqueza por muito tempo, como o justo o faz; e isso, de fato, concorda muito bem com as palavras seguintes. Arthur Jackson.
Estranhos a Cristo têm o uso das misericórdias externas, mas não se pode dizer propriamente que as desfrutam; parecem senhores delas, mas na verdade são servos delas; possuidores quanto ao uso externo, mas escravos quanto aos afetos internos; servem a elas enquanto parecem dispor delas; não fazem dominari, mas servire — não têm o comando, mas são escravizados. Nem seu uso é verdadeiramente reconfortante; podem imaginar consolo, mas seu consolo é apenas fantasia; brota de outra fonte que não pode ser cavada na terra. O consolo verdadeiro e sólido é porção somente daqueles que têm a justiça de Cristo como sua porção.
Estes podem olhar para cada dádiva temporal como sinal de amor eterno, como penhor e garantia da glória eterna, ambas as coisas porque podem recebê-las como fruto do sangue e da justiça de Cristo. Sim, aqui está a fonte do consolo, a fonte daquele consolo que é melhor do que a vida. Oh, que consolo é provar a doçura do amor de Cristo em cada dádiva! Quando podemos dizer: "Cristo me amou e se entregou por mim, para que eu desfrutasse dessas bênçãos" — oh, como isso eleva o valor de toda misericórdia comum! A justiça de Cristo, que foi realizada como a mais alta expressão de seu amor, comprou isso para mim! Por essa razão é verdadeiro o dito do salmista: o pouco que o justo tem é melhor do que as riquezas de muitos ímpios. Aquele que tem apenas comida e roupa tem, nesse aspecto, mais do que aquele que possui o império turco ou o ouro das Índias. Ele tem mais motivo de consolo no seu pouco do que eles em tudo o que têm. David Clarkson.
Se teu patrimônio fosse apenas pequeno, ainda assim seria perfumado de amor, e aquele pedaço de açúcar em teu copo tornaria doce o líquido, por menor que fosse. Assim como as águas que descem dos montes de algumas ilhas de Molucas têm gosto de canela e cravo que ali crescem, assim tua dádiva, ainda que fosse apenas água, deveria ter o gosto da boa vontade e da graça especial de quem a dá. Teu pouco, com o temor do Senhor, seria melhor do que as riquezas de muitos ímpios. Assim como um pequeno anel com um diamante muito precioso vale muito mais do que muitos anéis grandes sem ele, assim teu patrimônio, ainda que fosse apenas um centavo, deveria estar unido à joia preciosa daquele amor que é melhor do que a vida, e desfrutado por promessa especial — sendo, com isso, infinitamente mais valioso do que os milhares e milhões de outros, concedidos apenas pela generosidade comum e desfrutados só por uma providência geral. George Swinnock.
É tão possível para um homem ímpio encher o corpo de ar e o peito de graça quanto encher a mente de riqueza. É com eles como com um navio: pode estar sobrecarregado de prata e ouro, até quase afundar, e ainda assim ter espaço e casco para conter dez vezes mais. Assim aqui: um avarento miserável, embora tenha o bastante para afundá-lo, nunca terá o bastante para satisfazê-lo. De modo que a conclusão que o salmista apresenta é muito digna de nota: o pouco que o justo tem é melhor do que as riquezas de muitos ímpios; ele não diz "de quantos", porque, por mais que pensemos em qualquer número — sim, em todos eles —, o pouco do justo é, em muitíssimos aspectos, melhor do que todos os seus maiores tesouros somados.
O rei da Espanha, embora fosse de longe o maior príncipe da cristandade, com seu império tão vastamente estendido que podia verdadeiramente dizer que o sol sempre brilhava sobre seus domínios, adotou este lema: Totus non sufficit orbis — o mundo inteiro não é suficiente. Deus, por meio de Salomão, nos diz que "na casa do justo há muito tesouro" (Provérbios 15:6), embora muitas vezes mal haja uma boa cama para deitar ou um assento para sentar. Certamente virá o tempo em que os mais ricos ímpios que já viveram verão claramente que sua conta teria sido muito menor — e, por consequência, sua condição, por toda a eternidade, menos miserável — se tivessem sido tão pobres a ponto de mendigar seu pão de porta em porta durante toda a vida.
É com as bênçãos desta vida como com luvas perfumadas: quando são ricamente perfumadas, seu perfume vale muito mais do que o couro do qual são feitas. Assim, não são tanto as bênçãos terrenas em si mesmas, mas o fato de serem perfumadas com o doce amor de Deus em Cristo, o que as torna bênçãos de verdade, merecedoras do nome que carregam. Ora, todas as bênçãos daqueles que fizeram a escolha de Maria estão assim perfumadas: todo o pão de cevada que comem, por mais simples que seja; todas as roupas que vestem, por mais humildes que sejam; com todas as suas demais bênçãos temporais, procedem do mesmo doce amor de Deus, que o moveu a lhes conceder Jesus Cristo para a salvação (Romanos 8:32). Sermão de John Glascock, intitulado "A Escolha de Maria", 1659.
Versículos 16–17Salmo 37:16-17
Um pouco abençoado é melhor do que muito amaldiçoado; um pouco abençoado é melhor do que um mundo desfrutado; uma libra abençoada é melhor do que mil amaldiçoadas; uma crosta preta abençoada é melhor do que um banquete amaldiçoado; as espigas caídas abençoadas são melhores do que a colheita inteira amaldiçoada; uma gota de misericórdia abençoada é melhor do que um mar de misericórdia amaldiçoado; as migalhas de Lázaro abençoadas eram melhores do que as delícias amaldiçoadas de Dives; o pouco de Jacó, abençoado para ele, era melhor do que a grande propriedade de Esaú, que era amaldiçoada para ele.
É sempre melhor ter restos com uma bênção do que ter maná e codornizes com uma maldição; uma mesa modesta com bênção é melhor do que uma mesa farta com armadilha; um casaco surrado com bênção é melhor do que um manto de púrpura amaldiçoado; um buraco, uma caverna, um covil, um celeiro, um canto de chaminé com bênção é melhor do que palácios imponentes com maldição; um gorro de lã abençoado é melhor do que uma coroa de ouro amaldiçoada. E talvez aquele imperador entendesse bem isso, quando, olhando para sua coroa com lágrimas, disse: "Se soubésseis os cuidados que há sob esta coroa, jamais vos abaixaríeis para apanhá-la."
E por que, então, um cristão não haveria de contentar-se com pouco, vendo que seu pouco será abençoado para ele? Isaque lavra a terra e semeia sua semente, e Deus o abençoa cem vezes mais; e Caim lavra a terra e semeia sua semente, mas a terra é amaldiçoada para ele, e é ordenado que não lhe dê sua força. Oh, portanto, nunca deixe o cristão murmurar por ter apenas pouco, mas antes que continue bendizendo aquele Deus que abençoou seu pouco, que abençoa seu pouco, e que há de abençoar seu pouco para ele. Thomas Brooks.
Versículo 17Salmo 37:17
Porque os braços dos ímpios serão quebrados, mas o Senhor sustém os justos. Por "os braços dos ímpios", entenda-se sua força, seu valor, seu poder, sua astúcia, sua riqueza, sua abundância — que é toda a arma que têm para se apoiar e sustentar no mundo. Ora, esses braços serão quebrados, e quando forem quebrados, então, justamente então, Deus sustentará os justos — isto é, Deus será uma fonte contínua e transbordante de bem para os seus justos, de modo que jamais terão falta, ainda que todas as fontes dos ímpios sequem ao redor deles. Thomas Brooks.
Versículo 18Salmo 37:18
O Senhor conhece os dias dos retos. Ele deposita seus dias, guarda-os em segurança para eles: pois essa é a ideia original de edy. John Fry.
O Senhor conhece os dias dos retos, e eles não podem ser abreviados pela malícia dos homens. W. Wilson.
Versículo 20Salmo 37:20
Como a gordura dos cordeiros. Como a glória das ovelhas gordas, que por fim são abatidas. Targum.
Gordura dos cordeiros. Assim como a gordura dos sacrifícios era consumida no altar pelo fogo (que era um tipo da justa vingança de Deus sobre os pecadores) até se dissipar em fumaça, assim os ímpios serão os sacrifícios da justiça de Deus, e serão destruídos pelo fogo de sua indignação. Thomas Scott.
Em fumaça se consumirão. "Que nos aproveitou o orgulho? ou que nos trouxe o vanglorioso alarde da riqueza?" Tais são as coisas que dirão aqueles que estão no inferno e que pecaram. Pois a esperança dos ímpios é como o penugem seca do cardo, levada pelo vento, ou como a fina espuma espalhada sobre as ondas, ou como fumaça levada de um lado para outro pelo vento, ou como a lembrança de um viajante por um único dia. Wouter of Stoelwyk, 1541.
Versículo 21Salmo 37:21
Não paga de volta; isto é, não tem em seu poder, dada sua condição apertada, restituir o que tomou emprestado: compare Deuteronômio 28:12. Um judeu nessa situação tornava-se escravo de seus credores: compare 2 Reis 4:1. Daniel Cresswell.
Versículo 22Salmo 37:22
Deus promete que a descendência de seu povo herdará a terra. O filho de um arrendatário que pagou bem seu aluguel não será expulso de sua propriedade. John Glascock.
Versículo 23Salmo 37:23
Os passos do homem bom são ordenados pelo Senhor. Quando este Piloto assume o leme de sua rota, o barco jamais se espatifará no rochedo, encalhará na areia ou fará água a ponto de afundar no mar. Com certeza ele os fará chegar em segurança ao porto. Não era cristão, mas suponho que ninguém negará que falou boa teologia aquele que disse: "Se um homem escolher Deus como amigo, viajará com segurança por um deserto cheio de feras; passará seguro por este mundo, pois só está seguro quem tem Deus por guia." (Ar. Epist. 27) Não fala ele de modo parecido com o próprio Davi (Salmo 37:23), que nunca esperou chegar à glória a não ser guiado pelo conselho de Deus?
Ora, se um pobre pagão pôde dizer isso, e viu boa razão para confiar em Deus e admirar sua fidelidade, como o faz com frequência (assim como Sêneca, justificando a fidelidade de Deus em todos os seus tratos com os melhores homens em todos os seus sofrimentos, e na prosperidade dos ímpios) — o que dirá então o cristão celestial, que experimentou tanto da fidelidade de Deus ao responder suas orações, cumprir suas promessas e suprir todas as suas necessidades? James Janeway.
Ele se compraz no seu caminho. Note que no versículo quatro somos convidados a nos comprazer no Senhor, e aqui ele se compraz em nós; e assim como aqui nosso caminho é o deleite dele, no versículo trinta e quatro devemos "guardar o seu caminho". Essas antíteses são instrutivas. C. H. S.
Versículos 23–24Salmo 37:23-24
Palavras estranhas para nós! Os próprios passos todos ordenados, e isso por um Ser Todo-Poderoso, que "se compraz" na bondade do caminho do homem bom! E, no entanto, a inferência que se deve tirar com tanta clareza é que o homem bom pode cair, e que seu Deus e Guia pode ficar ao lado, observar e permitir! Acrescentemos à sugestão desses versículos uma ou duas referências que podem ajudar a firmar em nossos corações o princípio de que o filho de Deus pode cair e ainda assim permanecer filho de Deus; e também explicar um pouco a razão pela qual isso faz parte de sua sorte — quer seja ordenado, quer apenas permitido — em todo caso, um passo do "caminho certo" pelo qual Deus os conduz a uma "cidade de habitação" (Salmo 107:7).
Observa-se, perto do fim da vida boa e próspera de Ezequias, que "no negócio dos embaixadores dos príncipes da Babilônia... Deus o deixou, para prová-lo, para que conhecesse tudo o que havia em seu coração" (2 Crônicas 32:31). E, de novo, na profecia de Daniel a respeito dos últimos dias, lemos (Daniel 11:35): "E alguns dos entendidos cairão, para serem provados, purificados e embranquecidos." Nos dois versículos anteriores, temos também alguns detalhes valiosos sobre tais quedas: a ajuda com que Deus os sustentará; as lisonjas com que o mundo ainda os cercará, para impedi-los de se levantar de novo; as aflições externas para as quais sua queda os levará, como que através de uma fornalha; a posição elevada (instrutores de muitos) que, no entanto, não os livrará da provação necessária — o tempo determinado — e o fim em vista.
Assim aqui. O reconhecimento da possibilidade da queda do homem bom vem acompanhado da preciosa garantia de que ele não será totalmente derrubado. Mary B. M. Duncan, em "Sob a Sombra", 1867.
Versículo 24Salmo 37:24
Ainda que caia, não ficará totalmente prostrado, etc. Assim o Espírito consola e responde aos pensamentos secretos que qualquer um poderia ter, dizendo consigo mesmo: "Eu já vi acontecer, no entanto, que o justo é oprimido e sua causa é pisada na lama pelos ímpios." Não, ele responde: querido filho, ainda que assim seja, que ele caia; ele não pode permanecer caído e ser descartado; precisa se levantar de novo, embora o mundo todo duvide disso. Pois Deus o segura pela mão e o levanta outra vez. Martinho Lutero.
Ainda que caia — a saber, como alguém desanimado — não será rejeitado, isto é, totalmente, ou para sempre, por Deus (2 Coríntios 4:9); "porque o Senhor sustém sua mão", ou seja, seu poder e sua força, para preservá-lo de uma queda total, o que faríamos rapidamente se Deus não estivesse conosco. Thomas Wilcocks.
Um homem perdoado e justificado pela fé em Cristo, embora possa, e às vezes de fato caia em pecados graves, nunca chega a ponto de anular o perdão e reduzi-lo a um estado de não justificação. Ainda que caia, não ficará totalmente prostrado, porque o Senhor o sustém com sua mão! Ele fala de um homem bom, perdoado, justificado; ele pode cair; mas até onde? Perde o perdão, a justificação? Não — pois então cairia totalmente, seria derrubado para além da mão de Deus; mas o texto diz que não ficará totalmente prostrado, porque o Senhor o sustém com sua mão; ou, como Montanus traduz as palavras, o Senhor sustém suas mãos, e não o deixará afundar em tal condição.
Se fosse assim, então o pecado teria domínio sobre ele; mas Romanos 6:14 diz: "O pecado não terá domínio sobre vós"; e Romanos 8:2, os justificados são libertos da lei do pecado e da morte; e Romanos 8:30, os predestinados, chamados, justificados e glorificados estão tão ligados entre si que não há como quebrar essa corrente; se pecarem, têm "Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo, e ele é a propiciação pelos nossos pecados" (1 João 2:1-2). William Greenhill.
Versículo 25Salmo 37:25
Já fui moço, e agora sou velho, e nunca vi o justo desamparado (ele não diz: "em minha experiência, nunca vi o justo aflito", mas: "nunca o vi deixado ou desamparado em sua aflição"), nem a sua descendência a mendigar o pão. Ele acrescenta isso porque mendigar pão, especialmente na comunidade de Israel e no estado dos judeus, era sinal de total desamparo! Pois, embora Deus lhes tivesse dito que sempre teriam os pobres entre eles, também havia dado uma lei expressa de que não deveria haver mendigo entre eles. Por isso, diz ele, nunca vi os justos tão desamparados a ponto de serem forçados a viver de esmola.
Se alguém disser que o próprio Davi mendigou — pois pediu pão a Abimeleque e a Nabal —, respondo que há uma boa regra que resolve o caso: casos passageiros e acidentes repentinos não fazem mendigos. Não podemos dizer que Davi era mendigo, ou que mendigava seu pão, porque uma vez esteve em aperto e pediu pão a Abimeleque, e numa segunda aflição mandou pedir a Nabal. Em tais casos repentinos, o homem mais rico do mundo pode ser levado a pedir um pedaço de pão. Um homem bom pode cair em tais necessidades, mas homens bons raramente, ou nunca, permanecem nelas. Joseph Caryl.
Nunca vi o justo desamparado, nem sua descendência a mendigar pão. Talvez se objete que houve muitos homens justos pobres; mas a passagem fala de um homem justo e caridoso, como mostra o versículo seguinte, que diz: "Ele é sempre misericordioso e empresta; e sua descendência é abençoada." E quem já viu tal homem, ou sua descendência, reduzido a tal pobreza a ponto de mendigar seu pão? Quando nosso Salvador Cristo alimentou quatro mil pessoas com sete pães e alguns peixes, todos ficaram satisfeitos, e recolheram-se sete cestos cheios de sobras. É a observação de Santo Agostinho sobre isso: crescit dum impenditur victus — "o alimento, ao ser gasto, aumentava", e assim é a esmola dada aos pobres. Michael Jermin.
Nunca vi, etc. Creio que isso seja literalmente verdadeiro em todos os casos. Sou hoje um homem de cabelos brancos; viajei por diferentes países e tive muitas oportunidades de ver e conversar com pessoas religiosas em todas as situações da vida; e não vi, até onde sei, um único caso contrário. Nunca vi um homem justo desamparado, nem filhos de justos mendigando seu pão. Deus concede honra a todos os que o temem, e assim cuida deles e de sua posteridade. Adam Clarke.
Mendigar pão. Isso não se refere a buscar ocasionalmente algum socorro na necessidade (pois o próprio Davi desejou pão de Abimeleque, 1 Samuel 21:3, e ele e seus soldados pediram suprimento de víveres a Nabal, 1 Samuel 25:8); mas a viver de modo contínuo mendigando de porta em porta, o que é anunciado como maldição contra os ímpios (Salmo 109:10): "Sejam seus filhos vagabundos contínuos, e mendiguem." Nem se segue daí que nem o justo, nem sua descendência, jamais sejam levados a esse triste grau de miséria; apenas que isso raramente acontece, a ponto de Davi, em toda a sua vida, nunca o ter visto. Arthur Jackson.
Esta observação do salmista se verifica, em geral. Encontramos, de fato, exceções, como no caso da família de Eli. Mas isso foi resultado de sua falha de caráter como homem justo. E sabemos que as promessas devem falhar se descuidarmos dos meios necessários ao seu cumprimento (veja Gênesis 18:19). Mas alguns pensam que este versículo admite um complemento explicativo, e traduzem a última cláusula assim: "nem sua descendência (desamparada, embora) mendigando pão." David Davidson, em "O Comentário de Bolso", 1836.
Estas palavras devem ser tomadas como observação geral, não absolutamente verificada em cada caso; contudo, o fato estrito é, entendo, que os descendentes diretos de pessoas verdadeiramente piedosas raramente, ou nunca, são reduzidos a tais extremidades, a não ser por sua própria grande imprudência ou práticas abandonadas. William Walford.
Aqui ele registra uma experiência sua (como as que compõem, em sua maior parte, o Salmo 119), e se as experiências de outros homens não concordam inteiramente com a dele, não é de admirar: reis não costumam prestar atenção a mendigos. John Trapp.
Versículos 25–26Salmo 37:25-26
Muitas pessoas se afligem, ansiosas, sobre como seus filhos se sairão depois que morrerem; mas não consideram como Deus proveu para eles quando ainda eram crianças. Está o braço do Senhor encolhido? Não foi ele quem te tirou do peito de tua mãe, e quando teus pais te abandonaram (como diz o salmista), tornou-se teu Pai? E não pode essa misericórdia já experimentada por ti persuadir-te de que ele não abandonará os teus? Não é "Jesus Cristo o mesmo, ontem, hoje e para sempre"? "Já fui moço", diz Davi, "e agora sou velho; e nunca vi o justo desamparado" — isso é concedido — "nem sua descendência a mendigar pão."
Muitos pais desconfiados se preocupam tanto com sua posteridade que, enquanto vivem, privam o próprio corpo e arriscam a própria alma para deixá-los ricos. A tal pai bem se aplica: Dives es haeredi, pauper inopsque tibi — "és rico para teu herdeiro, pobre e necessitado para ti mesmo." Como uma galinha excessivamente afetuosa, alimenta seus pintinhos e deixa a si mesma faminta. Se a usura, a fraude, a opressão, a extorsão puderem enriquecê-los, eles não ficarão pobres. Sua tolice é ridícula: temem que seus filhos sejam infelizes, mas seguem o único caminho que os fará infelizes; pois não os deixam tanto herdeiros de seus bens quanto de seus males. Herdam com a mesma certeza os pecados de seus pais quanto suas terras: "Deus reserva sua iniquidade para os filhos dele; e sua descendência há de carecer de um pedaço de pão." Jó 21:19.
Ao contrário, o homem bom é misericordioso e empresta; e sua descendência é abençoada. O que o mundano pensa que fará sua posteridade pobre, Deus diz que fará a do homem bom rica. O preceito dá uma promessa de misericórdia à obediência, não restrita ao próprio homem obediente, mas estendida à sua descendência, e isso até mil gerações (Êxodo 20:6). Confia, pois, teus filhos a Cristo; quando teus amigos falharem, a usura não tiver mais validade, a opressão for condenada ao inferno, tu mesmo reduzido a pó, o próprio mundo transformado e queimado em cinzas — ainda assim "Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e para sempre." Thomas Adams.
Versículo 26Salmo 37:26
Ele é sempre misericordioso e empresta; e sua descendência é abençoada. Ele, o homem bom, é misericordioso consigo mesmo, pois a misericórdia, como a caridade, começa em casa; ele não teme comer uma boa refeição por ter filhos. E é misericordioso com os outros também, pois emprestará e fará o bem a quem puder, e então sua descendência se beneficia disso.
Note que quanto mais ele dá e empresta ao fazer obras de misericórdia, melhor é para seus filhos; pois os filhos mais bem providos são sempre aqueles cujos pais têm esta mentalidade: preferem confiar seus filhos a Deus do que confiar riquezas aos filhos; e fizeram desta a sua esperança — que, ainda que morram, Deus vive.
Se apenas um daqueles pais ricos e miseráveis (que se privaram e definharam para fazer do filho um cavalheiro, ao que parece) se levantasse dos mortos e visse cumprido em si mesmo aquele provérbio de Salomão — "Ele gera um filho, e em sua mão não há nada" — persuado-me de que a lembrança disso o afligiria na alma tanto quanto qualquer dor sensível, mesmo no próprio inferno.
Oh, considere isto, você que agora vive e vê isso em outros; e lembre-se também de que, se seus bens forem mal adquiridos, ou pior guardados, pode ser essa a sorte de seus filhos quando você partir — e eles sentirão, ainda que você não veja. Matthew Griffith.
Versículo 28Salmo 37:28
Porque o Senhor... não desampara os seus santos; eles são preservados para sempre. Como? Já que morrem como os outros. Note a antítese, e ela explicará isso. Eles são preservados para sempre: mas a descendência dos ímpios será eliminada. Eles são preservados em sua posteridade: os filhos nada mais são do que os pais multiplicados, os pais continuados; é uma nodosa aeternitas — "eternidade nodosa". Quando a vida do pai chega ao fim, um nó é atado, e a linhagem continua através do filho.
Confesso que bênçãos temporais, como longa vida e a promessa de posteridade feliz, são mais visíveis aos olhos daquela dispensação da aliança; mas ainda assim Deus continua cuidando dos filhos de seu povo, e muitas promessas seguem essa direção mesmo na administração do evangelho. E ainda hoje servir a Deus é o caminho mais seguro para estabelecer uma família, assim como o pecado é o caminho certo para desarraigá-la.
E se nem sempre acontece exatamente assim, ainda assim, na maior parte das vezes, acontece; e nós não somos juízes competentes das disposições de Deus nesse aspecto, porque vemos a providência em pedaços e não temos a habilidade de juntá-los. Mas no dia do juízo, quando toda a trama dos tratos de Deus for exposta diante de nós, entenderemos claramente como os filhos de seus servos permanecem, e sua descendência é estabelecida (Salmo 102:28). Thomas Manton.
Versículo 29Salmo 37:29
Os justos herdarão a terra. Há claramente uma ênfase na repetição da mesma promessa, nos mesmos termos, que deveria ter sido traduzida de forma uniforme ao longo de todo o Salmo 37:9,11,22,29,34. E não se pode duvidar de que há aqui uma referência aos novos céus e à nova terra de Isaías 65:17 e 2 Pedro 3:13. W. Wilson.
Os justos herdarão a terra, etc. Compare Mateus 5:5. Considere bem esta verdade bíblica, da futura posse exclusiva da terra pelos justos. O reino milenar fornece uma explicação mais completa. T. C. Barth.
Versículo 31Salmo 37:31
A lei de seu Deus está em seu coração, etc. O rebanho de ovelhas que está relutante e não quer ser conduzido escapa do caminho para cada desvio de trilha, uma para um lado, outra para outro; e assim é com um coração relutante: um pensamento vai para um lado, outro para outro, e é preciso habilidade para conduzi-los. Mas um coração disposto, um coração preparado e pronto para toda boa obra, avança direto e se compraz no Senhor. Richard Steele.
(primeira cláusula). Ele tem uma Bíblia na cabeça, e outra no coração; tem um bom tesouro por dentro, e dali tira coisas boas. John Trapp.
Versículos 32–33Salmo 37:32-33
Os judeus vigiavam aquele Justo dia e noite; buscavam matá-lo, e o fizeram; mas Jeová não o deixou em suas mãos, e sim reivindicou sua inocência ressuscitando-o dos mortos. George Horne.
Versículo 34Salmo 37:34
Espera no Senhor, etc. Aquele que verdadeiramente confia em Deus aguardará o tempo de Deus, usará os meios de Deus e andará no caminho de Deus, ainda que pareça dar voltas; não negligenciará sua alma por pressa, pois sabe que isso seria apressar-se mais do que convém.
Nem sairia do caminho — o caminho que é santo e justo — mesmo que assim pudesse escapar de uma perda, de uma aflição, ou obter alguma vantagem desejável. A fé verdadeira caminha apoiada em Deus, e por isso guarda o caminho dele. Aquele que não é generoso para promover e honrar o evangelho; aquele que teme mais a pobreza ou a aflição do que teme o pecado; aquele que se preocupa mais com as coisas do mundo do que com sua alma; aquele que toma caminhos indiretos ou suspeitos para adquirir, aumentar ou proteger seu patrimônio; aquele que não é zeloso nem vigilante para que seus cuidados com o mundo (quando muito envolvido neles) não se tornem imoderados — está claro que este não confia a Deus o seu patrimônio.
E quem não confia a Deus o seu patrimônio, seja o que for que pense ou pretenda, também não confia a Deus a sua alma, a sua salvação; suas esperanças de céu e salvação não passam de presunção. David Clarkson.
Espera no Senhor. Não o prendas a um dia; não desperte o Amado antes que ele queira. John Trapp.
Espera... guarda. Enquanto esperamos, cuidemo-nos da vacilação. Não dê um passo fora do caminho de Deus, ainda que haja um leão no caminho; não evite o dever para encontrar segurança; guarde a estrada real de Deus, o bom caminho antigo (Jeremias 6:16), o caminho pavimentado de santidade. "E ali haverá uma estrada, e um caminho, e será chamado o caminho da santidade." Isaías 35:8. Evite caminhos tortuosos, cuide-se de virar para a esquerda, para que não seja posto à esquerda. O pecado contraria nossas esperanças, ele barra nosso caminho; um homem pode esperar encontrar o céu no inferno tanto quanto encontrá-lo num caminho pecaminoso. Thomas Watson.
Versículo 35Salmo 37:35
Loureiro verde. A Septuaginta traduz [termo hebraico] como se fosse [termo hebraico], "como o cedro do Líbano"; mas [termo hebraico], segundo Delitzsch, significa uma nobre árvore de madeira nobre, que ao longo de séculos de crescimento adquiriu um tronco gigantesco e uma copa frondosa, em forma de cúpula.
Loureiro verde. A tradução marginal — "uma árvore que cresce em seu próprio solo" — é, sem dúvida, a verdadeira. A ideia geralmente formada dessa passagem pelo leitor da Bíblia em inglês é que a árvore mencionada era o loureiro-cereja (Prunus laurocerasus), o loureiro-cerejeira de nossos jardins. Mas essa planta pertence a uma família inteiramente diferente. O loureiro-bay e o loureiro-de-Portugal, cuja forma de crescimento e folhas perenes os tornam altamente ornamentais em arbustos, pertencem a uma subfamília (Drupaceae, Lind.) da tribo das rosas (Rosaceae); mas a verdadeira árvore de louro, que floresce com viço no sul da Europa, é o tipo da família dos louros (Lauraceae).
Diversas circunstâncias tornam improvável que a verdadeira árvore de louro represente o hebraico esrach. Não há evidência de que fosse tão abundante na Palestina a ponto de ser escolhida pelo salmista como ilustração em um poema de uso popular. De fato, é encontrada, mas sobretudo em localidades nas bordas da margem oriental do Grande Mar. A principal objeção à suposição de que o poeta real se referia à árvore de louro está no próprio salmo.
Tendo-a mencionado nas linhas citadas acima, ele acrescenta: "Contudo, ele passou, e eis que já não era; sim, busquei-o, mas não pôde ser achado." A ideia aqui não é uma que pudesse ser representada e ilustrada por uma planta perene, de crescimento lento, ainda que alcance na maturidade uma altura de mais de nove metros. As palavras exigem uma árvore de crescimento rápido, em solo mais do que habitualmente favorável ao seu desenvolvimento. Assim plantada, e brotando em calmaria e sol, atrairia todos os olhos; mas quando a tempestade caísse sobre ela, quando o vento forte varresse imperiosamente seus ramos, ela não resistiria. Arrancada pela raiz, sua madeira relativamente inútil, como os mortos de Abraão, seria sepultada e sumiria de vista. E assim é com o ímpio. Foi buscado e não pôde ser achado. John Duns, D.D., F.R.S.E., em "Ciência Natural Bíblica".
Não vemos força na observação do Dr. Duns; de fato, se não houvesse outras razões para preferir a tradução dada na nota seguinte de Wilson, veríamos ainda mais motivo para manter a árvore de louro. Era uma árvore de permanência e verdor duradouro, e assim parecem ser os ímpios prósperos. Parecem ter uma felicidade eterna; mas, apesar disso tudo, aqueles que observam com cuidado os tratos da providência notam, com santo espanto, que a justiça divina corta abruptamente sua glória, e eles perecem por completo. C. H. S.
Vi o ímpio em grande poder (terrível, feroz, violento), estendendo-se como um loureiro verde (uma árvore em seu solo natal, vigorosa e luxuriante, que nunca fora transplantada). Uma figura marcante do homem ímpio do mundo, firmemente enraizado nas coisas terrenas — seu solo natal —, tornado orgulhoso e arrogante em sua prosperidade, sem temor nem receio de qualquer reviravolta. William Wilson.
Como um loureiro verde, que produz apenas folhas e nenhum fruto. Matthew Henry.
Vi o ímpio, diz Davi, em grande poder, e estendendo-se como um loureiro verde. E por que como um loureiro verde? Porque no inverno, quando todas as outras árvores — como a videira, a figueira, a macieira, etc., árvores mais úteis — estão murchas e nuas, o loureiro permanece tão verde no inverno quanto no verão. Assim se passa com os homens ímpios: quando os filhos de Deus, nas tempestades de perseguições, aflições e misérias, parecem murchos, e como que mortos, os ímpios, durante todo esse tempo, florescem e parecem verdes aos olhos do mundo; eles se banham na riqueza mundana, mas isso é para sua destruição; engordam, mas é para o dia da matança. Foi o caso de Hofni e Fineias: o Senhor lhes deu o bastante e permitiu que continuassem e prosperassem em sua maldade; mas qual era a razão? Porque ele haveria de destruí-los. Sermão de J. Gore em São Paulo, 1633.
Versículos 35–36Salmo 37:35-36
—Hoje ele lança
As folhas tenras da esperança; amanhã, floresce,
E traz sobre si suas honras coradas:
No terceiro dia vem a geada, uma geada mortal;
E — quando ele pensa, homem confiante e bom,
Que sua grandeza está madura — corta sua raiz,
E então ele cai, como eu caio.
—William Shakespeare, em Henrique VIII.
Versículos 36–37Salmo 37:36-37
O falcão voa alto, e é tão estimado, pousado num poleiro, ornado com os guizos tilintantes de estímulo, carregado no punho de seu dono; mas, uma vez morto e retirado do poleiro, é jogado no monte de esterco, sem préstimo para nada. A galinha ciscar na poeira não lhe rende recompensa nenhuma enquanto viva; mas, morta, é trazida como prato de escolha à mesa de seu dono.
Assim os homens ímpios costumam ser postos em lugares altos, e prosperam nesta vida; e os homens bons ficam rastejando com a boca no pó, como os mais baixos do mundo; mas, uma vez mortos, um é lançado na masmorra do inferno, o outro elevado ao reino dos céus: um vai para o seio de Abraão, enquanto o outro é atormentado com o diabo e seus anjos. Thomas Westfield, D.D., 1644.
Versículo 37Salmo 37:37
Nota... e observa. Heródoto menciona um costume entre os etíopes de colocar os corpos de seus amigos mortos em sepulcros envidraçados, para que suas formas ficassem visíveis aos que passavam. Por mais desnecessário que fosse esse costume, não é senão justo que os traços piedosos da mente daqueles que morrem no Senhor sejam apresentados aos vivos no espelho da arte. De fato, o elogio após a morte é o tributo de uma vida religiosa. As boas obras são joias que não devem ser trancadas num gabinete, mas expostas à vista pública.
Se Cristo quis que o nome de Maria fosse lembrado no evangelho até o fim do mundo por um vaso de unguento derramado sobre sua cabeça, não podemos imaginar que ele desejasse que os muitos feitos piedosos e caridosos de seus servos fossem sepultados no esquecimento. Consulte as Escrituras, e dificilmente encontrará algum homem piedoso posto em sua sepultura sem um epitáfio de honra. Observe os pais da igreja, e verá que era prática deles honrar a morte dos bons dando-lhes os louvores merecidos. Nathaniel Hardy.
O homem íntegro, etc. Os teólogos bem distinguem uma dupla perfeição: ela é absoluta ou comparada. É absolutamente perfeito aquilo ao qual nada falta (para que seja considerado verdadeiramente bom); e assim só é perfectus aquele que é infactus — Deus, que fez todas as coisas e ele mesmo não é feito, gozando sozinho de uma perfeição autossuficiente, em si mesmo e por si mesmo. É comparativamente perfeito aquilo em que, apesar de algumas faltas, há plenitude em comparação com outros. Assim, todo santo é perfeito em comparação com os ímpios entre os quais vive.
A esse respeito se diz de Noé que "era um homem perfeito em suas gerações"; sua graça, comparada com a maldade do mundo antigo, bem merecia o nome de perfeição; de fato, todo homem reto é perfeito em comparação com os que são abertamente maus, ou apenas aparentemente bons — manchados de maldade, ou apenas pintados de santidade. Assim, um santo pode ser perfeito se comparado com outro — o cristão forte em relação ao fraco, a quem ultrapassa em graça e piedade: são esses santos que Paulo tem em mente quando diz: "Falamos sabedoria entre os que são perfeitos" — ou seja, os que alcançaram maiores medidas de graça do que outros. Disse-se de Benaia: "Ele era mais honrado do que os trinta, mas não chegou aos três primeiros"; e, embora nenhum santo jamais alcance as perfeições dos três primeiros — a bendita Trindade —, muitos santos podem ser honrados entre os trinta, perfeitos em comparação com aqueles entre quem vivem.
Devemos ainda distinguir uma dupla perfeição: ela é extrínseca e intrínseca. A perfeição extrínseca, assim chamada por ser imputada, é aquela de que todo crente participa por meio da justiça perfeita de Cristo, pela qual todas as suas imperfeições são cobertas; a esse respeito o autor aos Hebreus nos diz que "por uma só oferta ele aperfeiçoou para sempre os que são santificados"; e São Paulo diz aos colossenses que estavam "completos nele", isto é, em Cristo. De fato, omnia Dei mandata tunc facta deputantur, quando id quod non fit ignoscitur — os mandamentos divinos são então, na conta de Deus, cumpridos, quando nossas faltas são perdoadas por causa de Cristo; e a perfeição evangélica de um cristão não consiste in perfectione virtutum, sed remissione vitiorum — na completude de nossas virtudes, mas na remissão de nossos pecados.
A perfeição intrínseca, assim chamada por ser inerente, é distinguida, tão racional quanto habitualmente, entre perfectio partium e graduum. Diz-se perfeito aquele cui nihil deest eorum quae ad statum salutis necessaria — a quem não falta nenhuma das graças que acompanham a salvação; ou é perfeito aquele cui nihil deest in gradibus gratiarum et virtutum — que não é deficiente na medida dessas graças. Ambas costumam ser bem ilustradas pela semelhança entre uma criança e um homem adulto: um tem todas as partes essenciais e integrais de um homem, o outro tem o uso e a medida completos dessas partes. Nathaniel Hardy.
O fim. Todos os homens sábios preferem que a conclusão seja a melhor: percorrer duas ou três milhas de bom caminho e depois ter cem milhas fundas e sujas para atravessar é desconfortável — especialmente quando o fim é pior do que o caminho. Mas que o começo seja penoso, o percurso um pouco mais fácil, e o fim da jornada feliz, e há justa compensação. Note o homem íntegro, e observe o reto: pois o fim desse homem é paz. Observe-o na partida, ele tem muitas oposições; observe-o na jornada, está cheio de tribulações; mas observe na conclusão, e o fim desse homem é paz. Thomas Adams.
O fim desse homem é paz. Permita-me determinar o que significa terminar ou morrer em paz. Terminar em paz, segundo Eutímio, é terminar in pace cogitationis — em paz de espírito, em oposição à dúvida. Terminar em paz, segundo Cipriano, é terminar in pace securitatis — em paz de segurança, em oposição à queda final. Terminar em paz, segundo Orígenes, é terminar in pace conscientiae — em paz de consciência, em oposição ao desespero. Terminar em paz, segundo o velho Ireneu, é terminar in pace mortis — na paz da morte, em oposição ao sofrimento.
De novo, terminar em paz é terminar in pace Dei — na paz de Deus, que excede todo entendimento, isto é, muito além do que os homens conseguem compreender. Terminar em paz é terminar in pace proximi — em paz com nossos vizinhos, isto é, quando nenhum clamor ou acusação nos persegue. E, por fim, terminar em paz é terminar in pace sui — em paz consigo mesmo, isto é, quando nenhuma distração ou perturbação de espírito nos incomoda. Richard Parre.
O texto pode ser dividido nestas duas partes: primeiro, a propriedade do homem piedoso; segundo, o privilégio do homem piedoso. Sua propriedade é a perfeição; seu privilégio é a paz. Aqui está o caráter do santo e a coroa do santo: ele se caracteriza pela retidão ou sinceridade, e é coroado com paz. Aqui está o caminho do cristão e o seu fim, seu movimento e seu repouso. Seu caminho é a santidade, seu fim a felicidade; seu movimento é rumo à perfeição e na retidão; seu repouso é a paz ao final da jornada. John Whitlock, em um sermão fúnebre intitulado "O Homem Íntegro e Seu Fim Feliz", 1658.
Faltaria tempo para contar como morrem os cristãos, e nada, senão a pena do anjo registrador que esteve junto ao leito de morte deles e os carregou ao seio de Abraão, poderia narrar os inúmeros casos de sua partida deliciosa deste mundo presente, que confirmam a verdade da Bíblia. "Eu nunca poderia ter acreditado", disse um santo moribundo, "que era tão prazeroso morrer, ou que fosse possível ter tais visões do mundo celestial como as que agora desfruto." O memorável Melâncton, pouco antes de morrer, entoou em seu sono as palavras: "Não comerei mais disso até que se cumpra no reino de Deus." Parecia inquieto, e, ao ser perguntado por alguém próximo se havia mais alguma coisa que desejasse, respondeu: Aliud nihil nisi coelum — nada mais, a não ser o céu. Gardiner Spring.
Para morrer bem, é preciso viver bem; não devemos pensar em ter a morte de Lázaro e a vida de Dives; como aquele em Plutarco que queria viver com Creso, como disse, mas morrer com Sócrates. Não; os desejos de Balaão são tolos e infrutíferos. Se você quiser morrer bem, cristão, cuide de viver bem: qualis vita, finis ita — se quiser morrer tranquilo, viva com retidão; se quiser morrer confortado, viva em conformidade; se quiser morrer feliz, viva com santidade. Note o homem íntegro, e observe o reto, pois o fim desse homem é paz. John Kitchin, M.A., 1660.
Versículo 38Salmo 37:38
O fim dos ímpios será eliminado. Os ímpios, neste mundo, sobem facilmente, sem obstáculo nem interrupção, muitas vezes com aclamações e aplausos, todos os degraus dourados de honrarias e promoções; mas no degrau mais alto encontram o chão mais escorregadio, e o topo de sua felicidade terrena é a descida mais imediata e certa para a maior queda.
Estão majestosamente montados aqui na terra, e galopam velozes pelas planícies verdejantes da fartura e do prazer; mas ao final da corrida são derrubados, cavalo e cavaleiro, e tombam de cabeça no poço da destruição. Deslizam suavemente pelo mar deste mundo a toda vela, com muita calma e serenidade, ricamente carregados; mas no brilho mais luminoso do sol, e quando menos suspeitam, afundam de repente e sem remédio no abismo da escuridão e da desolação. Robert Bolton.
Versículo 40Salmo 37:40
E o Senhor os ajudará. Ele o fará, ele o fará, ele o fará. Oh, a retórica de Deus! a segurança dos santos! a certeza das promessas! John Trapp.
Lutero encerra sua Exposição do Salmo com estas palavras: Oh, que vergonha nossa infidelidade, desconfiança e vil incredulidade, por não crermos em declarações de Deus tão ricas, poderosas e consoladoras, e nos abalarmos tão facilmente com os menores motivos de ofensa sempre que ouvimos os discursos ímpios dos ímprobos. Ajuda-nos, ó Deus, a alcançarmos enfim a fé correta. Amém.