Tesouros de Davi

Notas explicativas e citações: Salmo 93

Citações de puritanos, reformadores e outros comentaristas sobre o Salmo 93, reunidas por Charles Spurgeon.

Leia o Salmo 93 na íntegra no Midvash, na King James Fiel

Salmo inteiro. Este é um daqueles magníficos salmos que descrevem o reinado de Jeová. Até os intérpretes judeus dizem deles que tudo isso trata das coisas que acontecerão nos dias do Messias. Do início ao fim, ele se lê como um comentário e uma aplicação da grande verdade fundamental: Jeová reina. Ele já lançou os alicerces do seu reino em sua Igreja, e em breve o estabelecerá, em sua fidelidade e poder. Os elementos que até agora resistiram não terão permissão para continuar. De modo verdadeiramente régio, ele se manifesta. Ele está vestido de majestade; vestido está Jeová, cingido de poder. O estado presente das coisas está ligado à humilhação de Cristo. Mas quando ele veste o seu manto régio de majestade e cinge a espada do seu poder: assim o mundo será estabelecido; não pode ser abalado.

E, no entanto, ainda que pareça que o inimigo há muito prevalece, o teu trono está firmado desde a antiguidade: tu és desde a eternidade. O estabelecimento do seu trono é o fundamento e o penhor do estabelecimento do mundo e do seu reino. "Jesus Cristo, o mesmo ontem, hoje e para sempre." Diante de tudo isso, a Igreja permanece como espectadora maravilhada, primeiro tomada de temor reverente, depois cheia de gratidão adoradora.

As enchentes se levantaram, ó Jeová, levantaram o seu rugido; as enchentes levantam o seu ruído de arrebentação. Este último termo se refere ao som das ondas quando se quebram, e, ligada a ele, a mudança de tempo verbal é bem marcante. Os inimigos de Deus e do seu reino se levantaram como as enchentes ou as ondas do mar, açoitadas pela tempestade; com rugido avançaram; mas, ao se aproximarem do navio que leva o Rei, o seu rugido se torna o de ondas que se desfazem em espuma. A maior proximidade que alcançam é — a sua própria destruição; o maior ruído que fazem é — o de se quebrarem. E mesmo agora, no auge da tempestade, superando não só todo perigo, mas até o seu ruído ameaçador, está Jeová.

Jeová nas alturas (mesmo ali) é mais poderoso que o rugido de muitas águas, e mais forte que as ondas que se quebram no mar (a palavra aqui traduzida por "ondas que se quebram" é, literalmente, derivada do verbo quebrar). Que retrato da nossa segurança; que resumo da história do governo de Deus e da sua igreja! Assim, a calmaria da tempestade no lago da Galileia não foi apenas uma representação parabólica da história do Reino de Deus, mas também um tipo da consumação final de todas as coisas; um resumo do passado, uma profecia do futuro, um tipo do fim. E o que se aplica à Igreja como um todo vale igualmente para cada crente.

Lembremo-nos sempre de que o ruído é o de uma onda que se quebra. Nossos maiores perigos não passam de ondas que se quebram; ondas que se rompem aos seus pés. A mesma expressão também se aplica às vezes às ondas da ira ou dos juízos de Deus que ameaçam engolir o crente, como em Salmos 42:7 e 88:7. Estas também, bendito seja o seu nome, não passam de ondas que se quebram. Enquanto isso, à espera da manifestação da sua majestade e do seu poder, "temos a mais segura palavra de profecia." Os teus testemunhos são muito seguros (muito confiáveis, literalmente muito confirmados com um Amém); e, quanto a nós, a nossa fé e a nossa paciência são provadas: a santidade convém à tua casa, ó Senhor, para sempre.

Temos, portanto, aqui a história da Igreja de Deus deduzida do texto: "O Senhor reina." Essas palavras são para nós como "uma luz que brilha em lugar escuro, até que o dia amanheça e a estrela da alva surja em nossos corações." Enquanto elas nos restarem, tudo o que nos ameaça de fora não passa do ruído de uma onda que se quebra. O consolo indizível transmitido por essa certeza é constantemente comprovado na experiência do povo de Deus. Não há verdade mais preciosa ao coração do cristão do que esta: que "o Senhor reina." A convicção disso deve nos levar muito acima de todos os cuidados e temores.

Um Deus pessoal, um Deus vivo, um Deus reinante — tanto nos exércitos do céu quanto entre os habitantes da terra —, e esse Deus, o Pai de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo: são esses os degraus pelos quais alcançamos uma altura de onde, bem longe do tumulto dos homens, obtemos uma visão ampla e clara da terra e dos seus problemas. Eu não trocaria a certeza que essas duas palavras, "o Senhor reina", transmitem, por toda a sabedoria unida a todo o poder deste mundo. Recebidas em meu coração, elas são a solução de toda dificuldade, o fim de toda perplexidade.

Parece-me como se, depois de me confundir com a escrita cruzada e os hieróglifos dos homens, eu virasse uma página nova, no alto da qual estivessem escritas essas palavras, como o texto a ser pregado através de toda a história, seja do indivíduo, da família, da nação, da Igreja ou do mundo. É como se, depois de revolver com tristeza e impotência todas as dificuldades e carências que angustiam meu coração, eu de repente me erguesse acima daquelas nuvens flutuantes para um ar limpo: como se, de uma só vez, eu estivesse livre de todo fardo; como se tivesse alcançado um porto de descanso; como se tivesse encontrado um alicerce firme, um princípio último.

Afinal, em toda provação real, há apenas este consolo final e completo. Que importa a opinião dos homens — quem é a favor e quem é contra mim; quem está comigo, ou quem me abandona. Quem falaria de perspectivas ou probabilidades, do apoio a ser obtido pela riqueza ou pelo poder, ou das deserções de amigos com cuja simpatia e ajuda havíamos contado? "O Senhor reina!" Há luz aqui em todo o meu caminho, desde que eu siga a Cristo, andando pelo caminho estreito.

Que eu apenas tenha certeza de que, em qualquer e todo aspecto, estou do lado do Senhor e no caminho do Senhor, e nada mais peço. Meu Deus tem toda a prata e todo o ouro em suas próprias mãos. Ele tem em suas mãos o coração de todos os homens; ele dirige todos os acontecimentos, do menor ao maior. Se eu quiser poder junto a Deus ou aos homens, que eu ore; pois o Senhor reina.

Nem tampouco pense eu que as intervenções especiais sejam impossíveis ou raras. Elas são constantes. O curso da providência de Deus é uma constante intervenção; pois "todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus." Só que essas intervenções não são violentas, e por isso não são notadas pelo observador superficial; são as intervenções de um Deus todo sábio e todo-poderoso, não de um homem pobre e fraco; são intervenções, não interferências; são o funcionamento da máquina pela Mente Mestra que a projetou, e pela Mão Mestra que a construiu. Não são a paralisação, mas o funcionamento da máquina, pelo qual o seu verdadeiro objetivo se cumpre.

Por fim, observe no salmo estas três coisas: na criação e na natureza, uma lei preestabelecida junto a um governo pessoal e contínuo — não como coisas opostas, mas uma pressupondo a outra (Salmos 93:1-2). Na providência: "o Senhor nas alturas é mais poderoso que o ruído de muitas águas" — que de outro modo causaria terror, assim como o seu inchar ameaçaria perigo constante. E na graça: "os teus testemunhos são muito seguros." Posso descansar neles. Nem um til, nem um jota cairá por terra. Onde quer que eu tenha uma palavra de promessa, posso ali plantar meus passos com segurança. A conclusão e a inferência de tudo isso é que a "santidade" — não o medo, nem o servir ao homem, mas a separação para o Senhor — "convém", ou é a atitude certa, sábia e própria da sua casa e do seu povo.

— Alfred Edersheim, The Golden Diary of Heart Converse with Jesus in the Book of Psalms, 1866.

Salmo inteiro. Menciona-se no Talmude Babilônico que era costume dos judeus cantar este salmo no sexto dia da semana, ao que ele bem se ajusta, por celebrar o reerguimento e a nova fundação do mundo na nova criação (Salmos 93:1); o que se confirma por um título dado a ele na Septuaginta — "No dia antes do sábado, quando a terra foi fundada: Salmo de ação de graças a (ou por) Davi" — adotado pela Vulgata e, em geral, pela Versão Oriental. E assim este salmo se identifica em tema com o anterior: como observa também Hengstenberg — "A relação, impossível de não notar, em que 'o Senhor nas alturas é mais poderoso' (aqui, Salmos 93:4) está para 'mas tu, Senhor, és mais alto para sempre' (Salmos 92:8) — o núcleo e o ponto central de todo o salmo — já levou os comentaristas a notar uma estreita ligação entre estes dois salmos... o que é decididamente favorecido pelo conteúdo; ambos os salmos ministram consolo à Igreja, exposta ao perigo pelo poder do mundo." Ele poderia ter acrescentado — na promessa que ambos dão do "repouso, o sabatismo que resta ao povo de Deus", quando ambos se cumprirem.

— W. De Burgh.

Versículo 1Salmo 93:1

O Senhor reina. É uma espécie de proclamação em que o povo de Deus é convidado a declarar diante de homens e anjos que o Senhor é Rei, ele e somente ele. É a resposta da Igreja à pregação do evangelho — tão jubilosamente saudada em Isaías — a pregação daquele mensageiro "que anuncia boas novas, que proclama paz; que anuncia boas novas de bem, que proclama salvação; que diz a Sião: O teu Deus reina!"

— William Binnie.

O Senhor. Ele descreve Deus pelo nome Jeová, em parte para nos levar a pensar no Deus de Israel, sendo por este nome costumeiramente distinguido dos deuses das nações; em parte, para trazer à memória os atributos de veracidade, graça e justiça compreendidos nesse nome, e agora claramente revelados... Quando diz que Jeová reina, sem acrescentar nenhuma restrição, nem mencionar povo algum, parece que o Reino de Jeová deve ser tomado de modo absoluto e geral, com igual referência ao governo do mundo e ao da igreja.

No primeiro sentido, pode-se dizer que Jeová reina, não como se então, finalmente, tivesse começado a reinar, mas porque se provou Rei do mundo de modo extraordinário, dando sinais públicos e manifestos; pelos quais ficou claramente estabelecido que Jeová é o verdadeiro Deus, o Criador do céu e da terra, o Senhor e Governante de todo o universo, e um juiz justo e equitativo, ao infligir notáveis julgamentos sobre os pecadores, ao derrubar os ídolos e ao reivindicar a causa da verdadeira religião e da virtude.

Considero este sentido contido na proposição geral: mas, diretamente, em seu significado primário, entendo o Reino de Deus em sua Igreja, em parte porque aqui se diz que Deus reivindica a causa da religião e do seu povo; em parte porque, em Salmos 99:1, se diz que ele se mostra exaltado em Sião, e ali assume o Reino (Isaías 24:23, e frequentemente em outros lugares na palavra profética); e, por fim, porque Jeová, o Rei do seu povo, aquele mesmo que reina, é apresentado como o governante do universo. Ele é, portanto, o Rei do seu povo; tem o seu Reino no meio deles, mas a ele todas as coisas no céu e na terra também estão sujeitas.

Nesse sentido posterior, portanto, a expressão "Jeová reinou" equivale a "ele assumiu o Reino, tornou-se Rei", como é frequentemente usada nas histórias dos reis de Judá e de Israel; assim também em Isaías 28:23, e em outros lugares... Quando se diz que ele tomou o Reino no meio do seu povo, isso não deve ser entendido de modo absoluto, mas restrito, em referência, em parte, à maneira e à forma de governo, mais ou menos teocrática; em parte, às manifestações da Majestade Divina, mais ou menos conspícuas; e, em parte, ao estado servil ou aflito do seu povo, desde o exílio babilônico até o tempo dos Macabeus.

Nessas épocas se diz que Deus tomou o Reino, em muitas outras profecias além desta: Isaías 24:21-23; Obadias, no final; Miqueias 4:6-8.

— Venema.

O Senhor reina. Estas são também as palavras iniciais dos Salmos 97:1 e 99:1. Talvez se sugira um triplo modo de reinar: sobre as coisas que a Deus estão sujeitas por necessidade natural; sobre as que resistem à sua vontade e, tanto quanto podem, se retiram do seu domínio; e sobre as que espontânea e livremente lhe obedecem. Pois, neste lugar, declara-se que o Reino se estende tão longe quanto a fundação do mundo; em Salmos 97:1, ele é sugerido para a exultação da terra e a alegria das ilhas; em Salmos 99:1, diz-se que Deus reina, ainda que os povos se irem e a terra se encha de comoção.

— Zorinus.

O Senhor reina. Depois de considerar, por todos os lados, o domínio terreno dos ídolos e dos deuses e reis da terra, o salmista finalmente irrompe nestas palavras, que atribuem o governo supremo a ninguém além de Jeová, o Deus verdadeiro. Que se conceda que os monarcas da Assíria, os reis do Egito e os senhores de outras nações estendam o seu império para longe e para todo lado; que se admita que a majestade real seja atribuída aos ídolos pelos seus adoradores; ainda assim, tudo isso não é nada diante do reino e da majestade de Jeová.

— Martin Geier.

O Senhor reina, isto é, o Senhor se tornou Rei (Salmos 96:10; 97:1; 99:1). É a fórmula proclamada na ascensão dos soberanos terrenos (2 Samuel 15:10; 1 Reis 1:11,13; à margem, 2 Reis 9:13: "Jeú reina"). A referência não é ao governo ordinário e constante de Deus, mas à sua assunção de um reino novo e glorioso. A proclamação arrogante do poder mundano era, virtualmente, "a Assíria reina"; a sua derrubada foi a contraproclamação de Deus: "O Senhor (Jeová) reina." O sentido antitípico é que os poderes mundanos sob o Anticristo, energizados por Satanás (Apocalipse 16:14; 17:12-14,17), darão um último golpe desesperado, aparentemente bem-sucedido por um instante, pelo domínio da terra, em desafio ao Senhor (2 Tessalonicenses 2:3-12). Mas Cristo tomará o seu grande poder e reinará como Rei dos reis e Senhor dos senhores, tendo derrubado por completo o inimigo anticristão (Isaías 24:23; Obadias 1:21; Zacarias 14:9; Apocalipse 11:15,17; 19:6).

— A. R. Fausset.

O Senhor reina. As primeiríssimas palavras deste salmo parecem indicar uma manhã de calma repousante depois de uma noite de tempestade, um dia de quietude depois do tumulto da batalha. "O Senhor reina." "Ele pôs todos os inimigos debaixo dos seus pés."

— Barton Bouchier.

O mundo também está firmado. A palavra "mundo" é propriamente tomada pelo globo habitável, e, por metonímia, pelos habitantes da terra. Isso fica claro em Salmos 24:1-2; 89:12; 9:9; Salmos 96:1,3; 98:9. Nesta passagem, parece prevalecer o primeiro sentido, porque este Rei majestoso não fortificou nenhuma torre ou palácio, mas o mundo inteiro, pela palavra do seu poder, para que nele houvesse morada constante para os homens que o adoram, até o dia designado do juízo final.

— Martin Geier.

Versículo 2Salmo 93:2

O teu trono está firmado. A perpétua invariabilidade do reino divino é celebrada nestas palavras. Ali não se temem vicissitudes, como nas monarquias e nos reinos terrenos, onde os tronos não raro se abalam, seja pela morte de reis e de grandes homens, seja pela infidelidade de súditos ou ministros, seja pelos planos ou ataques de inimigos; nada disso pode perturbar o governo divino.

— Martin Geier.

O teu trono está firmado desde a antiguidade. Para que ninguém suspeitasse que a dignidade real descrita e demonstrada no versículo anterior pela criação do mundo, que foi o efeito do poder e da majestade régios, fosse coisa nova, surgida ontem ou anteontem, ou que Deus tivesse recentemente obtido o ofício de governar e reger, ou que, por longo uso e experiência, tivesse adquirido habilidade, ou ocupasse um trono de certo modo alheio, como costumam os demais reis, ele diz que essa dignidade é tão antiga quanto a própria criação, de modo que o trono deste reino foi fundado no mesmo instante em que se lançavam os fundamentos da terra;

e, assim como a terra foi por ele estabelecida como o seu escabelo, também o céu era o seu trono (Isaías 66:1), que permanece para sempre. Ensina especialmente que, desde a eternidade, antes da formação do mundo, Deus sempre permaneceu o mesmo em si mesmo, sem precisar da criação ou de qualquer criatura para obter alguma nova perfeição.

— Lorinus.

Desde a antiguidade. No italiano, "desde toda a eternidade"; no hebraico, "desde então" — uma expressão hebraica para significar uma eternidade sem princípio algum (Provérbios 8:22), assim como a eternidade sem fim é significada por outro termo, que equivale a "até então".

— Diodati.

Versículo 3Salmo 93:3

As enchentes se levantaram, etc. Ele menciona as enchentes propositalmente neste lugar, para melhor retratar os efeitos da guerra. Pois quando os rios sobem e incham com as enchentes, rompem as margens que os continham e se espalham por toda a extensão das planícies vizinhas, arrastando tudo em seu curso. Assim é a natureza da guerra: quando os exércitos são despachados para os territórios, devastam e enchem todos os lugares de matança. Por isso Virgílio emprega esta comparação (Eneida, livro II), ao descrever a violência do exército grego irrompendo na cidadela de Príamo — na tradução de Dryden:

"Irrompem os gregos, e enchem todos os aposentos;

Os poucos defensores que encontram, eles matam.

Não com tanta fúria a onda espumante

Ruge, quando encontra seu curso rápido detido;

Derruba os diques com força irresistível,

E arrasta o gado e os casebres."

— Mollerus.

As suas ondas. O [termo hebraico] significa uma onda; porque a água, ao se lançar contra uma rocha, ou a praia, ou outra onda, se quebra em espuma. Pois a ideia central da palavra é a quebra. E isso serve bem para retratar o desfecho daquelas comoções e guerras empreendidas para a derrubada de impérios e da igreja. Pois, assim como as ondas poderosas enchem de horror os que as veem, também os exércitos grandes e poderosos enchem tudo de medo e terror. Mas, assim como as ondas, ao se chocarem, em um instante se quebram e desaparecem, também o poder dos reis e dos príncipes muitas vezes se dissolve num só olhar de Deus. A Igreja habita nesta vida como uma rocha em meio às ondas, batida pelas ondas de cada tempestade; mas permanece imutável, porque o Filho de Deus a confirma e a sustenta.

— Mollerus.

Versículo 4Salmo 93:4

O Senhor nas alturas. "Nas alturas" não deve ser entendido em sentido de localidade, pois ninguém compete com Deus nisso, mas em referência ao domínio e à glória.

— Martin Geier.

O Senhor nas alturas é mais poderoso, etc. Por isso, não considere tanto a sua aflição quanto o seu Libertador; e quando a combinação maliciosa dos homens o assustar, que a comunhão com Deus o sustente. O perigo pode exceder a sua resistência, mas não o socorro de Deus; o poder dos inimigos pode superar a sua força, a sua astúcia pode enganar a sua prudência, mas nenhum deles pode superar a sabedoria e o poder de Deus, que está contigo. Ó, aprenda, pois, a provar a Deus na sua força, a confiar nele nas dificuldades; e quando as ondas impiedosas estiverem prontas para te engolir, entregue-se à sua guarda. O marinheiro em apuros olha para o céu; faça você o mesmo; e lembre-se de que, por mais altas que estejam as águas da aflição, "o Senhor nas alturas é mais poderoso do que elas."

— Abraham Wright.

Versículo 5Salmo 93:5

Os teus testemunhos, isto é, as tuas palavras; ou, 1. os teus preceitos, que comumente são chamados de testemunhos de Deus. Assim, tendo falado do reino de Deus, ele agora mostra que as leis desse reino são justas, verdadeiras e santas, o que é um elogio singular a ele. Ou, 2. as tuas promessas, como se pode inferir das palavras seguintes, "são seguras", ou verdadeiras, ou fiéis — atributo que propriamente pertence, e em toda a Escritura é atribuído, mais às promessas do que aos preceitos.

E as promessas, não menos que os preceitos, são testemunhos de Deus, ou testemunhas e declarações da sua mente e vontade para com a humanidade. E ele parece falar aqui daquelas grandes e preciosas promessas a respeito do estabelecimento do seu reino no mundo pelo Messias; as quais, diz ele, são infalivelmente verdadeiras e certamente se cumprirão no teu tempo.

— Matthew Pool.

A santidade convém à tua casa, ó Senhor. Coisas singulares se esperam de todos os que se aproximam de Deus em qualquer dever, mas especialmente no ofício do ministério; eles devem santificar-se com um cuidado singular, acima do restante do povo. Os que se colocam diante de príncipes devem ser exatos em seu porte. Deus determinou que tanto os pesos como as medidas do santuário fossem duas vezes maiores que os da comunidade civil, para mostrar que ele espera muito mais dos que ali o servem do que dos demais. A santidade fica bem a toda casa, mas melhor de todas à casa de Deus; e a todo homem, mas mais do que a todos ao ministro, que é o espelho no qual o povo contempla o céu, e o guia que os conduz até lá. Ora, se o espelho estiver manchado, em vez de um anjo eles enxergam uma fúria; e se a condução for falsa, há mais perigo no guia do que no caminho. Ninguém, portanto, deve andar tão estritamente quanto o ministério.

— Abraham Wright.

A santidade convém à tua casa, ó Senhor, para sempre. Nenhuma cortina, nenhuma tapeçaria fica tão bem à casa de Deus quanto a santidade; e nenhum lugar é tão próprio quanto a casa de Deus para esta rica e formosa peça. Os pagãos cegos eram cuidadosos e devotos no serviço de ídolos mudos; serviam-nos vestidos de branco, emblema da pureza; nada achavam bom demais para aqueles falsos deuses, para os quais o pior não era ruim o bastante. Sólon, o legislador ateniense, decretou que ninguém servisse aos deuses de passagem, ou de forma incidental, e que os seus sacrificadores se purificassem com alguns dias de antecedência.

— George Swinnock.

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